Debater, dialogar e negociar é a nova política. Chantagem e extorsão é a velha política

Os velhos políticos, incapazes  — por ignorância, medo, conformismo ou comodismo — de vislumbrar outra maneira de atuar e preocupados em manter seus privilégios e poder, fazem de tudo para desmoralizar e desqualificar os que pregam e defendem a nova política. Incompetentes para sustentar um debate público, recorrem ao sorriso irônico e superior, condescendentes com esses ingênuos e inexperientes que acham que é possível governar sem fazer concessões à picaretagem, às chantagens, ao fisiologismo, ao toma lá dá cá, à demagogia e à corrupção. Esgrimem a palavra “governabilidade” como justificativa para suas bandalheiras.

No nosso caso de Brasília, sempre se coloca a questão das relações entre o governo e a Câmara Legislativa. Afinal, todos os governantes locais lotearam a administração pública para distritais, nomearam milhares de protegidos deles em cargos comissionados, liberaram emendas que não trouxeram qualquer benefício à população (mas deram “retorno” aos que as apresentaram), protegeram as empresas das famílias desses parlamentares, atenderam a seus pedidos ilegítimos e, alguns, como já se provou, deram mesadas aos deputados. Tudo em nome da governabilidade, pois sem o apoio dos distritais o governo não aprova seus projetos e tem seus vetos derrubados.

Quando um deputado faz uma exigência ao governante em troca de seu apoio — para votar, comparecer ou se abster, convocar ou desconvocar — está fazendo chantagem, está cometendo extorsão. E o governante que aceita está sendo cúmplice da chantagem e da extorsão. Como se sabe, o melhor a fazer quando se é chantageado é denunciar o chantagista. Quem paga vai ser extorquido por toda a vida, será sempre refém do chantagista.

É da essência da política dialogar, negociar e debater, e é natural que um governante queira ter o apoio da sociedade a seu governo e a seus projetos. O governo precisa também do apoio dos deputados distritais, sem dúvida. Mas é preciso, primeiro, separar as duas situações:

  • O apoio da sociedade, por meio de suas organizações comunitárias, sociais, sindicais, empresariais, trabalhistas, religiosas e dos partidos políticos deve ser obtido com a o debate aberto do programa de governo, de propostas de políticas públicas e de ações. Nada impede que membros da sociedade civil organizada e dos partidos participem do governo, para executar o que defendem.
  • O apoio dos deputados distritais deve se dar pela discussão, também aberta, das propostas e medidas apresentadas pelo governo, ou oriundas da Câmara, e não pela troca de favores. É esperado que os parlamentares dos partidos que aprovam o programa do governo o apoiem na Câmara, mas como resultado de uma discussão programática — como se faz nas democracias mais desenvolvidas — e não do toma lá dá cá.

Isso significa que os partidos (e não os deputados) podem indicar nomes para cargos no governo e seus integrantes podem comandar algumas áreas, como se faz em todo o mundo democrático, mas com base na definição de plataformas comuns a serem executadas. Isso é gestão compartilhada, o que é diferente de loteamento, “porteira fechada” e criação de feudos, como tem acontecido em Brasília desde os anos 1990. Pode parecer detalhe, mas não é a mesma coisa um deputado indicar secretário, ou assumir uma secretaria, e um partido participar do governo. O partido até pode indicar um deputado, mas ele precisa renunciar ao Legislativo para integrar o Executivo.

Na Alemanha, por exemplo, depois de meses de negociação para definir um programa comum, os democratas-cristãos e os social-democratas indicaram seus quadros para participar do governo. São indicações do partido, e não de seus parlamentares. Em Portugal, o Partido Comunista e o Bloco de Esquerda, também depois de longas negociações,  fecharam um acordo para apoiar o governo liderado pelo Partido Socialista, mas sem dele participar. Ambos os regimes são parlamentaristas e lá, diferentemente daqui, os partidos ainda têm alguma consistência, embora também enfrentando a crise de representatividade

Não será fácil, mas é possível, sim, fazer diferente e melhor.

 

Acabar com a Câmara não é solução, mas do jeito que é não pode continuar

Como escrevi ontem que a figura do vice-governador é dispensável, o que estendo para o vice-presidente da República e o vice-prefeito, vieram me dizer que também não precisamos dos deputados distritais. Mas aí não concordo, pois não existe democracia sem parlamento composto de representantes eleitos pela população. É preciso, urgentemente, implantar mecanismos de democracia direta, possibilitando ao cidadão mais participação nas discussões e decisões.  Mas esses mecanismos devem conviver com um sistema representativo, necessário para que a democracia funcione e os direitos das minorias sejam efetivamente respeitados.

Por isso, por pior que seja a Câmara Legislativa do Distrito Federal, o caminho não é sua extinção. A Câmara até poderia ser extinta se em seu lugar fosse constituída uma casa legislativa em outros moldes, ou que se optasse, na Constituição, por uma configuração de Distrito Federal sob comando da União e sem autonomia política, como foi de 1960 a 1990. Naquele período, o governador era nomeado pelo presidente da República, com aprovação do Senado, ao qual cabia legislar para Brasília. Mas nenhuma das hipóteses está na agenda política: a primeira sairia dos cânones tradicionais, a segunda é extremamente polêmica.

Mesmo diante da mediocridade e da demagogia que caracterizam a Câmara Legislativa, agravadas pelos notórios casos de corrupção e fisiologismo, eu prefiro que os brasilienses tenham um parlamento. A tarefa, pois, não é acabar com esse parlamento, mas torná-lo digno desse nome — ainda que, no Brasil, todas as casas legislativas, do Congresso Nacional às câmaras de vereadores, sejam instituições desmoralizadas e deterioradas. A Câmara Legislativa não foge ao baixo nível predominante no país, embora pareça ser ainda pior.

Além de melhorar, pelo voto, a qualidade dos vereadores, deputados e senadores, há medidas que poderiam contribuir para valorizar os parlamentos e a atividade parlamentar. Para aprová-las e executá-las, porém, é preciso que haja realmente uma renovação qualitativa dos chamados representantes do povo. Vereadores, deputados e senadores acostumados a ter privilégios e benesses não querem acabar com eles — como demonstra, por exemplo, a resistência dos distritais em extinguir a imoral verba indenizatória.

Eis algumas dessas medidas que poderiam ser adotadas em Brasília e que contribuiriam para assegurar o bom funcionamento do Legislativo, do Executivo e do Judiciário, e as relações harmônicas, republicanas e produtivas entre os poderes, já que no regime presidencialista eles devem ser independentes.

– O Executivo não interferir nas questões internas da Câmara Legislativa, inclusive na eleição da mesa diretora e na constituição das comissões. Cabe apenas aos deputados decidir sobre isso.

– O governador não nomear senadores, deputados federais e deputados distritais para funções no Executivo, a não ser que o parlamentar renuncie ao mandato. Se o cidadão é eleito para o Legislativo, não tem de servir ao Executivo, tem de cumprir o mandato ou renunciar a ele. O senador Reguffe já apresentou proposta de emenda constitucional nesse sentido.

– O governador não aceitar indicações, para o exercício de funções no governo, feitas por integrantes dos Poderes Legislativo e Judiciário, do Ministério Público e do Tribunal de Contas do DF. É uma medida, também defendida por Reguffe, decorrente da necessária separação dos poderes e não tem sentido quem fiscaliza e julga o governo dever favores a esse governo, e vice-versa.

– O governador deve apresentar à Câmara Legislativa, mensalmente, uma prestação de contas do governo, submetendo-se, assim como os secretários e os dirigentes de autarquias e empresas, aos questionamentos dos deputados distritais.

– O governador só designar, para a função de conselheiro do Tribunal de Contas do DF, servidores públicos com qualificação profissional adequada à função, acabando com as indicações políticas.

Vão dizer que isso tudo é sonho, que é impossível, que não haverá governabilidade assim. Essa é a conversa dos velhos políticos, dos demagogos e fisiológicos, dos que nada querem mudar para não perder seus privilégios. Brasília pode ser um exemplo, para o Brasil, de novas práticas e novos métodos na política e no governo, saindo do pântano em que se transformou ao longo dos anos. É só ter um governador com coragem para mudar e sem medo de fazer diferente, e distritais sérios e honestos. Não faltará o apoio da população.

Negociações e acordos políticos para governar são lícitos e necessários, mas não na base do toma lá dá cá, do fisiologismo e da troca de favores.  É justo que partidos políticos que dão suporte ao governo tenham participação na gestão, mas de modo transparente e a partir da definição de uma plataforma comum. Esse, porém, é assunto para um próximo texto.

 

O vice-governador é a demonstração de que não precisamos de vice-governador

Publiquei este texto no dia 19 de julho de 2016, em minha coluna no Jornal de Brasília, e está no meu livro “Assim é a velha política” (Editora Meiaum):

“A figura do vice-governador deveria acabar. O vice, em geral, custa muito caro aos cofres públicos — tem até residência oficial –, costuma conspirar contra o titular e tudo o que faz pode ser feito por um secretário.

Antes de Brasília ter eleições, quem substituía eventualmente o governador era o chefe da Casa Civil. Funcionava muito bem e não custava um centavo. Se o afastamento do governador for definitivo, é só fazer novas eleições, diretas ou indiretas. Basta alterar a Lei Orgânica.”

Escrevi isso depois de falar de uma série de trapalhadas e jogadas marqueteiras do vice-governador Renato Santana, de quem disse, no mesmo dia: “Renato Santana cabe perfeitamente no figurino de um tipo que, nas redações antigas, era chamado de ‘simulador de produtividade’. É aquele que não trabalha e nada produz de útil, mas faz jogo de cena e sabe simular com competência uma atividade intensa — com ajuda de assessores que armam as situações e de jornalistas que caem em seus factoides.”

Pois é: o vice continua armando e simulando. E é a prova viva de que vice-governador não faz falta nenhuma.

A verba indenizatória só acaba se o eleitor melhorar a qualidade da Câmara Legislativa

Noticiou-se hoje o que todos já sabiam: a Câmara Legislativa não vai acabar com a imoral, absurda e injustificável verba indenizatória. E vai se comprovar o que todos também já sabiam: o presidente da Câmara, Joe Valle, apresentou o projeto, no início do ano, já sabendo que não seria aprovado pelos colegas. Mas, como possível candidato ao governo de Brasília ou ao Senado,  pode dizer que fez a sua parte. Haverá quem acredite.

Os distritais, para disfarçar a defesa ferrenha de seus privilégios, fizeram um acordo para reduzir a verba de R$ 25 mil mensais para R$ 15 mil mensais. Como há sete deles que não recebem esse dinheiro, isso significa que o gasto máximo de R$ 425 mil por mês cairá para R$ 255 mil, R$ 170 mil a menos. No ano, cai de R$ 5,1 milhões para R$ 3 milhões. Continua sendo muito dinheiro, e mal gasto. E que muito ajuda os distritais em suas campanhas eleitorais.

Há uma possibilidade real de acabar com a verba indenizatória em 2019: juntar as assinaturas necessárias para que tramite o projeto de lei de iniciativa popular, proposto pelo Observatório Social de Brasília, que não só acaba com a verba como reduz substancialmente as despesas com servidores comissionados nos gabinetes e com a publicidade da Câmara. E esperar que os brasilienses elejam, em outubro, deputados distritais que se comprometam a aprovar esse projeto popular intitulado Câmara + Barata.

É lógico que os deputados distritais têm de receber, do Estado, condições adequadas para exercer seu trabalho de legislar e fiscalizar, mas isso tem de ser assegurado pela estrutura da Câmara Legislativa, e não pela livre contratação de profissionais e empresas, pelos parlamentares, com dinheiro público. Além disso, uma coisa é o exercício da atividade parlamentar, outra é fazer política em benefício próprio ou do partido. Se os distritais querem ter escritórios equipados fora do prédio da Câmara, e automóveis e combustível para circular pela cidade, que paguem do próprio bolso ou com recursos de seus partidos e simpatizantes. Não é o cidadão que tem de pagar essa conta.

Os distritais mais pobres serão prejudicados, argumenta-se, e com razão, pois os ricos terão mais dinheiro para gastar no exercício de seus mandatos. Mas a verdade é que os mais pobres já são prejudicados desde a campanha eleitoral e, em alguns partidos-empresas, sequer conseguem legenda para se candidatar. A desigualdade de oportunidades em função da renda não se manifesta apenas nas casas legislativas, é uma característica da sociedade. Não será com a distribuição de verbas públicas para parlamentares — inclusive para os mais abonados — que será compensada.

A verba indenizatória, assim como outros gastos inúteis da Câmara, tem de ser extinta. Essa legislatura, marcada pela corrupção, pela ineficiência e pela demagogia, felizmente está acabando. Os que querem uma casa legislativa séria, atuante, competente e que seja valorizada pela população têm a oportunidade, nas eleições, de renovar qualitativamente a composição da Câmara, pelo bem de Brasília.

 

 

 

Preparem-se para o aumento do índice de demagogia dos velhos políticos

Há uma característica da velha política da qual pouco se fala: a demagogia. Velhos políticos são demagogos e sentenciam que não tem futuro quem não é. Afirmação que até tem razão de ser, já que a maioria dos políticos usa e abusa desse recurso para ganhar apoios e eleitores. E, se são eleitos e reeleitos, é porque a demagogia está dando certo. Por isso, o índice de demagogia aumenta assustadoramente em períodos eleitorais.

Sem aprofundar conceitos políticos e filosóficos e o significado que a palavra demagogia teve no passado distante e tem agora, demagogo é o político que mente, distorce, engana e faz promessas que não cumprirá. O demagogo diz as palavras que as pessoas querem ouvir, mesmo que não concorde com elas, ou usa seus atributos oratórios para seduzir os ouvintes com jogos de palavras e afirmações vazias. E também assume posturas e comportamentos que não são seus, mas que lhe parecem ser convenientes.

O objetivo do político demagogo é agradar e manipular, e assim reforçar sua posição mediante a enganação — por palavras ou pela ação. O vice-governador Renato Santana, por exemplo, deu hoje uma aula de demagogia, ao dizer em uma solenidade que o governador Rodrigo Rollemberg o rejeita porque é negro e mora na Ceilândia. Por mais críticas que tenhamos ao governador, inclusive por atos de demagogia explícita, os preconceitos em função da cor da pele e do local de moradia não estão entre seus defeitos. A demagogia, seguramente, é uma característica marcante de Renato Santana e de seu mentor intelectual, o deputado Rogério Rosso.

Mas os exemplos de demagogia são inumeráveis: discursar contra a corrupção estando envolvido na Drácon ou outras operações, defender aumentos salariais para servidores públicos mesmo sabendo que não há dinheiro para isso, inaugurar obras inacabadas e campinho de futebol com claque paga com dinheiro público. É demagogia também ser batizado em igreja evangélica quando se é católico, e se fingir de católico quando se é ateu. Ou mostrar números falsos ou fora do contexto para dizer que algo positivo aumentou ou algo negativo diminuiu — como rede de atenção básica à saúde e número de crimes, ou coisas assim. Aprovar projeto de lei sabendo que é inconstitucional é demagogia típica de distritais. E é demagogia, claro, prometer tarifas de ônibus a um real em campanha eleitoral.

Os eleitores brasilienses estão mais informados, mais atentos e mais indignados. A maioria não se deixa mais ser facilmente enganada pelos políticos demagogos e inescrupulosos e por promessas que não se cumprirão. A demagogia faz muito mal à população quando os demagogos são eleitos.

 

 

MP, TCDF e Justiça impedem mudanças sob pretextos de ilegalidades e improbidade

O sistema de saúde é conceitualmente correto, mas não funciona. As escolas funcionam, mas estão muito longe de educar realmente as crianças e adolescentes. Os ônibus e o metrô circulam, mas sem a qualidade que se exige do transporte público. Índices estatísticos até mostram queda de homicídios e alguns crimes, mas a população sabe que predominam a insegurança e o medo. A máquina administrativa do governo de Brasília se mexe, mas lenta e burocraticamente. E assim por diante: estamos há muitos anos reclamando dos serviços públicos em geral, mas nos conformando com a situação de mesmice e nos contentando com um ou outro eventual ponto positivo.

A questão é que para melhorar o desempenho do governo em diversas áreas é preciso romper com velhas e ineficientes estruturas, fórmulas antiquadas e arraigadas e, principalmente, com interesses particulares, privados e corporativos que se sobrepõem aos interesses da população. Geralmente os governantes não têm coragem para enfrentar as resistências e ousar experimentar novas práticas e novos métodos, para fazer diferente e com mais eficiência. E, quando têm, as forças do atraso e do conservadorismo aparecem protegidas pelos mantos sagrados do Ministério Público, dos tribunais de justiça, do trabalho e de contas.

O Ministério Público, em suas diversas áreas, é fundamental para a sociedade. Não podemos ter um Executivo que não se sujeite à fiscalização e ao controle de suas contas e a um Judiciário ativo e independente. O problema é quando essas instituições, por posturas políticas, partidárias ou ideológicas, por incompetência ou despreparo de alguns de seus membros ou por má-fé de outros, pretendem se colocar acima dos governos eleitos democraticamente e administrar a cidade ou impedir que seja administrada.

Episódios recentes mostram ações do Ministério Público e dos tribunais de Contas, do Trabalho e de Justiça que, sob o pretexto de zelar pela legalidade e pela probidade, prejudicam a população e impedem o governo de buscar soluções diferentes para velhos problemas. O gestor público, eleito pela população, tem de ter o direito de, sem violar a legislação, experimentar novos modelos — se forem aprovados, devem ser disseminados; se não, devem ser abandonados ou aperfeiçoados. Mas experimentar e inovar é preciso.

É um enorme absurdo impedir o modelo de gestão do Hospital da Criança, uma experiência muito bem-sucedida, agora ameaçada. Não há razão legal para obstruir a contratação de servidores pelo Instituto Hospital de Base, uma experiência ainda no início e que será avaliada. O Tribunal de Contas do DF não consegue explicar satisfatoriamente porque engaveta por meses as licitações, como a da área do estádio Mané Garrincha, que poderão levar à economia de recursos públicos e a melhorias na área urbana. Questões de legalidade e probidade, em casos como esses e muitos outros, são apenas pretextos para impedir mudanças.

Muitos, à direita e à esquerda, querem manter a mesmice no Estado que até funciona, mas muito mal. O problema é quando ganham o apoio de instituições importantes que deveriam defender a população e acabam por prejudicá-la.

 

O grande momento das notícias falsas, das mentiras e das notas plantadas

Desconfie, em princípio e por precaução, de tudo que for publicado a respeito dos possíveis candidatos às eleições de outubro. Neste período pré-eleitoral proliferam as notícias falsas, as mentiras, as interpretações e as análises parciais e interesseiras. Mesmo jornalistas sérios e bem-intencionados deixam-se envolver, involuntariamente, por informações mentirosas e pelos lobbies disfarçados de candidatos, e acabam publicando matérias e notas que refletem mais interesses e desejos de alguns do que a realidade e os fatos.

Quem conhece os personagens dos meios políticos e jornalísticos, sabe quem é quem e quais são os interesses em jogo, é mais capaz de identificar as notícias falsas e as interpretações tendenciosas. Mas as pessoas que não se envolvem tanto, os leitores em geral, são facilmente enganadas. Por isso, todo cuidado na leitura ainda é muito pouco, especialmente — mas não apenas — os textos publicados em blogs e sítios cujos redatores não têm nenhum compromisso com a ética jornalística.

Os jornalistas profissionais sabem que as informações que recebem têm de ser checadas e confirmadas, ainda que por fontes não identificadas. As pessoas citadas nos textos devem ser ouvidas, pois podem estar sendo vítimas de informações erradas. Estar fazendo “jornalismo de opinião” não é pretexto para disseminar mentiras e notícias falsas. A opinião é livre, mas sem divulgar, de contrabando, informações falsas.

 

 

 

O que eu digo sobre minha filiação ao PDT

Reproduzo entrevista que dei ao jornalista João Negrão, do blog Repórter Brasil Central –http://www.reporterbrasilcentral.com.br/2018/04/08/nao-excluo-a-possibilidade-de-ser-candidato-afirma-helio-doyle/

O jornalista Hélio Doyle acaba de se filiar ao PDT. Foi no último sábado (7), prazo final para as filiações partidárias para quem desejar concorrer às eleições deste ano. Apesar disso, Doyle não confirma que será candidato. “Não penso em ser candidato, mas também não excluo a possibilidade, caso seja um projeto do PDT”, disse. Ele afirma que foi para o PDT para colaborar com o partido, como elaborar o projeto da legenda para Brasília e na campanha do ex-ministro Ciro Gomes ao Palácio do Planalto. Eu conversei com ele no início da noite deste domingo. Confira a breve entrevista:

Por que você decidiu se filiar ao PDT? Vai ser candidato?

Eu tomei a decisão de não trabalhar profissionalmente nesta campanha para governador porque fui coordenador da campanha do Rodrigo [Rollemberg] e não me sentiria bem trabalhando agora contra ele. Tenho de fazer uma espécie de quarentena, como fiz em 1998, não trabalhando contra Cristovam Buarque. Mas eu disse ao Rodrigo e a todos os possíveis candidatos que me procuraram que poderia “trabalhar” como militante, por um candidato com o qual tivesse afinidade. O George Michel, presidente do PDT, me convidou para participar da elaboração do projeto do partido para Brasília, independentemente de quem seja o candidato a governador. Pediu-me também que colaborasse na campanha do Ciro Gomes.

Mas há a possibilidade de você ser candidato?

O George Michel sugeriu que eu me filiasse no prazo para a eventualidade de ser candidato. Não penso em ser candidato, mas também não excluo a possibilidade, caso seja um projeto do PDT.

Qual cargo? Especula-se que você possa concorrer para governador.

Há muitos anos não milito em partido, mas quando milito me integro a um projeto. Se o partido achar importante, posso ser candidato a qualquer função, ou a nenhuma. Não é uma decisão individual. Acho fundamental que o PDT tenha um candidato a governador, para a campanha de Ciro. Sempre disse que todos os partidos que têm candidato a presidente devem lançar candidatos ao governo.

Como você analisa o atual quadro político do paísHá quem acredite que possa até não haver eleições?

Não haver eleições será um golpe maior e mais grave do que o golpe parlamentar que derrubou Dilma. Não acredito que cheguemos a esse ponto. O quadro é grave, mas as eleições podem ser uma tentativa de buscarmos um governo legítimo e que nos traga estabilidade.

Como você avalia o governo de Rollemberg?

Se 80% da população desaprova o governo de Rollemberg, não pode ser um bom governo. É um governo que tinha tudo para ser o melhor que já tivemos, mas é muito ruim. Rollemberg errou ao não saber dialogar com a população, ao manter relações espúrias com a Câmara, ao não ter capacidade de gestão para assegurar o desenvolvimento e os serviços básicos apesar da carência financeira, ao manter práticas antiquadas de governo e de fazer política.

Aviso necessário: o blog agora é assinado por um militante do PDT

Nada escrevi, aqui, na semana passada. Nos dois primeiros dias, por falta de tempo. Depois, por falta de tempo e também por falta de vontade. Foi uma semana politicamente atribulada e, para mim, desestimulante: o julgamento do Supremo Tribunal Federal e a prisão de Lula aumentaram o já elevado grau de tensão na sociedade e terão repercussão por muito tempo; e os últimos dias para troca de partidos e filiação dos que pretendem ser candidatos em outubro mostraram toda a podridão do nosso sistema político e eleitoral.

Não vou entrar, aqui, no mérito do julgamento do habeas corpus no STF e não vou avaliar os episódios que levaram à prisão de um ex-presidente da República, e nem opinar sobre os motivos alegados pela Justiça para prendê-lo. São temas excessivamente complexos para serem irresponsavelmente tratados em poucas linhas. O sectarismo e a irracionalidade predominantes nos impedem, por exemplo, de ser a favor do cumprimento da pena após o julgamento em segunda instância sem que essa posição seja interpretada como defesa da prisão de Lula. Assim como não podemos criticar os excessos e a parcialidade dos promotores e juízes de Curitiba sem sermos acusados de opositores da Lava-Jato.

A chamada “janela” para que parlamentares pudessem trocar de partidos mostrou como é importante realizar uma profunda mudança na legislação eleitoral e dos partidos políticos. Foi uma semana de muitos negócios e pouca política. O sistema eleitoral brasileiro e as normas que regem o funcionamento das legendas não refletem os tempos atuais e favorecem a corrupção, o mau uso dos recursos públicos, o peso do poder econômico e o fisiologismo. Paradoxalmente, levam à maior fragilidade do sistema político, de suas instituições e dos próprios partidos — hoje, em sua maioria, “empresas” que beneficiam alguns poucos políticos com o dinheiro da população.

A minha falta de tempo na semana passada deveu-se, em boa parte, a inúmeras conversas e reuniões que tive com dirigentes de partidos políticos, parlamentares e possíveis candidatos às próximas eleições. Algumas. em função de minha atividade de consultor político e de comunicação, embora não tenha cobrado um só centavo de nenhum deles. Outras, decorrentes de convites que recebi de três partidos para me filiar com a possibilidade de, eventualmente, candidatar-me a algum cargo.

Na sexta-feira decidi me filiar ao PDT e, de alguma maneira, levar à prática as ideias que venho defendendo. Isso muda o caráter desse blog: era um veículo de informações, análises e opiniões de um jornalista sem vínculo partidário e passa a ser de um militante de partido político. Isso faz diferença, e precisa ser explicitado.

Para não repetir o que já foi publicado a respeito dessa filiação, reproduzirei, em uma próxima nota, entrevista que dei ao jornalista João Negrão, do sítio Repórter Brasil Central: www.reporterbrasilcentral.com.br