Velhos políticos (entre eles alguns que se fingiam de novos) se articulam para impedir mudanças

Os trechos abaixo foram retirados de um artigo publicado hoje em O Globo e intitulado “A falência das elites”. O autor, de quem costumo discordar e que representa um pensamento de direita liberal, é o historiador Marco Antonio Villa. Ele fala do cenário nacional e das eleições para presidente, mas suas frases servem perfeitamente para caracterizar o que vemos hoje em Brasília.

  • A maioria dos eleitores não encontra um candidato que esteja sintonizado com o sentimento das ruas. Alguém que possa entusiasmar o país. Que pense o novo. Que elabore propostas originais. Que consiga expô-las e mostrar sua viabilidade. Que rompa com o senso comum, com o mesmismo, com a obviedade que acabou virando sinônimo de político brasileiro.
  • As possibilidades de mudanças reais estão vedadas. A petrificação da estrutura é evidente. Não há sequer brechas, mesmo que mínimas. A eficácia para a preservação do mesmo desmoralizou a democracia. A desilusão do eleitor é a resposta a tudo isso.
  • A falência das elites e a petrificação das estruturas de poder são as principais responsáveis pela crise estrutural. O processo eleitoral é apenas sua face mais visível.
  • Os candidatos e as lideranças partidárias estão desconectados do Brasil real. Vivem em outro plano. Não entendem que as ruas querem uma profunda transformação. Permanecem no passado.

As articulações políticas que vemos em Brasília, em busca da formação de chapas para disputar o governo e as cadeiras do Senado, aumentam o desalento dos eleitores e as intenções de se abster, anular o voto ou votar em branco. São articulações feitas por velhos políticos com os velhos métodos de sempre. E entre esses políticos distantes do eleitor se incluem alguns que posam de novos e renovadores, mas que se desmascararam na defesa de seus interesses pessoais acima de tudo. Não há debate de programas e intenções, o que se discute são as verbas eleitorais, os cargos e os “e$paço$” de poder.

Esses velhos políticos sabem que irão se eleger mesmo que a maioria dos eleitores não vote em nenhum deles, pois a absurda legislação eleitoral brasileira considera votos nulos e em branco como inválidos. E até contam com a alta abstenção, para se elegerem com menos votos. Não disfarçam o cinismo e não escondem que ligaram o f***m-se.