Greve do metrô mostra incompetência e irresponsabilidade social de empregados, empresa, governo, MP e TRT

Para que os empregados da Companhia do Metropolitana conseguissem o aumento salarial reivindicado, de 8,4%, e a contratação de novos funcionários não seria preciso fazer uma greve de 40 dias. Bastaria que o sindicato dos metroviários, a empresa pública que opera o sistema, o governo de Brasília, o Ministério Público do Trabalho (MPT) e o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) fossem mais competentes e preocupados com a população e especialmente com as pessoas prejudicadas pela greve — usuários do metrô e pessoas que tiveram seus negócios afetados negativamente.

Desde o início do movimento já se sabia que a reivindicação seria atendida, pois o que os metroviários pediam tinha sido estabelecido em contrato coletivo assinado irresponsavelmente pelo presidente do metrô, Marcelo Dourado, em 2015. Dourado firmou o acordo altamente benéfico para os metroviários, já muito bem remunerados, sem consultar o governador e o comitê de governança, mesmo sendo a empresa dependente dos cofres públicos. Com o enquadramento do Distrito Federal no limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal, o governo teve um motivo legal para não pagar o aumento nem fazer as contratações.

Tendo o Distrito Federal saído do limite da lei, as cláusulas do acordo têm de ser cumpridas. Mas isso só será possível no ano que vem, pois é preciso prever as despesas no Orçamento. Todos sabiam disso, mas o sindicato viu uma boa oportunidade para mostrar seu radicalismo juvenil pretensamente de “esquerda”. a companhia fez jus à incompetência que já demonstra rotineiramente, o governo foi omisso e medroso como é no dia a dia e o MPT e o TRT reiteraram seus compromissos com o formalismo, com a burocracia e com a lerdeza. A primeira reunião do MP com representantes da empresa e dos metroviários, por exemplo, ocorreu 20 dias depois do início da greve. O julgamento do dissídio coletivo só foi marcado um mês e dois dias depois de deflagrada a paralisação, para ser realizado dali a uma semana.

A decisão do descansado TRT já poderia ter sido tomada há muitos dias, mas seus desembargadores parecem ser ocupados demais e, afinal, é só um sistema de transporte público paralisado. O governo poderia ter deixado claro para os metroviários que cumpriria o acordo assinado em 2018 e não esperar passivamente a decisão da Justiça morosa. Da diretoria da empresa não se deve esperar nada, apenas cumpre a tabela, e muito mal. E se os empregados insistissem em se manter em férias extras remuneradas a pretexto de greve, deveriam ser denunciados publicamente à população.

A já ineficiente e deficitária Companhia do Metrô perdeu R$ 8,5 milhões e quem pagará essa conta é a população, pois a empresa é subsidiada pelos cofres do governo. Os usuários e os que têm seus negócios vinculados ao funcionamento do metrô sofreram prejuízos pessoais, morais e materiais com a paralisação, mas não receberão qualquer ressarcimento.

Para os metroviários, para a empresa, para o governo e para os juízes do trabalho, porém, isso não tem a menor importância. Todos estão recebendo seus altos salários em dia e têm carro próprio ou oficial para se locomover pela cidade.

 

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