A greve dos metroviários continua, o governo assiste, a “esquerda” aplaude e o povo se lasca

A greve dos metroviários de Brasília vai completar um mês. Eles querem reajuste dos salários e a contratação de mais empregados para operar o ineficiente, dispendioso, atrasado e inacabado metrô de Brasília. A empresa pública que opera o sistema e o governo de Brasília, que a sustenta, alegam que não há como aumentar os salários no valor desejado pelos funcionários e contratar mais de 300 novos empregados.

Diante do impasse e da demora de uma decisão judicial que resolva o conflito, os usuários do metrô enfrentam mais dificuldades para se locomover do que as já habituais. São eles, os que usam o sistema de transporte público semiparalisado, os mais prejudicados pela greve. Os que andam de ônibus também perdem, pois os veículos estão recebendo mais passageiros. E as vias estão mais lentas, com a adição dos que preferiram usar seus automóveis na falta de metrô.

A empresa do metrô está perdendo muito dinheiro com a greve, mas, como é uma empresa pública, esse prejuízo recai sobre os cofres do Estado. Ou seja: quem paga a conta é a população, que vê aumentarem ainda mais os subsídios ao metrô – dinheiro que poderia estar sendo mais bem aplicado em benefício do povo.

O que o governo perde é prestígio, pois é injustificável sua inação e omissão diante do problema que afeta a população e os cofres públicos. Diante da impossibilidade de atender as reivindicações dos metroviários – na verdade irreais e descoladas da realidade da cidade e do país — o governo teria de mostrar isso à sociedade e enfrentar os grevistas com fatos e argumentos.

O sindicato dos metroviários e seus representados nada perdem. Os empregados estão há um bom tempo sem trabalhar, ou trabalhando em escalas tranquilas, recebem seus salários (melhores do que os de colegas de outros metrôs brasileiros) e terão algum reajuste por decisão judicial (e para isso não precisavam paralisar os serviços). O sindicato posa de atuante e defensor de sua categoria, mas demonstra na prática que participa da corrente que considera os interesses de um segmento acima dos interesses da população. E, o que é mais grave, ainda recebe o apoio de partidos que se dizem de esquerda.

Mas é a “esquerda”, entre aspas, de que falava Lenin. Autor que esses “esquerdistas” não devem ter lido.