Distritais “pagam” para divulgar a própria inutilidade e inoperância (quem paga mesmo somos nós)

A Câmara Legislativa divulgou sua agenda da semana em peças publicitárias publicadas em jornais locais. A agenda é uma demonstração clara, e paga pelos contribuintes, da inutilidade de nossa casa legislativa. O trabalho real, e assim mesmo há controvérsias sobre isso, limita-se a duas sessões plenárias ordinárias, a partir de 15 horas de terça e de quarta, e uma reunião ordinária da Comissão de Constituição e Justiça, terça às 10h30. Vejamos a agenda:

Na segunda, abertura de exposição e sessão solene para entrega de título de cidadão brasiliense.

Na terça, além da reunião da CCJ e da plenária, abertura da feira do livro e duas audiências públicas: defesa do serviço público e Samu.

Na quarta, uma audiência pública (metas fiscais) e outra sessão solene para entrega de título, além da plenária.

Na quinta, duas audiências: primeira infância e valorização do biólogo.

Na sexta, três sessões solenes, uma delas em homenagem aos empregados da Terracap, e uma audiência pública sobre alfabetização de jovens e adultos.

Antes que os distritais digam que as audiências públicas são importantes: à maioria delas comparecem poucos deputados e escasso público, a não ser que seja em defesa de algum interesse corporativista. E geralmente são apenas palcos para a demagogia parlamentar. Levam a nada.

A Câmara gasta inutilmente muito dinheiro, os deputados distritais têm privilégios e mordomias demais e, no conjunto, são improdutivos e demagogos: raramente aprovam medidas positivas para a população; defendem prioritariamente corporações empresariais, sindicais e religiosas e grileiros de terras; grande parte das leis votadas é declarada inconstitucional; e fazem acordos entre amigos para derrubar vetos do governador, sem nenhum critério. Para o governo conseguir aprovar leis que considera importantes precisa aumentar ainda mais o já elevado nível de toma lá dá cá com cargos, emendas e verbas.

Os brasilienses deveriam constituir uma CPI para investigar a Câmara, mas não uma comissão parlamentar inútil como as montadas pelos distritais — uma Comissão Popular de Inquérito.

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