Sempre haverá um juiz bonzinho e o fato consumado

A maioria dos moradores do condomínio Ville de Montagne vai à Justiça contra os preços definidos pela Terracap para a venda direta dos lotes que ocuparam ilegalmente e agora estão sendo regularizados. Acham elevados os valores pelos terrenos de 800 metros quadrados no Jardim Botânico, bairro próximo ao Plano Piloto e altamente valorizado: de R$ 195 mil a R$ 199 mil. Mesmo podendo parcelar em 20 anos e tendo desconto de 25% se pagarem à vista.

Para qualquer cidadão que não invadiu terras públicas no condomínio com nome pedante, esses valores são irrisórios. No dia seguinte ao em que forem comprados por menos de R$ 200 mil, esses lotes já estarão valendo três vezes mais, no mínimo. Não vale a desculpa de que os moradores já pagaram pelos lotes, pois compraram de criminosos que lotearam ilegalmente a área. Quem compra uma bicicleta roubada não tem o direito de ficar com ela e se quiser comprá-la do dono terá de pagar de novo.

A Terracap ameaça colocar em licitação os terrenos, todos edificados, de quem não assinar o contrato até 6 de setembro. É claro que isso não vai acontecer: os moradores que não assinarem contam com dois fatores que sempre favoreceram as irregularidades urbanas em Brasília: o fato consumado e a benevolência, ou conivência, de alguns juízes e desembargadores. Além disso, quem comprará lotes com casas habitadas por pessoas de classe média alta e que, de modo geral, tem contatos com poderosos?

E assim segue firme a privatização dos recursos públicos por privilegiadas pessoas físicas.

 

 

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