Aliança com Frejat pode até ser boa para Joe Valle, mas é ruim para o PDT, para Ciro e para candidatos a deputado

O Metrópoles publicou hoje uma entrevista que dei ao jornalista Caio Barbieri — www.metropoles.com/distrito-federal/politica-df/alianca-entre-pdt-e-frejat-so-beneficia-joe-valle-diz-helio-doyle. Como é natural, nem tudo o que eu disse foi publicado, por isso vou detalhar mais, aqui, o que penso sobre o assunto. A entrevista está focada basicamente em dois pontos: minha crítica à postura adotada no PDT pelo deputado distrital Joe Valle, presidente da Câmara Legislativa, e minha decisão de não pleitear a candidatura a governador pelo partido. Serei direto, claro e transparente, mas não há como resumir em poucas linhas.

Antes do prazo final para filiação partidária (uma das aberrações da legislação eleitoral brasileira, mas esse é outro assunto), fui convidado para ingressar na Rede e recebi uma sondagem para me filiar ao Novo. Tive muitas conversas e reuniões com membros da Rede e dois encontros, muito bons, com o candidato do Novo ao governo, Alexandre Guerra. Militantes e dirigentes da Rede admitiam a possibilidade de eu ser candidato do partido ao governo, embora não contassem com o apoio do grupo majoritário, liderado pelo deputado distrital Chico Leite.

No dia seguinte ao anúncio de que Joe Valle tinha desistido da candidatura ao governo, já véspera do prazo final para filiação, tive um encontro com o presidente regional do PDT, George Michel, e conversei com outros integrantes do partido. Dessas conversas surgiu a ideia de me filiar ao PDT com dois objetivos — trabalhar pela eleição de Ciro Gomes e participar da elaboração de um programa de governo para Brasília — e uma possibilidade: ser candidato ao governo, já que Valle havia desistido.

Michel e eu concordamos em que nem o PDT assumia o compromisso de que eu seria candidato nem eu assumia o compromisso de ser candidato. Ele deixou claro também que poderia haver outros nomes para a disputa pelo governo. Antes de assinar a ficha de filiação, disse a Michel que precisava de duas informações: se havia alguma possibilidade de Valle voltar a ser candidato ao governo e de o PDT fazer alianças com o grupo de Frejat. A resposta foi “não” às duas questões.  Eu disse que não apoiaria as candidaturas de Joe e de Frejat ao governo, por motivos diferentes, que posso explicar em outro texto.

Na segunda-feira seguinte à filiação tive uma conversa com Valle, que repetiu para mim o que havia dito publicamente: ou seria candidato ao Senado na chapa de Frejat ou não seria candidato a nada. Eu disse a ele que teria as mesmas chances de ser eleito se fosse candidato ao Senado em uma chapa do PDT, e perguntei se não admitia ser candidato a deputado federal, pois o partido precisa fazer uma boa bancada na Câmara. Ele respondeu que não.

Na semana seguinte à minha filiação sugeri a Michel e à secretária-geral, Eroídes Lessa, que a executiva formasse um grupo para iniciar a elaboração de um programa de governo. Esse grupo, do qual eu me propus a participar, iria se reunir com as zonais do partido e com entidades da sociedade civil para recolher subsídios. Eroídes, que já havia dito que discordava de minha candidatura, desestimulou-me, falando sobre as dificuldades em debater com as zonais. A ideia, claro, não foi para a frente.

Tive, logo depois que me filiei, uma conversa com o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, na presença de Michel. Fiz uma análise sobre o quadro eleitoral em Brasília, nada diferente do que tenho escrito, e sobre as possibilidades que via para uma candidatura própria do PDT ao governo, que teria o apoio da Rede, do PCdoB e do PPL, com possibilidades de ampliação. Ele disse que concordava, mas que tinha de dar tempo a Valle, para que ele revisse sua decisão. O prazo era de uma semana, mas foi sendo sucessivamente adiado —  agora até 30 de junho.

Tive, três semanas depois, nova conversa com Lupi, também com a presença de Michel, e reiterei minhas opiniões: o PDT tinha condições de lançar candidato ao governo, formar alianças e ir para o segundo turno, com grandes possibilidades de ser vitorioso. A aliança com Frejat não traria nenhum ganho eleitoral ou político ao partido, a seu candidato Ciro Gomes e aos que disputariam as eleições para deputado federal e deputado distrital. Informei a Lupi que tinha me reunido com dirigentes da Rede, do PCdoB e do PPL, que tinham assegurado a formação de uma coligação na qual eu seria candidato ao governo e Chico Leite ao Senado. Contei também que tinha sido procurado por dirigentes do PT, que sondaram a possibilidade de uma aliança ainda no primeiro turno.

Nesses dois meses e meio em que estou no PDT participei de apenas uma reunião no partido, de pré-candidatos, em meados de maio. Não havia me declarado pré-candidato, mas fui convidado e não iria rejeitar a primeira possibilidade de participar de algo. Nessa reunião, Valle informou que a executiva havia dado a ele prazo até 15 de junho para entrar na chapa de Frejat. Contestei a decisão, na forma e no conteúdo, propondo que o assunto fosse debatido pelos filiados e não apenas pelos dirigentes — entre os quais funcionários da Câmara Legislativa, subordinados ao presidente da casa. Fui rechaçado por alguns dos presentes e recebi apoio de outros. Assim que acabou a reunião mandei mensagem a Valle sugerindo que conversássemos. Reiterei a proposta várias vezes, sem sucesso.

Depois dessa reunião é que formamos um grupo para articular a defesa da candidatura própria. Alguns integrantes foram ameaçados, outros hostilizados. Propusemos que os dirigentes nos ouvissem e que fosse aberto um debate amplo no partido, sem sucesso. Resolvemos procurar os distritais do partido. O deputado distrital Reginaldo Veras nos recebeu e se manifestou contra a aliança com Frejat, mas o deputado distrital Cláudio Abrantes apareceu meia hora depois do horário marcado para a reunião e nos deixou esperando por mais uma hora, até que desistimos e fomos embora. A executiva deu mais 15 dias para Valle fechar a aliança com Frejat, prolongando a novela que vem desde a primeira semana de abril. A proposta de uma plenária de militantes para discutir o tema foi rejeitada.

Por tudo isso é que digo que a maioria da executiva regional do PDT, sem debater com os filiados e de forma autoritária, está cometendo um grave erro ao abrir mão de uma candidatura ao governo de Brasília e de liderar uma coligação de centro-esquerda com grandes possibilidades de vitória. Erra mais ainda ao aceitar a participação na chapa liderada por Jofran Frejat, articulada por José Roberto Arruda, Tadeu Filippelli e Valdemar Costa Neto, entre outros, e que simboliza a volta ao governo dos grupos políticos que tanto mal fizeram a Brasília e foram duas vezes derrotados, em 2010 e 2014.

O lançamento de um novo candidato pelo PDT, depois da desistência de Joe Valle, deveria ter sido imediato, no máximo em maio. As protelações inviabilizam, na prática, a candidatura própria. O partido perde uma grande oportunidade por se submeter aos interesses pessoais e políticos de Valle e do grupo que ele lidera. Mas sobre isso escreverei em uma próxima postagem.

 

 

 

 

 

 

 

Nova pesquisa mostra que eleição para governador está indefinida e não há certezas

A eleição para governador de Brasília continua indefinida e sem favoritos, e agora quem confirma isso é o instituto O&P, que tem credibilidade, diferentemente de outros. Uma pesquisa quantitativa, neste momento, apenas indica tendências altamente volúveis dos eleitores e teria de ser analisada a partir da série histórica, para que se possa avaliar a evolução ou involução de cada candidato. Basta ver pesquisas feitas no mês de junho em eleições anteriores para verificar as mudanças nos índices, e que levaram favoritos a sequer ir para o segundo turno e colocaram “azarões” em primeiro lugar.

O dado mais relevante da pesquisa O&P é que 49,5% dos eleitores brasilienses não têm candidato. Diante dos nomes apresentados, 40,1% não optam por nenhum deles, e a esses se somam os que não sabem ainda em quem votarão ou não responderam. Isso comprova o que mostram as pesquisas qualitativas: nenhum dos candidatos apresentados preenche, ainda que por não ser conhecido, os requisitos que os eleitores desejam para um governador: honesto, ficha limpa, distante das velhas práticas políticas, de preferência sem mandato, competente como gestor e com capacidade de articulação política.

Para esse índice elevado contribuem também, naturalmente, o desalento e a desesperança do povo, aos quais se soma o descrédito dos políticos e das instituições. Há a percepção, entre os eleitores, de que nada mudará com seus votos, pois continuarão nos executivos e legislativos os mesmos corruptos, picaretas e demagogos de sempre, que se preocuparão apenas com seus interesses pessoais e com a preservação de seus poderes e privilégios.

Se examinamos os índices dos candidatos apresentados, podemos chegar a uma conclusão simplista: haverá segundo turno entre Jofran Frejat e qualquer um dos demais. Simplista por ser resultado de uma leitura rápida e porque entre essa pesquisa e o dia das eleições haverá a definição do quadro de candidatos e coligações e, principalmente, uma campanha eleitoral. Nada do que a O&P apresenta pode ser tomado como definitivo e servir para as argumentações panfletárias do tipo “fulano é imbatível” ou “já ganhou” (há jornalistas, acreditem, que ainda recorrem ao velhíssimo recurso do “pode mandar fazer o terno da posse”), “sicrano está derrotado” ou “beltrano não tem a menor chance”.

Frejat, com 17,3% das intenções de voto, realmente apresenta hoje mais condições de ir para o segundo turno. Mas, com tanto tempo exposto, não parece ter um teto muito maior do que os índices que alcança e, como mostra a pesquisa, terá de convencer os eleitores de que a turma que o apoia, composta de presos, denunciados e condenados, não terá qualquer interferência em sua gestão. O que, em uma campanha, é difícil, mesmo tentando fazer uma maquiagem na chapa ao colocar para disputar o Senado políticos aparentemente limpos e que foram, ou se apresentavam, como de esquerda.

O governador Rodrigo Rollemberg, com escassos 9,5%, seria o concorrente natural de Frejat no segundo turno. Mas esse índice é extremamente baixo para um governante, que tem um nível de rejeição altíssimo. Todos estarão contra o governador na campanha e os demais candidatos, ainda mais com uma margem de erro de 3,1 pontos percentuais, estão na cola de Rollemberg: Eliana Pedrosa (6%), Izalci Lucas (4,7%), Paulo Chagas (4,6%), Fátima Sousa (3,1%) e Alexandre Guerra (3%). É preciso considerar que Chagas, Fátima e Guerra são praticamente desconhecidos e, embora seus partidos tenham poucos recursos, podem crescer na campanha.

Mas, paradoxalmente, também não dá para dizer que Rollemberg não tem chances. Sua situação é crítica, mas uma movimentação dos eleitores que rejeitam os candidatos que simbolizam a volta do esquema Roriz-Arruda (Frejat, Pedrosa e Izalci) ao Buriti pode levar ao “voto útil” no governador, se Chagas, Fátima e Guerra não conseguirem se colocar como alternativas reais de vitória. O PT ainda não disse quem será seu candidato. E por enquanto há um grande eleitor que se mantém em silêncio, mas que pode desbalançar o quadro para o lado que pender: o senador José Antonio Reguffe.

A eleição está aberta, não há certezas. Terão melhores chances de crescer os que se preocuparem menos com coligações a qualquer custo, tempo de TV, dinheiro e cabos eleitorais e se voltarem prioritariamente para traçar e executar as melhores estratégias, usar corretamente as redes sociais e se sair bem nos debates na televisão.

 

Ciro Gomes complica ainda mais as alianças partidárias em Brasília

O já confuso cenário para as eleições de outubro ficou ainda mais confuso com a declaração de Ciro Gomes, candidato a presidente da República pelo PDT, de que trabalha por uma aliança nacional com o PSB. Ciro pediu aos dirigentes do partido em Brasília, ansiosos por se juntar a Jofran Frejat, do PR, que aguardem uma definição da coligação presidencial antes de fechar qualquer acordo. Ou seja, se der certo a aliança com o PSB, o PDT — no qual a maioria dos dirigentes  quer o distrital Joe Valle com Frejat e a maioria da militância defende a candidatura própria — poderá ser levado a apoiar o governador Rodrigo Rollemberg.

Não será fácil essa articulação. Há, no PDT brasiliense, forte rejeição a Rollemberg, maior do que a rejeição a Frejat e sua turma. Valle, que fingiu ser candidato a governador para se cacifar ao Senado, tem sido um dos maiores críticos de Rollemberg e de seu governo. Isso apesar de o PDT ter apoiado a candidatura de Rollemberg e participado por mais de dois anos e meio de seu governo, e de Valle ter sido secretário e comandado depois, com um indicado, a poderosa área social. Os pedetistas consideram que não foram valorizados pelo governador e dois fatos, entre outros, são sempre lembrados: o veto à construção do Memorial João Goulart no Eixo Monumental e o apoio ao distrital Agaciel Maciel (PR), contra Valle, na eleição para presidente da Câmara Legislativa, em 2017.

Valle também se ressente do apoio dado por Rollemberg à então pedetista Celina Leão na eleição para a presidência da Câmara, em 2015. Pesou, na época, o empenho de Celina pela eleição de Rollemberg e a falta de apoio de Valle, que preferia ter seu partido apoiando o então governador Agnelo Queiroz. Celina, com poucos meses de governo, rompeu com o governo e se tornou uma das mais ferrenhas oposicionistas, tendo se filiado ao PPS e agora ao PP. Valle era um dos fortes críticos de Rollemberg na Câmara, mas aceitou participar do governo e deixou para pregar o rompimento quando ficou claro que a impopularidade do governador dificultaria a reeleição.

E para tornar o cenário ainda mais confuso, Ciro Gomes quer como seu candidato a vice-presidente o empresário Benjamin Steinbruch, filiado ao PP — partido que em Brasília é controlado, de fora, pelo ex-vice-governador Tadeu Filippelli, que é do MDB. O PP está apoiando Frejat e terá Celina Leão como candidata a deputada. Não dá para imaginar o PP e Celina apoiando Rollemberg.

Tudo isso mostra que em boa parte as indefinições do quadro eleitoral em Brasília devem-se às indefinições nacionais. Ciro, por exemplo, já falou também em ter Josué Alencar, do PR — o partido de Arruda e de Frejat — como seu vice. Isso facilitaria a composição desejada por Valle. Mas o PR pode apoiar Geraldo Alckmin, do PSDB ou Jair Bolsonaro, do PSL, o que pode influir, aqui, nas candidaturas do tucano Izalci Lucas e do general Paulo Chagas (PRP).

Não há vínculo obrigatório entre as chapas para presidente e para governador, mas enquanto as composições nacionais não forem definidas o quadro em Brasília tende a continuar incerto.

Legislação e caciques partidários impedem a renovação e velhos políticos são eleitos

Menos de 30% dos eleitores de Tocantins votaram nos dois candidatos que vão para o segundo turno nas eleições extemporâneas para governador. Cerca de 80% dos eleitores não queria nenhum dos dois mais votados, velhos e antiquados políticos, um deles com acusações de corrupção, e que são o oposto da renovação desejada pela população. O único candidato que poderia representar essa renovação, o juiz Márlon Reis, da Rede, teve apenas 9,9% dos votos. O deputado Mauro Carlese teve 30,31% dos votos válidos e o senador Vicentinho Alves teve 22,22%.

O que ocorreu em Tocantins não é muito diferente dos resultados em eleições para prefeitos, realizadas no mesmo dia, e na também eleição extemporânea no Amazonas, no ano passado: metade dos eleitores rejeitando todos os candidatos e eleição, com minoria de votos, de velhos e, alguns, corruptos políticos tradicionais. Os dois candidatos que vão para o segundo turno em Tocantins têm, juntos, menos de 30% dos votos dos eleitores aptos (17% e 12%). O mesmo, se permanecer o quadro atual de candidatos, poderá acontecer nas eleições de outubro em Brasília.

Não é difícil entender a contradição entre os desejos dos eleitores e os resultados das urnas:

  • A legislação eleitoral aprovada pelo Congresso Nacional foi feita sob medida para beneficiar os atuais detentores de mandato e os partidos maiores, com redução dos períodos de campanha e de programa gratuitos na TV, liberação de “pré-campanha” (na qual quem tem recursos do Estado e de corporações sindicais e empresariais leva vantagem), distribuição desigual dos tempos dos programas de TV e restrição à participação de partidos pequenos em debates.
  • Os caciques dos partidos maiores prestigiam seus políticos tradicionais e impedem a apresentação de candidatos que representem a renovação, os chamados outsiders, para manter suas estruturas de poder. Uma exceção foi o PSB, que admitiu a candidatura de Joaquim Barbosa para presidente. Um exemplo contrário foi o MDB de Brasília, que filiou o advogado Ibaneis Rocha mas impediu sua candidatura.
  • Os outsiders têm de se filiar a partidos menores, que têm pouco ou nenhum tempo de televisão, poucos recursos dos fundos eleitoral e partidário e alguns sequer têm direito a participar dos debates nas emissoras de TV. A desvantagem é gigantesca, mesmo com a possibilidade de utilização das redes sociais. Esses candidatos, geralmente, não conseguem a visibilidade suficiente para ter uma boa votação.
  • Desiludido, desesperançado e sem acreditar nos candidatos e nos partidos, metade dos eleitores prefere não ir votar ou anular o voto. Em Tocantins, a abstenção foi de 30,14%, os votos nulos foram 17,13% e os em branco foram 2,66%. Total: 49,33%.
  • Os votos nulos e brancos e as abstenções, que poderiam ser carreados para a renovação, acabam beneficiando os políticos tradicionais, que se elegem com poucos votos.

Em Brasília os candidatos que fogem aos padrões da velha política estão no PSol (Fátima Souza), no Novo (Alexandre Guerra) e no PRP (Paulo Chagas). Os demais candidatos já colocados — Jofran Frejat, Rodrigo Rollemberg, Izalci Lucas, Alírio Neto, Eliana Pedrosa – são a encarnação dos velhos métodos e práticas que a maioria dos eleitores rejeita. A questão é que PSol, Novo e PRP são partidos pequenos, com poucos recursos e prejudicados pela legislação, e seus candidatos, desconhecidos do eleitorado, dificilmente terão condições de superar essas deficiências no curto período da campanha. Além do que, por estarem nos extremos do espectro político,  PSol e PRP terão dificuldades também em empolgar os eleitores hoje claramente tendendo a um perfil mais centrado.

Um candidato representativo da nova política teria chances melhores se concorresse por um partido ou coligação que lhe desse mais visibilidade perante o eleitorado. Mas, aos velhos políticos que dominam esses partidos não interessa renovação, e sim manter tudo como está. Ainda que elegendo governadores rejeitados pela maioria real dos eleitores, pois o que interessa é ganhar e manter o poder.

 

A “direita” se apresenta dividida agora como estratégia para se unir depois

O senador Cristovam Buarque, do PPS, preocupado com sua reeleição, anunciou hoje que estará numa chapa na qual o deputado Izalci Lucas (PSDB) será o candidato a governador. Não se falou em candidato a vice-governador e à outra cadeira do Senado que estará em disputa. Essa chapa, segundo eles, juntará também PSD (Rogério Rosso), PRB (Igreja Universal e Sara Nossa Terra) e os inexpressivos PMB, PSDC, PSC, Patriota e PSL.

Não é uma plataforma de governo, ou pelo menos diretrizes para um programa, que unem Izalci, Cristovam e esses partidos — são os interesses políticos e pessoais de cada um dos personagens envolvidos. Quem duvidar, pergunte a eles o que farão no governo. As respostas serão óbvias e demagógicas, a mesmice de sempre. Vão criticar o governo de Rodrigo Rollemberg e dizer que é preciso impedir a reeleição dele. E não passarão disso.

O lançamento da chapa Izalci-Cristovam está obviamente identificado com a candidatura a presidente do tucano Geraldo Alckmin, mas o anúncio de hoje cumpre uma estratégia combinada com o candidato Jofran Frejat, que é do PR, partido que ainda não definiu quem apoiará na eleição nacional. Os dois blocos continuarão a conversar, enquanto aguardam as definições de alianças para presidente da República, mas praticamente já acertaram a união em uma chapa que terá Frejat para governador, Izalci como seu vice e Cristovam e Alberto Fraga (ou Paulo Octávio) para o Senado. Não é à toa que não se falou em vice e na outra cadeira ao Senado. Estão fora dessa articulação, por enquanto, Alírio Neto (PTB) e Eliana Pedrosa (Podemos), ambos autoproclamados candidatos a governador.

Continuam, pois, as negociações no bloco político que tem sua origem em Joaquim Roriz e José Roberto Arruda, identificado como a “direita” em Brasília, e que agora ganhou a adesão do ex-petista e ex-pedetista Cristovam Buarque. Espera-se que eles, depois de acertarem seus projetos pessoais, digam aos brasilienses, na campanha, o que pretendem fazer no governo e no Senado.

Em tempo: o governador Rodrigo Rollemberg diz que não quis passar a impressão de que em sua visita ao senador Reguffe recebeu o apoio dele, nem “plantou” nota sobre isso em coluna. Acredito e retifico o que publiquei.

 

E lá vai Cristovam atrás de nova coligação, tudo por sua reeleição

Os políticos tradicionais de Brasília, apegados a seus interesses particulares e exercendo plenamente o que aprenderam nas escolas da velha politicagem, correm de um lado para outro procurando formar coligações para disputar as eleições de outubro. Devem estar engordando, tantos são os cafés da manhã e da tarde, almoços e jantares que fazem para dividir os cargos em disputa. Precisam simular seriedade e posar bem para as fotos que enviam para colunas e blogs amigos, tentando passar a impressão de que estão debatendo temas importantíssimos para a cidade.

Pois não estão. As discussões que fazem são em torno de pessoas, nomes. Quem vai ser candidato ao governo, quem vai para o Senado, como serão as chapas para deputado federal e deputado distrital. Nada falam de programa ou plataforma de governo, de metas, de ações. Em alguns casos, já estão loteando o “futuro” governo, definindo a quem caberão indicações, especialmente para secretarias e empresas rentáveis — acho que dá para entender para quê.

O senador Cristovam Buarque, do PPS, está fazendo um papel ridículo, correndo como barata tonta em torno de possíveis candidatos ao governo para viabilizar sua reeleição. Sem nenhuma experiência como articulador político, pois sempre teve quem articulasse para ele, tentou a farofada que juntava do PCdoB ao PRB, buscou o grupo que presumivelmente juntaria Alírio Neto (PTB) com Izalci Lucas (PSDB), agora tenta se unir a Jofran Frejat (PR). Tem de garantir sua reeleição a qualquer custo, até mesmo de sua coerência. Afinal, posa de padrão de honestidade.

Em torno de que se aliam esses políticos? De seus projetos pessoais, principalmente. Só sabem fazer o discurso fácil de que é preciso derrotar o governador Rodrigo Rollemberg e “salvar” Brasília. Rollemberg, por sua vez, dedica-se a aproveitar a estrutura de governo para fazer campanha antecipada, com muita demagogia, e também sem dizer o que fará para não repetir o mau governo por mais quatro anos. Já sabe que estão sobrando poucos partidos para apoiá-lo.

A verdade é que os velhos políticos continuam com suas práticas nefastas e não se atualizaram. Cada um cuida de seu projeto pessoal e os partidos não têm nenhum significado para eles, a não ser a sustentação financeira de suas campanhas. Não estão entendendo o que acontece no país e em Brasília e acham que o desalento da população levará o eleitor à inércia e assim se elegerão. O pior é que isso pode dar certo para eles, e errado para os brasilienses.

Em tempo: Rollemberg, em sua pré-campanha pela reeleição, visitou o senador José Reguffe em casa e divulgou texto simpático a ele. Quis passar a impressão de que Reguffe o apoia. Valeu até publicar foto de quatro anos atrás. Demagogia e enganação também são típicos da velha política.

 

 

Ao frustrar desejo de renovação, grandes partidos se afastam ainda mais dos eleitores

A manchete de O Globo de hoje mostra uma realidade do momento político em que vivemos: “Partidos frustram demanda por renovação”. Segundo a chamada, “forças tradicionais da política e clãs regionais dominam o pleito, apesar da busca do eleitorado por caras novas”. Entre os tradicionais que disputam as eleições para governador estão 15 que disputam a reeleição e 23 senadores. Em resumo: os partidos, em sua maioria esmagadora, estão aumentando ainda mais a distância deles em relação aos eleitores. Podem ter vitórias de Pirro em outubro.

Na matéria de Silvia Amorim e Sérgio Roxo o primeiro parágrafo diz tudo:

“As forças partidárias tradicionais ignoraram a demanda popular por renovação na política e vão oferecer aos eleitores este ano os candidatos de sempre a governador. A exemplo da disputa presidencial, os outsiders — nomes de fora do mundo político profissional e tradicional — serão minoria nas disputas estaduais e vocacionados  a figurantes pelo baixo potencial competitivo”.

Isso porque os candidatos que realmente podem representar a renovação de práticas e métodos, à esquerda, no centro e à direita, estão em partidos menores ou recém-criados, como o PSol, a Rede e o Novo, que têm pouco dinheiro e estrutura, escasso tempo na TV e, alguns, sequer participarão dos debates.

A matéria cita o cientista político Carlos Melo, do Insper: “Há demanda por renovação, mas a questão é que as regras do nosso sistema político não foram renovadas.” Outro cientista político, Sérgio Praça, da FGV, coloca como fator limitativo o custo das campanhas, que pode ser arcado apenas por partidos grandes, justamente os que preferem manter os velhos políticos como candidatos. Melo diz que “nas oligarquias partidárias, política tem fila”. A divisão dos recursos dos fundos partidário e eleitoral, pelos partidos, tende a beneficiar quem já tem mandato.

Brasília é uma demonstração de que a velha política está predominando nas eleições para governador. Dos possíveis candidatos colocados até agora, a maioria representa as oligarquias e os métodos tradicionais e antiquados de governar e fazer política: Jofran Frejat (PR), Alirio Neto (PTB), Izalci Lucas (PSDB), Wanderley Tavares (PRB) e Rodrigo Rollemberg (PSB). De novidade, até agora, há apenas Fátima de Souza (PSol), Alexandre Guerra (Novo) e o general Paulo Chagas (PRP), cada um em seu campo ideológico.

Além de não saberem interpretar as pesquisas e entender a realidade, os grandes partidos estão ignorando que Brasília é uma cidade com dois milhões de eleitores que têm alto grau de educação e informação e estão distribuídos em um território pequeno. Não é difícil que deem, em outubro, um basta à velha politicagem.

 

Nem todos os “candidatos” ao governo serão mesmo candidatos ao governo

É sempre assim: políticos anunciam suas candidaturas a governador para ter mais exposição na imprensa e ganhar relevância. Depois saem candidatos a vice-governador, senador ou deputado. É um processo natural, e nem sempre acontece como um simples blefe do político para se cacifar eleitoralmente. Candidatos a governador que não permanecem até o fim são lançados também para que um partido marque sua identidade e tenha uma presença mais forte nas negociações eleitorais. A desistência pode se dar também em função da definição de coligações.

Já apareceram mais de 12 “candidatos” a governador de Brasília, mas nem todos estarão efetivamente nas urnas eletrônicas. Eram ainda mais: o ex-senador Valmir Campelo, que havia sido lançado pelo PPS, anunciou ontem sua desistência. O PT, na contramão, ainda não decidiu quem será seu postulante ao Buriti. Nomes que parecem garantidos mesmo na disputa são a professora Fátima de Sousa (PSol), o empresário Alexandre Guerra (Novo) e o general Paulo Chagas (PRB). O governador Rodrigo Rollemberg (PSB) anunciou que vai disputar a reeleição, e busca apoio no PSDB, no Solidariedade, no Pros e em outros pequenos partidos.

Tudo indica que o ex-deputado Jofran Frejat (PR) será mesmo o candidato da “direita”, o tronco oriundo do rorizismo e do arrudismo. O deputado Alberto Fraga (DEM) pode desistir de sua postulação para disputar o Senado ou a reeleição para deputado federal. O ex-deputado Alírio Neto (PTB) pode insistir na candidatura patrocinada financeiramente por Roberto Jefferson ou se integrar à lista proporcional para uma das câmaras. O deputado Izalci Lucas (PSDB) pode também manter a candidatura ao governo, se ganhar a disputa interna com a ala do partido que prefere apoiar Rollemberg, mas terá dificuldade para montar uma coligação que vá muito além do PPS. Se sentir a inviabilidade de sua candidatura, Izalci pode tentar a reeleição a deputado federal.

Outro que se coloca como candidato ao governo, o deputado distrital Joe Valle (PDT), está em negociações com o grupo de Frejat para disputar o Senado. O grupo de Frejat — que terá alguém do MDB, indicado pelo ex-vice-governador Tadeu Filippelli, como vice — quer apresentar dois candidatos ao Senado: Fraga ou o ex-vice-governador Paulo Octavio (PP) para uma cadeira; Joe Valle ou senador Cristovam Buarque (PPS) para a outra.

O deputado distrital Chico Leite (Rede) é formalmente candidato a governador, mas se sabe que prefere disputar o Senado. A Rede está entre se coligar com o PDT (se Joe Valle for mesmo candidato ao governo) ou apresentar candidato próprio. Há quem ainda fale em voltar à aliança com Rollemberg, mas essa é a opção mais improvável.

Quando terminar o prazo para filiação, no dia 7 de abril, o quadro ficará um pouco mais claro. Mas as definições sobre coligações e candidaturas, pelo jeito, não sairão antes de maio ou junho. Até as convenções, muitos ainda poderão se dizer candidatos a governador.

Por enquanto, maioria dos eleitores brasilienses ainda não sabe em quem votar ou vai anular o voto

Não dá ainda, a menos de sete meses do pleito, para arriscar previsões sobre a eleição para governador de Brasília.  Como já escrevi aqui, quem cravar o vencedor, ou mesmo os nomes de quem vai para o segundo turno, é irresponsável, vidente ou cabo eleitoral de algum candidato. O quadro continua incerto, principalmente porque não se sabe sequer quem serão mesmo os candidatos. Há alguns já considerados certos, mas as indefinições ainda são muito relevantes.

Pesquisas realizadas recentemente e o sentimento do pulso dos brasilienses dão algumas indicações que deveriam ser consideradas por candidatos e seus estrategistas:

  • Seis a sete entre 10 eleitores não simpatizam com nenhum dos possíveis candidatos já colocados. Estima-se que um quarto dos eleitores tem forte tendência a anular o voto, se os candidatos forem esses. A rejeição aos políticos tradicionais continua altíssima e são bem poucos os eleitores que conhecem os candidatos que fogem dos padrões tradicionais, como Alexandre Guerra (Novo), Fátima de Sousa (PSol) e Paulo Chagas (PRP).
  • Se os pré-candidatos do tronco rorizista-arrudista estão aguardando uma pesquisa para saber qual deles está mais bem colocado e deve ser o cabeça de chapa do grupo, podem economizar o dinheiro: é Jofran Frejat (PR), muito à frente de Alberto Fraga (DEM), Izalci Lucas (PSDB) e Alírio Neto (PTB).
  • É enorme o risco de o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) não ir sequer para o segundo turno. Pode-se dizer que oito em 10 eleitores desaprovam sua gestão e nem todos, entre os poucos que a aprovam, pretendem votar nele. Para a maioria, neste  governo Brasília ficou pior do que antes. A chance de Rollemberg é se tornar o “voto útil” no segundo turno, se chegar nele, contra um candidato do grupo à direita, especialmente se não for Frejat.
  • Fala-se nos deputados distritais Joe Valle (PDT) para governador e Chico Leite (Rede) para senador, embora esses dois partidos tenham candidatos à presidência já declarados (Ciro Gomes e Marina Silva). Mas, se a dupla for essa, faria mais sentido, hoje, inverter a chapa, pois Chico Leite tem mais do que o dobro das intenções de voto de Joe Valle.
  • O PT ainda não tem candidato a governador, mas é real a possibilidade de, pela primeira vez, não estar entre os três primeiros colocados.
  • De qualquer maneira, nenhum candidato anunciado tem intenção de voto significativa até agora. Nem Frejat, que está à frente dos demais.
  • As duas cadeiras em disputa para o Senado estão mais para o senador Cristovam Buarque (PPS) e para Jofran Frejat ou para o deputado Alberto Fraga, se não forem candidatos ao governo. As chances de Leila do Vôlei (PRB) e Chico Leite não devem ser desconsideradas. Mas a maioria do eleitorado também não sabe ainda em quem votar para senador.

Nada, mas nada mesmo, porém, pode ser considerado definitivo. O quadro atual, que em si já é incerto, pode sofrer inúmeras mudanças diante de variáveis como as candidaturas à presidência da República, as definições finais de candidatos e coligações e, claro, a campanha que cada um conseguirá fazer. O enorme número de eleitores que não sabem em quem votar ou não querem votar em ninguém pode mudar todo o quadro, se houver migração deles para algum candidato.

TCDF ataca novamente, governador esconde viagens, líder do governo é da oposição…

Procuro publicar neste blog apenas uma nota por dia, para não cansar os poucos — mas bons — leitores e porque o tempo, felizmente, continua curto. Às vezes escrevo duas notas. Hoje, lendo os jornais e assistindo aos telejornais fiquei com vontade de escrever sobre vários temas que, em diferentes graus, chamaram minha atenção. Como o dia está sendo cheio e não quero fugir ao que estabeleci, vou falar só um pouco sobre cada um deles, em uma única nota.

Qual o interesse? — O Tribunal de Contas do DF suspendeu a licitação para concessão do estádio Mané Garrincha e outros equipamentos desportivos alegando irregularidades no edital. A decisão, do conselheiro Paulo Tadeu (que foi deputado distrital pelo PT e secretário de Governo de Agnelo Queiroz antes de receber a imerecida nomeação) foi anunciada no dia em que foram abertos os envelopes do único consórcio concorrente. Essa tem sido a prática do TCDF: questionar editais e suspender licitações, às vezes por todo um ano, por motivos irrelevantes e que muitas vezes são meros pretextos.

Quem conhece bem o TCDF fica sempre na dúvida quando coisas assim acontecem. Pode ser que haja mesmo irregularidades, mas geralmente as licitações e contratos são suspensos ou por motivos políticos ou, digamos, financeiros. Os atrasos nas obras e nos contratos, ruins para o governo e para a população, podem ser bem convenientes aos conselheiros.

Como o TCDF vê problemas em todos os editais e contratos feitos pelo governo e considera que os seus são perfeitos, seria melhor para todos — especialmente para a população — que os auditores do tribunal passassem a elaborar esses instrumentos. Haveria economia de tempo e de dinheiro público, nenhuma obra seria interrompida  e ninguém mais iria suspeitar das intenções dos conselheiros.

Estranho sigilo — O governador Rodrigo Rollemberg decretou que detalhes de suas viagens devam ser mantidos em sigilo, por pretensas questões de segurança. O decreto foi assinado logo depois que se revelou que o governador foi a São Paulo, com despesas pagas pelo tesouro e acompanhado de assessor e seguranças, apenas para almoçar com bispos da Igreja Universal e diretores da Rede Record. O segredo imposto por Rollemberg não tem sentido e contraria seu discurso pela transparência. O que deveria ser estabelecido é o oposto: todas as viagens serem anunciadas publicamente e o governador ter de apresentar um relatório mostrando qual o benefício obtido para os brasilienses.

Viagens com objetivo político ou pessoal, deveriam ser pagas pelo governador com recursos próprios ou de seu partido. E não é preciso também levar com ele aspones para fazer figuração e vários seguranças.

Nada a ver — Moradores que tiveram de devolver à população a área pública que invadiram às margens do Lago Paranoá alardearam que uma decisão do Supremo Tribunal Federal mostra que foram vítimas de injustiça. Mentem e tentam enganar a população. O que o STF decidiu é que a área de preservação às margens do lago é de 10 metros e não de 30 metros. Nada além disso. Ao contrário da “interpretação” dos moradores, o tribunal não entendeu que eles têm direito a ocupar um só milímetro de terra pública às margens do Paranoá, e tanto faz o limite ser de 10 ou de 30 metros.

O governo de Brasília acertou ao cumprir com rapidez a decisão do Tribunal de Justiça do DF de desocupar a área invadida nos Lagos Sul e Norte. Só errou ao não levar o assunto a um maior debate com os moradores e ao demorar em dar uma solução urbanística aos locais recuperados para uso da população.

O mesmo do mesmo — Li duas vezes a entrevista dada ao Correio Braziliense pelo secretário de Segurança, delegado federal Cristiano Sampaio. Está boa, mas procurei atentamente alguma afirmação ou anúncio que justificasse ser manchete de capa do jornal. Não consegui encontrar. Mas, em outro lugar, li que a segurança será uma das principais bandeiras para a reeleição de Rollemberg. Depois de rir e pensar quem no governo pode estar pensando numa bobagem dessas, entendi a manchete.

Bipolaridade política – Vi uma foto do deputado distrital Agaciel Maia discursando em uma solenidade promovida por seu partido, o PR. Ao lado de Agaciel, o pré-candidato Jofran Frejat que se declara de oposição ao governo e a Rollemberg. De quem Agaciel é líder. Explique-se isso a alguém com um mínimo de bom senso.