O dilema da Rede: coligação com a velha política ou candidato próprio ao governo

Em meio à intensa e desordenada movimentação dos partidos em busca de coligações para disputar o governo de Brasília e as cadeiras no Senado e nas câmaras, há uma legenda sobre a qual pouco se tem falado: a Rede Sustentabilidade, o partido liderado por Marina Silva, candidata a presidente da República. Formalmente, a Rede decidiu que terá candidato ao governo, o deputado distrital Chico Leite. Mas no meio político é dado como certo que Leite será mesmo é candidato ao Senado, não se sabe em que chapa — até porque as chapas não estão formadas.

Inicialmente havia a tendência de a Rede se coligar com o PDT e com o PV, apoiando a candidatura do também distrital Joe Valle ao governo e tendo o presidente dos verdes, Eduardo Brandão, como candidato a vice-governador. Mas Valle, que já havia ensaiado uma aproximação com o PT e com Jofran Frejat, do PR, patrocinou reuniões tentando unir o PDT a partidos de diversas tendências, como PPS, PSD, PCdoB, PPL, PRB e PSDB. A Rede, prudentemente, recusou-se a participar dessa farofada política, que não subsistiu.

Valle será lançado candidato a governador para ajudar, em Brasília, a candidatura de Ciro Gomes a presidente da República. Se a Rede fechar com ele, lançando Chico Leite ao Senado, Marina Silva não terá candidato a governador na cidade e o partido perderá a oportunidade de se apresentar aos eleitores no auditório maior. Leite em nada se beneficiará por estar na chapa liderada pelo PDT e a Rede sairá das eleições menor do que entrou.

Leite e a Rede perderão mais ainda se aceitarem o convite do governador Rodrigo Rollemberg para participar de sua chapa — que, pelas negociações que vêm sendo realizadas com PSDB, Pros, PRB e Solidariedade, estará bem à direita no espectro político. A não ser que o PSB resolva apoiar a candidatura de Marina Silva a presidente, o que parece muito improvável.

Por isso existe, na Rede, um movimento para que seja mantida a decisão de apresentar candidato próprio ao governo. E o nome mais viável, até agora, é o de Chico Leite. O quase inexistente tempo nos horários gratuitos não é a maior dificuldade para a campanha — o problema é que se a Rede não conseguir a filiação de dois parlamentares federais até 7 de abril não terá direito, pela absurda e restritiva legislação eleitoral, de participar dos debates promovidos pelas emissoras de televisão.

A Rede, apesar de desgastes sofridos, ainda é identificada com a renovação e com a nova política. Aliar-se à velha política em coligações oportunistas e sem consistência a descaracterizará e não fará bem nem à legenda nem a Marina. E muito menos a Chico Leite e aos candidatos a deputado.

 

Leia também

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *