Nova política exige ousadia e coragem

A coluna Eixo Capital, do Correio Braziliense, publicou hoje uma pequena entrevista comigo, feita pela jornalista Ana Maria Campos. Foi publicado o que eu disse, sem nenhum erro, mas, como o espaço é pequeno, há questões que não ficaram muito claras e algumas pessoas me questionaram sobre alguns pontos.

Aproveito este blog, então, para me estender um pouco mais:

1. É possível, sim, superar a velha política por um jeito novo e diferente de fazer política. A postura dos que dizem que “sempre foi assim” ou que sem as práticas fisiológicas não há “governabilidade” é comodista e conformista — quando não é pretexto para continuar fazendo a velha política.

2. É claro que haverá resistências ao governante que tiver a coragem de implantar a nova política. Mas a resistência dos políticos fisiológicos, patrimonialistas, picaretas, demagogos e corruptos e seus seguidores tem de ser enfrentada e para isso o governante precisa de uma aliada fundamental: a população. Cada movimento nefasto dos velhos políticos — chantagens, ameaças, extorsões e por aí adiante — tem de ser denunciado publicamente. A população tem de saber o que acontece, nada de reuniões e acordos secretos.

3. Ninguém abre mão de privilégios e benesses sem briga, então o que é preciso é estar preparado para ela. A vitória definitiva não virá de um dia para o outro e o novo vai conviver com o velho por um período — quanto menor, melhor. Para evitar a derrota, tem de haver persistência e não recuar nem para tomar impulso. Quem quiser executar a nova política terá de “ousar lutar, ousar vencer”.

4. O loteamento de cargos na administração e em empresas estatais não é condenável só por contrariar padrões como o mérito e a valorização do servidor de carreira em favor de indicações políticas. É condenável porque, com enorme frequência, os políticos indicam pessoas despreparadas para as funções ou que são ali colocadas para executar práticas nocivas, como o aparelhamento da máquina e o roubo do dinheiro público mediante extorsões e desvios em contratos. O loteamento prejudica a boa e correta prestação dos serviços públicos e assim quem mais perde é o povo.

Tem mais, na próxima nota

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