Três anos de mesmo do mesmo no metrô velho e obsoleto

Em 2015 uma composição do metrô parou na via e centenas de passageiros saíram caminhando pela ferrovia, antes que fosse desligada a energia de 750 V C/C. Preocupados, dois especialistas em transporte que já haviam trabalhado no metrô procuraram o governador Rodrigo Rollemberg e o alertaram para o risco da situação, pois poderia ter havido muitos mortos. Rollemberg pediu que eles conversassem com o presidente da Companhia do Metropolitano, Marcelo Dourado, que os recebeu. Nessa reunião e posteriormente em uma carta, eles mostraram a Dourado, ponto a ponto e em linguagem técnica, problemas que viam no metrô. “Não pode o GDF esperar uma catástrofe de imensas proporções”, avisaram.

Na avaliação desses técnicos, o metrô passava por uma crise extrema que exigia ações rápidas e profundas. O sistema, velho e tecnologicamente obsoleto, tinha de ser imediatamente recuperado e revitalizado. Isso foi em 2015, e de lá para cá praticamente nada foi feito, a não ser algumas ações pontuais. Por várias outras vezes o governador foi alertado, mas nada acontecia. Agora, depois do descarrilamento, já se noticia que o metrô de Brasília tem a média de um problema no funcionamento a cada cinco dias.

É normal que a operação do metrô seja altamente deficitária e por isso subsidiada pelos cofres públicos, e é notório que o Estado tem baixíssima capacidade para investir no sistema. Mas é exatamente isso que deveria fazer o governo realizar um diagnóstico técnico profundo e qualificado sobre o metrô, levantando os problemas reais e a partir daí propondo soluções viáveis para assegurar não só o seu bom funcionamento, com eficiência, conforto e segurança, como também o aumento da demanda — que, certamente, não será estendendo a linha em Samambaia, como equivocadamente vai fazer a atual gestão.

O atual governo teve três anos para cuidar do metrô, mas se omitiu, aceitou “soluções” simplistas e corporativistas e deixou que a situação, que já era muito ruim, piorasse. Muitas promessas foram feitas, quase nada se realizou. Felizmente, nos dois incidentes mais graves, não houve vítimas.

 

Velhos políticos brigam pelo metrô e fazem a festa na Secretaria de Justiça

Os velhos políticos são, além de nocivos à sociedade, ridículos. É verdade que se esses políticos fossem apenas ridículos e sem noção não causariam grandes prejuízos à população, mas eles vão muito além: suas práticas e seus métodos são demagógicos, patrimonialistas, fisiológicos e corruptos. Levam à apropriação privada de dinheiro público, ao roubo descarado, à deterioração dos serviços públicos e ao mau atendimento ao povo. A velha política ofende a estética e a ética.

A polêmica em torno da liberação pelo Ministério das Cidades de recursos para o metrô de Brasília é um exemplo triste da atuação de velhos políticos, mas nesse caso ressalta o fato de eles serem ridículos. Já a notícia, publicada pelo Metrópoles, de que o deputado Agaciel Maia distribuiu cargos na Secretaria de Justiça e Cidadania a, entre outros, ex-jogador de futebol, donos de açougue, lava-jato e estacionamento privado e vendedora de produtos de beleza sem qualificação para as funções mostra como a velha política é danosa ao povo.

O governador Rodrigo Rollemberg anunciou como realização sua a liberação da verba pelo Ministério das Cidades. Bateu o bumbo, como se diz entre os que fazem comunicação de governo à moda antiga. Rollemberg já está agindo como candidato à reeleição, na agenda, nos pronunciamentos e nas articulações políticas, o que também é um pecado da velha política, mas menos grave. Venial, digamos.

O bumbo do governador incomodou os que fazem oposição e dois vídeos mostram como é possível a pessoas pretensamente sérias fazer papel de idiotas. No primeiro, o deputado Laerte Bessa, do PR, aparece ao lado do presidente do partido no Distrito Federal para afirmar enfaticamente que o dinheiro não foi liberado e que Rollemberg mentiu. Cita o próprio ministro Alexandre Baldy, aliás um político medíocre — como é a quase totalidade dos ministros de Temer.

No outro vídeo, Baldy desmente Bessa. Ao lado dos estáticos deputados Alberto Fraga (DEM) e Rogério Rosso (PSD) , o ministro diz que a liberação dos recursos deve-se ao apoio da bancada federal ao projeto. Aos dois apatetados parlamentares somou-se o deputado Izalci Lucas na assinatura de uma nota tirando o mérito do governador. Ou seja, Rollemberg não pode “faturar” sozinho. Por trás de toda a palhaçada estão as eleições deste ano, claro. Como estiveram na votação da alteração do orçamento, finalmente concluída ontem.

A briga pela paternidade dos recursos fica no campo do folclore da velha política, pois grave mesmo é a nomeação dos apadrinhados do deputado Agaciel Maia (PR) na Secretaria de Justiça e Cidadania, com a cumplicidade de Rollemberg. Não que isso seja caso único: várias secretarias e todas as administrações regionais foram entregues a parlamentares e políticos em troca de apoio ao governo ou para viabilizar candidaturas. Como disse Jarbas Passarinho em outro contexto, “às favas com todos os escrúpulos”.

O loteamento de órgãos da administração e a nomeação de pessoas não qualificadas e que prestam contas ao político que os indicou prejudica o desempenho administrativo e o atendimento à população e desvaloriza o servidor público de carreira. Essa prática antiga e nefasta, que o atual governo manteve, não é só uma questão ética — é, sobretudo, um mal causado à população que precisa dos serviços que o Estado tem de prestar com eficiência.

 

 

 

A greve dos metroviários continua, o governo assiste, a “esquerda” aplaude e o povo se lasca

A greve dos metroviários de Brasília vai completar um mês. Eles querem reajuste dos salários e a contratação de mais empregados para operar o ineficiente, dispendioso, atrasado e inacabado metrô de Brasília. A empresa pública que opera o sistema e o governo de Brasília, que a sustenta, alegam que não há como aumentar os salários no valor desejado pelos funcionários e contratar mais de 300 novos empregados.

Diante do impasse e da demora de uma decisão judicial que resolva o conflito, os usuários do metrô enfrentam mais dificuldades para se locomover do que as já habituais. São eles, os que usam o sistema de transporte público semiparalisado, os mais prejudicados pela greve. Os que andam de ônibus também perdem, pois os veículos estão recebendo mais passageiros. E as vias estão mais lentas, com a adição dos que preferiram usar seus automóveis na falta de metrô.

A empresa do metrô está perdendo muito dinheiro com a greve, mas, como é uma empresa pública, esse prejuízo recai sobre os cofres do Estado. Ou seja: quem paga a conta é a população, que vê aumentarem ainda mais os subsídios ao metrô – dinheiro que poderia estar sendo mais bem aplicado em benefício do povo.

O que o governo perde é prestígio, pois é injustificável sua inação e omissão diante do problema que afeta a população e os cofres públicos. Diante da impossibilidade de atender as reivindicações dos metroviários – na verdade irreais e descoladas da realidade da cidade e do país — o governo teria de mostrar isso à sociedade e enfrentar os grevistas com fatos e argumentos.

O sindicato dos metroviários e seus representados nada perdem. Os empregados estão há um bom tempo sem trabalhar, ou trabalhando em escalas tranquilas, recebem seus salários (melhores do que os de colegas de outros metrôs brasileiros) e terão algum reajuste por decisão judicial (e para isso não precisavam paralisar os serviços). O sindicato posa de atuante e defensor de sua categoria, mas demonstra na prática que participa da corrente que considera os interesses de um segmento acima dos interesses da população. E, o que é mais grave, ainda recebe o apoio de partidos que se dizem de esquerda.

Mas é a “esquerda”, entre aspas, de que falava Lenin. Autor que esses “esquerdistas” não devem ter lido.