Valorizar servidores, sim. Privilégios, não

Sindicalistas estão articulando uma frente em defesa do serviço público no Distrito Federal. O manifesto que divulgaram está, em essência, correto: é preciso valorizar o serviço público e seus agentes. Na terça, 22, haverá uma reunião para debater a criação da frente e estão convidados “parlamentares federais e distritais do DF, as entidades civis, sindicais, sociais, populares e religiosas”.

Não se sabe ainda pelo que lutará essa frente tão ampla em defesa do serviço público. Se for realmente pela valorização dos servidores e por melhores serviços públicos, ótimo. Mas se for para defender privilégios e benesses como a absurda pecúnia das licenças-prêmio, aumentos salariais incompatíveis com a realidade financeira e social que vivemos, horários de trabalho reduzidos e remunerações acima do teto, o movimento será apenas uma tentativa de envolver outros segmentos nas pressões corporativistas de sindicatos.

A valorização dos servidores passa por uma reforma do Estado que corrija injustiças — como os salários de professores, baixos diante dos de outras categorias –, reduza radicalmente o número de comissionados, racionalize a máquina pública e aumente a eficiência na prestação de serviços. Nada de Estado mínimo ou Estado inchado, mas o Estado necessário para atender corretamente à população.

Privilégios para servidores significam menos dinheiro para investimentos e custeio dos serviços públicos, e quem perde é o povo. Não é aceitável a privatização de recursos públicos em favor de poucas pessoas físicas e aumentando a desigualdade social.

Partidos e sindicatos que se dizem de esquerda deveriam pensar mais nisso.

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1 comentário

  1. O corporativismo domina hoje a pauta dessas entidades, que já tiveram papel importante no debate político nacional. Só enxergam os interesses imedidatos, como rajustes salariais e benefícios, e são incapazes de formular propostas de interesse nacional.

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