Valorizar servidores, sim. Privilégios, não

Sindicalistas estão articulando uma frente em defesa do serviço público no Distrito Federal. O manifesto que divulgaram está, em essência, correto: é preciso valorizar o serviço público e seus agentes. Na terça, 22, haverá uma reunião para debater a criação da frente e estão convidados “parlamentares federais e distritais do DF, as entidades civis, sindicais, sociais, populares e religiosas”.

Não se sabe ainda pelo que lutará essa frente tão ampla em defesa do serviço público. Se for realmente pela valorização dos servidores e por melhores serviços públicos, ótimo. Mas se for para defender privilégios e benesses como a absurda pecúnia das licenças-prêmio, aumentos salariais incompatíveis com a realidade financeira e social que vivemos, horários de trabalho reduzidos e remunerações acima do teto, o movimento será apenas uma tentativa de envolver outros segmentos nas pressões corporativistas de sindicatos.

A valorização dos servidores passa por uma reforma do Estado que corrija injustiças — como os salários de professores, baixos diante dos de outras categorias –, reduza radicalmente o número de comissionados, racionalize a máquina pública e aumente a eficiência na prestação de serviços. Nada de Estado mínimo ou Estado inchado, mas o Estado necessário para atender corretamente à população.

Privilégios para servidores significam menos dinheiro para investimentos e custeio dos serviços públicos, e quem perde é o povo. Não é aceitável a privatização de recursos públicos em favor de poucas pessoas físicas e aumentando a desigualdade social.

Partidos e sindicatos que se dizem de esquerda deveriam pensar mais nisso.

A realidade paralela dos “candidatos”

Os candidatos que tanto se movimentam aqui em Brasília para as eleições de 2018 estão vivendo em realidade paralela. Pelo jeito, nem conversam com as pessoas, de empresários a desempregados, nem têm acesso a pesquisas de opinião sérias.

Talvez por gastar tanto tempo com conversas entre eles e em tirar fotos juntos. Ou em acreditar em pesquisas manipuladas.

 

 

Mais um absurdo do incrível TCDF

Muitos políticos, juízes, promotores, procuradores e marajás dos três poderes parecem ter ligado o “f…-se” para o povo e não estão nem aí para a crise que assola o país e para o empobrecimento da população. Continuam defendendo seus aumentos salariais, privilégios, mordomias e benefícios como se estivessem acima dos cidadãos comuns.

Os conselheiros do Tribunal de Contas do Distrito Federal não fogem à regra. Recebem desde 2013 um imoral auxílio-moradia de R$4.377,73 mensais e agora conseguiram o reconhecimento do “direito” de receberem valores retroativos referentes ao período de 2009 a 2013. Sangria nos cofres públicos para beneficiar sete conselheiros, a maioria dos quais nenhuma pessoa séria e honesta gostaria de ver trabalhando em sua empresa ou em um órgão público: R$ 1,6 milhão.

O auxílio-moradia é uma imoralidade criada para aumentar salários de quem já ganha muito bem. Quem precisa de auxílio-moradia são os desempregados e os que têm baixa renda.

 

Me engana que eu publico — e ajudo a enganar

Já começou a temporada de notinhas e fotografias plantadas em colunas e blogs por políticos que querem se cacifar para as eleições de 2018. Esses políticos promovem reuniões, cafés da manhã, almoços e jantares entre eles próprios para mostrar que estão ativos e articulados. Passam as informações para colunistas e blogueiros, que as acolhem festivamente, e ainda enviam fotografias tiradas por assessores — e que são, naturalmente, publicadas.

Esta é a temporada também dos lobbies que esses políticos fazem por intermédio de blogueiros afinados com eles, ou até que para eles trabalham. Quem procurar o que era postado em 2013 e 2014 vai encontrar “informações” e “bastidores” que anunciavam candidaturas irreversíveis ou mesmo antecipadamente vitoriosas, alianças consolidadas e postulantes fatalmente condenados ao fracasso.

A sorte de colunistas e blogueiros é que ninguém vai conferir depois.

 

Brasília pode não ser o Amazonas

Os políticos tradicionais de Brasília animaram-se com o resultado das eleições para governador do Amazonas: foram para o segundo turno dois políticos tradicionais e envolvidos em corrupção, os ex-prefeitos e ex-governadores Amazonino Mendes (PDT, com 38,7% dos votos válidos) e Eduardo Braga (PMDB, com 25,3%), senador atualmente. Em terceiro lugar, com 18,6%, ficou outra representante da velha política, Rebecca Garcia, do PP, um dos partidos mais sujos na Lava-Jato. O candidato do PT, José Ricardo, ficou em quarto lugar com 12,1%.

Se isso aconteceu lá, pode acontecer aqui, raciocinam os velhos políticos brasilienses. O repúdio dos eleitores aos políticos tradicionais e à corrupção, e que pelo menos em parte se expressou em 24,35 de abstenção, 3,49% de votos em branco e 12,33% de votos anulados, não impediu a vitória de Amazonino e Braga, que vão para o segundo turno.

Os velhos políticos de Brasília não estão totalmente errados: protestar se abstendo e votando nulo ou em branco ajuda a eleição da velharia política. Mas isso muda se houver um ou mais candidatos que representem novas ideias, novas práticas e novos métodos e que estejam sintonizados com o que quer o eleitorado. Se esses candidatos conseguirem captar o voto de protesto, dificultarão a vida dos políticos tradicionais.

Foi o que faltou no Amazonas. Aqui talvez não falte.

 

De volta ao blog

Estava deixando passar o lançamento do livro para reiniciar este blog, depois de quase quatro anos de interrupção. Parei de publicá-lo quando passei a me dedicar à pré campanha do então candidato Rodrigo Rollemberg ao governo. O conflito de interesses seria evidente.
Depois que saí do governo publiquei textos sobre temas nacionais e locais no Brasil247, no Jornal de Brasília e no Congresso em Foco. Mas já pensando em retomar o blog.
Não é um blog de notícias, nem agregador de textos — embora, eventualmente, possa reproduzir textos de outras pessoas que achar interessante. O blog segue a minha linha de interpretar, analisar criticamente e opinar sobre os fatos.

Assim é a velha política

Lancei ontem a coletânea das colunas que publiquei em 2016 no Jornal de Brasília. Sob o título “Assim é a Velha Política”, trato de temas diversos, ligados à realidade brasiliense, com uma abordagem analítica e crítica. Não queria uma coluna para dar notícias e servir de palco para interessados em aparecer, queria contar o que há por trás e por baixo dos fatos.
O lançamento foi muito bom, o Carpe Diem ficou lotado de 19h até 23h30 e conseguimos vender mais de 300 livros. Já estão programadas duas conversas sobre o tema do livro, seguidas de autógrafos para os que quiserem: no dia 6 de setembro, às 10 horas, na Livraria do Chiquinho, na Ala Norte do Minhocão (UnB); no dia 16 de setembro, um sábado, às 16 horas, na Banca da Conceição (308 Sul). O livro pode ser comprado nesses dois locais, na sede da Editora Meiaum (Deck Norte sala 350) e pelo site heliodoyle.com.br/assimeavelhapolitica. Custa R$ 40,00 e o frete é gratuito para endereços no Distrito Federal.
O livro tem um texto do senador José Antonio Reguffe, prefácio do poeta Nicolas Behr e apresentação da editora Anna Halley — responsável pela edição, ao lado do excelente designer Carlinhos Drumond, que também desenhou a capa.