Governo não dialoga, impõe projeto e não sabe se comunicar

O governador Rodrigo Rollemberg e seus principais auxiliares estão mais do que empenhados em fazer a Câmara Legislativa aprovar o projeto que altera o sistema de previdência dos servidores do governo de Brasília. A aprovação das mudanças vai garantir que os salários do funcionalismo sejam pagos em dia e dará a Rollemberg mais tranquilidade para arcar com outros gastos do governo e disputar a reeleição.

O projeto é tão importante para o governo que fica difícil para o governador e seus secretários explicar algumas coisas:

– Por que o governo demorou dois anos e meio para enviá-lo à Câmara Legislativa.

– Por que enviou o projeto em uma sexta-feira já querendo aprová-lo até a terça-feira seguinte, ou seja, sem permitir que seja bem discutido não só pelos deputados como pelos servidores e pela sociedade.

– Por que demorou uma semana para iniciar uma campanha de propaganda nos meios de comunicação para defender o projeto.

As três questões envolvem três grandes falhas do governo de Brasília, e que vêm se repetindo desde o início da gestão:

– A lentidão na tomada de decisões e a falta de coragem para implementar medidas polêmicas.

– O método de não debater suas propostas previamente com os interessados, com os parlamentares e com a sociedade, substituindo o desejável trabalho de explicar, esclarecer, argumentar, convencer e persuadir pela imposição e — a palavra, infelizmente, é esta — chantagem sobre os distritais: ou aprovam ou vamos parcelar os salários.

– A falta de compreensão do governador e da maior parte de seu governo sobre a comunicação e seu papel no trabalho de obter apoio da sociedade para seus projetos.

Vou escrever mais ainda hoje sobre a falta de diálogo do governo e o desperdício de cerca de R$ 1,5 milhão com péssima propaganda do projeto da previdência.

Pesquisa confirma o que se sabia: 91,4% não tem candidato em Brasília

Os resultados de pesquisas quantitativas feitas um ano antes das eleições são praticamente inúteis. Servem apenas para verificar o nível de conhecimento que os eleitores têm dos possíveis candidatos e esse dado é, geralmente, influenciado pelos resultados das eleições anteriores. Servem também, claro, para os candidatos mais bem colocados fazerem propaganda como se já estivessem eleitos, embora sejam inúmeros os casos de cavalos paraguaios que lideravam um ano antes e nem foram para o segundo turno.

A pesquisa realizada pelo Instituto Dataplan e publicada hoje pelo Metrópoles, porém, dá uma indicação importante, embora não seja nova: 91,4% dos eleitores de Brasília não sabem em quem votar ou não querem votar em ninguém nas eleições de 2018. Os que não sabem em quem votar são 58,9%. O nome mais citado espontaneamente é o do senador Reguffe, que não é candidato, com 1,6%.

Não há nenhuma novidade nos números apresentados, mas é bom que mais uma pesquisa confirme o que outras têm mostrado: os políticos tradicionais estão todos desgastados, apenas Reguffe é exceção. Os eleitores não se entusiasmam nem pelo governador Rodrigo Rollemberg (muito mal colocado) nem pelos que se anunciam, aberta ou disfarçadamente, como seus opositores, à direita e à esquerda.

Em situações normais os cenários para 2018 estariam indefinidos e seria bobagem falar em favoritos e derrotados. Na situação especial em que vivemos, falar em favoritos e derrotados é uma bobagem ainda maior.

Educação, gentileza e solidariedade na lei e na marra

O projeto deveria ser desnecessário, como tantos aprovados pela Câmara Legislativa. Mas como tem prevalecido a falta de educação nos coletivos, é muito bom que tenha sido promulgado o projeto tornando preferenciais todos os assentos nos ônibus e no metrô. O autor é o deputado Cristiano Araújo.

Assim a preferência, em todos os assentos, é de idosos, gestantes, pessoas com deficiência ou dificuldade de se locomover e com crianças de colo. Qualquer pessoa que não se enquadre nessas categorias já deveria ceder espontaneamente o assento a alguém nessas situações, mas como a má educação tem aumentado em proporção inversa à gentileza, e o individualismo supera em muito a solidariedade, a lei tem seu papel educativo.

Motoristas, cobradores e usuários do transporte coletivo têm a responsabilidade de exigir, aos que persistirem na falta de educação, gentileza e solidariedade, que cumpram a lei.