Algum debate é melhor do que nenhum, mas sociedade civil vai além de empresários e servidores

A decisão judicial que impediu a Câmara Legislativa de colocar em votação a proposta do governo de Brasília alterando o sistema previdenciário teve, pelo menos, um mérito: possibilitou a ampliação do debate sobre o tema. Foi aparentemente uma ingerência indevida do Judiciário em assuntos de outro poder, mas há males que vêm para o bem. Só que…

Só que o debate está limitado ao segmento empresarial (que gosta de ser chamado de setor produtivo, como se os demais fossem improdutivos) e a alguns setores do sindicalismo dos servidores. Além dos deputados distritais, naturalmente. Ou seja: são considerados apenas os interesses do governo, dos distritais, dos empresários e dos dirigentes sindicais que, bem ou mal, representam os servidores.

Não temos de estranhar isso, pois a sociedade civil não está suficientemente organizada para influir nas questões que lhe dizem respeito e a maioria da população não se sente incentivada a participar do processo de decisão. Nenhum dos governos ditos de esquerda que ocupou o Buriti cuidou, de fato, de promover a viabilizar mecanismos e processos para a participação efetiva da população nas decisões, em qualquer nível.

Algum debate é melhor do que nenhum, mas se o debate fica circunscrito a alguns segmentos o resultado pode ser muito ruim para o conjunto da população. Não se pode, porém, culpar os que se organizaram para a discussão, como os empresários e os sindicalistas, pela desorganização ou ineficiência de outros setores da sociedade ou pela omissão do governo em desenvolver mecanismos para ouvir e dar participação à sociedade civil.

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