Desgaste da esquerda limita pretensões do PT e do PSol em Brasília

Os petistas de Brasília estão menos ambiciosos e nas eleições de outubro ficarão satisfeitos se mantiverem o resultado de 2014, quando o partido elegeu uma deputada federal e quatro distritais. Não pensam em eleger o governador — como em 1994 e 2010 — e não acreditam muito na possibilidade de o deputado Wasny de Roure ser eleito para o Senado. A candidatura de Lula à presidência da República, apesar da condenação de hoje, é considerada crucial pelos petistas brasilienses, que confiam na popularidade do líder maior para puxar votos e, quem sabe, ajudar a eleger cinco distritais.

Não são grandes também as ambições do PSol, que quer eleger um deputado federal e dois distritais, sabendo que há a possibilidade de ficar com apenas um distrital. O PSol, como o PT, não tem ilusões de que conseguirá eleger governador e senador — não porque não tenha bons candidatos, mas porque o ambiente não parece muito favorável, na cidade, a candidatos de extrema-esquerda. O desgaste político e ético do PT respinga no PSol e as avaliações negativas das gestões de Agnelo Queiroz (PT) e Rodrigo Rollemberg (PSB) dificultam as pretensões de candidatos a governador que os eleitores considerem com perfis semelhantes aos deles. Esse, aliás, será o discurso da “direita” rorizista-arrudista: a esquerda não sabe governar.

O PSol já tem uma candidata ao governo, embora não oficializada. Parece ser uma boa candidata para cumprir os objetivos do partido: Fátima de Sousa é enfermeira, tem grande experiência em saúde básica, é professora universitária e diretora da Faculdade das Ciências da Saúde da UnB. O auditor federal Marivaldo Pereira deve ser candidato ao Senado. O PT ainda não conseguiu encontrar um candidato com o perfil adequado para ajudar a legenda a eleger deputados e, quem sabe, o senador, pois os mais conhecidos quadros do partido irão disputar as eleições para as câmaras. O único nome que tem sido levantado é o da professora Rosilene Corrêa, dirigente do sindicato da categoria.

É interessante lembrar que nas duas vezes em que o PT conseguiu eleger o governador foi com candidatos sem história de militância orgânica: Cristovam Buarque filiou-se em 1990 já com o propósito de se candidatar ao governo; Agnelo Queiroz filiou-se em 2008 para ser o candidato do partido em 2010. Cristovam era apenas, para quase todos os petistas, uma boa opção de candidato para ajudar a eleger deputados federais e distritais — não esperavam sequer que conseguisse chegar ao segundo turno.

Quando Agnelo trocou o PCdoB pelo PT poucos petistas acreditavam que ele poderia ser eleito governador. Seria também, como Cristovam, um bom candidato para puxar votos, mas a reeleição do governador José Roberto Arruda era considerada tranquila e nenhum quadro tradicional do PT queria ir para o “sacrifício”. Mas veio a Operação Caixa de Pandora, Arruda foi afastado e o quadro eleitoral mudou. O deputado Geraldo Magela, então, animou-se a ser o candidato a governador e enfrentou Agnelo em eleições prévias, sendo derrotado.

O PT, para não ficar fora do debate eleitoral, poder se defender e eleger deputados, precisa de um candidato a governador que seja limpo, disposto e bom de fala para aproveitar o potencial de votos que o partido tem em Brasília, estimado em cerca de 12%. Precisa de alguém para perder, mas desta vez, diferentemente das anteriores, com pouca probabilidade de haver surpresas.

 

 

 

Estão discutindo como gastar o seu dinheiro, mas você não está sendo consultado

Algum cidadão comum de Brasília conhece o orçamento distrital para 2018, esse que está sendo votado a toque de caixa pela Câmara Legislativa? Foi consultado sobre as prioridades nele estabelecidas? Sabe como estão sendo distribuídos os recursos de R$ 42,4 bilhões? Concorda com a destinação que os deputados distritais estão dando aos R$ 18,8 milhões em emendas que cabem a cada um deles? Certamente a resposta é “não” às quatro perguntas, pois no Brasil — salvo raríssimas exceções – e em Brasília o orçamento é tratado como assunto restrito ao governo e aos parlamentares.

Não é assim em outros países. A discussão do orçamento é o momento mais importante da atividade legislativa, pois é nesse debate que se definem quais são as prioridades de gastos e como aumentar as receitas. No Brasil há a experiência dos orçamentos participativos, iniciada por governos do PT, mas poucas foram bem-sucedidas e apresentaram resultados efetivos, entre outras razões porque a parcela do orçamento submetida à população era muito pequena.

Aqui em Brasília o governo elabora o orçamento e o envia à Câmara Legislativa sem tempo para divulgação e discussão. Uns poucos distritais se interessam de verdade pelo documento, a maioria quer é destinar as emendas a que os deputados têm direito. Só quando o orçamento é executado é que os cidadãos descobrem como o dinheiro está sendo gasto e questionam as prioridades. Frequentemente a população critica a maneira como os recursos públicos são gastos por decisão do governo e dos distritais. Mas depois de aprovado o orçamento e quando o dinheiro já está sendo gasto.

É claro que há aspectos legais e técnicos no orçamento que têm de ser considerados e o cidadão comum, de modo geral, não conhece essas questões. Mas é possível estabelecer uma metodologia adequada de informação, comunicação e discussão para que os cidadãos possam de fato participar do debate sobre o orçamento. Não adianta simular participação ou limitá-la a alguns grupos e segmentos mais atuantes, ou entregar aos cidadãos a decisão sobre uma parcela ínfima do orçamento.

O problema maior, porém, não é estabelecer essa metodologia de participação, que envolve a organização da cidadania. Não é fácil, mas é possível. O problema maior é que organização e participação real dos cidadãos é algo que geralmente desagrada a governantes e parlamentares, receosos de dividirem o poder. Pela mesma razão, os que governam — políticos e tecnocratas — e os que legislam costumam reagir à participação popular, e não só no orçamento.

Imaginem a população dizendo que a Câmara Legislativa deve reduzir seus gastos, ou que o governo deve cortar as mordomias, e esses recursos serem aplicados em áreas realmente prioritárias. Ou que o Estado pode funcionar com menos secretários e cargos comissionados, e que em vez de fazer shows na Esplanada o dinheiro deve ser investido nas escolas.

Não, isso não é a revolução popular. É a democracia de verdade.

 

A lei eleitoral favorece os “grandes”, mas nas eleições de 2018 pode ser diferente

Os grandes partidos saem com grande vantagem nas eleições de 2018: terão mais dinheiro do fundo estatal, mais tempo no rádio e na televisão, presença garantida nos debates e não precisam se preocupar com a cláusula de barreira. A legislação eleitoral, incluindo os dispositivos recentemente aprovados, foi elaborada para beneficiar grandes partidos e os políticos que já detêm mandato, dificultando o surgimento e a consolidação de novas legendas e a renovação nas casas legislativas e nos executivos. Além disso, impede o que existe em 90% dos países: a possibilidade de um cidadão ser candidato independente, sem vínculo com partido.

É natural, assim, que os candidatos a governador de Brasília que são filiados a grandes partidos sejam considerados favoritos. Terão mais dinheiro para suas campanhas e mais tempo para se apresentarem nos programas e nas inserções no rádio e na televisão, além de estarem nos debates e terem uma estrutura partidária maior. Essas vantagens aumentam se esses partidos se coligarem, acrescentando mais dinheiro e mais tempo aos candidatos.

Entre os “grandes” está o governador Rodrigo Rollemberg, do PSB, que busca ter o apoio do PSDB e de partidos menores. Estão também os que se colocam como candidatos no campo da “direita”, como Jofran Frejat (PR), Ibaneis Rocha (PMDB), Alírio Neto (PTB), Alberto Fraga (DEM) e Izalci Lucas (PSDB). Ou no campo da “esquerda”, como Joe Valle (PDT) e o candidato do PT, ainda não definido — uma das hipóteses é a professora Rosilene Correa, diretora do Sinpro, e fala-se também no procurador Eugênio Aragão. O PSD alardeia candidatura própria, mas tende a apoiar alguém de outro partido.

Os partidos “pequenos” terão candidatos, apesar das dificuldades que encontrarão. O Novo já lançou o empresário Alexandre Guerra. O PSol decidirá entre vários pré-candidatos, mas a tendência é indicar a professora Maria Fátima de Sousa, diretora da Faculdade de Ciências da Saúde e de Medicina da UnB. A Rede diz que poderá ter candidato próprio, mas está conversando com outros partidos para se coligar, tendo o distrital Chico Leite como candidato ao Senado. O PPS, que tem em seus quadros o senador Cristovam Buarque e o ex-senador Valmir Campelo, ainda não decidiu se terá candidato ou se coligará.

Dentre os citados, poucos são candidatos sem mandato e sem grande vivência na política partidária, enquadrando-se em parte desse perfil desejado pela maioria dos eleitores brasilienses: Ibaneis, Rosilene, Aragão, Guerra e Fátima (ou outro que o PSol lançar). Cada um terá de enfrentar um problema comum — serem desconhecidos dos eleitores — e alguns problemas específicos, decorrentes deles próprios e de seus partidos. Guerra e Fátima, por exemplo, são de partidos pequenos. Ibaneis é do PMDB, que não é exatamente o partido indicado para quem se coloca como outsider. O PT sofre forte desgaste.

E não é só distância da política e dos políticos tradicionais que os eleitores querem. O perfil desejado para um governador inclui experiência que demonstre competência e capacidade de diálogo e articulação e, sobretudo, honestidade e passado limpo. E embora os que se situam nos extremos do espectro político tenham seus votos, a expectativa é por alguém ao centro.

Entre o quadro de hoje e a eleição haverá uma campanha eleitoral, curta e na qual os “grandes” levarão vantagem porque a lei os beneficia. Há favoritos, assim, porque as regras não garantem que os concorrentes disputem em igualdade. Mas, na verdade, não vale a pena apostar em nenhum deles. Os tempos mudaram e as pessoas andam bastante irritadas. Nada será fácil para candidatos com esse perfil lançados por partidos menores, mas nada está ainda decidido.

 

 

Rollemberg e Frejat estão na frente, mas nada está definido e tudo pode mudar

A pesquisa reservada realizada em Brasília nos primeiros dias deste mês tem margem de erro elevada (3,5%), mas reforça algumas constatações e tendências, obtidas em outras pesquisas quantitativas e em qualitativas, a respeito da eleição para governador em 2018:

  • Apesar da alta reprovação de seu governo e de seu desempenho pessoal, e da elevada rejeição dos eleitores, o governador Rodrigo Rollemberg é forte candidato à reeleição se os candidatos, mesmo com alteração de nomes do PSol e do PT, forem os listados pelos pesquisadores. O que mais o ameaça é Jofran Frejat, mas o grande risco que Rollemberg e Frejat correm é o de surgir um candidato com o perfil desejado pelos eleitores: limpo, honesto, centrado, com experiência de gestão, capacidade de articulação e atitude e coragem para enfrentar os graves problemas de Brasília. Rollemberg, na visão dos eleitores, atende apenas aos dois primeiros requisitos: é limpo e honesto. Frejat, embora tenha vários processos por improbidade administrativa, é considerado honesto e tem imagem de bom gestor, mas pesam contra ele a percepção de ser vinculado a Arruda e Roriz — aos quais deveria obediência — e a idade.
  • A diferença entre os que aprovam o governador e seu governo (12,8%) e os que manifestam intenção de votar em Rollemberg (15,3%) é pequena, mas pode aumentar devido à sua imagem de honestidade, especialmente se Frejat não for candidato a governador. Grande parcela da população critica a gestão de Rollemberg, mas prefere o “não rouba e faz pouco” ao “rouba muito, mas faz”. Sem alternativas que considera limpas, votará pela continuidade.
  • Os demais candidatos não são necessariamente desonestos, mas precisam também parecer honestos. Por mais limpo que seja o ainda desconhecido candidato do PT, pesarão contra ele as acusações de corrupção a integrantes do partido e em especial ao ex-presidente Lula. Ibaneis Rocha, ex-presidente da OAB-DF, queimou sua imagem de outsider ao se filiar ao PMDB, liderado pelo ex-vice-governador Tadeu Filippelli, acusado de diversas irregularidades e preso recentemente em operação da Polícia Federal. Joe Valle é o presidente da desgastada e desacreditada Câmara Legislativa, e tido por muitos como protetor de distritais corruptos que mantêm seus mandatos.
  • Reguffe, em todas as pesquisas, é o mais votado para governador. Não está entre os listados porque reiteradamente declara que não será candidato — e não será mesmo –, e isso fez com que tivesse poucas intenções espontâneas, pois grande parte do eleitorado já sabe que não disputará as eleições. É, porém, o mais importante cabo eleitoral de Brasília. Quem tiver o seu apoio, sai com vantagem. Mas Reguffe não demonstra simpatia por nenhum dos nomes já lançados.
  • Os considerados maus governos de Agnelo Queiroz e Rodrigo Rollemberg — e, para muitos, também o de Cristovam Buarque — praticamente inviabilizam em Brasília a eleição de um candidato identificado com a esquerda, ou com perfil parecido ao de Agnelo e Rollemberg. Há a percepção, em boa parcela do eleitorado, de que a esquerda não sabe governar. Esse é mais um fator desfavorável a Joe Valle, que foi do PSB e é do PDT, tendo participado dos governos de Agnelo e de Rollemberg.
  • O PSol herda boa parte dos votos que iam para o PT, mas seu discurso extremamente esquerdista o coloca como partido de oposição, não como partido capaz de exercer o governo.
  • Alberto Fraga, com seu discurso conservador e de direita, tem muitos eleitores, suficientes para se eleger senador, mas é muito difícil que consiga maioria absoluta para ganhar a eleição para governador em segundo turno. O apoio de Jair Bolsonaro só reforçará isso. O eleitorado de Brasília tende a rejeitar os extremos, em favor de alguém centrado.

Em suma: o quadro para governador continua indefinido e o cenário de hoje pode mudar em função de fatos novos que surjam — e têm surgido a cada dia — e de quem serão realmente os candidatos, pois alguns dos hoje cotados poderão se lançar a outros cargos e não se deve descartar o lançamento de nomes novos e inesperados. Ou até que Rollemberg e Frejat não sejam candidatos. O quadro para a eleição presidencial também está indefinido e certamente terá influência em Brasília. Só depois de abril, quando já terá terminado o prazo para filiação partidária, é que as coisas ficarão mais nítidas.

Cristovam, quem diria, pode até ser o vice de Luciano Huck

O senador Cristovam Buarque está desesperado para encontrar uma saída no labirinto em que se meteu por causa de suas recentes posições — especialmente pelo voto a favor do impeachment de Dilma Rousseff —  e da amizade política e do apoio que dá a deputados distritais acusados de corrupção: perdeu apoio na esquerda, que hoje critica, e não ganhou da direita, que não confia nele.

Consciente das dificuldades que terá para se reeleger senador e sabendo que com sua extrema vaidade não suportará uma derrota, Cristovam faz de tudo para viabilizar sua candidatura a presidente da República. Acredita que pode ser o “novo” desejado pelo eleitorado e perder, nesse caso, não será desonroso. A derrota para Joaquim Roriz em 1998, quando disputava a reeleição ao governo de Brasília, é para Cristovam um trauma ainda não superado — tanto que nunca mais se dispôs a disputar novamente o posto, mesmo quando ainda tinha popularidade na cidade.

Por isso o senador eleito pelos brasilienses em 2002 e 2010 pediu uma licença do mandato para se dedicar a viagens pelo Brasil e, certamente, também por outros países. Cristovam quer se apresentar como pré-candidato a presidente e ocupar espaços na imprensa e nas redes sociais. Só que não tem, para isso, o respaldo de seu partido, o PPS, cujo presidente, Roberto Freire, disse a Diego Amorim, do Antagonista, que Cristovam “tem dificuldade política-eleitoral”, logo esclarecendo: “Ele não tem mais voto”.

Freire, que acolheu Cristovam no PPS sabendo que o senador pensava em ser candidato a presidente da República, disse na mesma entrevista que o apresentador de televisão Luciano Huck, que fala em disputar o Planalto, seria recebido com tapete vermelho no partido. Cristovam começou sua vida política no PT, que deixou para entrar no PDT. Quando Ciro Gomes se filiou ao trabalhismo já na condição de candidato a presidente, Cristovam foi para o PPS, na esperança de ser o nome do partido para a disputa.

Agora, tem de optar: pode tentar a reeleição ao Senado, esperando receber o segundo voto de eleitores de diferentes correntes; pode procurar outro partido para concorrer à presidência da República; ou pode tentar ser o candidato a vice-presidente na chapa de Huck, caso ele seja mesmo a escolha do PPS, que na verdade está mais para Geraldo Alckmin.

 

 

 

 

 

PT, desgastado mas com eleitores fiéis, deve ficar muito satisfeito se mantiver o que já tem

O PT era um dos polos da política brasiliense — o outro era Joaquim Roriz — e elegeu dois governadores, Cristovam Buarque em 1994 e Agnelo Queiroz em 2010. O partido já surpreendeu na primeira eleição para governador de Brasília, em 1990, quando seu candidato, o médico Carlos Saraiva, ficou em segundo lugar, à frente do então senador Maurício Corrêa, que era do PDT e encabeçava uma coligação com PSDB, PSB, PCB, PCdoB e PEB. Roriz ganhou no primeiro turno com 55,49% dos votos e o antes desconhecido Saraiva teve 20,27%.

Cristovam, sem militância partidária, foi o candidato do PT em 1994 porque ninguém no partido — e fora dele — acreditava que pudesse ganhar. Seu papel era o de ajudar os nomes mais conhecidos do PT a se eleger deputados federais e distritais. O candidato de Roriz, senador Valmir Campelo, era considerado imbatível e a dúvida era se haveria segundo turno contra a candidata do PSDB, Maria de Lourdes Abadia. Pois Cristovam é que foi para o segundo turno e derrotou Valmir.

Mas em 1998, ao tentar a reeleição, Cristovam foi derrotado por Roriz, que se reelegeu em 2002 derrotando o petista Geraldo Magela por apenas 15.778 votos. O resultado apertado aumentou a  polarização PT versus Roriz, vermelhos contra azuis, mas ela foi interrompida em 2006, quando os dois primeiros colocados foram os candidatos aberta ou veladamente apoiados por Roriz: José Roberto Arruda, eleito no primeiro turno, e Maria de Lourdes Abadia. A candidata do PT, Arlete Sampaio, ficou em terceiro lugar, em parte em decorrência do impacto do chamado “mensalão”.

A briga acirrada entre azuis e vermelhos voltou em 2010, quando Agnelo Queiroz, recém integrado ao PT, vindo do PCdoB, derrotou Weslian Roriz, lançada candidata diante do impedimento do marido, enquadrado na Lei da Ficha Limpa. Agnelo tentou a reeleição em 2014 e foi derrotado ainda no primeiro turno. Para o segundo turno foram Jofran Frejat, o vice do candidato de José Roberto Arruda, também impedido pela Ficha Limpa, e Rodrigo Rollemberg, o eleito.

Rollemberg derrotou na mesma eleição as três principais forças políticas de Brasília — Roriz, Arruda e o PT –, que agora tentam se reorganizar para enfrentá-lo em 2018. Mas nem o PT nem Roriz são mais os polos da política brasiliense. Por mais que Lula tenha votos para presidente da República, se chegar mesmo a ser candidato, e por melhor que seja o escolhido pelo PT para ser o postulante ao governo, os petistas devem se sentir satisfeitos se conseguirem manter as bancadas de três distritais e um deputado federal. Uma eleição para o Senado também é muito difícil, embora não impossível, pois o nome do candidato pode pesar mais que o partido.

O PT está desgastado duplamente em Brasília: pelo envolvimento de quadros importantes em denúncias de corrupção, nacional e localmente, e pelo desastroso governo de Agnelo Queiroz. O partido tem aqui um número significativo de eleitores fieis que o manterão no cenário político local, talvez até elegendo quatro distritais, mas não vai muito além disso.

Há outra questão a ser considerada: nenhum partido parece disposto a se aliar ao PT em 2018. Ou por divergências políticas ou por receio de a aliança ser rejeitada pelos eleitores. Isso, em si, não é ruim, pois permitirá ao PT defender com mais liberdade suas posições. E o eleitorado hoje vê como muita desconfianças as alianças meramente eleitoreiras.