Louca cavalgada em busca de coligações… Para quê? Pode ser para nada

As eleições de outubro, no Brasil e em Brasília, ocorrerão em um ambiente político e social diferente do que existia em pleitos anteriores, e com novidades na legislação eleitoral que criam situações novas para candidatos e eleitores. As consequências disso são imprevisíveis, ainda mais porque as indefinições ainda são grandes. As referências mais próximas são as eleições municipais de 2016 e as eleições extemporâneas para governador, no Amazonas, em 2017.

Parece, porém, que os políticos que se colocam como possíveis candidatos a cargos majoritários em Brasília não estão entendendo esse novo cenário. Há exceções, claro, mas são muitos os políticos continuam raciocinando como se estivéssemos em 2006, 2010 ou 2014. O tempo está passando na janela e eles não estão vendo, absorvidos ainda por velhas fórmulas e velhos paradigmas eleitorais.

A busca desenfreada por coligações partidárias é uma das consequências dessa visão equivocada. Não que a soma de partidos não tenha vantagens: aumenta o tempo de programas e inserções na televisão e no rádio e, para usar a linguagem eleitoral, oferece mais “estrutura” e “capilaridade” aos candidatos. A questão é até que ponto, no atual quadro, vale a pena formar coligações que o eleitorado identifica com a velha politicagem para obter tempo de TV e rádio. Pode ser melhor estar sozinho do que mal acompanhado.

As movimentações de possíveis e candidatos e partidos em busca de alianças a todo custo só provocam a rejeição dos eleitores. “Já está se juntando para nos ferrar”, “os bandidos estão se unindo”, “o que este partido tem a ver com aquele?”, “olha os ladrões unidos” são algumas das frases, com ligeiras variações, ditas pelos eleitores quando veem as notícias e imagens das farofadas políticas e das reuniões de políticos que parecem mais os célebres jantares da cosa nostra.

Esses políticos valorizam excessivamente os horário gratuitos, como se ainda não existisse internet e não houvesse uma clara tendência à queda de audiência. Não que tempo no rádio e na TV não seja importante, mas tudo indica que isso não será decisivo na eleição em Brasília, um território pequeno com apenas dois milhões de eleitores. A rigor, quem realmente precisa de horário gratuito será, para se defender, o governador Rodrigo Rollemberg, óbvio alvo de todos os demais candidatos.

Dois casos nas eleições municipais devem ser lembrados, ambos em metrópoles: Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Alexandre Kalil foi para o segundo turno em Belo Horizonte com apenas 20 segundos na TV e no rádio, enquanto seu opositor, João Leite, tinha 2 minutos e meio – ou 150 segundos. Kalil juntou três partidos pequenos (PHS, PV e Rede), João Leite era apoiado por PSDB, DEM, PPS e PP. No segundo turno, com tempo igual para os dois, Kalil venceu.

Marcelo Freixo, do PSol, coligado com o PCB, foi para o segundo turno, no Rio, com 11 segundos de tempo. Disputou e perdeu para Marcelo Crivela, que tinha três partidos coligados  (PRB, PTN, PR) e 1 minuto e 11 segundos. Ambos foram para o segundo turno derrotando quatro candidatos com tempo maior que os deles: Pedro Paulo (PMDB e mais 15 partidos), 3´30; Jandira Feghalli (PCdoB e PT), 1´27; Indio da Costa (PSD, PMB, PSB), 1´24; Carlos Osório (PSDB, PPS), 1´16.

Pode de nada adiantar ficar juntando partidos em busca de muito tempo na TV, “estrutura” e “capilaridade”. Essa eleição, provavelmente, não será como aquelas que passaram em 2014, 2010, 2006…

 

 

A boa política é necessária, os velhos políticos são todos dispensáveis

Há quem considere que a demagogia é inerente à política. Como há quem entenda que sem loteamento de órgãos e cargos seja impossível governar. E que sem mordomias e privilégios não valha a pena assumir uma função pública. Ou, pior: há quem assegure que todo político e todo governante são corruptos, e os que não são fazem vista grossa.

Pois é possível fazer política sem demagogia, governar sem toma lá dá cá, acabar com as mordomias e privilégios e ser político e governante sem se corromper e sem fingir que não vê a corrupção. Os que dizem que a política é assim mesmo e não há como mudar são os que não querem mudar, pois são os que se beneficiam desses males.

O exercício da política é necessário em qualquer sociedade democrática, mas não a política fundada na demagogia, no patrimonialismo, no fisiologismo, nas mordomias e privilégios e na corrupção. Essa é a má política, que precisa ser combatida e expurgada, e as eleições de outubro são uma boa oportunidade para começar esse processo. Os que praticam a má política são hoje os principais inimigos da boa e necessária política, e têm como aliados os que gostariam de substituir a convivência democrática pelo autoritarismo e pelo domínio da “eficiência” tecnocrática a serviço de elites econômicas.

“A política é o único poder ao alcance dos que não têm poder”, escreveu o jornalista e escritor espanhol Josep Ramoneda. “Não há pior fantasia do que uma sociedade sem política”, diz ele. A política não pode ser jogada no lixo porque muitos a sujaram e ainda a sujam. A superação da má política não será obra dos maus políticos, mas dos que estiverem dispostos a enfrentar os obstáculos por eles colocados para impedir que as coisas mudem e percam seus poderes.

A nova e boa política poderá ser implantada por bons políticos já em atividade e por outros que ousarão enfrentar as barreiras e armadilhas colocadas pelos demagogos, fisiológicos e corruptos para impedir a renovação. O filósofo basco Daniel Innerarity escreveu em A política em tempos de indignação: “Ninguém é intruso por ser um desconhecido no sistema político. Aquilo que pode converter alguém num intruso, no pior sentido do termo, é caso ele pretenda comportar-se na política com outra lógica e tente convertê-la num assunto midiático, num exercício de gestão empresarial ou numa atividade justiceira.”

Ele fala da Europa, mas a frase serve para o Brasil e para Brasília.

 

A via é do DER, o viaduto é da Novacap. Eixão é do DER, Eixinho é do Detran…

Segundo servidores do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), não cabe ao órgão, e sim à Novacap, a manutenção do viaduto que desabou no Eixão Sul. Por isso, argumentam, foi injusta a demissão do diretor do DER, Henrique Luduvice. Tanto é que foi a Novacap que assinou, em 2013, um contrato para a restauração do viaduto e da Galeria dos Estados.

De acordo com essa interpretação, o DER é responsável pelas superfícies das vias consideradas rodovias, como o Eixão, mas a Novacap é que tem de cuidar das pontes e viadutos. Lembram que os futuros viadutos na Estrada Parque Taguatinga (EPTG) e na Estrada Parque Indústrias Gráficas (Epig) são de responsabilidade da Novacap.

Quem deveria ser demitido, assim, é o presidente da Novacap, Julio Menegotto. Os servidores do DER reclamam que, além de tudo, Luduvice será substituído justamente por um diretor da Novacap.

Se for assim, a confusão é ainda maior do que a que já envolve o DER e o Detran: o Eixão, por exemplo, é responsabilidade do DER; já os eixinhos. do Detran.

 

Roriz e Arruda nada fizeram. O TCDF avisou. Paulo Tadeu protelou. Agnelo e Rollemberg ignoraram

Demagogia e oportunismo são características da velha política e dos velhos políticos. Esses dois ingredientes, como era inevitável, estão presentes em muitos dos discursos, comentários e entrevistas que têm sido feitos a respeito do desabamento do viaduto no Eixão Sul. Tenta-se “faturar” politicamente o desastre, especialmente para desgastar, em ano eleitoral, o governador Rodrigo Rollemberg e sua gestão. Da parte de políticos, há poucas análises e avaliações sérias e muita retórica vazia.

Tanto o governador quanto seus auxiliares responsáveis pela área têm, sim, responsabilidade pelo que ocorreu. As obras em pontes e viadutos deteriorados e que são riscos para as pessoas não foram priorizadas e não mereceram a atenção necessária. Faltou ao governador reconhecer publicamente esse grave erro, antes de anunciar as tardias medidas posteriores ao desastre. Um governante tem de ter coragem de se autocriticar. Faltou também anunciar uma rigorosa e rápida investigação interna para apurar as responsabilidades, mesmo tendo o diretor do Departamento de Estradas de Rodagem, Henrique Luduvice, sido corretamente demitido.

As pontes e viadutos, porém, não estariam na situação em que estão se os governos anteriores tivessem se preocupado em fazer a manutenção e os reparos necessários. Por isso caem na vala da demagogia e do oportunismo as críticas vindas de políticos que estão e estiveram profundamente vinculados aos ex-governadores Joaquim Roriz, José Roberto Arruda e Agnelo Queiroz. Todos eles optaram por fazer novas obras — que rendem mais popularidade e, como se tem visto, muito dinheiro — e desprezaram as reformas que prejudicariam o trânsito e poderiam causar aborrecimentos à população.

Não tem muito sentido também a exaltação ao Tribunal de Contas do Distrito Federal. A pedido do Ministério Público de Contas, em 2011, os técnicos do tribunal realmente fizeram um ótimo trabalho de levantamento dos problemas nas pontes e viadutos. O governo da época, de Agnelo Queiroz, foi alertado para os riscos, mas pouco fez, a ponto de ser repreendido pelo tribunal. O TCDF, porém, enredou-se em seu formalismo burocrático e não tomou medidas eficazes para exigir dos governos de Agnelo e de Rollemberg a realização das obras. Ficou no cômodo “eu avisei…”

E tem mais: em 19 de fevereiro de 2014 o conselheiro Paulo Tadeu pediu vistas do processo, impedindo sua tramitação. Tadeu só o devolveu no dia 10 de outubro de 2014, dizendo, em poucas linhas, concordar com o voto do relator, Renato Rainha. Passou quase oito meses com o processo na gaveta. Tadeu, antes de assumir a cadeira no TCDF, era deputado pelo PT e secretário de Governo de Agnelo. Pediu vistas no ano eleitoral, quando Agnelo disputava a reeleição, e devolveu o processo cinco dias depois da votação em primeiro turno. Mera coincidência?

 

 

 

 

Dinheiro para manutenção de pontes e viadutos tem, o que faltou e falta é priorizar

Um relatório de auditores do Tribunal de Contas do DF, de 2011, alertou o governo sobre o péssimo estado de viadutos e pontes em Brasília. Em alguns, como o que desabou parcialmente hoje, a necessidade de reparos era considerada urgente. Antes de o TCDF se manifestar vários engenheiros já haviam avisado, pela imprensa, que a população corria riscos devido à falta de manutenção de vias de grande movimento. Mas nem o governo anterior, de Agnelo Queiroz, nem o atual, de Rodrigo Rollemberg, cuidaram do viaduto no início do Eixão Sul.

Rollemberg, em pífia entrevista coletiva, informou que fez o serviço em alguns viadutos, mas não todos, pois não tinha recursos nos três primeiros anos de gestão, corroborando a desastrada fala do diretor do Departamento de Estradas de Rodagem, Henrique Luduvice, que justificou a sua omissão com falta de dinheiro. O governador disse que o governo gastou R$ 67 milhões na reforma de pontes e viadutos, como se isso fosse um grande feito.

Não há desculpa nem para Rollemberg nem para Agnelo, e os conselheiros do TCDF deveriam ser chamados a explicar porque nada fizeram diante da desatenção dos governadores às recomendações de seus auditores. Mas se os engenheiros, pelo menos desde o início deste século, e o tribunal, em 2011, constataram a falta de manutenção, a responsabilidade vem de longe: os governadores anteriores – especialmente José Roberto Arruda e Joaquim Roriz — também não cuidaram das pontes e viadutos. Se tivessem se preocupado com a manutenção, elas não chegariam à situação apontada no relatório. Espera-se que o ex-vice-governador Tadeu Filippelli, que durante 15 anos comandou direta ou indiretamente a Secretaria de Obras em três governos, não venha a fazer demagogia às custas do desabamento.

Quanto à alegada falta de dinheiro, vale uma comparação, ainda que com as devidas limitações: os donos de um imóvel são alertados por especialistas de que a casa está com problemas em algumas vigas e corre o risco de desabar. A reforma vai ser cara, mas os proprietários têm o dinheiro para realizá-la. Eles preferem, porém, gastar em outras coisas. Consertam uma das vigas e deixam as outras para depois, pois querem construir um novo salão, promover festas, comprar carro novo, pagar um professor particular para os filhos e por aí vai. Acontece que um dia uma das vigas não resiste e há o esperado desmoronamento. Felizmente ninguém estava em casa na hora, mas a família poderia ter morrido.

Pois é: não haveria riscos e desabamentos se este governo e os anteriores tivessem aplicado na manutenção de pontes e viadutos o dinheiro que gastaram em residências oficiais e outras mordomias, carros oficiais, inaugurações e eventos eleitoreiros, publicidade ufanista, carnaval de rua, eventos pretensamente “culturais” para agradar distritais, remuneração de servidores comissionados inúteis indicados por deputados, alugueis dispensáveis, viagens de secretários e outros servidores ao exterior e coisas assim. Sem falar no gasto com megalomanias lucrativas (para alguns) como o estádio para 70 mil pessoas.

 

 

Candidatura de Frejat se fortalece e a farofada política-ideológica pode ser ainda maior

Só os rótulos separam os dois grandes blocos de partidos que tentam impedir a reeleição do governador Rodrigo Rollemberg: embora se apresentem como dois grupos com diferenças políticas e ideológicas, os principais líderes de ambos querem mesmo é estar juntos nas eleições de outubro. O problema maior que têm é como acomodar tantos postulantes em uma só chapa.

Um bloco, chamado de direita, reúne PR (Jofran Frejat), MDB (Tadeu Filippelli), PSDB (Izalci Lucas), PTB (Alírio Neto) e DEM (Alberto Fraga). Outro, uma farofada político-ideológica, junta Cristovam Buarque (PPS), Joe Valle (PDT), Rogério Rosso (PSD) e as legendas de esquerda PCdoB e PPL. Navegando entre ambos, mas próximos de Rollemberg, estão o PRB, o PV e o Pros.

O bloco de “direita” parece se encaminhar para uma chapa com Frejat para governador, um vice do MDB, indicado por Filippelli, e Fraga para o Senado, ficando outra candidatura a senador a ser definida. O candidato a governador do outro bloco seria Joe Valle, com Cristovam tentando a reeleição para o Senado. Valle e Cristovam, porém, têm o desejo de estar na chapa de Frejat, como candidatos a vice-governador e senador, respectivamente. Rosso também gostaria de estar, como candidato a deputado federal ou vice-governador, na chapa liderada por Frejat.

A Frejat agrada a ideia de ampliar seu espectro, mas ele não tem como deixar de fora os aliados históricos do tronco Roriz-Arruda. Como a prioridade do MDB é eleger Tadeu Filippelli para a Câmara dos Deputados, para esse partido não seria tão complicado, mas a Fraga e a Alírio não agrada essa composição heterodoxa. Não seria muito estranho, porém, que nas atuais circunstâncias as cadeiras no Senado fossem disputadas, na mesma chapa, por Cristovam e Fraga.

Todo o castelo que está sendo armado pelos caciques partidários de Brasília pode ruir quando os partidos definirem seus candidatos a presidente da República. Afinal, embora irrelevante eleitoralmente em termos nacionais, Brasília não estará à margem da disputa presidencial.

Joe Valle, Cristovam, Rosso e o pântano político que montaram em busca de Frejat

Não dá para levar a sério a farofada partidária montada pelo senador Cristovam Buarque (PPS), pelo deputado federal Rogério Rosso (PSD) e pelo deputado distrital Joe Valle (PDT) com o objetivo de impedir a reeleição do governador Rodrigo Rollemberg (PSB). Até porque crescem as desconfianças de que o pântano político liderado pelos três tem como objetivo tirar Jofran Frejat da órbita da “direita” e tê-lo como candidato ao governo.

O relato do jornalista Caio Barbieri, do Metrópoles, sobre a reunião que o grupo fez na terça-feira mostra bem esse pântano em que estão se metendo PPS, PSD, PDT, PCdoB, PPL e Pros, e que em sua última reunião teve a presença do PR e do PSDB — que estavam também na reunião que o deputado federal Alberto Fraga (DEM) promoveu no dia seguinte em sua casa, como resposta, e da qual participaram ainda o PMDB e o PTB.

Barbieri mostra que o jogo de cena montado na reunião de terça para dar ideia de unidade foi desmascarado pelos próprios participantes, que não conseguiram esconder suas divergências. O presidente do PR, Salvador Bispo, por exemplo, questionou a ausência de “lideranças importantes”, provavelmente se referindo a Alberto Fraga, ao ex-vice-governador Tadeu Filippelli (PMDB) e ao ex-deputado Alírio Neto (PTB). Rosso tentou justificar: “Neste primeiro momento, separamos um grupo de temperamento mais ameno”. E completou: “Todos serão convidados, sem vetos”. O deputado Raimundo Ribeiro (PPS) disse que ali não cabiam “preconceitos”.

Para mostrar que não quer se juntar a esse grupo, Fraga, que não tem temperamento ameno, marcou uma reunião para o dia seguinte, e lá estavam Jofran Frejat (PR), Alírio Neto (PTB), Filippelli e o deputado federal Izalci Lucas (PSDB). Esse grupo, com raízes rorizistas e arrudistas e que Fraga chama de “direita”, mantém alguma coerência política e ideológica e se divide porque Frejat, Fraga, Alírio, Izalci e Ibaneis Rocha, do PMDB, se dizem pré-candidatos a governador.

Já a farofada juntou partidos de esquerda e centro-esquerda (PCdoB, PPL e PDT) com legendas de centro-direita e direita (PSDB, PPS, PSD, PR e Pros). Izalci, presidente do PSDB, esteve nas duas reuniões, enquanto a outra ala de seu partido, liderada por Maria de Lourdes Abadia, participa do governo de Rollemberg. O PR mandou seu presidente para a reunião da farofada, mas seu candidato, Frejat, só foi à casa de Fraga. O Pros, do deputado federal Ronaldo Fonseca, estava lá mas não esconde sua proximidade com o governador. O deputado Raimundo Ribeiro é notoriamente simpático ao grupo rorizista-arrudista.

A direita e a farofada têm grandes divergências entre elas e internas. Só o que as une é derrotar Rollemberg. A direita tem vários pretendentes ao governo, entre os quais Frejat. Que,  pelo jeito, está na mira da farofada.

 

 

Projeto de iniciativa popular e ano eleitoral levam distritais a propor o fim da verba indenizatória

Nada como a proximidade das eleições: a mesa diretora da Câmara Legislativa vai propor a extinção da chamada verba indenizatória, aberração introduzida pelo Congresso Nacional e adotada por assembleias estaduais e municipais para aumentar, indiretamente, a remuneração de senadores, deputados e vereadores. O então deputado distrital José Antonio Reguffe foi o primeiro a abrir mão de receber a verba indenizatória, procedimento que manteve como deputado federal e senador.

Mas não é só a proximidade da campanha eleitoral que leva os deputados distritais a acabar com sua fonte de renda extra — desde 16 de janeiro estão sendo recolhidas assinaturas para a apresentação de um projeto de lei de iniciativa popular (Plip) acabando com a verba indenizatória e reduzindo drasticamente os gastos com a contratação de pessoal pelos gabinetes parlamentares e com a publicidade da Câmara, o que significará uma economia de R$ 300 milhões em quatro anos.

O presidente da Câmara, Joe Valle, esteve no lançamento da campanha “Câmara + Barata” e assinou o projeto de lei elaborado pelo Observatório Social e pelo Instituto de Fiscalização e Controle. Agora, Joe Valle encabeça a movimentação para que a Câmara se antecipe e acabe com a verba, mas ainda não se falou na redução das despesas com servidores comissionados e com a publicidade — as mais altas de todas as casas legislativas do país, incluindo a Câmara dos Deputados e o Senado Federal.

É claro que é positiva a extinção da verba indenizatória de R$ 25.322 mensais que cada distrital recebe, venha de onde vier a medida e que motivação tenha. Os distritais da atual legislatura tiveram três anos para fazer isso e deixaram para o último, mas antes tarde do que nunca.

Não há nenhuma justificativa para que o cidadão arque com as enormes despesas da Câmara Legislativa (orçamento de mais de R$ 450 milhões anuais) e ainda pague para que os distritais tenham privilégios e façam política pessoal e partidária. A Câmara tem servidores suficientes para dar suporte ao trabalho dos parlamentares, dispensando consultorias externas, e não se justifica que arque com o aluguel e manutenção de escritórios políticos e pague pela locação de veículos e gastos com combustível.

Ao contrário do que diz o deputado Robério Negreiros no Correio Braziliense, a Câmara Legislativa do DF não será a primeira a extinguir a verba indenizatória, medida já adotada pelas assembleias do Rio de Janeiro e do Espírito Santo. Mas se for a terceira está bom demais.

“Direita” vai jogar dinheiro fora com pesquisa para saber que Frejat é seu melhor candidato

Os potenciais candidatos a governador de Brasília oriundos do tronco Roriz-Arruda ainda não decidiram qual deles será o escolhido para disputar as eleições de outubro. Segundo matéria de Francisco Dutra no Jornal de Brasília, vão encomendar uma pesquisa para saber quem está mais bem posicionado perante o eleitorado e esse será o escolhido. Se a pesquisa é para isso, vão jogar dinheiro fora, pois não terão a resposta.

Hoje nem mesmo uma pesquisa qualitativa bem feita, com dez grupos representativos e bem estruturados, seria um bom indicador para escolher o candidato da “direita”. Uma pesquisa quantitativa servirá apenas para dizer que a maioria dos eleitores ainda não tem candidato, ou rejeita os até agora apresentados, e que as intenções de voto para os listados são irrisórias e nada indicam, nem mesmo cruzadas com os índices de rejeição. Se é preciso escolher logo um candidato, é melhor seguir o instinto, o conhecimento da realidade local e o bom senso, que não custam um real.

A história das eleições brasileiras está repleta de exemplos de candidatos que apresentavam 1% em fevereiro e ganharam as eleições, assim como de outros que apareciam como favoritíssimos e não chegaram ao segundo turno. Não será uma pesquisa em fevereiro que indicará o melhor nome da “direita”, ou o que tem mais potencial de crescimento. Para os eleitores, segundo pesquisas qualitativas, todos os apresentados até agora – Jofran Frejat, Ibaneis Rocha, Alberto Fraga, Alírio Neto e Izalci Lucas – são a mesma coisa: velhos políticos, adeptos da velha politicagem e ansiosos para retomar o poder e suas benesses.

Aliás, por instinto, conhecimento do ambiente local e bom senso, já se sabe que, dos já colocados, o melhor candidato do tronco rorizista-arrudista é Jofran Frejat. Podem economizar o dinheiro da pesquisa.

Para lembrar: em 1994, já durante a campanha, Cristovam Buarque não subia nas pesquisas e alguns petistas, com o apoio de jornalistas simplistas e superficiais, diziam que o candidato a governador deveria ter sido Chico Vigilante, que tinha no início do ano índices muito melhores, algo como 20%, contra os 3% de Cristovam. O que os petistas e os jornalistas não viam é que Cristovam poderia sair dos 3% para ganhar a eleição, enquanto Vigilante chegaria no máximo a 25%.

 

Tempo de TV desigual leva à disputa desigual e a tenebrosas transações

O sistema eleitoral brasileiro é ruim, incoerente e feito para manter o status quo. Beneficia os grandes partidos e os políticos com mandato, favorece as negociatas e dificulta a renovação e o surgimento de novas forças políticas. Uma de suas excrescências, as coligações em eleições para deputado e vereador, vai acabar nas eleições municipais de 2020, o que é bom, embora já pudesse estar vigorando agora. Permanecerá a possibilidade de os partidos se coligarem em eleições majoritárias, para presidente da República, governador, prefeito e senador — o que não é necessariamente um mal.

Seria melhor que cada partido apresentasse nas eleições sua verdadeira cara, suas ideias, mas faz sentido as legendas se unirem em torno de um programa comum para disputar o governo. Um problema é que geralmente essa aliança não se dá em função de programas e plataformas, mas de interesses. O maior deles é o tempo que os partidos têm nos programas e inserções no rádio e na televisão. Ou seja, partidos se unem apenas para aumentar sua presença nesses meios.

O tempo no rádio e na televisão tem sido fonte de renda para alguns partidos e seus donos, que cobram um preço alto para cedê-lo a candidatos. Além do dinheiro, esses partidos exigem presença na chapa majoritária, cargos e até contratos no possível futuro governo. É assim que, em boa parte, os grandes partidos conseguem somar tempo para seus candidatos, geralmente mais competitivos do que os dos pequenos partidos. Os grandes aumentam suas chances de ganhar a eleição, os pequenos e os sem candidatos fortes ganham dinheiro e nacos de “poder”.

Não são as coligações para eleições majoritárias, portanto, que estão erradas. O que mancha a limpeza da disputa eleitoral é a diferenciação de tempo para os candidatos, que já entram na disputa em enorme desigualdade. Enquanto um candidato de grande partido, com muitos coligados, pode ter 4 ou 5 minutos, por exemplo, outro, de partido pequeno, terá apenas 10 segundos. É como se um corredor de 100 metros largasse 50 metros à frente do seu competidor.

O correto seria que cada candidato a presidente, governador ou prefeito tivesse o mesmo tempo para suas apresentações. É verdade que há partidos demais, e que isso atrapalha, mas os caminhos para acabar com agremiações sem representatividade e que vivem de negociatas são outros, entre os quais o fim das coligações proporcionais. Seria muito aceitável que cada candidato a governador tivesse dois minutos por período — dez candidatos, assim, ocupariam 20 minutos.

Não tem justificativa, quando se fala em igualdade de oportunidades, é condicionar o tempo no rádio e na televisão ao número de deputados federais que um partido elege ou ganha nas “janelas” para mudança de legenda. Seria ainda ruim, mas mais coerente, condicionar o tempo ao número de votos na eleição para os executivos.

Uma alternativa intermediária para acabar com o comércio de tempo pelos partidos seria estabelecer que, havendo coligação, o tempo disponível para ela é o do partido que tiver o maior, e não a soma de todos. Exemplificando: quatro partidos coligados, com 2 minutos, 1,5 minuto, 30 segundos e 15 segundos, não terão 4 minutos e 15 segundos, mas 2 minutos, que é o tempo do maior deles. Não é uma boa solução, apenas reduz a absurda desigualdade entre os candidatos.

A propósito: tem sido grande a movimentação de partidos em Brasília em busca de coligações a qualquer custo para disputar o governo. É bom terem cuidado, porque hoje, para o eleitor, antes só que mal acompanhado. Tempo de TV é importante, mas não justifica qualquer aliança.