“Balanço” do governo mostra lucros e ativos, mas esconde prejuízos e passivos

A assessoria de imprensa do governador Rodrigo Rollemberg anunciou que ele daria uma entrevista coletiva hoje “para balanço das ações de governo”. Balanço, no sentido aparentemente dado pela assessoria, é um termo associado à situação contábil e financeira, mas deu para entender que o governador iria fazer um balanço das ações de governo na acepção dada à palavra pelo Houaiss: exame escrupuloso, análise.

Não foi isso, porém, que aconteceu na entrevista. Rollemberg nem fez exame escrupuloso nem analisou sua gestão. Mais uma vez, apenas voltou a falar do rombo financeiro e orçamentário que herdou e listou realizações em tom propagandístico e ufanista. Relacionou obras e números e disse que está conseguindo estabilizar as finanças.

O rombo herdado foi real e as realizações do governo são importantes e merecem aplausos. Nada mais, porém, que a obrigação mínima de um governador que se elegeu prometendo melhorar a vida dos brasilienses, com um programa de governo denso, e não fazer o “mais do mesmo”, pois promoveria mudanças radicais na forma e no conteúdo da gestão e das ações políticas.

Ao estilo dos velhos políticos, o governador e seus assessores acham que fazer balanço de governo é se autoexaltar e anunciar retumbantemente algumas realizações. Mas não é: em primeiro lugar, a expressão “prestação de contas” caberia bem melhor do que “balanço”. Um governo tem de mostrar à população não só seus acertos, mas também reconhecer seus erros. Na prestação de contas, o governante diz o que fez e realizou, mas também o que errou, porque errou e como pretende corrigir os erros. E como o governo de Brasília erra mais do que acerta, haveria muito a dizer.

A capacidade de fazer autocrítica publicamente é rara entre políticos e governantes. O reconhecimento dos erros é que permite avançar e sair do “mesmo do mesmo”, mas os velhos métodos são mais cômodos.