Pesquisas quantitativas agora só não têm menos importância que enquetes e blogueiros lobistas

Os sucessivos erros dos institutos de pesquisas, aqui e em outros países — como agora no Chile — têm levado a questionamentos políticos e metodológicos. Há os que acham que os institutos erram deliberadamente, para beneficiar uma ou outra força política. Há os que atribuem os erros à dificuldade de fazer pesquisas quantitativas nas condições atuais — as pessoas andam mais desconfiadas, não se preocupam em responder corretamente as questões, temem até mesmo conversar com os pesquisadores, quanto mais recebê-los em casa. E há os que acham que entrevistadores e seus supervisores não merecem confiança e falseiam questionários.

Seja lá o que for, pesquisas quantitativas um ano, ou 10 meses antes das eleições, não merecem muita atenção. Dão, no máximo, indicações que podem ser úteis a estrategistas de campanhas, se forem lidas corretamente. Não dá sequer para dizer, como gostam alguns jornalistas, que “se as eleições fossem hoje”… Pesquisas tanto tempo antes não permitem essa afirmação, pois apenas medem o reconhecimento de nomes, geralmente pela presença em cargos ou em eleições anteriores, pouquíssimas intenções firmes de votos e escolhas aleatórias. Dá para dizer isso quando a campanha já se desenrola e faltam poucos dias para a eleição. E se a pesquisa estiver correta.

As pesquisas que no momento podem interessar aos que traçam as estratégias de partidos e candidatos são as qualitativas. Essas permitem entender os cenários, os humores e as tendências, o que é gasoso e o que é sólido.

E para não dizer que não falei das enquetes que, algumas vezes sob o apelido falso de pesquisas, são realizadas nas redes sociais: não valem nada e não indicam nada, a não ser a mobilização de amigos e adeptos para votar em alguém que depois sairá alardeando sua liderança e favoritismo. Valem menos ainda do que os lobistas de candidatos que se vestem de blogueiros.

PS: na nota de ontem, sobre as eleições no Chile, cometi um erro já corrigido: a abstenção foi de 54% e não de 46%.

 

 

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