Debate sobre previdência é insuficiente, mas melhor que pressa na votação

A decisão da Justiça impedindo a votação das mudanças na previdência teve um mérito: abriu o debate sobre o assunto, ainda que não na dimensão desejável. Ontem o governador e sua equipe explicaram o projeto a representantes do setor empresarial e hoje o mesmo grupo está ouvindo o presidente da Câmara, Joe Valle. A imprensa, em diferentes níveis de qualidade e quantidade, está falando mais do assunto. Os sindicatos de servidores estão tendo tempo para se manifestarem.

Não é, certamente, o debate que o governo deveria ter aberto desde que resolveu enviar o projeto à Câmara Legislativa. Antes de ter sua forma final, o texto poderia ter sido discutido com os distritais da base governista, com os sindicatos (de servidores ou não), com os empresários e outros segmentos da sociedade. O próprio governador, em suas falas, tem mostrado que o projeto não interessa apenas aos servidores distritais, mas a toda a população.

A pior alternativa, de enviar o projeto sem discussão e exigindo celeridade na aprovação, havia sido, mais uma vez, a escolhida pelo governo. É um método típico das velhas práticas políticas, que recomendam pegar os parlamentares de surpresa e forçá-los a aprovar a proposta, geralmente sob pena de retaliações. E, principalmente, sem dar tempo para contestações ou mobilizações.

Ao limitar o debate público com empresários o governo também dá uma demonstração de que ainda não entendeu que os tempos mudaram. O equivocadamente e comodisticamente chamado “setor produtivo” — como se trabalhadores, artistas, intelectuais e profissionais liberais fossem improdutivos — é fundamental e deve sempre ser ouvido, mas não com exclusividade.

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