Profissionais das campanhas eleitorais fundam entidade e querem reforma política verdadeira

A solenidade de lançamento do Camp — Clube Associativo dos Profissionais de Marketing Político — foi uma oportunidade para conversar, na semana passada, com experimentados profissionais da área, vindos de diversas cidades. Os relatos levam à conclusão de que o cenário político e eleitoral, em outros estados, em essência, não é diferente do de Brasília. Os componentes são os mesmos: desalento e desesperança dos eleitores, altíssimo percentual de intenções de abstenção, voto em branco ou nulo, indefinições sobre candidatos e coligações e a perspectiva de uma campanha eleitoral que não se sabe como será — mas que, pelas regras vigentes, beneficia descaradamente os candidatos no cargo ou exercendo mandato.

O Camp é a primeira iniciativa bem-sucedida de reunir os que trabalham em campanhas eleitorais e na comunicação política. Sou um dos fundadores. Como bem escreveu outro fundador, Mário Rosa, em www.poder360.com.br/opiniao/eleicoes,  o Camp não é composto só por “marqueteiros”, mas “reúne toda a mão de obra que orbita o planeta das campanhas: pesquisadores de diversas áreas, publicitários, jornalistas, estrategistas e por aí vai”. O objetivo é o exposto pelo jornalista Gabriel Priolli, que não é da área, em nocaute.blog.br: “Defender os profissionais da comunicação política e eleitoral, e a própria atividade, ameaçada de todos os lados por preconceito, oportunismos, cretinice e desinformação”.

Os integrantes do Camp, presidido por Bruno Hoffman, aqui de Brasília, pretendem não só defender a atividade e seus profissionais como colaborar ativamente para melhorar o cenário político do país, tendo em vista o aprofundamento da democracia e a melhor qualidade dos eleitos. Sem democracia, aliás, não existiriam esses profissionais. O Camp quer participar dos debates para implantar, a partir de 2019, uma verdadeira e necessária reforma política e eleitoral, pois o sistema e as normas vigentes estão falidos e só servem para manter o status quo corrupto e nocivo.

O que estamos vendo nesse período pré-eleitoral é que a legislação matreiramente aprovada pelos senadores e deputados favorece os que já têm mandato, seja executivo ou legislativo, em detrimento dos que não têm ou que disputam eleições pela primeira vez. Os que têm mandato dispõem de gabinetes parlamentares, máquina administrativa, “caneta”, verba indenizatória, dinheiro para publicidade e outras vantagens — como a campanha e o tempo de TV reduzidos e o domínio do dinheiro pelos caciques partidários —  que os colocam, numa corrida de mil metros, largando 500 metros à frente dos demais.

Nem por isso os candidatos novos, especialmente os que defendem outras formas de pensar e fazer política, devem desanimar. É possível, mesmo em desvantagem, derrotar os velhos políticos e suas práticas velhacas e iniciar um processo de renovação urgente e necessário. O novo, a partir de 2019, vai conviver com o velho, até superá-lo definitivamente. É questão de tempo.

 

 

 

 

 

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