Com 73,4% de rejeição, desistir da reeleição pode ser o rumo certo para Rollemberg

É quase impossível para um governador com 73,4% de rejeição ser reeleito. O “quase”, nesse caso, é apenas uma salvaguarda na frase, pois estamos vivendo situações tão absurdas no país que ninguém arrisca previsões definitivas. Nas atuais circunstâncias, sempre há margem para erros e o impossível pode acontecer sem causar grande espanto. Mas, na verdade, o que dizem especialistas e profissionais do ramo é que uma rejeição superior a 50% torna a reeleição impossível.

Rodrigo Rollemberg é rejeitado por 73,4% dos eleitores brasilienses, que consideram sua gestão péssima (48,2%) e ruim (25,2%). Só 6% aprovam o governo: para 1,3% é ótimo, para 4,7% é bom. Para 18,6%, a gestão é regular. A pesquisa foi realizada pelo instituto Dados e publicada pelo Metrópoles. Mesmo com os céticos e desconfiados ampliando a margem de erro de 2%, não há como melhorar a situação do governador. Nos próximos dias o portal de notícias deverá publicar pesquisas de intenção de votos e então saberemos como a desaprovação de Rollemberg se reflete no quadro eleitoral.

O tempo até as eleições é muito curto para que o governador reduza substancialmente sua rejeição pessoal e a desaprovação de seu governo. Diante das expectativas que criou para os brasilienses na campanha eleitoral de 2014, o que está fazendo e o que ainda poderá fazer neste mandato é muito pouco. Rollemberg desfia em todas as oportunidades o que considera suas realizações, mas para os eleitores, por mais importantes que elas possam ser, são o mínimo que poderia fazer. O que pesa mais é o que não fez, especialmente nas áreas da saúde, da segurança e da mobilidade, além do estilo antiquado de governar.

O “quase” além da salvaguarda preventiva ainda existe em função de peculiaridades do momento político em que vivemos. A maioria da população manifesta altíssima rejeição à política e aos políticos e os até agora lançados como possíveis candidatos a governador e que têm mais visibilidade enquadram-se nessas categorias. Nenhum deles empolga o eleitorado e as novidades ou já se queimaram como outsider (o advogado Ibaneis Rocha, que se filiou ao considerado corrupto PMDB) ou são ainda desconhecidas (o empresário Alexandre Guerra, do Novo). Se um dos candidatos não crescer nem surgir novidades consistentes, Rollemberg pode se beneficiar da elevadíssima soma de abstenções e votos nulos e em branco e ganhar a eleição com 20% dos votos.

Mas é muito, muito difícil que os 73,4% mudem de opinião, que todos os 18,6% pulem do regular para o bom e assim os eleitores resolvam dar mais quatro anos a um governador que consideram ruim e péssimo e para o qual quatro entre 10 entrevistados dão nota zero. O melhor que Rollemberg faria, para não repetir o fiasco de Agnelo Queiroz, é desistir da reeleição e tentar fazer o melhor fim de governo possível. Pode mudar parte da equipe, deixar de lado a intensa agenda eleitoreira e a cara propaganda ufanista e cuidar de verdade da gestão, cercado de pessoas qualificadas. Se mostrar alguma recuperação e diante da fragilidade dos demais postulantes, poderá até eleger o sucessor, desde que seja alguém que se enquadre no perfil desejado pelos eleitores.