Nova pesquisa mostra que eleição para governador está indefinida e não há certezas

A eleição para governador de Brasília continua indefinida e sem favoritos, e agora quem confirma isso é o instituto O&P, que tem credibilidade, diferentemente de outros. Uma pesquisa quantitativa, neste momento, apenas indica tendências altamente volúveis dos eleitores e teria de ser analisada a partir da série histórica, para que se possa avaliar a evolução ou involução de cada candidato. Basta ver pesquisas feitas no mês de junho em eleições anteriores para verificar as mudanças nos índices, e que levaram favoritos a sequer ir para o segundo turno e colocaram “azarões” em primeiro lugar.

O dado mais relevante da pesquisa O&P é que 49,5% dos eleitores brasilienses não têm candidato. Diante dos nomes apresentados, 40,1% não optam por nenhum deles, e a esses se somam os que não sabem ainda em quem votarão ou não responderam. Isso comprova o que mostram as pesquisas qualitativas: nenhum dos candidatos apresentados preenche, ainda que por não ser conhecido, os requisitos que os eleitores desejam para um governador: honesto, ficha limpa, distante das velhas práticas políticas, de preferência sem mandato, competente como gestor e com capacidade de articulação política.

Para esse índice elevado contribuem também, naturalmente, o desalento e a desesperança do povo, aos quais se soma o descrédito dos políticos e das instituições. Há a percepção, entre os eleitores, de que nada mudará com seus votos, pois continuarão nos executivos e legislativos os mesmos corruptos, picaretas e demagogos de sempre, que se preocuparão apenas com seus interesses pessoais e com a preservação de seus poderes e privilégios.

Se examinamos os índices dos candidatos apresentados, podemos chegar a uma conclusão simplista: haverá segundo turno entre Jofran Frejat e qualquer um dos demais. Simplista por ser resultado de uma leitura rápida e porque entre essa pesquisa e o dia das eleições haverá a definição do quadro de candidatos e coligações e, principalmente, uma campanha eleitoral. Nada do que a O&P apresenta pode ser tomado como definitivo e servir para as argumentações panfletárias do tipo “fulano é imbatível” ou “já ganhou” (há jornalistas, acreditem, que ainda recorrem ao velhíssimo recurso do “pode mandar fazer o terno da posse”), “sicrano está derrotado” ou “beltrano não tem a menor chance”.

Frejat, com 17,3% das intenções de voto, realmente apresenta hoje mais condições de ir para o segundo turno. Mas, com tanto tempo exposto, não parece ter um teto muito maior do que os índices que alcança e, como mostra a pesquisa, terá de convencer os eleitores de que a turma que o apoia, composta de presos, denunciados e condenados, não terá qualquer interferência em sua gestão. O que, em uma campanha, é difícil, mesmo tentando fazer uma maquiagem na chapa ao colocar para disputar o Senado políticos aparentemente limpos e que foram, ou se apresentavam, como de esquerda.

O governador Rodrigo Rollemberg, com escassos 9,5%, seria o concorrente natural de Frejat no segundo turno. Mas esse índice é extremamente baixo para um governante, que tem um nível de rejeição altíssimo. Todos estarão contra o governador na campanha e os demais candidatos, ainda mais com uma margem de erro de 3,1 pontos percentuais, estão na cola de Rollemberg: Eliana Pedrosa (6%), Izalci Lucas (4,7%), Paulo Chagas (4,6%), Fátima Sousa (3,1%) e Alexandre Guerra (3%). É preciso considerar que Chagas, Fátima e Guerra são praticamente desconhecidos e, embora seus partidos tenham poucos recursos, podem crescer na campanha.

Mas, paradoxalmente, também não dá para dizer que Rollemberg não tem chances. Sua situação é crítica, mas uma movimentação dos eleitores que rejeitam os candidatos que simbolizam a volta do esquema Roriz-Arruda (Frejat, Pedrosa e Izalci) ao Buriti pode levar ao “voto útil” no governador, se Chagas, Fátima e Guerra não conseguirem se colocar como alternativas reais de vitória. O PT ainda não disse quem será seu candidato. E por enquanto há um grande eleitor que se mantém em silêncio, mas que pode desbalançar o quadro para o lado que pender: o senador José Antonio Reguffe.

A eleição está aberta, não há certezas. Terão melhores chances de crescer os que se preocuparem menos com coligações a qualquer custo, tempo de TV, dinheiro e cabos eleitorais e se voltarem prioritariamente para traçar e executar as melhores estratégias, usar corretamente as redes sociais e se sair bem nos debates na televisão.

 

A política é diálogo e negociação transparente, não é conchavo e negociata

Uma tática dos velhos políticos para manter seus esquemas de poder e impedir a renovação é dizer que não há como governar sem entregar secretarias e empresas públicas a políticos e distribuir cargos na administração. O tradicional toma lá dá cá, dizem eles, é essencial para a governabilidade. Alguns até tentam elaborar argumentos pretensamente sofisticados para justificar as práticas e métodos da velha política, mas a maioria cai logo nos lugares-comuns e em explicações rasteiras.

Não é preciso lotear o governo e entregar cargos a afilhados de políticos, geralmente desqualificados e preguiçosos, para governar e ter o apoio do Legislativo. Isso é o que fazem os velhos políticos que tantos males têm causado ao Brasil e a Brasília, pois quem perde com o toma lá dá cá é a população, que vê os órgãos do governo dirigidos por pessoas incompetentes e sem qualquer compromisso público, e ainda por cima envolvidos em irregularidades e corrupção. O Estado perde em eficiência e os serviços públicos são prejudicados por essa prática.

O Executivo precisa do Legislativo e o diálogo e a negociação são partes integrantes da política. Mas isso não precisa levar à promiscuidade entre os dois poderes e à troca de favores ilícitos que, na verdade, desvalorizam a política e o próprio Legislativo. Há como negociar politicamente em outro nível, em torno de programas e ações de governo, atendimento a pleitos legítimos das comunidades e até mesmo com a participação de partidos aliados no governo — mas com base em acordos públicos e transparentes e indicação de pessoas com competência e qualificação para os cargos. Isso é bem diferente do loteamento criminoso que há hoje nos governos de Michel Temer e de Rodrigo Rollemberg.

As relações entre Legislativo e Executivo são naturalmente conflituosas, mas podem ser harmônicas, republicanas e produtivas para a sociedade. No presidencialismo, os três poderes são independentes e por isso tem razão o senador José Antonio Reguffe quando defende que parlamentares não possam ser nomeados para cargos no Executivo, a não ser que renunciem ao mandato. Tem razão também ao dizer que parlamentares não deveriam fazer indicações para funções no Executivo, nem os governantes deveriam aceitá-las, pois isso viola a independência dos poderes.

Os velhos políticos detestam essas ideias e tentam desmoralizá-las como se fossem próprias de ingênuos e sonhadores inconsequentes. Têm horror ao novo, ou porque perderão poder, privilégios, negócios e dinheiro, ou porque não saberão trabalhar em bases sérias, legítimas e republicanas e serão superados. Os velhos políticos, obviamente, preferem continuar no pântano em que estão acostumados a viver.

 

 

Projeto de iniciativa popular e ano eleitoral levam distritais a propor o fim da verba indenizatória

Nada como a proximidade das eleições: a mesa diretora da Câmara Legislativa vai propor a extinção da chamada verba indenizatória, aberração introduzida pelo Congresso Nacional e adotada por assembleias estaduais e municipais para aumentar, indiretamente, a remuneração de senadores, deputados e vereadores. O então deputado distrital José Antonio Reguffe foi o primeiro a abrir mão de receber a verba indenizatória, procedimento que manteve como deputado federal e senador.

Mas não é só a proximidade da campanha eleitoral que leva os deputados distritais a acabar com sua fonte de renda extra — desde 16 de janeiro estão sendo recolhidas assinaturas para a apresentação de um projeto de lei de iniciativa popular (Plip) acabando com a verba indenizatória e reduzindo drasticamente os gastos com a contratação de pessoal pelos gabinetes parlamentares e com a publicidade da Câmara, o que significará uma economia de R$ 300 milhões em quatro anos.

O presidente da Câmara, Joe Valle, esteve no lançamento da campanha “Câmara + Barata” e assinou o projeto de lei elaborado pelo Observatório Social e pelo Instituto de Fiscalização e Controle. Agora, Joe Valle encabeça a movimentação para que a Câmara se antecipe e acabe com a verba, mas ainda não se falou na redução das despesas com servidores comissionados e com a publicidade — as mais altas de todas as casas legislativas do país, incluindo a Câmara dos Deputados e o Senado Federal.

É claro que é positiva a extinção da verba indenizatória de R$ 25.322 mensais que cada distrital recebe, venha de onde vier a medida e que motivação tenha. Os distritais da atual legislatura tiveram três anos para fazer isso e deixaram para o último, mas antes tarde do que nunca.

Não há nenhuma justificativa para que o cidadão arque com as enormes despesas da Câmara Legislativa (orçamento de mais de R$ 450 milhões anuais) e ainda pague para que os distritais tenham privilégios e façam política pessoal e partidária. A Câmara tem servidores suficientes para dar suporte ao trabalho dos parlamentares, dispensando consultorias externas, e não se justifica que arque com o aluguel e manutenção de escritórios políticos e pague pela locação de veículos e gastos com combustível.

Ao contrário do que diz o deputado Robério Negreiros no Correio Braziliense, a Câmara Legislativa do DF não será a primeira a extinguir a verba indenizatória, medida já adotada pelas assembleias do Rio de Janeiro e do Espírito Santo. Mas se for a terceira está bom demais.

O novo em 2018: Joe Valle, Cristovam, Rosso, Celina, Universal, Assembleia de Deus, Sara Nossa Terra…

Nas eleições de 2014 a coligação que apoiou a candidatura ao governo do então senador Rodrigo Rollemberg era integrada por PSB, PDT, PSD e Solidariedade. O candidato ao Senado era o então deputado José Antonio Reguffe, do PDT. Os principais candidatos a deputado federal eram Rogério Rosso, do PSD — que indicou o candidato a vice-governador, Renato Santana — e Augusto Carvalho, do Solidariedade. A Rede Sustentabilidade também apoiou a chapa, mas ainda não era formalmente um partido.

O PDT, o PSD e a Rede romperam com o governo de Rollemberg neste semestre. O PSB é o partido do governador e o Solidariedade ainda se mantém na base governista. Eis que agora, como noticia o repórter Francisco Dutra, no Jornal de Brasília, três dos então apoiadores de Rollemberg estão articulando uma chapa para disputar o governo: o deputado distrital pedetista Joe Valle, o deputado federal Rogério Rosso e o senador Cristovam Buarque, que em 2014 era do PDT e agora está no PPS – partido que não participou da coligação que elegeu o governador.

Para avaliar o que, além do tempo na televisão, significa esse aliança de PDT, PSD e PPS — que falam em agregar partidos da direita conservadora, como os predominantemente evangélicos PRB (Igreja Universal), PSC (Assembleia de Deus), Podemos (Sara Nossa Terra) e PHS — é bom ver o que mudou de 2014 para cá:

  • O distrital Joe Valle, eleito com 20.352 votos, elegeu-se presidente da Câmara Legislativa este ano com apoio de parlamentares denunciados por corrupção e tem se apresentado como candidato ao governo ou ao Senado. Ser presidente da Câmara pode dar mais visibilidade ao distrital, mas ao mesmo tempo a instituição está no fundo do poço em termos de credibilidade, respeitabilidade e popularidade. Todos os deputados denunciados e respondendo a processos continuam exercendo seus mandatos, sob as vistas de Joe Valle.
  • O deputado Rogério Rosso, que em 2014 apoiava entusiasticamente o governo e a reeleição de Dilma Rousseff, seguindo orientação de seu mentor Gilberto Kassab, tornou-se um dos mais próximos aliados e defensores de Eduardo Cunha e do impeachment. Por duas vezes tentou ganhar a presidência da Câmara, já de olho na disputa pelo governo de Brasília em 2018. Sem sucesso, desgastado e sem a proteção de Eduardo Cunha, recolhido à prisão em Curitiba, Rosso mergulhou na obscuridade. Só não foi preso, como os ex-governadores José Roberto Arruda e Agnelo Queiroz e o vice-governador Tadeu Filippelli, por ter foro privilegiado. Seu líder Kassab também está envolvido em atos de corrupção.
  • O senador Cristovam Buarque deixou o PDT frustrado: queria disputar a presidência da República, mas Ciro Gomes filiou-se ao partido já consagrado como candidato. Foi então para o PPS na esperança de ter o apoio de seu amigo e conterrâneo Roberto Freire, mas foi humilhado quando Freire disse publicamente que ele não tem mais votos e tentou fazer do apresentador Luciano Huck o candidato do partido. Ao apoiar o impeachment de Dilma e medidas do presidente Temer, Cristovam perdeu seu eleitorado à esquerda e receia não conseguir a reeleição ao Senado. Sua esperança é ter o apoio de evangélicos e ser a opção de segundo voto.
  • O PPS de Cristovam é hoje, também, o partido de dois deputados distritais denunciados na Operação Drácon e que se colocam na extrema-direita na Câmara Legislativa: a ex-presidente Celina Leão, afastada judicialmente do cargo, e Raimundo Ribeiro, que chegou a ser líder do governo de Rollemberg.
  • O mais importante apoiador de Rollemberg em 2014 não foi nenhum desses, mas o senador José Antonio Reguffe, que teve mais votos que o governador. Reguffe estava no PDT e hoje não tem partido. Não é candidato em 2018 e não demonstra nenhuma intenção em apoiar essa coligação PDT-PSD-PPS-Evangélicos.

O mais provável candidato a governador, caso essa aliança se viabilize, é o distrital Joe Valle, que foi do PSB. Cristovam pode ser o candidato ao Senado e Rosso tentar a reeleição à Câmara. Dá, assim, para entender porque a quase totalidade dos eleitores brasilienses diz que ainda não tem candidato a governador e não se entusiasma por nenhuma das alternativas já colocadas.