A Câmara Legislativa faz a festa com os R$ 26 milhões da publicidade

Não tem o menor sentido uma casa legislativa ter verba para publicidade, a não ser para publicidade legal — editais e notificações obrigatórias por lei. Muito menos uma verba de R$ 26 milhões anuais, dinheiro que poderia estar sendo gasto em benefício da população, ainda mais em época de crise financeira e falta de recursos para investimento e custeio em áreas essenciais.

O trabalho do Observatório Social mostra que em 2013 a Câmara gastou R$21,702 milhões com publicidade. Em 2014, por ser ano eleitoral — a publicidade é proibida durante a campanha — foram R$ 11,57 milhões. Aumentou para R$ 24,9 milhões em 2015, R$ 26,07 milhões em 2016 e caiu ligeiramente para R$ 25,9 milhões em 2017.

Os distritais, especialmente o presidente da Câmara e outros membros da mesa diretora, usam a verba publicitária para fazer política: procuram agradar aos amigos e tentam evitar matérias críticas à casa e a seus integrantes. A distribuição do dinheiro entre os veículos de comunicação, que incluem a mídia exterior — paineis, outdoors, busdoors — e aos fornecedores das agências de propaganda não obedece a critérios técnicos, mas a interesses dos deputados.

A verba de R$ 26 milhões é dividida em duas partes: uma é aplicada pela mesa diretora e a outra é dividida entre os 24 distritais. Cada um deles indica que veículos e fornecedores quer beneficiar, sem necessidade de comprovar a audiência real dos agraciados. Ganham dinheiro da Câmara, por exemplo, emissoras de rádio sem ouvintes, blogs sem leitores e jornais comunitários que mal circulam na família do editor. Por isso não há qualquer preocupação do comando da Câmara com a transparência.

Mas, de acordo com o que se comenta na própria Câmara e nos meios de comunicação, há mais: alguns dos agraciados com a verba publicitária entregam parte do que recebem ao parlamentar, como também acontece com beneficiados por emendas — especialmente as destinadas a eventos — e com alguns comissionados nos gabinetes e lideranças partidárias.

Talvez não seja verdade, mas quem conhece a Câmara Legislativa não duvida nada disso.

Leia também

1 comentário

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *