Eleições estão por trás dos dois lados do projeto da previdência

Por mais que todos se esforcem para dizer o contrário, não há como esconder que as eleições de 2018 estão por trás do debate sobre as mudanças na previdência dos servidores do Distrito Federal. É simples: o governador Rodrigo Rollemberg quer se reeleger e os que se opõem a ele querem impedir que ele se reeleja.

As mudanças na previdência têm seus fundamentos técnicos, como têm também os argumentos contrários. Os problemas são reais e a busca de soluções é necessária. Mas não é isso que está pesando. O que norteia as posições dos dois lados é se o governo terá ou não recursos para terminar relativamente bem seu mandato e assim viabilizar a reeleição do governador.

Rollemberg já tem os 13 votos necessários para aprovar as mudanças, mas, como sabe que não deve confiar na palavra de deputados distritais, procura aumentar sua vantagem. Tem conversado pessoalmente com alguns deles — e prometido as benesses reivindicadas — e pede a empresários e outras pessoas que tentem convencer os recalcitrantes. Em entrevista ao Correio Braziliense prometeu a solução de todos os problemas financeiros de Brasília se seu projeto for aprovado pela Câmara e ameaçou com o pior dos mundos se isso não acontecer.

Os que se opõem ao projeto têm suas razões técnicas e reclamam que o governo tentou aprová-lo às pressas, sem debate, daí o recurso à Justiça. Os argumentos são, naturalmente, questionáveis, mas os contrários têm razão quanto ao açodamento do governo. A prova é que só agora o assunto está sendo mais abordado pelos meios de comunicação, que tentam explicar o tema à população, e a entrevista de Rollemberg foi respondida por uma nota do PT e por um artigo do presidente da Câmara Legislativa, deputado Joe Valle.

Mais do que resolver um problema de déficit previdenciário, ou pelo menos minimizá-lo, o projeto resolve problemas políticos do governo. E cria problemas para os candidatos que pretendem disputar a eleição com Rollemberg.

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1 comentário

  1. Infelizmente, questões republicanas ou mesmo as meramente instrumentais – mais ou menos necessárias ou emergenciais – são todas tratadas no varejo obsequioso do toma-lá-dá-cá, segundo o cálculo político estreito e de agenda curta dos grupos e alianças político-eleitorais.

    O interesse da população continua representado pelo acaso de políticos e gestores precisarem mostrar minimamente algum resultado. Se apenas criar uma imagem que garantisse permanência no poder fosse suficiente, nem isso ocorreria. Não é à toa que marqueteiros dão o rumo das campanhas e boa parte do dinheiro que, ‘dizem’, não se tem, aparecem aos borbotões em campanhas publicitárias milionárias.

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