Nem todos os “candidatos” ao governo serão mesmo candidatos ao governo

É sempre assim: políticos anunciam suas candidaturas a governador para ter mais exposição na imprensa e ganhar relevância. Depois saem candidatos a vice-governador, senador ou deputado. É um processo natural, e nem sempre acontece como um simples blefe do político para se cacifar eleitoralmente. Candidatos a governador que não permanecem até o fim são lançados também para que um partido marque sua identidade e tenha uma presença mais forte nas negociações eleitorais. A desistência pode se dar também em função da definição de coligações.

Já apareceram mais de 12 “candidatos” a governador de Brasília, mas nem todos estarão efetivamente nas urnas eletrônicas. Eram ainda mais: o ex-senador Valmir Campelo, que havia sido lançado pelo PPS, anunciou ontem sua desistência. O PT, na contramão, ainda não decidiu quem será seu postulante ao Buriti. Nomes que parecem garantidos mesmo na disputa são a professora Fátima de Sousa (PSol), o empresário Alexandre Guerra (Novo) e o general Paulo Chagas (PRB). O governador Rodrigo Rollemberg (PSB) anunciou que vai disputar a reeleição, e busca apoio no PSDB, no Solidariedade, no Pros e em outros pequenos partidos.

Tudo indica que o ex-deputado Jofran Frejat (PR) será mesmo o candidato da “direita”, o tronco oriundo do rorizismo e do arrudismo. O deputado Alberto Fraga (DEM) pode desistir de sua postulação para disputar o Senado ou a reeleição para deputado federal. O ex-deputado Alírio Neto (PTB) pode insistir na candidatura patrocinada financeiramente por Roberto Jefferson ou se integrar à lista proporcional para uma das câmaras. O deputado Izalci Lucas (PSDB) pode também manter a candidatura ao governo, se ganhar a disputa interna com a ala do partido que prefere apoiar Rollemberg, mas terá dificuldade para montar uma coligação que vá muito além do PPS. Se sentir a inviabilidade de sua candidatura, Izalci pode tentar a reeleição a deputado federal.

Outro que se coloca como candidato ao governo, o deputado distrital Joe Valle (PDT), está em negociações com o grupo de Frejat para disputar o Senado. O grupo de Frejat — que terá alguém do MDB, indicado pelo ex-vice-governador Tadeu Filippelli, como vice — quer apresentar dois candidatos ao Senado: Fraga ou o ex-vice-governador Paulo Octavio (PP) para uma cadeira; Joe Valle ou senador Cristovam Buarque (PPS) para a outra.

O deputado distrital Chico Leite (Rede) é formalmente candidato a governador, mas se sabe que prefere disputar o Senado. A Rede está entre se coligar com o PDT (se Joe Valle for mesmo candidato ao governo) ou apresentar candidato próprio. Há quem ainda fale em voltar à aliança com Rollemberg, mas essa é a opção mais improvável.

Quando terminar o prazo para filiação, no dia 7 de abril, o quadro ficará um pouco mais claro. Mas as definições sobre coligações e candidaturas, pelo jeito, não sairão antes de maio ou junho. Até as convenções, muitos ainda poderão se dizer candidatos a governador.

Por enquanto, maioria dos eleitores brasilienses ainda não sabe em quem votar ou vai anular o voto

Não dá ainda, a menos de sete meses do pleito, para arriscar previsões sobre a eleição para governador de Brasília.  Como já escrevi aqui, quem cravar o vencedor, ou mesmo os nomes de quem vai para o segundo turno, é irresponsável, vidente ou cabo eleitoral de algum candidato. O quadro continua incerto, principalmente porque não se sabe sequer quem serão mesmo os candidatos. Há alguns já considerados certos, mas as indefinições ainda são muito relevantes.

Pesquisas realizadas recentemente e o sentimento do pulso dos brasilienses dão algumas indicações que deveriam ser consideradas por candidatos e seus estrategistas:

  • Seis a sete entre 10 eleitores não simpatizam com nenhum dos possíveis candidatos já colocados. Estima-se que um quarto dos eleitores tem forte tendência a anular o voto, se os candidatos forem esses. A rejeição aos políticos tradicionais continua altíssima e são bem poucos os eleitores que conhecem os candidatos que fogem dos padrões tradicionais, como Alexandre Guerra (Novo), Fátima de Sousa (PSol) e Paulo Chagas (PRP).
  • Se os pré-candidatos do tronco rorizista-arrudista estão aguardando uma pesquisa para saber qual deles está mais bem colocado e deve ser o cabeça de chapa do grupo, podem economizar o dinheiro: é Jofran Frejat (PR), muito à frente de Alberto Fraga (DEM), Izalci Lucas (PSDB) e Alírio Neto (PTB).
  • É enorme o risco de o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) não ir sequer para o segundo turno. Pode-se dizer que oito em 10 eleitores desaprovam sua gestão e nem todos, entre os poucos que a aprovam, pretendem votar nele. Para a maioria, neste  governo Brasília ficou pior do que antes. A chance de Rollemberg é se tornar o “voto útil” no segundo turno, se chegar nele, contra um candidato do grupo à direita, especialmente se não for Frejat.
  • Fala-se nos deputados distritais Joe Valle (PDT) para governador e Chico Leite (Rede) para senador, embora esses dois partidos tenham candidatos à presidência já declarados (Ciro Gomes e Marina Silva). Mas, se a dupla for essa, faria mais sentido, hoje, inverter a chapa, pois Chico Leite tem mais do que o dobro das intenções de voto de Joe Valle.
  • O PT ainda não tem candidato a governador, mas é real a possibilidade de, pela primeira vez, não estar entre os três primeiros colocados.
  • De qualquer maneira, nenhum candidato anunciado tem intenção de voto significativa até agora. Nem Frejat, que está à frente dos demais.
  • As duas cadeiras em disputa para o Senado estão mais para o senador Cristovam Buarque (PPS) e para Jofran Frejat ou para o deputado Alberto Fraga, se não forem candidatos ao governo. As chances de Leila do Vôlei (PRB) e Chico Leite não devem ser desconsideradas. Mas a maioria do eleitorado também não sabe ainda em quem votar para senador.

Nada, mas nada mesmo, porém, pode ser considerado definitivo. O quadro atual, que em si já é incerto, pode sofrer inúmeras mudanças diante de variáveis como as candidaturas à presidência da República, as definições finais de candidatos e coligações e, claro, a campanha que cada um conseguirá fazer. O enorme número de eleitores que não sabem em quem votar ou não querem votar em ninguém pode mudar todo o quadro, se houver migração deles para algum candidato.

Roberto Jefferson e Valdemar Costa Neto querem “espaços de poder” em Brasília

Duas lamentáveis e corruptas figuras da política brasileira estão por trás de dois dos pré-candidatos a governador de Brasília: os ex-deputados e ex-presos Roberto Jefferson e Valdemar da Costa Neto. O candidato de Jefferson, poderoso chefão do PTB, é o ex-deputado distrital Alírio Neto. Valdemar, capo do PR, apoia o ex-deputado federal Jofran Frejat. Ambos prometem que seus candidatos terão muito dinheiro para gastar em suas campanhas, graças aos recursos públicos dos fundos partidário e eleitoral.

Toda a expectativa de renovação da política brasiliense pode se frustrar diante da legislação eleitoral que foi descaradamente aprovada pelo Congresso justamente para impedir a renovação. Os maiores partidos, todos envolvidos em acusações de corrupção, terão mais dinheiro para a campanha, mais tempo nos horários gratuitos no rádio e na televisão e garantia de que seus candidatos participarão dos debates promovidos pelas emissoras.

Será uma batalha desigual. Partidos que não terão candidatos a presidente disporão de mais recursos para aplicar em campanhas estaduais, e é isso que farão o PTB e o PR. Afinal, seus dirigentes — ou melhor, donos — precisam ter onde comandar estruturas estatais que lhes garantam contratos e empregos. Por isso incentivam Alírio e Frejat a se manterem na disputa. Caso um deles não vá para o segundo turno, terá mais cacife para negociar com um dos candidatos e assegurar os falados “espaços de poder” — leia-se, dinheiro e cargos.

Terão também condições favoráveis na disputa o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) e os candidatos, se houver, do PSDB (quem se coloca é o deputado Izalci Lucas), do DEM (deputado Alberto Fraga), do PDT (deputado distrital Joe Valle) e do PT (que ainda não definiu o candidato). Também não estará mal, se continuar candidato, o ex-senador Valmir Campelo, do PPS.

Em grande desvantagem estão os dois únicos pré-candidatos já definidos que realmente representam uma renovação positiva no espectro político brasiliense: o liberal Alexandre Guerra, do Novo, e a socialista Fátima de Sousa, do PSol. Guerra é empresário, Fátima é professora universitária, e nunca disputaram um mandato eletivo. Guerra, pela direita, e Fátima, pela esquerda, poderão ganhar eleitores descontentes com a velha política e com as práticas corruptas que enredam os demais pré-candidatos (todos os já lançados são velhos políticos, nem todos corruptos, ressalve-se).

O quadro político, porém, continua indefinido e muitos movimentos ainda acontecerão até o prazo para a filiação partidária e para a realização das convenções. Muita coisa pode mudar e quem apostar desde já corre o risco de perder tudo.

PS: a preguiça leva jornalistas a chamarem partidos políticos de “siglas”, o que não faz o menor sentido, mas se generalizou — como tantas outras bobagens adotadas pelo jornalismo nacional. Há palavras que podem evitar a repetição de “partido”: legenda, agremiação, organização. Ah, não cabem no título… Então tá.

Não há favoritos quando 65% dos eleitores não querem votar em nenhum dos postulantes

Muitos perguntam quem é o favorito, ou quem vai ganhar as eleições para governador em outubro. Quem responder proferindo o nome de um possível candidato pode ser classificado em uma dessas situações: 1) simpatiza ou trabalha para esse candidato; 2) nada entende de política e de eleições; 3) está isolado do mundo e não vê o que acontece à sua volta; 4) é astrólogo, vidente ou exerce atividades assemelhadas.

Não há favorito e muito menos algum candidato, em Brasília, no qual se possa apostar na vitória. Na verdade, não se sabe sequer quem serão mesmo os candidatos. Muitos se colocam para a disputa pelo governo, mas alguns deles acabarão nas listas para o Senado ou para as câmaras. Os únicos que podem ser considerados já definidos por seus partidos são os ainda desconhecidos Alexandre Guerra, do Novo, e Paulo Chagas, do PRP, mas até as convenções partidárias tudo pode mudar.

Dentre os postulantes ao Buriti, Jofran Frejat e Rodrigo Rollemberg se destacam à frente dos demais, mas com números nada expressivos em se tratando de um governador e um político que foi candidato ao governo em 2014. Algo como 14 entre 100 eleitores brasilienses com Frejat, nove entre 100 com Rollemberg. E, o que é significativo, 65 eleitores entre 100 sem ter candidato, pensando em se abster, anular o voto ou digitar a opção de voto em branco.

Depois do prazo de filiação partidária (7 de abril) e da realização das convenções (entre 20 de julho e 5 de agosto) é que o quadro de candidatos estará mais definido e as pesquisas quantitativas terão mais consistência. Mas mesmo assim ainda será cedo para fazer previsões, pois a curta campanha eleitoral (propaganda só a partir de 16 de agosto, com 35 dias para as inserções e programas no rádio e na TV) sem financiamento empresarial promete ser diferente das anteriores e surpresas podem ocorrer. A eleição começará a ser definida em setembro.

Voltando à pergunta: se permanecerem os candidatos até agora falados, a tendência é a disputa entre Frejat e Rollemberg, que terão mais votos por exclusão  — tipo no menos ruim, de acordo com o ponto de vista — do que por opção. E um elevado número de abstenções, votos nulos e em branco. Isso, porém, ainda não os torna favoritos.

O potencial favorito, mesmo, é um personagem que ainda não surgiu na cena eleitoral brasiliense ou ainda não se revelou: um candidato honesto, ficha limpa, que não seja político “profissional” e demonstre ter competência para governar e capacidade de articulação política e com a sociedade para fazer uma boa gestão. E que, com posições centradas, ofereça alternativas que fujam de posições extremadas. São os eleitores que estão dizendo isso.

Se esse personagem surgir no palco, o cenário muda e pode ficar mais interessante.

 

 

Não há favoritos e antes da eleição tem uma janela e uma campanha eleitoral

Alguns pontos que devem ser considerados sobre a eleição de governador:

  • Rodrigo Rollemberg anunciou que vai disputar a reeleição e já cumpre, prematuramente, agenda de candidato.
  • Muitos podem contar, sem mentir, que foram sondados para ser o vice-governador e disputar o Senado na chapa de Rollemberg. À esquerda e à direita, no governo e fora dele. Se todos decidirem aceitar, o governador terá problemas.
  • Os únicos candidatos realmente novos que apareceram até agora são o empresário Alexandre Guerra, do Novo, a professora Fátima de Sousa, do PSol, e o advogado Ibaneis Rocha, do PMDB. Todos os demais são políticos que já exerceram mandatos.
  • Ibaneis, porém, é o novo que já entrou velho na disputa. Ao ingressar no PMDB e buscar alianças com o que há de mais velho na política brasiliense, deixou de ser um outsider. Está sendo chamado de Benjamin Button.
  • A candidatura do deputado Izalci Lucas a governador só vingará em duas hipóteses: se o PSDB não se aliar ao PSB na eleição para presidente da República ou, se houver essa aliança, se ele mudar para um partido que queira lança-lo.
  • Embora seja do PR, Jofran Frejat não é o candidato preferido de José Roberto Arruda. Mas é o preferido do dono do partido, Valdemar Costa Neto.
  • Se todos os anunciados postulantes a governador permanecerem na disputa, a lista será grande: PDT, Rede, PSDB, DEM, PTB, PMDB, PR, PRB e Psol anunciaram nomes; PT, PCdoB e PSD dizem que terão candidatos; PSB tem Rollemberg.
  • Boa parte dos que se colocam hoje como candidatos a governador vai acabar disputando cadeiras para o Senado e para a Câmara dos Deputados. Talvez até para a Câmara Legislativa.
  • Antes do registro das candidaturas haverá uma “janela” para que detentores de mandato mudem de um partido para outro.
  • Antes das eleições haverá uma campanha eleitoral.
  • Nos primeiros meses de 2014 as pesquisas pareciam indicar que o favorito era José Roberto Arruda, mas na verdade mostravam claramente, para quem soube lê-las, que era Rodrigo Rollemberg — mesmo que Arruda permanecesse na disputa. Agora, as pesquisas mostram que o quadro está totalmente indefinido e a disputa em aberto.

Com 73,4% de rejeição, desistir da reeleição pode ser o rumo certo para Rollemberg

É quase impossível para um governador com 73,4% de rejeição ser reeleito. O “quase”, nesse caso, é apenas uma salvaguarda na frase, pois estamos vivendo situações tão absurdas no país que ninguém arrisca previsões definitivas. Nas atuais circunstâncias, sempre há margem para erros e o impossível pode acontecer sem causar grande espanto. Mas, na verdade, o que dizem especialistas e profissionais do ramo é que uma rejeição superior a 50% torna a reeleição impossível.

Rodrigo Rollemberg é rejeitado por 73,4% dos eleitores brasilienses, que consideram sua gestão péssima (48,2%) e ruim (25,2%). Só 6% aprovam o governo: para 1,3% é ótimo, para 4,7% é bom. Para 18,6%, a gestão é regular. A pesquisa foi realizada pelo instituto Dados e publicada pelo Metrópoles. Mesmo com os céticos e desconfiados ampliando a margem de erro de 2%, não há como melhorar a situação do governador. Nos próximos dias o portal de notícias deverá publicar pesquisas de intenção de votos e então saberemos como a desaprovação de Rollemberg se reflete no quadro eleitoral.

O tempo até as eleições é muito curto para que o governador reduza substancialmente sua rejeição pessoal e a desaprovação de seu governo. Diante das expectativas que criou para os brasilienses na campanha eleitoral de 2014, o que está fazendo e o que ainda poderá fazer neste mandato é muito pouco. Rollemberg desfia em todas as oportunidades o que considera suas realizações, mas para os eleitores, por mais importantes que elas possam ser, são o mínimo que poderia fazer. O que pesa mais é o que não fez, especialmente nas áreas da saúde, da segurança e da mobilidade, além do estilo antiquado de governar.

O “quase” além da salvaguarda preventiva ainda existe em função de peculiaridades do momento político em que vivemos. A maioria da população manifesta altíssima rejeição à política e aos políticos e os até agora lançados como possíveis candidatos a governador e que têm mais visibilidade enquadram-se nessas categorias. Nenhum deles empolga o eleitorado e as novidades ou já se queimaram como outsider (o advogado Ibaneis Rocha, que se filiou ao considerado corrupto PMDB) ou são ainda desconhecidas (o empresário Alexandre Guerra, do Novo). Se um dos candidatos não crescer nem surgir novidades consistentes, Rollemberg pode se beneficiar da elevadíssima soma de abstenções e votos nulos e em branco e ganhar a eleição com 20% dos votos.

Mas é muito, muito difícil que os 73,4% mudem de opinião, que todos os 18,6% pulem do regular para o bom e assim os eleitores resolvam dar mais quatro anos a um governador que consideram ruim e péssimo e para o qual quatro entre 10 entrevistados dão nota zero. O melhor que Rollemberg faria, para não repetir o fiasco de Agnelo Queiroz, é desistir da reeleição e tentar fazer o melhor fim de governo possível. Pode mudar parte da equipe, deixar de lado a intensa agenda eleitoreira e a cara propaganda ufanista e cuidar de verdade da gestão, cercado de pessoas qualificadas. Se mostrar alguma recuperação e diante da fragilidade dos demais postulantes, poderá até eleger o sucessor, desde que seja alguém que se enquadre no perfil desejado pelos eleitores.

 

 

 

 

A lei eleitoral favorece os “grandes”, mas nas eleições de 2018 pode ser diferente

Os grandes partidos saem com grande vantagem nas eleições de 2018: terão mais dinheiro do fundo estatal, mais tempo no rádio e na televisão, presença garantida nos debates e não precisam se preocupar com a cláusula de barreira. A legislação eleitoral, incluindo os dispositivos recentemente aprovados, foi elaborada para beneficiar grandes partidos e os políticos que já detêm mandato, dificultando o surgimento e a consolidação de novas legendas e a renovação nas casas legislativas e nos executivos. Além disso, impede o que existe em 90% dos países: a possibilidade de um cidadão ser candidato independente, sem vínculo com partido.

É natural, assim, que os candidatos a governador de Brasília que são filiados a grandes partidos sejam considerados favoritos. Terão mais dinheiro para suas campanhas e mais tempo para se apresentarem nos programas e nas inserções no rádio e na televisão, além de estarem nos debates e terem uma estrutura partidária maior. Essas vantagens aumentam se esses partidos se coligarem, acrescentando mais dinheiro e mais tempo aos candidatos.

Entre os “grandes” está o governador Rodrigo Rollemberg, do PSB, que busca ter o apoio do PSDB e de partidos menores. Estão também os que se colocam como candidatos no campo da “direita”, como Jofran Frejat (PR), Ibaneis Rocha (PMDB), Alírio Neto (PTB), Alberto Fraga (DEM) e Izalci Lucas (PSDB). Ou no campo da “esquerda”, como Joe Valle (PDT) e o candidato do PT, ainda não definido — uma das hipóteses é a professora Rosilene Correa, diretora do Sinpro, e fala-se também no procurador Eugênio Aragão. O PSD alardeia candidatura própria, mas tende a apoiar alguém de outro partido.

Os partidos “pequenos” terão candidatos, apesar das dificuldades que encontrarão. O Novo já lançou o empresário Alexandre Guerra. O PSol decidirá entre vários pré-candidatos, mas a tendência é indicar a professora Maria Fátima de Sousa, diretora da Faculdade de Ciências da Saúde e de Medicina da UnB. A Rede diz que poderá ter candidato próprio, mas está conversando com outros partidos para se coligar, tendo o distrital Chico Leite como candidato ao Senado. O PPS, que tem em seus quadros o senador Cristovam Buarque e o ex-senador Valmir Campelo, ainda não decidiu se terá candidato ou se coligará.

Dentre os citados, poucos são candidatos sem mandato e sem grande vivência na política partidária, enquadrando-se em parte desse perfil desejado pela maioria dos eleitores brasilienses: Ibaneis, Rosilene, Aragão, Guerra e Fátima (ou outro que o PSol lançar). Cada um terá de enfrentar um problema comum — serem desconhecidos dos eleitores — e alguns problemas específicos, decorrentes deles próprios e de seus partidos. Guerra e Fátima, por exemplo, são de partidos pequenos. Ibaneis é do PMDB, que não é exatamente o partido indicado para quem se coloca como outsider. O PT sofre forte desgaste.

E não é só distância da política e dos políticos tradicionais que os eleitores querem. O perfil desejado para um governador inclui experiência que demonstre competência e capacidade de diálogo e articulação e, sobretudo, honestidade e passado limpo. E embora os que se situam nos extremos do espectro político tenham seus votos, a expectativa é por alguém ao centro.

Entre o quadro de hoje e a eleição haverá uma campanha eleitoral, curta e na qual os “grandes” levarão vantagem porque a lei os beneficia. Há favoritos, assim, porque as regras não garantem que os concorrentes disputem em igualdade. Mas, na verdade, não vale a pena apostar em nenhum deles. Os tempos mudaram e as pessoas andam bastante irritadas. Nada será fácil para candidatos com esse perfil lançados por partidos menores, mas nada está ainda decidido.