O novo em 2018: Joe Valle, Cristovam, Rosso, Celina, Universal, Assembleia de Deus, Sara Nossa Terra…

Nas eleições de 2014 a coligação que apoiou a candidatura ao governo do então senador Rodrigo Rollemberg era integrada por PSB, PDT, PSD e Solidariedade. O candidato ao Senado era o então deputado José Antonio Reguffe, do PDT. Os principais candidatos a deputado federal eram Rogério Rosso, do PSD — que indicou o candidato a vice-governador, Renato Santana — e Augusto Carvalho, do Solidariedade. A Rede Sustentabilidade também apoiou a chapa, mas ainda não era formalmente um partido.

O PDT, o PSD e a Rede romperam com o governo de Rollemberg neste semestre. O PSB é o partido do governador e o Solidariedade ainda se mantém na base governista. Eis que agora, como noticia o repórter Francisco Dutra, no Jornal de Brasília, três dos então apoiadores de Rollemberg estão articulando uma chapa para disputar o governo: o deputado distrital pedetista Joe Valle, o deputado federal Rogério Rosso e o senador Cristovam Buarque, que em 2014 era do PDT e agora está no PPS – partido que não participou da coligação que elegeu o governador.

Para avaliar o que, além do tempo na televisão, significa esse aliança de PDT, PSD e PPS — que falam em agregar partidos da direita conservadora, como os predominantemente evangélicos PRB (Igreja Universal), PSC (Assembleia de Deus), Podemos (Sara Nossa Terra) e PHS — é bom ver o que mudou de 2014 para cá:

  • O distrital Joe Valle, eleito com 20.352 votos, elegeu-se presidente da Câmara Legislativa este ano com apoio de parlamentares denunciados por corrupção e tem se apresentado como candidato ao governo ou ao Senado. Ser presidente da Câmara pode dar mais visibilidade ao distrital, mas ao mesmo tempo a instituição está no fundo do poço em termos de credibilidade, respeitabilidade e popularidade. Todos os deputados denunciados e respondendo a processos continuam exercendo seus mandatos, sob as vistas de Joe Valle.
  • O deputado Rogério Rosso, que em 2014 apoiava entusiasticamente o governo e a reeleição de Dilma Rousseff, seguindo orientação de seu mentor Gilberto Kassab, tornou-se um dos mais próximos aliados e defensores de Eduardo Cunha e do impeachment. Por duas vezes tentou ganhar a presidência da Câmara, já de olho na disputa pelo governo de Brasília em 2018. Sem sucesso, desgastado e sem a proteção de Eduardo Cunha, recolhido à prisão em Curitiba, Rosso mergulhou na obscuridade. Só não foi preso, como os ex-governadores José Roberto Arruda e Agnelo Queiroz e o vice-governador Tadeu Filippelli, por ter foro privilegiado. Seu líder Kassab também está envolvido em atos de corrupção.
  • O senador Cristovam Buarque deixou o PDT frustrado: queria disputar a presidência da República, mas Ciro Gomes filiou-se ao partido já consagrado como candidato. Foi então para o PPS na esperança de ter o apoio de seu amigo e conterrâneo Roberto Freire, mas foi humilhado quando Freire disse publicamente que ele não tem mais votos e tentou fazer do apresentador Luciano Huck o candidato do partido. Ao apoiar o impeachment de Dilma e medidas do presidente Temer, Cristovam perdeu seu eleitorado à esquerda e receia não conseguir a reeleição ao Senado. Sua esperança é ter o apoio de evangélicos e ser a opção de segundo voto.
  • O PPS de Cristovam é hoje, também, o partido de dois deputados distritais denunciados na Operação Drácon e que se colocam na extrema-direita na Câmara Legislativa: a ex-presidente Celina Leão, afastada judicialmente do cargo, e Raimundo Ribeiro, que chegou a ser líder do governo de Rollemberg.
  • O mais importante apoiador de Rollemberg em 2014 não foi nenhum desses, mas o senador José Antonio Reguffe, que teve mais votos que o governador. Reguffe estava no PDT e hoje não tem partido. Não é candidato em 2018 e não demonstra nenhuma intenção em apoiar essa coligação PDT-PSD-PPS-Evangélicos.

O mais provável candidato a governador, caso essa aliança se viabilize, é o distrital Joe Valle, que foi do PSB. Cristovam pode ser o candidato ao Senado e Rosso tentar a reeleição à Câmara. Dá, assim, para entender porque a quase totalidade dos eleitores brasilienses diz que ainda não tem candidato a governador e não se entusiasma por nenhuma das alternativas já colocadas.

Não chore pelo PSD, governador. Em 2018 talvez seja melhor estar só que mal acompanhado

O velho ditado “antes só que mal acompanhado” não é bem visto pelos políticos, com pouquíssimas exceções. O senso comum é de que sozinho um candidato ou partido não ganha eleições, e isolado ninguém consegue governar. É preciso fazer alianças, coligações e coalizões. As exceções são os partidos que, por posições ideológicas ou saber que não têm chances de vitória, preferem disputar as eleições sem se misturar aos demais.

Depois da eleição presidencial de 1989, disputada por 22 candidatos, os partidos passaram a buscar a coligação com o maior número possível de legendas, especialmente para aumentar o tempo nos programas e inserções gratuitos no rádio e na televisão. Quanto mais partidos coligados, mais tempo. Além disso, a soma de estruturas partidárias — dinheiro, material, cabos eleitorais, lideranças — possibilita mais presença e visibilidade dos candidatos na campanha.

Em 2018, porém, talvez seja diferente. O eleitorado, como mostram as pesquisas qualitativas (que a maioria dos políticos e jornalistas, pelo jeito, não leem, e se leem não entendem) está farto da política, dos políticos e dos partidos. Não acredita em mais ninguém e sequer nas instituições. Mal humorado e desesperançado, devido à crise econômica, aos péssimos serviços prestados pelo Estado e aos sucessivos casos de corrupção, o eleitor repudia as práticas que identifica com politicagem e demagogia.

Por isso é bem possível que, assim como têm rejeitado as movimentações de políticos tradicionais para formar alianças para 2018, badaladas em textos e fotos por colunas e blogs como isso os ajudasse, os eleitores prefiram votar em candidatos e partidos que não se unam por interesses apenas eleitoreiros, muitas vezes descaracterizando-se. Dá para arriscar dizer que, diferentemente do que acontecia em eleições anteriores, o maior tempo na televisão provavelmente não compensará a formação das chamadas alianças espúrias. Afinal, agora temos as redes sociais.

Pode ser que não seja assim e que em 2018 prevaleça a força das coligações. Mas, de qualquer maneira, o governador Rodrigo Rollemberg não deve lamentar o rompimento do PSD com seu governo. O partido de Rogério Rosso e Renato Santana — assim como o Solidariedade de Augusto Carvalho e Sandra Faraj — entrou na coligação em 2014 para dar mais tempo de TV a Rollemberg e Reguffe. Nada mais.

O PSD levou mais problemas e ônus ao governo do que benefícios e bônus. Nada fez de útil para a população. Eleitoralmente, pouco representa. Com o líder maior, Gilberto Kassab, acusado de corrupção, o tempo de TV que tem não vale a má companhia. Nesse caso, é melhor mesmo estar só que mal acompanhado.