A farsa da reforma política e o exemplo catalão

Não havia mesmo a ilusão de que deputados e senadores aprovassem uma reforma da legislação que efetivamente aperfeiçoasse o processo eleitoral. O que os parlamentares fizeram foi apenas garantir dinheiro para suas reeleições e que o fundo partidário e os horários na TV serão apenas para os grandes partidos.

Apartados do mundo real, com medo das operações policiais e das investidas do Ministério Público e preocupados em assegurar os mandatos que lhes garantem alta renda e foro privilegiado, deputados e senadores levaram o Congresso Nacional ao fundo do poço. As negociatas para salvar Michel Temer são só parte da desmoralização do Legislativo.

As regras eleitorais vigentes, agravadas pela campanha mais curta, favorecem os que têm mandato e estão nos maiores e mais corruptos partidos. Só haverá renovação política de fato — e não mudanças de seis para meia dúzia — se o povo sair da letargia e do comodismo e fizer das eleições de 2018 um momento de ruptura em favor da democracia real e contra corruptos, picaretas e demagogos.

A mobilização pacífica, firme e decidida dos catalães poderia servir de inspiração para os brasileiros.

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