Abadia ganha estrutura no governo para fazer política de olho em 2018

A criação de secretarias e outras estruturas de poder para entregá-las a políticos é prática antiga em Brasília. É uma maneira de o governador ganhar aliados e os agraciados receberem um cargo que lhes dá exposição, poder, votos e verbas. Só quem perde é a população: as despesas com as secretarias são grandes e o dinheiro gasto com elas, que poderia ser bem aplicado, financia negociatas políticas e campanhas eleitorais. Além do que as secretarias vinculadas ao toma lá dá cá da velha politicagem são geralmente ineficientes e improdutivas.

Há em muita gente a ideia de que ter uma secretaria para chamar de sua é fundamental. Defendem a redução do número de secretarias, desde que não seja a que lhe interessa, que é “essencial”. É verdade que os governos, ao manterem e criarem secretarias sem necessidade ou sem serem parte de uma visão estratégica, contribuem para isso.

O governo de Brasília funcionaria muito bem com 10 secretarias, ou até 12. Algumas das atuais secretarias poderiam ser subsecretarias, departamentos ou órgãos executores. Mas ser secretário dá status e alguns privilégios e há quem não admita trocar o brega broche com a coluna do Alvorada (usado pelo primeiro escalão) pelo que representa a bandeira de Brasília (usado pelo segundo escalão). Recentemente, por exemplo, foi recriada, sem nenhuma razão forte, a Secretaria de Comunicação.

No atual governo já existe uma secretaria exclusivamente para atender ao presidente do PSB, Marcos Dantas, candidato a deputado federal. A secretaria é totalmente dispensável e sua ação se limita a um programa eleitoreiro  denominado Cidade Limpa. Todo o tempo e a estrutura da Secretaria de Cidades é gasto com a política, de olho na reeleição do governador (que não falta aos eventos marqueteiros do programa) e à eleição de Marcos Dantas.

Agora o governador Rodrigo Rollemberg está criando outra secretaria dispensável, denominada pomposamente de “Especial de Projetos Estratégicos”. O objetivo real é impedir a candidatura do deputado Izalci Lucas ao governo, aliar-se ao PSDB em 2018 (e somar seu tempo de TV para a reeleição) e dar à ex-governadora Maria de Lourdes Abadia um instrumento, pago pelo contribuinte, para ela fazer política e se viabilizar como candidata a deputada ou a vice-governadora.

O que a nova secretaria teoricamente fará, outros órgãos do governo fazem e podem continuar fazendo. Inclusive, se funcionasse, a Secretaria de Cidades poderia fazer. Mas, na verdade, a Secretaria de Projetos Estratégicos nada fará, além de política e politicagem, com vistas a 2018. E a um alto custo para os cofres públicos.

Afinal, assim é a velha política.

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