Aviso necessário: o blog agora é assinado por um militante do PDT

Nada escrevi, aqui, na semana passada. Nos dois primeiros dias, por falta de tempo. Depois, por falta de tempo e também por falta de vontade. Foi uma semana politicamente atribulada e, para mim, desestimulante: o julgamento do Supremo Tribunal Federal e a prisão de Lula aumentaram o já elevado grau de tensão na sociedade e terão repercussão por muito tempo; e os últimos dias para troca de partidos e filiação dos que pretendem ser candidatos em outubro mostraram toda a podridão do nosso sistema político e eleitoral.

Não vou entrar, aqui, no mérito do julgamento do habeas corpus no STF e não vou avaliar os episódios que levaram à prisão de um ex-presidente da República, e nem opinar sobre os motivos alegados pela Justiça para prendê-lo. São temas excessivamente complexos para serem irresponsavelmente tratados em poucas linhas. O sectarismo e a irracionalidade predominantes nos impedem, por exemplo, de ser a favor do cumprimento da pena após o julgamento em segunda instância sem que essa posição seja interpretada como defesa da prisão de Lula. Assim como não podemos criticar os excessos e a parcialidade dos promotores e juízes de Curitiba sem sermos acusados de opositores da Lava-Jato.

A chamada “janela” para que parlamentares pudessem trocar de partidos mostrou como é importante realizar uma profunda mudança na legislação eleitoral e dos partidos políticos. Foi uma semana de muitos negócios e pouca política. O sistema eleitoral brasileiro e as normas que regem o funcionamento das legendas não refletem os tempos atuais e favorecem a corrupção, o mau uso dos recursos públicos, o peso do poder econômico e o fisiologismo. Paradoxalmente, levam à maior fragilidade do sistema político, de suas instituições e dos próprios partidos — hoje, em sua maioria, “empresas” que beneficiam alguns poucos políticos com o dinheiro da população.

A minha falta de tempo na semana passada deveu-se, em boa parte, a inúmeras conversas e reuniões que tive com dirigentes de partidos políticos, parlamentares e possíveis candidatos às próximas eleições. Algumas. em função de minha atividade de consultor político e de comunicação, embora não tenha cobrado um só centavo de nenhum deles. Outras, decorrentes de convites que recebi de três partidos para me filiar com a possibilidade de, eventualmente, candidatar-me a algum cargo.

Na sexta-feira decidi me filiar ao PDT e, de alguma maneira, levar à prática as ideias que venho defendendo. Isso muda o caráter desse blog: era um veículo de informações, análises e opiniões de um jornalista sem vínculo partidário e passa a ser de um militante de partido político. Isso faz diferença, e precisa ser explicitado.

Para não repetir o que já foi publicado a respeito dessa filiação, reproduzirei, em uma próxima nota, entrevista que dei ao jornalista João Negrão, do sítio Repórter Brasil Central: www.reporterbrasilcentral.com.br

 

 

 

Desgaste da esquerda limita pretensões do PT e do PSol em Brasília

Os petistas de Brasília estão menos ambiciosos e nas eleições de outubro ficarão satisfeitos se mantiverem o resultado de 2014, quando o partido elegeu uma deputada federal e quatro distritais. Não pensam em eleger o governador — como em 1994 e 2010 — e não acreditam muito na possibilidade de o deputado Wasny de Roure ser eleito para o Senado. A candidatura de Lula à presidência da República, apesar da condenação de hoje, é considerada crucial pelos petistas brasilienses, que confiam na popularidade do líder maior para puxar votos e, quem sabe, ajudar a eleger cinco distritais.

Não são grandes também as ambições do PSol, que quer eleger um deputado federal e dois distritais, sabendo que há a possibilidade de ficar com apenas um distrital. O PSol, como o PT, não tem ilusões de que conseguirá eleger governador e senador — não porque não tenha bons candidatos, mas porque o ambiente não parece muito favorável, na cidade, a candidatos de extrema-esquerda. O desgaste político e ético do PT respinga no PSol e as avaliações negativas das gestões de Agnelo Queiroz (PT) e Rodrigo Rollemberg (PSB) dificultam as pretensões de candidatos a governador que os eleitores considerem com perfis semelhantes aos deles. Esse, aliás, será o discurso da “direita” rorizista-arrudista: a esquerda não sabe governar.

O PSol já tem uma candidata ao governo, embora não oficializada. Parece ser uma boa candidata para cumprir os objetivos do partido: Fátima de Sousa é enfermeira, tem grande experiência em saúde básica, é professora universitária e diretora da Faculdade das Ciências da Saúde da UnB. O auditor federal Marivaldo Pereira deve ser candidato ao Senado. O PT ainda não conseguiu encontrar um candidato com o perfil adequado para ajudar a legenda a eleger deputados e, quem sabe, o senador, pois os mais conhecidos quadros do partido irão disputar as eleições para as câmaras. O único nome que tem sido levantado é o da professora Rosilene Corrêa, dirigente do sindicato da categoria.

É interessante lembrar que nas duas vezes em que o PT conseguiu eleger o governador foi com candidatos sem história de militância orgânica: Cristovam Buarque filiou-se em 1990 já com o propósito de se candidatar ao governo; Agnelo Queiroz filiou-se em 2008 para ser o candidato do partido em 2010. Cristovam era apenas, para quase todos os petistas, uma boa opção de candidato para ajudar a eleger deputados federais e distritais — não esperavam sequer que conseguisse chegar ao segundo turno.

Quando Agnelo trocou o PCdoB pelo PT poucos petistas acreditavam que ele poderia ser eleito governador. Seria também, como Cristovam, um bom candidato para puxar votos, mas a reeleição do governador José Roberto Arruda era considerada tranquila e nenhum quadro tradicional do PT queria ir para o “sacrifício”. Mas veio a Operação Caixa de Pandora, Arruda foi afastado e o quadro eleitoral mudou. O deputado Geraldo Magela, então, animou-se a ser o candidato a governador e enfrentou Agnelo em eleições prévias, sendo derrotado.

O PT, para não ficar fora do debate eleitoral, poder se defender e eleger deputados, precisa de um candidato a governador que seja limpo, disposto e bom de fala para aproveitar o potencial de votos que o partido tem em Brasília, estimado em cerca de 12%. Precisa de alguém para perder, mas desta vez, diferentemente das anteriores, com pouca probabilidade de haver surpresas.