Cristovam, quem diria, pode até ser o vice de Luciano Huck

O senador Cristovam Buarque está desesperado para encontrar uma saída no labirinto em que se meteu por causa de suas recentes posições — especialmente pelo voto a favor do impeachment de Dilma Rousseff —  e da amizade política e do apoio que dá a deputados distritais acusados de corrupção: perdeu apoio na esquerda, que hoje critica, e não ganhou da direita, que não confia nele.

Consciente das dificuldades que terá para se reeleger senador e sabendo que com sua extrema vaidade não suportará uma derrota, Cristovam faz de tudo para viabilizar sua candidatura a presidente da República. Acredita que pode ser o “novo” desejado pelo eleitorado e perder, nesse caso, não será desonroso. A derrota para Joaquim Roriz em 1998, quando disputava a reeleição ao governo de Brasília, é para Cristovam um trauma ainda não superado — tanto que nunca mais se dispôs a disputar novamente o posto, mesmo quando ainda tinha popularidade na cidade.

Por isso o senador eleito pelos brasilienses em 2002 e 2010 pediu uma licença do mandato para se dedicar a viagens pelo Brasil e, certamente, também por outros países. Cristovam quer se apresentar como pré-candidato a presidente e ocupar espaços na imprensa e nas redes sociais. Só que não tem, para isso, o respaldo de seu partido, o PPS, cujo presidente, Roberto Freire, disse a Diego Amorim, do Antagonista, que Cristovam “tem dificuldade política-eleitoral”, logo esclarecendo: “Ele não tem mais voto”.

Freire, que acolheu Cristovam no PPS sabendo que o senador pensava em ser candidato a presidente da República, disse na mesma entrevista que o apresentador de televisão Luciano Huck, que fala em disputar o Planalto, seria recebido com tapete vermelho no partido. Cristovam começou sua vida política no PT, que deixou para entrar no PDT. Quando Ciro Gomes se filiou ao trabalhismo já na condição de candidato a presidente, Cristovam foi para o PPS, na esperança de ser o nome do partido para a disputa.

Agora, tem de optar: pode tentar a reeleição ao Senado, esperando receber o segundo voto de eleitores de diferentes correntes; pode procurar outro partido para concorrer à presidência da República; ou pode tentar ser o candidato a vice-presidente na chapa de Huck, caso ele seja mesmo a escolha do PPS, que na verdade está mais para Geraldo Alckmin.

 

 

 

 

 

Ibaneis até tem o perfil desejado, mas já se enreda na velha política

O perfil de governador que os eleitores de Brasília desenham não é muito diferente do definido em todo o país: honesto, ficha limpa, bom gestor, com experiência, e com capacidade de diálogo e articulação política. Os eleitores rejeitam os políticos tradicionais e seus velhos métodos e práticas, assim como os partidos políticos artificiais e envolvidos com a corrupção. Na verdade, nada há de novo nisso e é por causa desse quadro que tanto se fala em outsiders para disputar a presidência da República e os governos estaduais e do Distrito Federal.

Em Brasília, o advogado Ibaneis Rocha tem o perfil do outsider: não é um político tradicional, não há denúncias contra ele, é um advogado bem-sucedido, comandando um grande escritório, e foi vice-presidente e presidente da seccional da Ordem dos Advogados. Consta até que faz um curso de gestão pública para melhor se habilitar à disputa pelo governo.

Mas Ibaneis está errando feio ao se colocar como um “não político” que parece ansioso por entrar no antiquado e surrado jogo da politicagem como se isso fosse a verdadeira e necessária política. A pretexto de formar uma aliança que torne Brasília governável e para viabilizar sua candidatura, Ibaneis tem conversado com políticos de todos os matizes e correntes, mostrando falta de identidade e passando a imagem de oportunismo. Transmite a ideia de um “não político tradicional” sem partido que precisa dos velhos políticos e dos velhos partidos para chegar ao poder.

Matéria de Helena Mader no Correio Braziliense conta que além de negociar com o PPS e com o PDT, Ibaneis “mantém tratativas” com Tadeu Filippelli, que admira “pela capacidade de gestão”. Ibaneis chega a defender uma “união partidária mais ampla”, com PDT, PPS e PMDB, formando uma “coalizão para dar governabilidade”. Não importa se nessa coalizão estejam Filippelli e o corrupto PMDB e o PPS seja hoje um partido que abriga os denunciados Celina Leão e Raimundo Ribeiro.

Não se fala disso na matéria, mas Ibaneis também tem conversado com políticos do PTB, PP e PR, entre outros. Nada disso cai bem para quem diz pretender mudar de verdade os métodos de governar. Não é esse tipo de articulação política que os eleitores desejam. O que se quer é um governador que saiba dialogar e articular com a sociedade e com os distritais em torno de projetos e ações de governo e não se renda às práticas da velha política.

Ou seja, que faça política, mas não a velha política.