Joe Valle, Cristovam, Rosso e o pântano político que montaram em busca de Frejat

Não dá para levar a sério a farofada partidária montada pelo senador Cristovam Buarque (PPS), pelo deputado federal Rogério Rosso (PSD) e pelo deputado distrital Joe Valle (PDT) com o objetivo de impedir a reeleição do governador Rodrigo Rollemberg (PSB). Até porque crescem as desconfianças de que o pântano político liderado pelos três tem como objetivo tirar Jofran Frejat da órbita da “direita” e tê-lo como candidato ao governo.

O relato do jornalista Caio Barbieri, do Metrópoles, sobre a reunião que o grupo fez na terça-feira mostra bem esse pântano em que estão se metendo PPS, PSD, PDT, PCdoB, PPL e Pros, e que em sua última reunião teve a presença do PR e do PSDB — que estavam também na reunião que o deputado federal Alberto Fraga (DEM) promoveu no dia seguinte em sua casa, como resposta, e da qual participaram ainda o PMDB e o PTB.

Barbieri mostra que o jogo de cena montado na reunião de terça para dar ideia de unidade foi desmascarado pelos próprios participantes, que não conseguiram esconder suas divergências. O presidente do PR, Salvador Bispo, por exemplo, questionou a ausência de “lideranças importantes”, provavelmente se referindo a Alberto Fraga, ao ex-vice-governador Tadeu Filippelli (PMDB) e ao ex-deputado Alírio Neto (PTB). Rosso tentou justificar: “Neste primeiro momento, separamos um grupo de temperamento mais ameno”. E completou: “Todos serão convidados, sem vetos”. O deputado Raimundo Ribeiro (PPS) disse que ali não cabiam “preconceitos”.

Para mostrar que não quer se juntar a esse grupo, Fraga, que não tem temperamento ameno, marcou uma reunião para o dia seguinte, e lá estavam Jofran Frejat (PR), Alírio Neto (PTB), Filippelli e o deputado federal Izalci Lucas (PSDB). Esse grupo, com raízes rorizistas e arrudistas e que Fraga chama de “direita”, mantém alguma coerência política e ideológica e se divide porque Frejat, Fraga, Alírio, Izalci e Ibaneis Rocha, do PMDB, se dizem pré-candidatos a governador.

Já a farofada juntou partidos de esquerda e centro-esquerda (PCdoB, PPL e PDT) com legendas de centro-direita e direita (PSDB, PPS, PSD, PR e Pros). Izalci, presidente do PSDB, esteve nas duas reuniões, enquanto a outra ala de seu partido, liderada por Maria de Lourdes Abadia, participa do governo de Rollemberg. O PR mandou seu presidente para a reunião da farofada, mas seu candidato, Frejat, só foi à casa de Fraga. O Pros, do deputado federal Ronaldo Fonseca, estava lá mas não esconde sua proximidade com o governador. O deputado Raimundo Ribeiro é notoriamente simpático ao grupo rorizista-arrudista.

A direita e a farofada têm grandes divergências entre elas e internas. Só o que as une é derrotar Rollemberg. A direita tem vários pretendentes ao governo, entre os quais Frejat. Que,  pelo jeito, está na mira da farofada.

 

 

“Direita” vai jogar dinheiro fora com pesquisa para saber que Frejat é seu melhor candidato

Os potenciais candidatos a governador de Brasília oriundos do tronco Roriz-Arruda ainda não decidiram qual deles será o escolhido para disputar as eleições de outubro. Segundo matéria de Francisco Dutra no Jornal de Brasília, vão encomendar uma pesquisa para saber quem está mais bem posicionado perante o eleitorado e esse será o escolhido. Se a pesquisa é para isso, vão jogar dinheiro fora, pois não terão a resposta.

Hoje nem mesmo uma pesquisa qualitativa bem feita, com dez grupos representativos e bem estruturados, seria um bom indicador para escolher o candidato da “direita”. Uma pesquisa quantitativa servirá apenas para dizer que a maioria dos eleitores ainda não tem candidato, ou rejeita os até agora apresentados, e que as intenções de voto para os listados são irrisórias e nada indicam, nem mesmo cruzadas com os índices de rejeição. Se é preciso escolher logo um candidato, é melhor seguir o instinto, o conhecimento da realidade local e o bom senso, que não custam um real.

A história das eleições brasileiras está repleta de exemplos de candidatos que apresentavam 1% em fevereiro e ganharam as eleições, assim como de outros que apareciam como favoritíssimos e não chegaram ao segundo turno. Não será uma pesquisa em fevereiro que indicará o melhor nome da “direita”, ou o que tem mais potencial de crescimento. Para os eleitores, segundo pesquisas qualitativas, todos os apresentados até agora – Jofran Frejat, Ibaneis Rocha, Alberto Fraga, Alírio Neto e Izalci Lucas – são a mesma coisa: velhos políticos, adeptos da velha politicagem e ansiosos para retomar o poder e suas benesses.

Aliás, por instinto, conhecimento do ambiente local e bom senso, já se sabe que, dos já colocados, o melhor candidato do tronco rorizista-arrudista é Jofran Frejat. Podem economizar o dinheiro da pesquisa.

Para lembrar: em 1994, já durante a campanha, Cristovam Buarque não subia nas pesquisas e alguns petistas, com o apoio de jornalistas simplistas e superficiais, diziam que o candidato a governador deveria ter sido Chico Vigilante, que tinha no início do ano índices muito melhores, algo como 20%, contra os 3% de Cristovam. O que os petistas e os jornalistas não viam é que Cristovam poderia sair dos 3% para ganhar a eleição, enquanto Vigilante chegaria no máximo a 25%.

 

Contra Rollemberg: primeiro a gente se junta, depois a gente resolve o que vai fazer de diferente

Partidos políticos são instituições em decadência, por vários motivos: perderam a representatividade, são poucos os que ainda têm identidade e princípios ideológicos, a maioria existe para fazer negócios que beneficiam seus “donos”, muitos de seus membros importantes são acusados de corrupção e daí por adiante. A legislação cartorial brasileira exige que para ser candidato um cidadão esteja filiado a um partido — uma clara violação do direito que todos têm de eleger e serem eleitos, pois o postulante tem de ultrapassar muitas barreiras para ser lançado candidato pelo partido.

Os partidos políticos podem se reerguer e conquistar um papel importante na vida política do país, e é desejável que isso aconteça. Mas seus líderes deveriam então se preocupar em adotar novas práticas e métodos políticos, mais adequados ao tempo em que vivemos, e não em persistir em velhas e antiquadas fórmulas. Como, por exemplo, a de formar alianças sem discussão programática e unindo forças que nada ou pouco têm uma com a outra, apenas por oportunismo político ou para beneficiar uma ou outra candidatura.

Uma aliança de partidos disparatados pode ocorrer em situações de guerra, calamidade ou algo que leve à necessidade do que comumente se chama de “governo de salvação nacional”. Justifica-se quando a situação é caótica e só a união das forças políticas, por um prazo determinado, pode mudar o quadro. Alianças, em situações normais, não precisam ser entre os iguais, e comportam forças diferentes ideologicamente. Mas há um limite para as diferenças e as alianças têm de se basear em uma plataforma comum para cumprir objetivos claramente determinados.

A tentativa do senador Cristovam Buarque (PPS) e do distrital Joe Valle (PDT) de formar um bloco unindo PCdoB, PDT, Rede, PV, PPS, PDS e PRB para disputar as eleições de outubro não explica a que vem. O que pode unir esses partidos, pelo que se sabe, é apenas impedir a reeleição do governador Rodrigo Rollemberg e do candidato do bloco de partidos e políticos de centro-direita e de direita. Assim como essa turma, oriunda da raiz rorizista-arrudista e que reúne Jofran Frejat, Tadeu Filippelli, Ibaneis Rocha, Alberto Fraga, Alírio Neto, Izalci Lucas e outros, fala apenas em tirar Rollemberg do Buriti, sem apresentar um só item programático.

Para justificar a união em blocos heterogêneos, coloca-se como objetivo fundamental impedir a reeleição. Não se diz à população o que será feito diferente — e não valem generalidades como melhorar a gestão e torná-la mais eficiente. Na verdade, essas coligações sem princípios são montadas apenas para melhorar as chances de candidatos, majoritários ou proporcionais, e passam à população a ideia de conchavos politiqueiros à margem dos eleitores.

Basta dar uma passada rápida pelos partidos que Cristovam e Joe querem juntar para verificar as discrepâncias. Com margem de erro, da esquerda para a direita:

  • PCdoB: aliado tradicional do PT, comunista sem sectarismos, lançou Manoela D´Ávila como candidata a presidente da República. Não participou do governo de Rollemberg e faz oposição a Michel Temer.
  • PDT: integrou a coligação que elegeu Rollemberg e seu governo, tendo rompido no ano passado. Tem Ciro Gomes como candidato a presidente e também faz oposição a Temer. O deputado Joe Valle coloca-se como candidato a governador.
  • Rede: também integrou a coligação e participou do governo até final de 2017. É contra Temer. Marina Silva é a candidata a presidente e o distrital Chico Leite apresenta-se como candidato ao governo ou ao Senado.
  • PV: o deputado distrital Israel Batista comanda uma secretaria do governo de Rollemberg e tem vários cargos na administração, assim como o presidente Eduardo Brandão, que já se ofereceu para ser o candidato a vice do governador.
  • PPS: o partido alinha-se ao governo de Michel Temer e nunca participou da gestão de Rollemberg. O senador Cristovam Buarque quer ser candidato a presidente da República, mas não tem apoio interno (a tendência é coligar-se ao PSDB) e pode tentar uma terceira eleição para o Senado. Entre os quadros do PPS estão os distritais Celina Leão e Raimundo Ribeiro, acusados de corrupção e fortes opositores do governador,e o ex-senador Valmir Campelo.
  • PSD: aliado de Temer, foi da coligação que elegeu Rollemberg, indicando o vice-governador, e participou do governo até 2017. O deputado federal Rogério Rosso foi um dos mais próximos aliados de Eduardo Cunha e teve apoio do hoje presidiário para disputar a presidência da Câmara.
  • PRP: o partido da Igreja Universal do Reino de Deus apoia Temer, participa do governo de Rollemberg e o distrital Julio César é da base aliada ao governo. Seu dirigente Wanderley Tavares, porém, se coloca como candidato ao governo.

Os articuladores do bloco que vai do PCdoB ao PRB deveriam se lembrar do que houve na eleição de 1990: juntaram-se PDT, PSDB, PSB, PCB, PCdoB e PEB para apoiar a candidatura ao governo do então senador Maurício Corrêa, o mais votado em 1986. Essa grande coligação lançou o senador Pompeu de Sousa para a reeleição. O PT, sozinho, lançou o desconhecido médico Carlos Saraiva e Saraiva para o governo e o professor Lauro Campos para o Senado.

Nessa eleição, Joaquim Roriz elegeu-se no primeiro turno (55,49%), Saraiva ficou em segundo (20,27%) e Corrêa apenas em terceiro (14,28%). Valmir Campelo, da chapa de Roriz, elegeu-se senador (47,27%), o petista Lauro Campos ficou em segundo (34,13%) e Pompeu de Sousa (7,38%) ainda ficou em quarto, atrás de Lindbergh Cury, do PMDB (9,60%).

 

Não há favoritos e antes da eleição tem uma janela e uma campanha eleitoral

Alguns pontos que devem ser considerados sobre a eleição de governador:

  • Rodrigo Rollemberg anunciou que vai disputar a reeleição e já cumpre, prematuramente, agenda de candidato.
  • Muitos podem contar, sem mentir, que foram sondados para ser o vice-governador e disputar o Senado na chapa de Rollemberg. À esquerda e à direita, no governo e fora dele. Se todos decidirem aceitar, o governador terá problemas.
  • Os únicos candidatos realmente novos que apareceram até agora são o empresário Alexandre Guerra, do Novo, a professora Fátima de Sousa, do PSol, e o advogado Ibaneis Rocha, do PMDB. Todos os demais são políticos que já exerceram mandatos.
  • Ibaneis, porém, é o novo que já entrou velho na disputa. Ao ingressar no PMDB e buscar alianças com o que há de mais velho na política brasiliense, deixou de ser um outsider. Está sendo chamado de Benjamin Button.
  • A candidatura do deputado Izalci Lucas a governador só vingará em duas hipóteses: se o PSDB não se aliar ao PSB na eleição para presidente da República ou, se houver essa aliança, se ele mudar para um partido que queira lança-lo.
  • Embora seja do PR, Jofran Frejat não é o candidato preferido de José Roberto Arruda. Mas é o preferido do dono do partido, Valdemar Costa Neto.
  • Se todos os anunciados postulantes a governador permanecerem na disputa, a lista será grande: PDT, Rede, PSDB, DEM, PTB, PMDB, PR, PRB e Psol anunciaram nomes; PT, PCdoB e PSD dizem que terão candidatos; PSB tem Rollemberg.
  • Boa parte dos que se colocam hoje como candidatos a governador vai acabar disputando cadeiras para o Senado e para a Câmara dos Deputados. Talvez até para a Câmara Legislativa.
  • Antes do registro das candidaturas haverá uma “janela” para que detentores de mandato mudem de um partido para outro.
  • Antes das eleições haverá uma campanha eleitoral.
  • Nos primeiros meses de 2014 as pesquisas pareciam indicar que o favorito era José Roberto Arruda, mas na verdade mostravam claramente, para quem soube lê-las, que era Rodrigo Rollemberg — mesmo que Arruda permanecesse na disputa. Agora, as pesquisas mostram que o quadro está totalmente indefinido e a disputa em aberto.

A velha politicagem começa atuante em 2018

A nota publicada hoje na coluna Eixo Capital, do Correio Braziliense, é uma síntese da velha politicagem que persiste no Distrito Federal: três pretensos candidatos ao governo de Brasília estiveram na segunda feira na casa do ex-deputado e ex-vice-governador Tadeu Filippelli: Ibaneis Rocha (PMDB), Jofran Frejat (PR) e Joe Valle (PDT). A nota, da jornalista Ana Maria Campos, não revela o que exatamente conversaram os quatro próceres da política brasiliense na residência do vice-governador de Agnelo Queiroz.

A matéria publicada ontem no Jornal de Brasília, assinada por Milena Lopes, dá uma pista: “Uma grande aliança, com partidos e políticos de tudo o que é lado, com o intuito de derrubar o governador Rodrigo Rollemberg nas urnas, em outubro, é gestada na capital”. O texto cita Tadeu Filippelli, Frejat, Ibaneis, Cristovam Buarque (PPS), Rogério Rosso (PSD), Alírio Neto (PTB), Alberto Fraga (DEM) e Izalci Lucas (PSDB), além do ex-governador José Roberto Arruda, como possíveis participantes dessa “grande aliança”.

Há meses que os políticos tradicionais de Brasília vêm tomando café, almoçando, jantando e se encontrando para conversar sobre as eleições de 2018. As mais esperadas e as mais estranhas alianças entre eles já foram especuladas. Joe Valle, por exemplo, já se reuniu com os antigos aliados do PT, mas cultiva a turma originária do tronco Roriz-Arruda. Cristovam Buarque, que sempre esteve à esquerda no espectro eleitoral, bandeou-se para a turma à direita.

A razão da união de todos eles é derrotar o governador Rodrigo Rollemberg. Os que realmente querem disputar o governo contra Rollemberg buscam formar a maior aliança possível em torno de suas candidaturas. Aos que almejam uma cadeira no Senado ou na Câmara dos Deputados também interessa a constituição de um bloco politicamente forte que os favoreça eleitoralmente.

A união de antigos “vermelhos” com os “azuis” e “verdes” de Roriz e de Arruda é justificada com uma construção teórica pretensamente elaborada sobre o fim da distinção entre esquerda e direita e com um discurso vazio e oportunista sobre a necessidade de “salvar” Brasília do que consideram — com o respaldo de pesquisas — péssima e desastrosa gestão de Rollemberg.

Mas, depois de tantas conversas e comes e bebes, esses velhos políticos já poderiam pelo menos ir além das frases demagógicas sobre “má gestão” e mostrar à população no que exatamente se opõem a Rollemberg e o que propõem de diferente, ainda que em linhas gerais, para um novo governo em 2019.

Rollemberg dizia que iria renovar e não fazer o “mais do mesmo”, mas manteve os velhos esquemas e vícios do governo e da política e faz o “mesmo do mesmo”. Não faz um bom governo e, diante da perda de aliados, radicalizou sua guinada à direita e procura justificar sua aliança com tucanos, conservadores e fundamentalistas religiosos.

A grande e heterogênea aliança contra ele, porém, nada apresenta de novo, nem nas ideias nem nos métodos. Pelo jeito, quer apenas recuperar o espaço de poder — com todas as suas benesses políticas e financeiras — que alguns deles perderam em 2010 e outros, como Filippelli, em 2014.

 

 

Com 73,4% de rejeição, desistir da reeleição pode ser o rumo certo para Rollemberg

É quase impossível para um governador com 73,4% de rejeição ser reeleito. O “quase”, nesse caso, é apenas uma salvaguarda na frase, pois estamos vivendo situações tão absurdas no país que ninguém arrisca previsões definitivas. Nas atuais circunstâncias, sempre há margem para erros e o impossível pode acontecer sem causar grande espanto. Mas, na verdade, o que dizem especialistas e profissionais do ramo é que uma rejeição superior a 50% torna a reeleição impossível.

Rodrigo Rollemberg é rejeitado por 73,4% dos eleitores brasilienses, que consideram sua gestão péssima (48,2%) e ruim (25,2%). Só 6% aprovam o governo: para 1,3% é ótimo, para 4,7% é bom. Para 18,6%, a gestão é regular. A pesquisa foi realizada pelo instituto Dados e publicada pelo Metrópoles. Mesmo com os céticos e desconfiados ampliando a margem de erro de 2%, não há como melhorar a situação do governador. Nos próximos dias o portal de notícias deverá publicar pesquisas de intenção de votos e então saberemos como a desaprovação de Rollemberg se reflete no quadro eleitoral.

O tempo até as eleições é muito curto para que o governador reduza substancialmente sua rejeição pessoal e a desaprovação de seu governo. Diante das expectativas que criou para os brasilienses na campanha eleitoral de 2014, o que está fazendo e o que ainda poderá fazer neste mandato é muito pouco. Rollemberg desfia em todas as oportunidades o que considera suas realizações, mas para os eleitores, por mais importantes que elas possam ser, são o mínimo que poderia fazer. O que pesa mais é o que não fez, especialmente nas áreas da saúde, da segurança e da mobilidade, além do estilo antiquado de governar.

O “quase” além da salvaguarda preventiva ainda existe em função de peculiaridades do momento político em que vivemos. A maioria da população manifesta altíssima rejeição à política e aos políticos e os até agora lançados como possíveis candidatos a governador e que têm mais visibilidade enquadram-se nessas categorias. Nenhum deles empolga o eleitorado e as novidades ou já se queimaram como outsider (o advogado Ibaneis Rocha, que se filiou ao considerado corrupto PMDB) ou são ainda desconhecidas (o empresário Alexandre Guerra, do Novo). Se um dos candidatos não crescer nem surgir novidades consistentes, Rollemberg pode se beneficiar da elevadíssima soma de abstenções e votos nulos e em branco e ganhar a eleição com 20% dos votos.

Mas é muito, muito difícil que os 73,4% mudem de opinião, que todos os 18,6% pulem do regular para o bom e assim os eleitores resolvam dar mais quatro anos a um governador que consideram ruim e péssimo e para o qual quatro entre 10 entrevistados dão nota zero. O melhor que Rollemberg faria, para não repetir o fiasco de Agnelo Queiroz, é desistir da reeleição e tentar fazer o melhor fim de governo possível. Pode mudar parte da equipe, deixar de lado a intensa agenda eleitoreira e a cara propaganda ufanista e cuidar de verdade da gestão, cercado de pessoas qualificadas. Se mostrar alguma recuperação e diante da fragilidade dos demais postulantes, poderá até eleger o sucessor, desde que seja alguém que se enquadre no perfil desejado pelos eleitores.

 

 

 

 

A lei eleitoral favorece os “grandes”, mas nas eleições de 2018 pode ser diferente

Os grandes partidos saem com grande vantagem nas eleições de 2018: terão mais dinheiro do fundo estatal, mais tempo no rádio e na televisão, presença garantida nos debates e não precisam se preocupar com a cláusula de barreira. A legislação eleitoral, incluindo os dispositivos recentemente aprovados, foi elaborada para beneficiar grandes partidos e os políticos que já detêm mandato, dificultando o surgimento e a consolidação de novas legendas e a renovação nas casas legislativas e nos executivos. Além disso, impede o que existe em 90% dos países: a possibilidade de um cidadão ser candidato independente, sem vínculo com partido.

É natural, assim, que os candidatos a governador de Brasília que são filiados a grandes partidos sejam considerados favoritos. Terão mais dinheiro para suas campanhas e mais tempo para se apresentarem nos programas e nas inserções no rádio e na televisão, além de estarem nos debates e terem uma estrutura partidária maior. Essas vantagens aumentam se esses partidos se coligarem, acrescentando mais dinheiro e mais tempo aos candidatos.

Entre os “grandes” está o governador Rodrigo Rollemberg, do PSB, que busca ter o apoio do PSDB e de partidos menores. Estão também os que se colocam como candidatos no campo da “direita”, como Jofran Frejat (PR), Ibaneis Rocha (PMDB), Alírio Neto (PTB), Alberto Fraga (DEM) e Izalci Lucas (PSDB). Ou no campo da “esquerda”, como Joe Valle (PDT) e o candidato do PT, ainda não definido — uma das hipóteses é a professora Rosilene Correa, diretora do Sinpro, e fala-se também no procurador Eugênio Aragão. O PSD alardeia candidatura própria, mas tende a apoiar alguém de outro partido.

Os partidos “pequenos” terão candidatos, apesar das dificuldades que encontrarão. O Novo já lançou o empresário Alexandre Guerra. O PSol decidirá entre vários pré-candidatos, mas a tendência é indicar a professora Maria Fátima de Sousa, diretora da Faculdade de Ciências da Saúde e de Medicina da UnB. A Rede diz que poderá ter candidato próprio, mas está conversando com outros partidos para se coligar, tendo o distrital Chico Leite como candidato ao Senado. O PPS, que tem em seus quadros o senador Cristovam Buarque e o ex-senador Valmir Campelo, ainda não decidiu se terá candidato ou se coligará.

Dentre os citados, poucos são candidatos sem mandato e sem grande vivência na política partidária, enquadrando-se em parte desse perfil desejado pela maioria dos eleitores brasilienses: Ibaneis, Rosilene, Aragão, Guerra e Fátima (ou outro que o PSol lançar). Cada um terá de enfrentar um problema comum — serem desconhecidos dos eleitores — e alguns problemas específicos, decorrentes deles próprios e de seus partidos. Guerra e Fátima, por exemplo, são de partidos pequenos. Ibaneis é do PMDB, que não é exatamente o partido indicado para quem se coloca como outsider. O PT sofre forte desgaste.

E não é só distância da política e dos políticos tradicionais que os eleitores querem. O perfil desejado para um governador inclui experiência que demonstre competência e capacidade de diálogo e articulação e, sobretudo, honestidade e passado limpo. E embora os que se situam nos extremos do espectro político tenham seus votos, a expectativa é por alguém ao centro.

Entre o quadro de hoje e a eleição haverá uma campanha eleitoral, curta e na qual os “grandes” levarão vantagem porque a lei os beneficia. Há favoritos, assim, porque as regras não garantem que os concorrentes disputem em igualdade. Mas, na verdade, não vale a pena apostar em nenhum deles. Os tempos mudaram e as pessoas andam bastante irritadas. Nada será fácil para candidatos com esse perfil lançados por partidos menores, mas nada está ainda decidido.

 

 

Rollemberg e Frejat estão na frente, mas nada está definido e tudo pode mudar

A pesquisa reservada realizada em Brasília nos primeiros dias deste mês tem margem de erro elevada (3,5%), mas reforça algumas constatações e tendências, obtidas em outras pesquisas quantitativas e em qualitativas, a respeito da eleição para governador em 2018:

  • Apesar da alta reprovação de seu governo e de seu desempenho pessoal, e da elevada rejeição dos eleitores, o governador Rodrigo Rollemberg é forte candidato à reeleição se os candidatos, mesmo com alteração de nomes do PSol e do PT, forem os listados pelos pesquisadores. O que mais o ameaça é Jofran Frejat, mas o grande risco que Rollemberg e Frejat correm é o de surgir um candidato com o perfil desejado pelos eleitores: limpo, honesto, centrado, com experiência de gestão, capacidade de articulação e atitude e coragem para enfrentar os graves problemas de Brasília. Rollemberg, na visão dos eleitores, atende apenas aos dois primeiros requisitos: é limpo e honesto. Frejat, embora tenha vários processos por improbidade administrativa, é considerado honesto e tem imagem de bom gestor, mas pesam contra ele a percepção de ser vinculado a Arruda e Roriz — aos quais deveria obediência — e a idade.
  • A diferença entre os que aprovam o governador e seu governo (12,8%) e os que manifestam intenção de votar em Rollemberg (15,3%) é pequena, mas pode aumentar devido à sua imagem de honestidade, especialmente se Frejat não for candidato a governador. Grande parcela da população critica a gestão de Rollemberg, mas prefere o “não rouba e faz pouco” ao “rouba muito, mas faz”. Sem alternativas que considera limpas, votará pela continuidade.
  • Os demais candidatos não são necessariamente desonestos, mas precisam também parecer honestos. Por mais limpo que seja o ainda desconhecido candidato do PT, pesarão contra ele as acusações de corrupção a integrantes do partido e em especial ao ex-presidente Lula. Ibaneis Rocha, ex-presidente da OAB-DF, queimou sua imagem de outsider ao se filiar ao PMDB, liderado pelo ex-vice-governador Tadeu Filippelli, acusado de diversas irregularidades e preso recentemente em operação da Polícia Federal. Joe Valle é o presidente da desgastada e desacreditada Câmara Legislativa, e tido por muitos como protetor de distritais corruptos que mantêm seus mandatos.
  • Reguffe, em todas as pesquisas, é o mais votado para governador. Não está entre os listados porque reiteradamente declara que não será candidato — e não será mesmo –, e isso fez com que tivesse poucas intenções espontâneas, pois grande parte do eleitorado já sabe que não disputará as eleições. É, porém, o mais importante cabo eleitoral de Brasília. Quem tiver o seu apoio, sai com vantagem. Mas Reguffe não demonstra simpatia por nenhum dos nomes já lançados.
  • Os considerados maus governos de Agnelo Queiroz e Rodrigo Rollemberg — e, para muitos, também o de Cristovam Buarque — praticamente inviabilizam em Brasília a eleição de um candidato identificado com a esquerda, ou com perfil parecido ao de Agnelo e Rollemberg. Há a percepção, em boa parcela do eleitorado, de que a esquerda não sabe governar. Esse é mais um fator desfavorável a Joe Valle, que foi do PSB e é do PDT, tendo participado dos governos de Agnelo e de Rollemberg.
  • O PSol herda boa parte dos votos que iam para o PT, mas seu discurso extremamente esquerdista o coloca como partido de oposição, não como partido capaz de exercer o governo.
  • Alberto Fraga, com seu discurso conservador e de direita, tem muitos eleitores, suficientes para se eleger senador, mas é muito difícil que consiga maioria absoluta para ganhar a eleição para governador em segundo turno. O apoio de Jair Bolsonaro só reforçará isso. O eleitorado de Brasília tende a rejeitar os extremos, em favor de alguém centrado.

Em suma: o quadro para governador continua indefinido e o cenário de hoje pode mudar em função de fatos novos que surjam — e têm surgido a cada dia — e de quem serão realmente os candidatos, pois alguns dos hoje cotados poderão se lançar a outros cargos e não se deve descartar o lançamento de nomes novos e inesperados. Ou até que Rollemberg e Frejat não sejam candidatos. O quadro para a eleição presidencial também está indefinido e certamente terá influência em Brasília. Só depois de abril, quando já terá terminado o prazo para filiação partidária, é que as coisas ficarão mais nítidas.

Governo e governador são reprovados com notas 3,5 e 2,9, mas Rollemberg lidera em pesquisa

É muito grande a reprovação, pelos brasilienses, de Rodrigo Rollemberg e de seu governo. Mas o governador lidera as intenções de voto espontâneas e estimuladas, segundo pesquisa reservada realizada em Brasília nos primeiros dias deste mês. Rollemberg e os demais candidatos citados, porém, perdem feio para os votos nulos e em branco e para os que não quiseram responder em quem pretendem votar em 2018. A pesquisa, com margem de erro de 3,5%, pode não ser muito precisa — e provavelmente não é — quanto aos números, mas dá indicações sobre o que pensam hoje os brasilienses a respeito do governo e das eleições.

O governo, avaliado pelos pesquisados com notas de zero a 10, é reprovado por 58,5% (notas 0 a 3) dos brasilienses e aprovado por 12,8% (notas 7 a 10). A nota média do governo é 3,5. O governador tem os mesmos 12,8% de aprovação, mas a reprovação é maior, de 60,3%, recebendo nota média de 2,9.

Rollemberg é o mais citado espontaneamente para o governo (10,9%), seguido de Jofran Frejat (3%), Toninho do PSol e Joaquim Roriz (2,5%), Erika Kokay (2,2%), Izalci Lucas (1,8%), Alberto Fraga e Arlete Sampaio (1,6%), Reguffe (1,4%) e José Roberto Arruda (1%). Mas 64,7% dizem que não sabem ou votarão nulo ou em branco.

Quando a intenção de voto é estimulada, Rollemberg recebe 15,3% das intenções de voto, seguido de Jofran Frejat (10,6%), Toninho do PSol (7,7%), Izalci Lucas (4,8%), Arlete Sampaio e Alberto Fraga (4,6%), Joe Valle (1,3%) e Ibaneis Rocha (menos de 1%). Nulos, em branco e não sabem em quem votar somam 44,5% dos eleitores. A única rejeição expressiva é a de Rollemberg (35,8%), sendo a de Frejat de 8,3% e as demais ainda menores.

Dos nomes listados para escolha do eleitor, dois deles não se declaram candidatos: Toninho do PSol e Arlete Sampaio, do PT, que provavelmente serão candidatos a deputado distrital. Mas as intenções de voto que receberam podem dar indicações da votação que os candidatos de seus partidos poderiam ter se as eleições fossem hoje.

Na próxima nota, observações sobre o que mostra essa pesquisa.

 

Os erros que unem Ibaneis e Rollemberg

O advogado Ibaneis Rocha, que aparecia nas especulações como possível candidato outsider ao governo de Brasília, por não ser político profissional, filiou-se ao PMDB de Tadeu Filippelli e Michel Temer, e pretende aglutinar os partidos da chamada “direita”, todos envolvidos em falcatruas.

O governador Rodrigo Rollemberg, que é muito mal avaliado como gestor e tem forte rejeição do eleitorado, anunciou aliança com o PSDB e inventou uma secretaria inútil e cheia de cargos comissionados para a tucana Maria de Lourdes Abadia fazer política com dinheiro público.

Ibaneis perdeu a chance de ser o fator novo nas eleições de 2018. Rollemberg reforçou sua imagem de político tradicional.  Ambos, certamente, têm tido acesso a pesquisas qualitativas e quantitativas que mostram o humor dos eleitores, são bem informados e conversam com gente de todos os segmentos sociais.

Não dá, assim, para entender como podem cometer erros políticos tão óbvios e grosseiros.