Governo erra ao agir nos moldes da velha política

Quando o governo de Brasília recorre aos métodos da velha política para aprovar seus projetos na Câmara Legislativa pode até ter sucesso, mas está contribuindo para perpetuar práticas nocivas para a sociedade. É possível ter maioria entre os distritais distribuindo secretarias, administrações regionais, diretorias de empresas e cargos nos diversões escalões, liberando emendas, assegurando benesses e até — como já se fez em outros governos — pagando “mensalinhos” a parlamentares. O custo social disso, porém, é muito maior que o benefício.

A Câmara não prima pelas boas práticas e a maioria dos distritais gosta mesmo é da velha política, mas um governo eleito para mudar e mostrar atitude deveria rechaçar e combater os vícios dos parlamentares, e não adotá-los a seu favor. Esse tipo de garantia da “governabilidade” já mostrou os males que causa ao país e ao Distrito Federal, e que não se restringem ao âmbito da ética e da moral — o toma lá dá cá e a corrupção dele decorrente prejudicam diretamente a população, que vê os recursos do Tesouro desviados para agradar parlamentares enquanto os serviços públicos se deterioram pela má gestão e pelo roubo descarado dos apadrinhados dos políticos.

É a utilização dos métodos da velha política que leva o governo a não dialogar corretamente com os deputados distritais e com a sociedade para ver aprovados projetos que considera importantes e necessários, como o que altera o sistema previdenciário. O governo tem preferido enviar os projetos sem debate prévio com a sociedade e com os parlamentares, exigindo aprovação em curtíssimo prazo. Alega-se que se não formar maioria pelos métodos não republicanos e pressionar pela aprovação rápida, o governo dará tempo à oposição para se organizar e derrotar a proposta.

É verdade que há um grande grupo na Câmara ao qual só interessa desgastar o governador e o governo e impedir que tenham sucesso na gestão. O que esse grupo parlamentar e suas ramificações externas querem é viabilizar a volta deles ao Buriti. Esses distritais e seus aliados corporativistas e partidários não estão nem aí para o mérito das propostas ou para o benefício que possam trazer para a população, preferem derrotá-las com argumentos demagógicos e muitas vezes mentirosos.

Cabe ao governo, assim, ganhar o apoio da sociedade para suas propostas. Para isso precisa saber apresentá-las e argumentar, sem medo do debate e das divergências. Tem de dar respostas aos argumentos contrários e às criticas, desmascarando os que se opõem apenas por motivos políticos e partidários ou para obter vantagens indevidas em troca do voto. Se não faz isso, muitas vezes deixa prevalecer as alegações, verdadeiras ou mentirosas, dos opositores.

A comunicação tem um papel fundamental nesse processo, mas que vai muito além da veiculação de publicidade e inserções em redes sociais. A comunicação envolve a elaboração de argumentos convincentes e sua apresentação à sociedade e aos distritais de modo claro, por canais diretos e pela mídia. E a comunicação, nunca é demais repetir, não faz milagres quando a gestão e a política vão mal.

 

 

Leia também

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *