Rollemberg e Frejat estão na frente, mas nada está definido e tudo pode mudar

A pesquisa reservada realizada em Brasília nos primeiros dias deste mês tem margem de erro elevada (3,5%), mas reforça algumas constatações e tendências, obtidas em outras pesquisas quantitativas e em qualitativas, a respeito da eleição para governador em 2018:

  • Apesar da alta reprovação de seu governo e de seu desempenho pessoal, e da elevada rejeição dos eleitores, o governador Rodrigo Rollemberg é forte candidato à reeleição se os candidatos, mesmo com alteração de nomes do PSol e do PT, forem os listados pelos pesquisadores. O que mais o ameaça é Jofran Frejat, mas o grande risco que Rollemberg e Frejat correm é o de surgir um candidato com o perfil desejado pelos eleitores: limpo, honesto, centrado, com experiência de gestão, capacidade de articulação e atitude e coragem para enfrentar os graves problemas de Brasília. Rollemberg, na visão dos eleitores, atende apenas aos dois primeiros requisitos: é limpo e honesto. Frejat, embora tenha vários processos por improbidade administrativa, é considerado honesto e tem imagem de bom gestor, mas pesam contra ele a percepção de ser vinculado a Arruda e Roriz — aos quais deveria obediência — e a idade.
  • A diferença entre os que aprovam o governador e seu governo (12,8%) e os que manifestam intenção de votar em Rollemberg (15,3%) é pequena, mas pode aumentar devido à sua imagem de honestidade, especialmente se Frejat não for candidato a governador. Grande parcela da população critica a gestão de Rollemberg, mas prefere o “não rouba e faz pouco” ao “rouba muito, mas faz”. Sem alternativas que considera limpas, votará pela continuidade.
  • Os demais candidatos não são necessariamente desonestos, mas precisam também parecer honestos. Por mais limpo que seja o ainda desconhecido candidato do PT, pesarão contra ele as acusações de corrupção a integrantes do partido e em especial ao ex-presidente Lula. Ibaneis Rocha, ex-presidente da OAB-DF, queimou sua imagem de outsider ao se filiar ao PMDB, liderado pelo ex-vice-governador Tadeu Filippelli, acusado de diversas irregularidades e preso recentemente em operação da Polícia Federal. Joe Valle é o presidente da desgastada e desacreditada Câmara Legislativa, e tido por muitos como protetor de distritais corruptos que mantêm seus mandatos.
  • Reguffe, em todas as pesquisas, é o mais votado para governador. Não está entre os listados porque reiteradamente declara que não será candidato — e não será mesmo –, e isso fez com que tivesse poucas intenções espontâneas, pois grande parte do eleitorado já sabe que não disputará as eleições. É, porém, o mais importante cabo eleitoral de Brasília. Quem tiver o seu apoio, sai com vantagem. Mas Reguffe não demonstra simpatia por nenhum dos nomes já lançados.
  • Os considerados maus governos de Agnelo Queiroz e Rodrigo Rollemberg — e, para muitos, também o de Cristovam Buarque — praticamente inviabilizam em Brasília a eleição de um candidato identificado com a esquerda, ou com perfil parecido ao de Agnelo e Rollemberg. Há a percepção, em boa parcela do eleitorado, de que a esquerda não sabe governar. Esse é mais um fator desfavorável a Joe Valle, que foi do PSB e é do PDT, tendo participado dos governos de Agnelo e de Rollemberg.
  • O PSol herda boa parte dos votos que iam para o PT, mas seu discurso extremamente esquerdista o coloca como partido de oposição, não como partido capaz de exercer o governo.
  • Alberto Fraga, com seu discurso conservador e de direita, tem muitos eleitores, suficientes para se eleger senador, mas é muito difícil que consiga maioria absoluta para ganhar a eleição para governador em segundo turno. O apoio de Jair Bolsonaro só reforçará isso. O eleitorado de Brasília tende a rejeitar os extremos, em favor de alguém centrado.

Em suma: o quadro para governador continua indefinido e o cenário de hoje pode mudar em função de fatos novos que surjam — e têm surgido a cada dia — e de quem serão realmente os candidatos, pois alguns dos hoje cotados poderão se lançar a outros cargos e não se deve descartar o lançamento de nomes novos e inesperados. Ou até que Rollemberg e Frejat não sejam candidatos. O quadro para a eleição presidencial também está indefinido e certamente terá influência em Brasília. Só depois de abril, quando já terá terminado o prazo para filiação partidária, é que as coisas ficarão mais nítidas.

Governo e governador são reprovados com notas 3,5 e 2,9, mas Rollemberg lidera em pesquisa

É muito grande a reprovação, pelos brasilienses, de Rodrigo Rollemberg e de seu governo. Mas o governador lidera as intenções de voto espontâneas e estimuladas, segundo pesquisa reservada realizada em Brasília nos primeiros dias deste mês. Rollemberg e os demais candidatos citados, porém, perdem feio para os votos nulos e em branco e para os que não quiseram responder em quem pretendem votar em 2018. A pesquisa, com margem de erro de 3,5%, pode não ser muito precisa — e provavelmente não é — quanto aos números, mas dá indicações sobre o que pensam hoje os brasilienses a respeito do governo e das eleições.

O governo, avaliado pelos pesquisados com notas de zero a 10, é reprovado por 58,5% (notas 0 a 3) dos brasilienses e aprovado por 12,8% (notas 7 a 10). A nota média do governo é 3,5. O governador tem os mesmos 12,8% de aprovação, mas a reprovação é maior, de 60,3%, recebendo nota média de 2,9.

Rollemberg é o mais citado espontaneamente para o governo (10,9%), seguido de Jofran Frejat (3%), Toninho do PSol e Joaquim Roriz (2,5%), Erika Kokay (2,2%), Izalci Lucas (1,8%), Alberto Fraga e Arlete Sampaio (1,6%), Reguffe (1,4%) e José Roberto Arruda (1%). Mas 64,7% dizem que não sabem ou votarão nulo ou em branco.

Quando a intenção de voto é estimulada, Rollemberg recebe 15,3% das intenções de voto, seguido de Jofran Frejat (10,6%), Toninho do PSol (7,7%), Izalci Lucas (4,8%), Arlete Sampaio e Alberto Fraga (4,6%), Joe Valle (1,3%) e Ibaneis Rocha (menos de 1%). Nulos, em branco e não sabem em quem votar somam 44,5% dos eleitores. A única rejeição expressiva é a de Rollemberg (35,8%), sendo a de Frejat de 8,3% e as demais ainda menores.

Dos nomes listados para escolha do eleitor, dois deles não se declaram candidatos: Toninho do PSol e Arlete Sampaio, do PT, que provavelmente serão candidatos a deputado distrital. Mas as intenções de voto que receberam podem dar indicações da votação que os candidatos de seus partidos poderiam ter se as eleições fossem hoje.

Na próxima nota, observações sobre o que mostra essa pesquisa.