Governo tem de informar à sociedade por que aceita ou não as reivindicações de servidores

Greves em serviços públicos, como as dos empregados do metrô e da CEB, não são contra empresários ou governantes, são contra o povo. Os “patrões” dos servidores e empregados do governo e das empresas públicas são os cidadãos, e não, como muitos pensam, os que governam o Distrito Federal e os que dirigem as companhias cujo capital é total ou majoritariamente estatal. São os cidadãos que, pagando impostos, taxas e tarifas, custeiam os serviços públicos, incluindo-se os salários e benefícios recebidos pelos servidores e empregados. São os cidadãos que têm o direito de receber esses serviços com qualidade e eficiência.

Os que governam a cidade têm errado na gestão das sucessivas greves de servidores da administração e de empregados nas empresas públicas. Ou endurecem e sequer negociam ou cedem sem deixar claro para os cidadãos porque estão aceitando as reivindicações, que muitas vezes aumentam privilégios e oneram excessivamente os cofres públicos e o cidadão. Mas o pior é que as negociações e as decisões sobre as greves são tomadas a portas fechadas, sem que a sociedade seja informada de todas as circunstâncias que as cercam.

Para começar, as negociações não deveriam ser feitas com os diretores e advogados das empresas públicas. Muitos diretores e os advogados são empregados de carreira e o que for conquistado pela categoria irá beneficiá-los. Já houve casos, em gestões passadas, de procuradores de uma empresa perderem deliberadamente prazos de recursos. Secretários e diretores de autarquias também não são as pessoas mais indicadas para negociar com sindicatos de servidores e empregados públicos. Sofrem pressões diretas e, mesmo não sendo da carreira, querem ficar bem com os subordinados, às vezes em função de projetos políticos. Não adianta também incumbir o secretário de Administração ou Gestão — quando o titular quer fazer demagogia e irresponsabilidade com dinheiro público cede facilmente aos sindicatos, como foi no governo de Agnelo Queiroz.

As negociações deveriam ser, pelo lado do governo, coordenadas por um grupo destacado especialmente para manter permanente diálogo e entendimento com os sindicatos. O governo deveria apresentar não só aos sindicatos, mas à sociedade, todos os dados e números que utilizar para aceitar ou não as reivindicações. Isso levaria os sindicatos a terem de fazer o mesmo. Cada decisão do governo deveria ser muito bem fundamentada, com as consequências e impactos de cada ponto, e amplamente divulgada. A população tem o direito de saber por que o governo não cede, ou por que aceita esta ou aquela cláusula, e o que isso significará para os cofres do Estado e da empresa e para o bolso do cidadão.

O ideal seria que as negociações fossem abertas à imprensa, que documentaria todo o processo. O atual governo tentou isso, no início do mandato, mas os sindicatos das áreas de educação e de saúde reagiram mal e quiseram que as negociações fossem a portas fechadas. O que se via é que muitas vezes ouviam ou diziam uma coisa na reunião e contavam outra, diferente, nas assembleias. Mas isso faz parte do teatro político e os sindicatos não estão à parte dele.

Há realmente um ponto negativo nas negociações abertas à imprensa: na presença dos jornalistas e das câmeras, os participantes, dos dois lados, tendem a fazer discursos e encenar situações, em vez de negociar com seriedade. E com dinheiro público e com o cidadão não se brinca.

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