TCDF ataca novamente, governador esconde viagens, líder do governo é da oposição…

Procuro publicar neste blog apenas uma nota por dia, para não cansar os poucos — mas bons — leitores e porque o tempo, felizmente, continua curto. Às vezes escrevo duas notas. Hoje, lendo os jornais e assistindo aos telejornais fiquei com vontade de escrever sobre vários temas que, em diferentes graus, chamaram minha atenção. Como o dia está sendo cheio e não quero fugir ao que estabeleci, vou falar só um pouco sobre cada um deles, em uma única nota.

Qual o interesse? — O Tribunal de Contas do DF suspendeu a licitação para concessão do estádio Mané Garrincha e outros equipamentos desportivos alegando irregularidades no edital. A decisão, do conselheiro Paulo Tadeu (que foi deputado distrital pelo PT e secretário de Governo de Agnelo Queiroz antes de receber a imerecida nomeação) foi anunciada no dia em que foram abertos os envelopes do único consórcio concorrente. Essa tem sido a prática do TCDF: questionar editais e suspender licitações, às vezes por todo um ano, por motivos irrelevantes e que muitas vezes são meros pretextos.

Quem conhece bem o TCDF fica sempre na dúvida quando coisas assim acontecem. Pode ser que haja mesmo irregularidades, mas geralmente as licitações e contratos são suspensos ou por motivos políticos ou, digamos, financeiros. Os atrasos nas obras e nos contratos, ruins para o governo e para a população, podem ser bem convenientes aos conselheiros.

Como o TCDF vê problemas em todos os editais e contratos feitos pelo governo e considera que os seus são perfeitos, seria melhor para todos — especialmente para a população — que os auditores do tribunal passassem a elaborar esses instrumentos. Haveria economia de tempo e de dinheiro público, nenhuma obra seria interrompida  e ninguém mais iria suspeitar das intenções dos conselheiros.

Estranho sigilo — O governador Rodrigo Rollemberg decretou que detalhes de suas viagens devam ser mantidos em sigilo, por pretensas questões de segurança. O decreto foi assinado logo depois que se revelou que o governador foi a São Paulo, com despesas pagas pelo tesouro e acompanhado de assessor e seguranças, apenas para almoçar com bispos da Igreja Universal e diretores da Rede Record. O segredo imposto por Rollemberg não tem sentido e contraria seu discurso pela transparência. O que deveria ser estabelecido é o oposto: todas as viagens serem anunciadas publicamente e o governador ter de apresentar um relatório mostrando qual o benefício obtido para os brasilienses.

Viagens com objetivo político ou pessoal, deveriam ser pagas pelo governador com recursos próprios ou de seu partido. E não é preciso também levar com ele aspones para fazer figuração e vários seguranças.

Nada a ver — Moradores que tiveram de devolver à população a área pública que invadiram às margens do Lago Paranoá alardearam que uma decisão do Supremo Tribunal Federal mostra que foram vítimas de injustiça. Mentem e tentam enganar a população. O que o STF decidiu é que a área de preservação às margens do lago é de 10 metros e não de 30 metros. Nada além disso. Ao contrário da “interpretação” dos moradores, o tribunal não entendeu que eles têm direito a ocupar um só milímetro de terra pública às margens do Paranoá, e tanto faz o limite ser de 10 ou de 30 metros.

O governo de Brasília acertou ao cumprir com rapidez a decisão do Tribunal de Justiça do DF de desocupar a área invadida nos Lagos Sul e Norte. Só errou ao não levar o assunto a um maior debate com os moradores e ao demorar em dar uma solução urbanística aos locais recuperados para uso da população.

O mesmo do mesmo — Li duas vezes a entrevista dada ao Correio Braziliense pelo secretário de Segurança, delegado federal Cristiano Sampaio. Está boa, mas procurei atentamente alguma afirmação ou anúncio que justificasse ser manchete de capa do jornal. Não consegui encontrar. Mas, em outro lugar, li que a segurança será uma das principais bandeiras para a reeleição de Rollemberg. Depois de rir e pensar quem no governo pode estar pensando numa bobagem dessas, entendi a manchete.

Bipolaridade política – Vi uma foto do deputado distrital Agaciel Maia discursando em uma solenidade promovida por seu partido, o PR. Ao lado de Agaciel, o pré-candidato Jofran Frejat que se declara de oposição ao governo e a Rollemberg. De quem Agaciel é líder. Explique-se isso a alguém com um mínimo de bom senso.

 

Velhos políticos brigam pelo metrô e fazem a festa na Secretaria de Justiça

Os velhos políticos são, além de nocivos à sociedade, ridículos. É verdade que se esses políticos fossem apenas ridículos e sem noção não causariam grandes prejuízos à população, mas eles vão muito além: suas práticas e seus métodos são demagógicos, patrimonialistas, fisiológicos e corruptos. Levam à apropriação privada de dinheiro público, ao roubo descarado, à deterioração dos serviços públicos e ao mau atendimento ao povo. A velha política ofende a estética e a ética.

A polêmica em torno da liberação pelo Ministério das Cidades de recursos para o metrô de Brasília é um exemplo triste da atuação de velhos políticos, mas nesse caso ressalta o fato de eles serem ridículos. Já a notícia, publicada pelo Metrópoles, de que o deputado Agaciel Maia distribuiu cargos na Secretaria de Justiça e Cidadania a, entre outros, ex-jogador de futebol, donos de açougue, lava-jato e estacionamento privado e vendedora de produtos de beleza sem qualificação para as funções mostra como a velha política é danosa ao povo.

O governador Rodrigo Rollemberg anunciou como realização sua a liberação da verba pelo Ministério das Cidades. Bateu o bumbo, como se diz entre os que fazem comunicação de governo à moda antiga. Rollemberg já está agindo como candidato à reeleição, na agenda, nos pronunciamentos e nas articulações políticas, o que também é um pecado da velha política, mas menos grave. Venial, digamos.

O bumbo do governador incomodou os que fazem oposição e dois vídeos mostram como é possível a pessoas pretensamente sérias fazer papel de idiotas. No primeiro, o deputado Laerte Bessa, do PR, aparece ao lado do presidente do partido no Distrito Federal para afirmar enfaticamente que o dinheiro não foi liberado e que Rollemberg mentiu. Cita o próprio ministro Alexandre Baldy, aliás um político medíocre — como é a quase totalidade dos ministros de Temer.

No outro vídeo, Baldy desmente Bessa. Ao lado dos estáticos deputados Alberto Fraga (DEM) e Rogério Rosso (PSD) , o ministro diz que a liberação dos recursos deve-se ao apoio da bancada federal ao projeto. Aos dois apatetados parlamentares somou-se o deputado Izalci Lucas na assinatura de uma nota tirando o mérito do governador. Ou seja, Rollemberg não pode “faturar” sozinho. Por trás de toda a palhaçada estão as eleições deste ano, claro. Como estiveram na votação da alteração do orçamento, finalmente concluída ontem.

A briga pela paternidade dos recursos fica no campo do folclore da velha política, pois grave mesmo é a nomeação dos apadrinhados do deputado Agaciel Maia (PR) na Secretaria de Justiça e Cidadania, com a cumplicidade de Rollemberg. Não que isso seja caso único: várias secretarias e todas as administrações regionais foram entregues a parlamentares e políticos em troca de apoio ao governo ou para viabilizar candidaturas. Como disse Jarbas Passarinho em outro contexto, “às favas com todos os escrúpulos”.

O loteamento de órgãos da administração e a nomeação de pessoas não qualificadas e que prestam contas ao político que os indicou prejudica o desempenho administrativo e o atendimento à população e desvaloriza o servidor público de carreira. Essa prática antiga e nefasta, que o atual governo manteve, não é só uma questão ética — é, sobretudo, um mal causado à população que precisa dos serviços que o Estado tem de prestar com eficiência.

 

 

 

Segue o baile, continua o escárnio e o brasiliense só assiste

Algumas notícias do dia mostram porque é preciso mudar muita coisa em 2018. No Legislativo, no Executivo e no Judiciário.

  • Três dos deputados distritais acusados de corrupção apresentaram suas defesas à Justiça. Julio César (PRB), Bispo Renato (PR) e Raimundo Ribeiro (PPS) não contestam as graves denúncias contra eles, apenas alegam que as gravações que os comprometem são “clandestinas e ilegais”, segundo o Metrópoles. Argumentam também que foram feitas “com interesses políticos”. Esse é um argumento típico dos que não têm defesa, pois as provas são convincentes. Contam com a benevolência de juízes que recorrem ao formalismo jurídico para absolver bandidos notórios. E, enquanto isso, continuam exercendo livremente seus mandatos na lamentável Câmara Legislativa e até indicando secretários para o governo de Rodrigo Rollemberg.
  • A Câmara Legislativa aumentou seus gastos com consumo de água no ano que Brasília passa por sua maior crise hídrica e a população sofre racionamento. O repórter Suzano Almeida, do Metrópoles, conta que o aumento foi de 10,2% em relação ao ano passado. As despesas de manutenção da inútil e dispendiosa Câmara aumentaram em R$ 1 milhão entre 2016 e 2017. Os brasilienses pagam para distritais se locupletarem.
  • O governador Rollemberg “ofereceu”, ainda segundo o Metrópoles, um jantar para cinco governadores do Centro-Oeste e para Geraldo Alckmin, de São Paulo. Foi numa churrascaria na Vila Planalto. A matéria, com informações da Agência Brasília — do governo — não diz se Rollemberg “ofereceu” o jantar pagando do próprio bolso ou com dinheiro público. Políticos adoram se reunir em cafés da manhã, almoços e jantares — desde que o contribuinte pague por eles.
  • A greve dos metroviários já deu prejuízo de R$ 6 milhões à empresa que opera o metrô, conta o Correio Braziliense. A Companhia do Metropolitano do Distrito Federal já arca com enorme prejuízo operacional, é mal administrada e incapaz de oferecer serviços de qualidade. Mas o governo continua se mantendo passivo diante da greve que chega ao 28º dia, aguardando uma decisão de lenta e também passiva Justiça do Trabalho. A população continua sendo prejudicada.
  • É o líder do governo na Câmara, o deputado Agaciel Maia (PR), quem está negociando uma proposta de reajuste salarial para os policiais civis. A jornalista Ana Maria Campos, do Correio Braziliense, observa que “Agaciel pode conseguir e ficará com uma bandeira e tanto nas próximos eleições”, se sair o aumento para os policiais. Das duas, uma: ou o governador quer mesmo dar uma ajuda ao deputado aliado ou está mais uma vez demonstrando a inapetência de seu governo em se articular e negociar com servidores. Governo que precisa de deputado para mediar relações com quem quer que seja é incompetente e sem atitude. Ou quer fazer média com o político, o que significa que é conivente com a politicagem barata.
  • A Câmara Legislativa gasta tempo e dinheiro discutindo proposta do deputado Cristiano Araújo (PSD) obrigando bares e restaurantes a vender preservativos, de acordo com a coluna Alto da Torre, do Jornal de Brasília. Mas é só mais um projeto idiota entre tantos que aparecem na excrescência que é nosso parlamento local.
  • O Tribunal de Justiça do DF propôs, a Câmara aprovou e o Senado está aprovando, um projeto que autoriza reajustes de até 720% nos preços cobrados pelos cartórios de Brasília. O assunto é manchete no Correio Braziliense e quem denunciou o absurdo — que se soma ao absurdo que é a existência de cartórios nos modelo brasileiro — foi o senador José Antonio Reguffe, que tem o mérito de permanecer sem partido.