Demagogia também é prática da velha política

A velha política não se caracteriza apenas pelas práticas fisiológicas — o toma lá dá cá, o loteamento de cargos no governo e em empresas públicas para atender a aliados, a troca de votos nas casas legislativas por benesses às custas dos cofres públicos. A demagogia e a enganação também são características da velha política.

Há diversas manifestações de demagogia, mas as mais corriqueira atualmente são as críticas com base em informações mentirosas ou distorcidas, o discurso meramente retórico, sem fundamentação, e a sugestão de ações e medidas sem explicar como viabilizá-las em tempos de crise e de pouco dinheiro.

Velhos políticos, mesmo alguns revestidos de modernidade, praticam a demagogia rotineiramente. Dirigentes sindicais e de outras entidades seguem o mesmo caminho, pois é fácil cobrar e criticar sem ter de fundamentar e mostrar caminhos. Discursos veementes e recheados de jargões, sem um milímetro de profundidade, dominam a Câmara, assembleias, reuniões, imprensa e redes sociais.

Nos últimos dias temos dois bons exemplos: o primeiro são os programas do DEM na televisão e no rádio, nos quais o deputado Alberto Fraga profere frases de efeito com críticas ao governo de Brasília sem a menor preocupação com os fatos. Não que não caibam críticas ao governo local, nem que essa prática seja exclusiva de Fraga. Mas o deputado poderia, para usar seu slogan igualmente demagógico, respeitar o povo, cansado de demagogia.

Outro exemplo é a alegação do Sindicato dos Policiais Civis do DF, o Sinpol, de que o governo manipula dados ao anunciar que haverá uma queda nos valores do Fundo Constitucional, quando haverá aumento. Na verdade, o governo não disse que haverá queda em relação ao ano passado, mas ao previsto na Lei de Diretrizes Orçamentárias, pois houve frustração da receita corrente líquida da União. Em termos nominais, os valores do fundo aumentarão, em 2018, em relação a 2017. Em termos reais, considerando a inflação, estarão no nível de 2011.

Há muito o que criticar no governo de Brasília. Não é preciso recorrer a mentiras, distorções e discursos demagógicos.

Leia também

1 comentário

  1. A velha política é a ‘arte da enganação’, do espertalhão, do velhaco. Conheço um excelentíssimo senhor deputado federal que gosta de recitar o seguinte ditado: “Quem o bolo parte, e não fica com a melhor parte, ou é bobo ou não entende da arte”. A julgar pela maioria dos políticos eleitos, dá a impressão que o povo gosta mesmo de ser enganado.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *