Empresários buscam candidato e jornal já lança uma opção

Uma entrevista de duas páginas, com chamada de capa, marcou o lançamento, pelo Correio Braziliense, da candidatura da empresária Janete Vaz ao governo de Brasília. A intenção pode até não ter sido essa, mas é assim que foi interpretada pelos que leram a longa matéria publicada na edição de domingo. O jornal vai desmentir essa interpretação se, em próximas edições, publicar entrevistas com outras personagens importantes de Brasília — não necessariamente do meio empresarial.

Na entrevista, Janete, que é uma das sócias do bem-sucedido Laboratório Sabin, nega que seja candidata, como geralmente todos fazem. Mas diz — e isso é ressaltado pelo jornal na primeira página — que tem sido assediada por empresários e partidos para disputar o governo. É verdade. Há, no empresariado local, uma movimentação em busca de alguém que possa ser o “não político”, o “outsider” ou, como alguns dizem, o “Dória” para enfrentar o governador Rodrigo Rollemberg e os outros políticos à direita e à esquerda que têm se colocado como candidatos.

Essa movimentação está sintonizada com o forte sentimento, no país e em Brasília, de rejeição aos políticos tradicionais, aos partidos e à velha política. Um candidato desvinculado da politicagem, que apresente atributos como honestidade e seriedade e passe uma imagem de competência e experiência de gestão tem realmente chances de vencer a eleição para o governo, apesar das dificuldades que terá em se tornar conhecido — mas nada que uma boa campanha não resolva.

Há, entre empresários de Brasília, a ideia de que um deles pode ser esse candidato. Só que não é tão simples assim: há também em grande parcela do eleitorado, em função de exemplos recentes, a desconfiança de que um grande empresário possa usar o governo para a defesa de seus negócios. E associar esse possível candidato em Brasília ao prefeito João Dória, que se desgasta a cada dia devido à superexposição e ao estilo marqueteiro e demagógico, pode ser também muito negativo.

É real a possibilidade de surgirem novos candidatos ao governo, empresários ou não, para enfrentar os velhos políticos. As circunstâncias favorecem isso e nos próximos meses veremos alguns balões de ensaio e personagens se colocando. É arriscado e irresponsável fazer previsões sobre as chances de vitória de um “outsider”, mas, no atual quadro, nada é impossível.

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