“Direita” vai jogar dinheiro fora com pesquisa para saber que Frejat é seu melhor candidato

Os potenciais candidatos a governador de Brasília oriundos do tronco Roriz-Arruda ainda não decidiram qual deles será o escolhido para disputar as eleições de outubro. Segundo matéria de Francisco Dutra no Jornal de Brasília, vão encomendar uma pesquisa para saber quem está mais bem posicionado perante o eleitorado e esse será o escolhido. Se a pesquisa é para isso, vão jogar dinheiro fora, pois não terão a resposta.

Hoje nem mesmo uma pesquisa qualitativa bem feita, com dez grupos representativos e bem estruturados, seria um bom indicador para escolher o candidato da “direita”. Uma pesquisa quantitativa servirá apenas para dizer que a maioria dos eleitores ainda não tem candidato, ou rejeita os até agora apresentados, e que as intenções de voto para os listados são irrisórias e nada indicam, nem mesmo cruzadas com os índices de rejeição. Se é preciso escolher logo um candidato, é melhor seguir o instinto, o conhecimento da realidade local e o bom senso, que não custam um real.

A história das eleições brasileiras está repleta de exemplos de candidatos que apresentavam 1% em fevereiro e ganharam as eleições, assim como de outros que apareciam como favoritíssimos e não chegaram ao segundo turno. Não será uma pesquisa em fevereiro que indicará o melhor nome da “direita”, ou o que tem mais potencial de crescimento. Para os eleitores, segundo pesquisas qualitativas, todos os apresentados até agora – Jofran Frejat, Ibaneis Rocha, Alberto Fraga, Alírio Neto e Izalci Lucas – são a mesma coisa: velhos políticos, adeptos da velha politicagem e ansiosos para retomar o poder e suas benesses.

Aliás, por instinto, conhecimento do ambiente local e bom senso, já se sabe que, dos já colocados, o melhor candidato do tronco rorizista-arrudista é Jofran Frejat. Podem economizar o dinheiro da pesquisa.

Para lembrar: em 1994, já durante a campanha, Cristovam Buarque não subia nas pesquisas e alguns petistas, com o apoio de jornalistas simplistas e superficiais, diziam que o candidato a governador deveria ter sido Chico Vigilante, que tinha no início do ano índices muito melhores, algo como 20%, contra os 3% de Cristovam. O que os petistas e os jornalistas não viam é que Cristovam poderia sair dos 3% para ganhar a eleição, enquanto Vigilante chegaria no máximo a 25%.

 

Tempo de TV desigual leva à disputa desigual e a tenebrosas transações

O sistema eleitoral brasileiro é ruim, incoerente e feito para manter o status quo. Beneficia os grandes partidos e os políticos com mandato, favorece as negociatas e dificulta a renovação e o surgimento de novas forças políticas. Uma de suas excrescências, as coligações em eleições para deputado e vereador, vai acabar nas eleições municipais de 2020, o que é bom, embora já pudesse estar vigorando agora. Permanecerá a possibilidade de os partidos se coligarem em eleições majoritárias, para presidente da República, governador, prefeito e senador — o que não é necessariamente um mal.

Seria melhor que cada partido apresentasse nas eleições sua verdadeira cara, suas ideias, mas faz sentido as legendas se unirem em torno de um programa comum para disputar o governo. Um problema é que geralmente essa aliança não se dá em função de programas e plataformas, mas de interesses. O maior deles é o tempo que os partidos têm nos programas e inserções no rádio e na televisão. Ou seja, partidos se unem apenas para aumentar sua presença nesses meios.

O tempo no rádio e na televisão tem sido fonte de renda para alguns partidos e seus donos, que cobram um preço alto para cedê-lo a candidatos. Além do dinheiro, esses partidos exigem presença na chapa majoritária, cargos e até contratos no possível futuro governo. É assim que, em boa parte, os grandes partidos conseguem somar tempo para seus candidatos, geralmente mais competitivos do que os dos pequenos partidos. Os grandes aumentam suas chances de ganhar a eleição, os pequenos e os sem candidatos fortes ganham dinheiro e nacos de “poder”.

Não são as coligações para eleições majoritárias, portanto, que estão erradas. O que mancha a limpeza da disputa eleitoral é a diferenciação de tempo para os candidatos, que já entram na disputa em enorme desigualdade. Enquanto um candidato de grande partido, com muitos coligados, pode ter 4 ou 5 minutos, por exemplo, outro, de partido pequeno, terá apenas 10 segundos. É como se um corredor de 100 metros largasse 50 metros à frente do seu competidor.

O correto seria que cada candidato a presidente, governador ou prefeito tivesse o mesmo tempo para suas apresentações. É verdade que há partidos demais, e que isso atrapalha, mas os caminhos para acabar com agremiações sem representatividade e que vivem de negociatas são outros, entre os quais o fim das coligações proporcionais. Seria muito aceitável que cada candidato a governador tivesse dois minutos por período — dez candidatos, assim, ocupariam 20 minutos.

Não tem justificativa, quando se fala em igualdade de oportunidades, é condicionar o tempo no rádio e na televisão ao número de deputados federais que um partido elege ou ganha nas “janelas” para mudança de legenda. Seria ainda ruim, mas mais coerente, condicionar o tempo ao número de votos na eleição para os executivos.

Uma alternativa intermediária para acabar com o comércio de tempo pelos partidos seria estabelecer que, havendo coligação, o tempo disponível para ela é o do partido que tiver o maior, e não a soma de todos. Exemplificando: quatro partidos coligados, com 2 minutos, 1,5 minuto, 30 segundos e 15 segundos, não terão 4 minutos e 15 segundos, mas 2 minutos, que é o tempo do maior deles. Não é uma boa solução, apenas reduz a absurda desigualdade entre os candidatos.

A propósito: tem sido grande a movimentação de partidos em Brasília em busca de coligações a qualquer custo para disputar o governo. É bom terem cuidado, porque hoje, para o eleitor, antes só que mal acompanhado. Tempo de TV é importante, mas não justifica qualquer aliança.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Em ano eleitoral há muita campanha e pouco governo

A possibilidade de um governante se reeleger não é um mal em si. Ao terminar seu primeiro mandato, o presidente, governador ou prefeito se submete ao voto para que os eleitores decidam se querem ou não que continue no posto por mais um período. Em teoria, nada demais, é como se fosse uma confirmação ou revogação do mandato. Na prática, porém, a reeleição causa mais prejuízos à população do que se percebe: os governantes administram de olho na reeleição e, nos últimos meses antes do período eleitoral, deixam de governar para fazer campanha. Os slogans substituem os conceitos, a demagogia e o discurso fácil predominam e a publicidade ganha tons ainda mais ufanistas.

O filósofo basco Daniel Innerarity diz, em “A política em tempos de indignação”, que “os políticos deveriam poder governar sem ter de olhar constantemente para os resultados das pesquisas de opinião ou preparar as eleições seguintes”. O cientista político britânico Anthony King escreveu um livro mostrando que os políticos estadunidenses fazem campanha demais e governam muito pouco.

Políticos geralmente argumentam que quatro anos de mandato é pouco, e por isso a reeleição é necessária. Realmente é pouco, mas a reeleição torna o jogo eleitoral mais desigual do que já é. Mesmo quando sua gestão é desaprovada, quem exerce o governo dispõe de instrumentos que os demais candidatos não têm: pessoas pagas pelos cofres públicos, orçamento para publicidade na televisão e nas redes sociais e a “caneta”, que é o poder de nomear e demitir, liberar e cortar verbas. E pode continuar no cargo durante a campanha.

Nas eleições legislativas os que exercem mandato saem bem na frente dos que disputam sem ter as benesses oferecidas pelas casas legislativas às custas do cidadão: gabinete com dezenas de servidores e verba indenizatória, que paga veículos, combustível, escritórios, mobiliário, material de expediente, consultorias e despesas de divulgação. Além da visibilidade, dos cargos no Executivo e das emendas parlamentares.

Se quatro anos são insuficientes para uma gestão no Executivo, pode-se voltar aos cinco anos de mandato que já vigoraram no Brasil,e acabar com a possibilidade de reeleição. Pois será muito difícil encontrar um governante que não se aproveite do cargo para favorecer sua recondução. E os deputados e senadores poderiam ter direito a  somente uma reeleição — depois de dois mandatos, ou disputariam outro cargo ou voltariam a ser cidadãos comuns.

 

Desgaste da esquerda limita pretensões do PT e do PSol em Brasília

Os petistas de Brasília estão menos ambiciosos e nas eleições de outubro ficarão satisfeitos se mantiverem o resultado de 2014, quando o partido elegeu uma deputada federal e quatro distritais. Não pensam em eleger o governador — como em 1994 e 2010 — e não acreditam muito na possibilidade de o deputado Wasny de Roure ser eleito para o Senado. A candidatura de Lula à presidência da República, apesar da condenação de hoje, é considerada crucial pelos petistas brasilienses, que confiam na popularidade do líder maior para puxar votos e, quem sabe, ajudar a eleger cinco distritais.

Não são grandes também as ambições do PSol, que quer eleger um deputado federal e dois distritais, sabendo que há a possibilidade de ficar com apenas um distrital. O PSol, como o PT, não tem ilusões de que conseguirá eleger governador e senador — não porque não tenha bons candidatos, mas porque o ambiente não parece muito favorável, na cidade, a candidatos de extrema-esquerda. O desgaste político e ético do PT respinga no PSol e as avaliações negativas das gestões de Agnelo Queiroz (PT) e Rodrigo Rollemberg (PSB) dificultam as pretensões de candidatos a governador que os eleitores considerem com perfis semelhantes aos deles. Esse, aliás, será o discurso da “direita” rorizista-arrudista: a esquerda não sabe governar.

O PSol já tem uma candidata ao governo, embora não oficializada. Parece ser uma boa candidata para cumprir os objetivos do partido: Fátima de Sousa é enfermeira, tem grande experiência em saúde básica, é professora universitária e diretora da Faculdade das Ciências da Saúde da UnB. O auditor federal Marivaldo Pereira deve ser candidato ao Senado. O PT ainda não conseguiu encontrar um candidato com o perfil adequado para ajudar a legenda a eleger deputados e, quem sabe, o senador, pois os mais conhecidos quadros do partido irão disputar as eleições para as câmaras. O único nome que tem sido levantado é o da professora Rosilene Corrêa, dirigente do sindicato da categoria.

É interessante lembrar que nas duas vezes em que o PT conseguiu eleger o governador foi com candidatos sem história de militância orgânica: Cristovam Buarque filiou-se em 1990 já com o propósito de se candidatar ao governo; Agnelo Queiroz filiou-se em 2008 para ser o candidato do partido em 2010. Cristovam era apenas, para quase todos os petistas, uma boa opção de candidato para ajudar a eleger deputados federais e distritais — não esperavam sequer que conseguisse chegar ao segundo turno.

Quando Agnelo trocou o PCdoB pelo PT poucos petistas acreditavam que ele poderia ser eleito governador. Seria também, como Cristovam, um bom candidato para puxar votos, mas a reeleição do governador José Roberto Arruda era considerada tranquila e nenhum quadro tradicional do PT queria ir para o “sacrifício”. Mas veio a Operação Caixa de Pandora, Arruda foi afastado e o quadro eleitoral mudou. O deputado Geraldo Magela, então, animou-se a ser o candidato a governador e enfrentou Agnelo em eleições prévias, sendo derrotado.

O PT, para não ficar fora do debate eleitoral, poder se defender e eleger deputados, precisa de um candidato a governador que seja limpo, disposto e bom de fala para aproveitar o potencial de votos que o partido tem em Brasília, estimado em cerca de 12%. Precisa de alguém para perder, mas desta vez, diferentemente das anteriores, com pouca probabilidade de haver surpresas.

 

 

 

Contra Rollemberg: primeiro a gente se junta, depois a gente resolve o que vai fazer de diferente

Partidos políticos são instituições em decadência, por vários motivos: perderam a representatividade, são poucos os que ainda têm identidade e princípios ideológicos, a maioria existe para fazer negócios que beneficiam seus “donos”, muitos de seus membros importantes são acusados de corrupção e daí por adiante. A legislação cartorial brasileira exige que para ser candidato um cidadão esteja filiado a um partido — uma clara violação do direito que todos têm de eleger e serem eleitos, pois o postulante tem de ultrapassar muitas barreiras para ser lançado candidato pelo partido.

Os partidos políticos podem se reerguer e conquistar um papel importante na vida política do país, e é desejável que isso aconteça. Mas seus líderes deveriam então se preocupar em adotar novas práticas e métodos políticos, mais adequados ao tempo em que vivemos, e não em persistir em velhas e antiquadas fórmulas. Como, por exemplo, a de formar alianças sem discussão programática e unindo forças que nada ou pouco têm uma com a outra, apenas por oportunismo político ou para beneficiar uma ou outra candidatura.

Uma aliança de partidos disparatados pode ocorrer em situações de guerra, calamidade ou algo que leve à necessidade do que comumente se chama de “governo de salvação nacional”. Justifica-se quando a situação é caótica e só a união das forças políticas, por um prazo determinado, pode mudar o quadro. Alianças, em situações normais, não precisam ser entre os iguais, e comportam forças diferentes ideologicamente. Mas há um limite para as diferenças e as alianças têm de se basear em uma plataforma comum para cumprir objetivos claramente determinados.

A tentativa do senador Cristovam Buarque (PPS) e do distrital Joe Valle (PDT) de formar um bloco unindo PCdoB, PDT, Rede, PV, PPS, PDS e PRB para disputar as eleições de outubro não explica a que vem. O que pode unir esses partidos, pelo que se sabe, é apenas impedir a reeleição do governador Rodrigo Rollemberg e do candidato do bloco de partidos e políticos de centro-direita e de direita. Assim como essa turma, oriunda da raiz rorizista-arrudista e que reúne Jofran Frejat, Tadeu Filippelli, Ibaneis Rocha, Alberto Fraga, Alírio Neto, Izalci Lucas e outros, fala apenas em tirar Rollemberg do Buriti, sem apresentar um só item programático.

Para justificar a união em blocos heterogêneos, coloca-se como objetivo fundamental impedir a reeleição. Não se diz à população o que será feito diferente — e não valem generalidades como melhorar a gestão e torná-la mais eficiente. Na verdade, essas coligações sem princípios são montadas apenas para melhorar as chances de candidatos, majoritários ou proporcionais, e passam à população a ideia de conchavos politiqueiros à margem dos eleitores.

Basta dar uma passada rápida pelos partidos que Cristovam e Joe querem juntar para verificar as discrepâncias. Com margem de erro, da esquerda para a direita:

  • PCdoB: aliado tradicional do PT, comunista sem sectarismos, lançou Manoela D´Ávila como candidata a presidente da República. Não participou do governo de Rollemberg e faz oposição a Michel Temer.
  • PDT: integrou a coligação que elegeu Rollemberg e seu governo, tendo rompido no ano passado. Tem Ciro Gomes como candidato a presidente e também faz oposição a Temer. O deputado Joe Valle coloca-se como candidato a governador.
  • Rede: também integrou a coligação e participou do governo até final de 2017. É contra Temer. Marina Silva é a candidata a presidente e o distrital Chico Leite apresenta-se como candidato ao governo ou ao Senado.
  • PV: o deputado distrital Israel Batista comanda uma secretaria do governo de Rollemberg e tem vários cargos na administração, assim como o presidente Eduardo Brandão, que já se ofereceu para ser o candidato a vice do governador.
  • PPS: o partido alinha-se ao governo de Michel Temer e nunca participou da gestão de Rollemberg. O senador Cristovam Buarque quer ser candidato a presidente da República, mas não tem apoio interno (a tendência é coligar-se ao PSDB) e pode tentar uma terceira eleição para o Senado. Entre os quadros do PPS estão os distritais Celina Leão e Raimundo Ribeiro, acusados de corrupção e fortes opositores do governador,e o ex-senador Valmir Campelo.
  • PSD: aliado de Temer, foi da coligação que elegeu Rollemberg, indicando o vice-governador, e participou do governo até 2017. O deputado federal Rogério Rosso foi um dos mais próximos aliados de Eduardo Cunha e teve apoio do hoje presidiário para disputar a presidência da Câmara.
  • PRP: o partido da Igreja Universal do Reino de Deus apoia Temer, participa do governo de Rollemberg e o distrital Julio César é da base aliada ao governo. Seu dirigente Wanderley Tavares, porém, se coloca como candidato ao governo.

Os articuladores do bloco que vai do PCdoB ao PRB deveriam se lembrar do que houve na eleição de 1990: juntaram-se PDT, PSDB, PSB, PCB, PCdoB e PEB para apoiar a candidatura ao governo do então senador Maurício Corrêa, o mais votado em 1986. Essa grande coligação lançou o senador Pompeu de Sousa para a reeleição. O PT, sozinho, lançou o desconhecido médico Carlos Saraiva e Saraiva para o governo e o professor Lauro Campos para o Senado.

Nessa eleição, Joaquim Roriz elegeu-se no primeiro turno (55,49%), Saraiva ficou em segundo (20,27%) e Corrêa apenas em terceiro (14,28%). Valmir Campelo, da chapa de Roriz, elegeu-se senador (47,27%), o petista Lauro Campos ficou em segundo (34,13%) e Pompeu de Sousa (7,38%) ainda ficou em quarto, atrás de Lindbergh Cury, do PMDB (9,60%).

 

Reduzir despesas da Câmara Legislativa é só o começo, mas um ótimo começo

Não existe democracia sem parlamento, por isso não tem sentido falar em extinguir a Câmara Legislativa do Distrito Federal, por pior que ela seja. A não ser que o que se proponha seja a substituição da Câmara por outro tipo de órgão legislativo, que possa ser mais representativo e mais eficiente. Brasília, por suas características peculiares — capital federal, que recebe o fundo constitucional e tem atribuições de estado e município — seria um excelente campo para experimentarmos um novo tipo de representação popular, mais adequado aos novos tempos.

Há quem defenda que o Senado legisle para o DF, como foi de 1960 a 1990. Hoje essa fórmula poderia ser melhor com a presença de senadores eleitos por Brasília, o que só aconteceu, nesse período, em 1989 e 1990. Mas os brasilienses, com esse modelo, certamente voltariam a se sentir sem representação e um corolário disso poderia ser a volta da nomeação do governador pelo presidente da República, com aprovação do Senado — o que para muitos seria um inaceitável retrocesso, por mais que a política e os políticos estejam desgastados.

É melhor, assim, considerar que os brasilienses continuarão a conviver com a Câmara Legislativa e que a melhor maneira de melhorá-la, em todos os aspectos, é elegendo distritais honestos, limpos, competentes, com vontade de trabalhar pela população e comprometidos com novas práticas e métodos políticos. Antes disso, porém, os brasilienses já podem praticar uma ótima ação: assinar o projeto de lei de iniciativa popular que reduz as elevadíssimas despesas da Câmara Legislativa e proporcionará uma economia de R$ 300 milhões em quatro anos. O orçamento da Câmara para 2018 é de R$ 530 milhões, um absurdo.

Com cerca de 20 mil assinaturas (a meta é 30 mil) o projeto terá de ser discutido e aprovado pelos distritais, e aí será preciso grande pressão da população, pois certamente haverá resistências dos que não abrem mão de privilégios e mordomias. Em síntese, o projeto propõe a extinção da verba indenizatória, a redução da verba de gabinete para 75% da vigente para a Câmara dos Deputados (hoje é maior) e o limite de 1% do orçamento para gastos com publicidade (hoje o gasto, que nem deveria haver, é de aproximadamente 5%).

Há muito mais a mudar na lamentável Câmara Legislativa, mas a campanha “Câmara + Barata”, iniciativa do Observatório Social e do Instituto de Fiscalização e Controle, é um ótimo começo. As páginas do projeto são http://camaramaisbarata.com e www.facebook.com/CamaraMaisBarata.

 

 

 

A desqualificação do crítico é tática medrosa para evitar o debate qualificado

É comum, infelizmente, a prática de responder a uma crítica desqualificando o crítico. A desqualificação tenta esconder a dificuldade de responder e dá menos trabalho do que debater. Alguns desqualificam o autor da crítica alegando que ele não está apto a falar ou escrever sobre o assunto. Por exemplo: quem critica uma peça de teatro sem nunca ter estudado ou trabalhado na área. É um argumento válido, mas seria melhor contestar a crítica sem recorrer a ele.

Há, porém, os que desqualificam os críticos — e os que fazem denúncias — com alegações subjetivas, dizendo que são movidos por sentimentos de mágoa, raiva, rancor, despeito, inveja. Dizem que alguém critica, ou denuncia, porque está magoado, ou com raiva, ou porque foi contrariado, não gosta pessoalmente do criticado e coisas assim. Com esse “elevado” nível de argumento, consideram-se liberados de responder e contestar.

Vez ou outra, e ultimamente com mais frequência, algumas críticas que faço têm sido atribuídas a uma presumível mágoa ou outros sentimentos meus em relação ao governador Rodrigo Rollemberg — já falaram até em “dores pessoais”. Estou acostumado: a mágoa também foi apresentada como explicação para as denúncias que apresentei em 1996 e para as críticas que fiz e faço ao então governador e hoje senador Cristovam Buarque.

Então, como gosto de deixar as coisas claras, vou esclarecer alguns pontos:

  • As situações que me levaram a deixar a Secretaria de Governo na gestão de Cristovam e a Casa Civil na de Rollemberg são completamente diferentes, nos antecedentes, nas causas e nos desfechos. Cristovam me “fritou” quando eu estava viajando e anunciou meu substituto em entrevista coletiva, pois não teve coragem de me demitir cara a cara em seu gabinete, onde tivemos uma conversa dura pouco antes. Eu pedi a Rollemberg para deixar o governo, depois de muitas conversas amigáveis.
  • Não tenho mágoas nem de um nem de outro. O sentimento que tive ao ser demitido por Cristovam foi de revolta diante das circunstâncias em que isso ocorreu. Eu já estava preparado para deixar o governo, ou pelo menos a secretaria, e nós tínhamos conversado sobre isso antes de eu viajar. Não havia a menor necessidade da “fritura” e dos métodos nada éticos utilizados por ele e auxiliares próximos para forçar meu pedido de demissão — que, para frustração deles, não apresentei, para que o então governador assumisse a demissão.
  • Não tenho motivo para ter mágoa de Rollemberg. Ao pedir demissão, imaginava estar ajudando o governo. Achei melhor também não trocar a Casa Civil por outra pasta, como ele propôs, pois continuaria a ser alvo dos que viam em mim um obstáculo às suas pretensões ilegítimas. Em janeiro de 2017 o governador me convidou para voltar ao governo e recusei, mostrando a ele os motivos. Por que teria mágoas?
  • Tenho, sim, sentimentos de decepção e frustração. Empenhei-me e me dediquei integralmente a um projeto de governo que poderia ter sido um marco em Brasília, mas não foi executado como proposto e prometido. Acreditei que teríamos uma gestão moderna e eficiente, com novos métodos e novas práticas de governar e de fazer política, mas não é o que acontece. Não nego os méritos e realizações do governo, nem qualidades positivas de Rollemberg. Mas o que esse governo fez e promete fazer é bem pouco diante do que planejamos e do que poderia ter feito, apesar das grandes dificuldades. E os erros políticos e de gestão são muitos.

Exerço, neste blog, no twitter, em artigos publicados, nas palestras que faço, nas entrevistas que dou e nas conversas e debates de que participo, meu direito de ter opinião e expressá-las. Tenho convicções e as tenho escritas, publicadas e gravadas. Nunca me recusei a participar de uma discussão pública e não me incomodo de rever posições e retificar ideias equivocadas que tive ou posso ter.

Argumentem, pois, em vez de, com simplismo, tentarem desqualificar meu pensamento e minhas críticas atribuindo-os a “mágoas” ou outros sentimentos. Estou sempre aberto ao debate — de preferência, qualificado.

 

Desenvolvimento é muito mais do que discurso ufanista

A revista da Associação Comercial do Distrito Federal, ACDF em Ação, publicou artigo meu em que critico a falta de um plano de desenvolvimento sustentável para Brasília, elaborado com método e ampla discussão com a sociedade. O desenvolvimento do DF vem sendo tratado, há muitos anos, com premissas falsas, programas pontuais e geralmente ineficazes e discursos ufanistas e desligados da realidade.

Transcrevo o artigo:

Brasília foi construída para ser a capital da República. Uma cidade essencialmente administrativa, pois. Disseminou-se a informação falsa de que Brasília, entendida como todo o território do Distrito Federal, foi projetada para receber no máximo 500 mil habitantes. Na verdade, esse foi o limite estabelecido para o Plano Piloto, e que até hoje não foi alcançado.

Brasília não foi projetada para ser uma metrópole, mas cresceu, como era inevitável, e tem três milhões de moradores. Sua área de influência próxima soma mais um milhão e meio de pessoas. A grande área metropolitana – Brasília e municípios vizinhos de Goiás — tem todos os graves problemas das cidades grandes, embora com indicadores econômicos e sociais elevados e um invejável orçamento de R$ 42,4 bilhões para 2018.

É óbvio que uma cidade deste porte, e que ainda por cima é a capital do país, precisa de um plano de desenvolvimento econômico sustentável construído a partir de instrumentos de planejamento e de um amplo e profundo debate com a sociedade civil. É nesse plano de desenvolvimento que as vocações da cidade e de cada uma de suas regiões devem ser definidas e executadas as políticas, ações e investimentos necessários.

O problema é que esse plano de desenvolvimento nunca existiu e não existe, o principal instrumento para fundamentá-lo, que é o Zoneamento Ecológico Econômico (ZEE) não sai do papel e parece não haver nenhuma intenção de abrir um debate sério e qualificado com a sociedade sobre o tema. Prevalecem o voluntarismo, as ações pontuais – geralmente ineficazes – e os palpites descolados da realidade brasiliense.

Ficamos, então, no discurso genérico e raso, embora com propostas muitas vezes corretas, mas que pairam no ar. Fala-se há anos, por exemplo, em fazer de Brasília um polo de tecnologia porque aqui há muitos doutores e universidades e a população tem bom nível de instrução – como se todos os doutores fossem dessa área, se as universidades fossem de altíssima qualidade e se o nível de nosso ensino fosse bom. E como se os desempregados brasilienses estivessem aptos a trabalhar nesse setor.

Fala-se também em descentralizar os postos de trabalho, concentrados no Plano Piloto e arredores, para as cidades. Mas não se indica como fazer isso, qual a vocação clara de cada região do Distrito Federal, que tipos de atividades, e como, devem ser incentivadas, que investimentos fazer.

A verdade é que o desenvolvimento econômico de Brasília nunca foi planejado em bases científicas e realistas. Chega-se ao ponto de negar que Brasília seja uma cidade administrativa e que o setor de serviços esteja vinculado a essa realidade, inclusive à alta renda per capita. E assim se parte de uma premissa errada no rumo, naturalmente, errado.

Não há, além de planejamento, a necessária articulação entre as diversas áreas do governo para executar ações coordenadas que envolvem questões ambientais, urbanísticas, fiscais, de mobilidade. Não há diálogo com a sociedade, que vai muito além do empresariado. Enfim, desenvolvimento tem sido apenas discurso. E o pior é que, muitas vezes, ufanista. E falso.

O governador e eu: já que perguntam, explico

Tenho conversado com muitos pré-candidatos a todos os cargos e muitos deles — e não só eles, mas também amigos e outros — me perguntam como está minha relação com o governador Rodrigo Rollemberg. Afinal, estivemos próximos desde a eleição para o Senado e fui coordenador-geral de sua campanha para o governo e da equipe de transição e exerci a chefia da Casa Civil por seis meses. É natural a curiosidade ou o interesse e muitos querem saber como me posiciono diante das eleições próximas.

Nos extremos, uns acham que Rodrigo e eu temos uma ligação muito próxima e outros pensam que estamos rompidos. Pois nenhuma das alternativas é correta: nem muito próximos, nem rompidos. Não brigamos em nenhum momento e temos uma relação cordial, tanto que em janeiro de 2017 ele me convidou para voltar ao governo. “Falamos” por Whatsapp de vez em quando e há muito tempo não nos encontramos pessoalmente, ficando no “vamos marcar uma conversa”.

Não participo direta ou indiretamente do governo e não sou consultor formal ou informal do governador. Sequer venho dando palpites, como fiz por algum tempo depois de deixar a Casa Civil. Tenho, pois, total liberdade para criticar o governador e seu governo, no blog ou fora dele. Recentemente tive oportunidade de fazer isso na presença dele, em uma reunião com cerca de 40 representantes da sociedade civil. O governador conhece minhas ideias, sabe o que penso e no que discordo dele. Recebe democraticamente as críticas e as rebate com civilidade.

Posso também elogiar o governador e o governo quando quiser. Tenho, felizmente, independência para dizer o que quero e não preciso prestar contas de minhas opiniões a ninguém. Mas aceito as réplicas, as respostas e as correções, e sei reconhecer quando erro.

 

 

Projeto da sociedade civil para reduzir despesas dos distritais será lançado hoje

A Câmara Legislativa do Distrito Federal gasta mais do que o Congresso Nacional, segundo matéria do Congresso em Foco, assinada por Giselle Santos. Os gastos dos distritais são mesmo absurdos e em grande parte totalmente dispensáveis, pois não cabe ao cidadão financiar as atividades político-partidárias de parlamentares.

Felizmente a sociedade civil está se mobilizando para impedir essas e outras excrescências cometidas por políticos em benefício próprio e hoje será lançado o projeto “Câmara mais Barata”, promovido pelo Observatório Social de Brasília e pelo Instituto de Fiscalização e Controle. A ideia é apresentar um projeto de lei de iniciativa popular para economizar cerca de R$ 300 milhões por legislatura. Não há, por parte das duas entidades, qualquer intenção partidária ou eleitoral.

O lançamento será hoje, dia 16, às 19 horas, no Museu da República. O site do movimento é camaramaisbarata.launchrock.com e a página no Facebook é www.facebook.com/CamaraMaisBarata.