Nova pesquisa mostra que eleição para governador está indefinida e não há certezas

A eleição para governador de Brasília continua indefinida e sem favoritos, e agora quem confirma isso é o instituto O&P, que tem credibilidade, diferentemente de outros. Uma pesquisa quantitativa, neste momento, apenas indica tendências altamente volúveis dos eleitores e teria de ser analisada a partir da série histórica, para que se possa avaliar a evolução ou involução de cada candidato. Basta ver pesquisas feitas no mês de junho em eleições anteriores para verificar as mudanças nos índices, e que levaram favoritos a sequer ir para o segundo turno e colocaram “azarões” em primeiro lugar.

O dado mais relevante da pesquisa O&P é que 49,5% dos eleitores brasilienses não têm candidato. Diante dos nomes apresentados, 40,1% não optam por nenhum deles, e a esses se somam os que não sabem ainda em quem votarão ou não responderam. Isso comprova o que mostram as pesquisas qualitativas: nenhum dos candidatos apresentados preenche, ainda que por não ser conhecido, os requisitos que os eleitores desejam para um governador: honesto, ficha limpa, distante das velhas práticas políticas, de preferência sem mandato, competente como gestor e com capacidade de articulação política.

Para esse índice elevado contribuem também, naturalmente, o desalento e a desesperança do povo, aos quais se soma o descrédito dos políticos e das instituições. Há a percepção, entre os eleitores, de que nada mudará com seus votos, pois continuarão nos executivos e legislativos os mesmos corruptos, picaretas e demagogos de sempre, que se preocuparão apenas com seus interesses pessoais e com a preservação de seus poderes e privilégios.

Se examinamos os índices dos candidatos apresentados, podemos chegar a uma conclusão simplista: haverá segundo turno entre Jofran Frejat e qualquer um dos demais. Simplista por ser resultado de uma leitura rápida e porque entre essa pesquisa e o dia das eleições haverá a definição do quadro de candidatos e coligações e, principalmente, uma campanha eleitoral. Nada do que a O&P apresenta pode ser tomado como definitivo e servir para as argumentações panfletárias do tipo “fulano é imbatível” ou “já ganhou” (há jornalistas, acreditem, que ainda recorrem ao velhíssimo recurso do “pode mandar fazer o terno da posse”), “sicrano está derrotado” ou “beltrano não tem a menor chance”.

Frejat, com 17,3% das intenções de voto, realmente apresenta hoje mais condições de ir para o segundo turno. Mas, com tanto tempo exposto, não parece ter um teto muito maior do que os índices que alcança e, como mostra a pesquisa, terá de convencer os eleitores de que a turma que o apoia, composta de presos, denunciados e condenados, não terá qualquer interferência em sua gestão. O que, em uma campanha, é difícil, mesmo tentando fazer uma maquiagem na chapa ao colocar para disputar o Senado políticos aparentemente limpos e que foram, ou se apresentavam, como de esquerda.

O governador Rodrigo Rollemberg, com escassos 9,5%, seria o concorrente natural de Frejat no segundo turno. Mas esse índice é extremamente baixo para um governante, que tem um nível de rejeição altíssimo. Todos estarão contra o governador na campanha e os demais candidatos, ainda mais com uma margem de erro de 3,1 pontos percentuais, estão na cola de Rollemberg: Eliana Pedrosa (6%), Izalci Lucas (4,7%), Paulo Chagas (4,6%), Fátima Sousa (3,1%) e Alexandre Guerra (3%). É preciso considerar que Chagas, Fátima e Guerra são praticamente desconhecidos e, embora seus partidos tenham poucos recursos, podem crescer na campanha.

Mas, paradoxalmente, também não dá para dizer que Rollemberg não tem chances. Sua situação é crítica, mas uma movimentação dos eleitores que rejeitam os candidatos que simbolizam a volta do esquema Roriz-Arruda (Frejat, Pedrosa e Izalci) ao Buriti pode levar ao “voto útil” no governador, se Chagas, Fátima e Guerra não conseguirem se colocar como alternativas reais de vitória. O PT ainda não disse quem será seu candidato. E por enquanto há um grande eleitor que se mantém em silêncio, mas que pode desbalançar o quadro para o lado que pender: o senador José Antonio Reguffe.

A eleição está aberta, não há certezas. Terão melhores chances de crescer os que se preocuparem menos com coligações a qualquer custo, tempo de TV, dinheiro e cabos eleitorais e se voltarem prioritariamente para traçar e executar as melhores estratégias, usar corretamente as redes sociais e se sair bem nos debates na televisão.

 

Prever resultado das eleições agora ainda é precipitado, imaginem em 2016

Ainda em 2016, analistas amadores e profissionais precipitados faziam especulações sobre as eleições para governador em 2018. No dia 7 de novembro de 2016 publiquei em minha coluna no Jornal de Brasília a seguinte nota, que está  no meu livro Assim é a Velha Política – http://www.heliodoyle.com.br/assimeavelhapolitica/

“Sete perguntas ainda sem respostas, entre tantas que poderiam ser feitas, mostram como é precipitado estar já agora fazendo previsões para as eleições de 2018 em Brasília:

1 – Tadeu Filippelli vai passar incólume pelas delações premiadas?

2 – Rogério Rosso será presidente da Câmara dos Deputados?

3 – Celina Leão voltará à presidência da Câmara Legislativa?

4 – Quantos e quais distritais serão denunciados pelo Ministério Público a partir da Operação Drácon?

5 – Izalci Lucas e Alberto Fraga escaparão dos inquéritos e processos contra eles?

6 – Rodrigo Rollemberg conseguirá, em um ano e meio, dar uma virada em seu governo?

7 – Os partidos à esquerda conseguirão se unir em torno de um candidato viável?”

Com exceção da pergunta 4, que é aberta, a resposta para todas as demais é “não”. Filippelli, Rosso, Celina, Izalci, Fraga e Rollemberg eram então considerados fortes candidatos ao governo. Só Izalci e Rollemberg permanecem na disputa, ambos enfraquecidos, e ainda não se sabe sequer se o deputado federal pelo PSDB será mesmo candidato ao Buriti.

Já estamos a quatro meses das eleições e o cenário ainda está confuso. Há algumas certezas, mas nem todos os candidatos foram definidos e coligações ainda estão sendo negociadas. Quem diz ou escreve que fulano está eleito, ou que sicrano é imbatível, está fazendo propaganda de candidato, não análise política. Em 2016 e agora.

 

Legislação e caciques partidários impedem a renovação e velhos políticos são eleitos

Menos de 30% dos eleitores de Tocantins votaram nos dois candidatos que vão para o segundo turno nas eleições extemporâneas para governador. Cerca de 80% dos eleitores não queria nenhum dos dois mais votados, velhos e antiquados políticos, um deles com acusações de corrupção, e que são o oposto da renovação desejada pela população. O único candidato que poderia representar essa renovação, o juiz Márlon Reis, da Rede, teve apenas 9,9% dos votos. O deputado Mauro Carlese teve 30,31% dos votos válidos e o senador Vicentinho Alves teve 22,22%.

O que ocorreu em Tocantins não é muito diferente dos resultados em eleições para prefeitos, realizadas no mesmo dia, e na também eleição extemporânea no Amazonas, no ano passado: metade dos eleitores rejeitando todos os candidatos e eleição, com minoria de votos, de velhos e, alguns, corruptos políticos tradicionais. Os dois candidatos que vão para o segundo turno em Tocantins têm, juntos, menos de 30% dos votos dos eleitores aptos (17% e 12%). O mesmo, se permanecer o quadro atual de candidatos, poderá acontecer nas eleições de outubro em Brasília.

Não é difícil entender a contradição entre os desejos dos eleitores e os resultados das urnas:

  • A legislação eleitoral aprovada pelo Congresso Nacional foi feita sob medida para beneficiar os atuais detentores de mandato e os partidos maiores, com redução dos períodos de campanha e de programa gratuitos na TV, liberação de “pré-campanha” (na qual quem tem recursos do Estado e de corporações sindicais e empresariais leva vantagem), distribuição desigual dos tempos dos programas de TV e restrição à participação de partidos pequenos em debates.
  • Os caciques dos partidos maiores prestigiam seus políticos tradicionais e impedem a apresentação de candidatos que representem a renovação, os chamados outsiders, para manter suas estruturas de poder. Uma exceção foi o PSB, que admitiu a candidatura de Joaquim Barbosa para presidente. Um exemplo contrário foi o MDB de Brasília, que filiou o advogado Ibaneis Rocha mas impediu sua candidatura.
  • Os outsiders têm de se filiar a partidos menores, que têm pouco ou nenhum tempo de televisão, poucos recursos dos fundos eleitoral e partidário e alguns sequer têm direito a participar dos debates nas emissoras de TV. A desvantagem é gigantesca, mesmo com a possibilidade de utilização das redes sociais. Esses candidatos, geralmente, não conseguem a visibilidade suficiente para ter uma boa votação.
  • Desiludido, desesperançado e sem acreditar nos candidatos e nos partidos, metade dos eleitores prefere não ir votar ou anular o voto. Em Tocantins, a abstenção foi de 30,14%, os votos nulos foram 17,13% e os em branco foram 2,66%. Total: 49,33%.
  • Os votos nulos e brancos e as abstenções, que poderiam ser carreados para a renovação, acabam beneficiando os políticos tradicionais, que se elegem com poucos votos.

Em Brasília os candidatos que fogem aos padrões da velha política estão no PSol (Fátima Souza), no Novo (Alexandre Guerra) e no PRP (Paulo Chagas). Os demais candidatos já colocados — Jofran Frejat, Rodrigo Rollemberg, Izalci Lucas, Alírio Neto, Eliana Pedrosa – são a encarnação dos velhos métodos e práticas que a maioria dos eleitores rejeita. A questão é que PSol, Novo e PRP são partidos pequenos, com poucos recursos e prejudicados pela legislação, e seus candidatos, desconhecidos do eleitorado, dificilmente terão condições de superar essas deficiências no curto período da campanha. Além do que, por estarem nos extremos do espectro político,  PSol e PRP terão dificuldades também em empolgar os eleitores hoje claramente tendendo a um perfil mais centrado.

Um candidato representativo da nova política teria chances melhores se concorresse por um partido ou coligação que lhe desse mais visibilidade perante o eleitorado. Mas, aos velhos políticos que dominam esses partidos não interessa renovação, e sim manter tudo como está. Ainda que elegendo governadores rejeitados pela maioria real dos eleitores, pois o que interessa é ganhar e manter o poder.

 

Os painéis não deveriam estar lá, mas governo só os retirou para impedir críticas do Metrópoles

Nenhum posicionamento político, ou sobre qualquer assunto, tem de ser maniqueísta, alinhado com o que os outros pensam e muito menos sintonizado com a polarização tão em voga. É verdade que tomar posições que não o colocam de modo automático em um campo ou em outro não é fácil: quem se posiciona sem alinhamento total com um dos lados sofre muitas críticas, quando não ofensas e ataques baixos, dos dois lados.

É o caso da retirada, pelo governo de Brasília — a Agefis é apenas um instrumento — dos paineis de publicidade instalados nas empenas dos prédios situados na área central do Plano Piloto. A legislação não permite e urbanistas criticam isso há anos, mas os painéis continuavam lá, impunemente, protegidos pela conivência do Executivo, omissão do Legislativo e liminares do Judiciário. Aliás, alguns juízes e desembargadores têm, ao longo da história de Brasília, sido protagonistas ativos, por incompetência ou má-fé, de agressões causadas à cidade.

Mas é óbvio que a retirada apenas agora, às vésperas da eleição, é uma ação política do governo, incomodado pelo painel do portal Metrópoles. O painel, em local de grande movimento, vinha expondo críticas ao governador Rodrigo Rollemberg e a sua gestão — o que, além de ser um direito do portal é o que fazem nove entre dez brasilienses. Como não tem como enquadrar o Metrópoles como faz com outros veículos de imprensa, algum gênio sugeriu ao governador que aproveitasse para aplicar a lei há tantos anos esquecida.

Se não fosse o painel do Metrópoles, o governo, depois de esperar três anos e meio, nada faria contra os demais. Foi, assim, uma clara ação contra a liberdade de expressão e de imprensa, cometida por um governo que recorreu por diversas vezes à Justiça para impedir que seus adversários políticos o criticassem em programas partidários no rádio e na televisão — e, o pior, que incrivelmente conseguiu decisões favoráveis a essa tese no Tribunal de Justiça do DF. E no qual um secretário dá broncas e faz ameaças a repórteres e editores quando não gosta do que publicam.

Não sou favorável aos painéis com publicidade nas empenas dos prédios e não acho que caibam comparações com outras cidades que têm desenho urbano completamente diferente do projeto do Plano Piloto. Se acham que a lei deva ser alterada, para permiti-los, que se inicie um processo de debate para que a Câmara Legislativa decida, ainda que decisões de deputados distritais sejam sempre um perigo para os brasilienses.

A atitude de retirá-los agora, porém, mostrou que o governo não quer ser criticado e está muito mal assessorado na política e na comunicação.

A “direita” se apresenta dividida agora como estratégia para se unir depois

O senador Cristovam Buarque, do PPS, preocupado com sua reeleição, anunciou hoje que estará numa chapa na qual o deputado Izalci Lucas (PSDB) será o candidato a governador. Não se falou em candidato a vice-governador e à outra cadeira do Senado que estará em disputa. Essa chapa, segundo eles, juntará também PSD (Rogério Rosso), PRB (Igreja Universal e Sara Nossa Terra) e os inexpressivos PMB, PSDC, PSC, Patriota e PSL.

Não é uma plataforma de governo, ou pelo menos diretrizes para um programa, que unem Izalci, Cristovam e esses partidos — são os interesses políticos e pessoais de cada um dos personagens envolvidos. Quem duvidar, pergunte a eles o que farão no governo. As respostas serão óbvias e demagógicas, a mesmice de sempre. Vão criticar o governo de Rodrigo Rollemberg e dizer que é preciso impedir a reeleição dele. E não passarão disso.

O lançamento da chapa Izalci-Cristovam está obviamente identificado com a candidatura a presidente do tucano Geraldo Alckmin, mas o anúncio de hoje cumpre uma estratégia combinada com o candidato Jofran Frejat, que é do PR, partido que ainda não definiu quem apoiará na eleição nacional. Os dois blocos continuarão a conversar, enquanto aguardam as definições de alianças para presidente da República, mas praticamente já acertaram a união em uma chapa que terá Frejat para governador, Izalci como seu vice e Cristovam e Alberto Fraga (ou Paulo Octávio) para o Senado. Não é à toa que não se falou em vice e na outra cadeira ao Senado. Estão fora dessa articulação, por enquanto, Alírio Neto (PTB) e Eliana Pedrosa (Podemos), ambos autoproclamados candidatos a governador.

Continuam, pois, as negociações no bloco político que tem sua origem em Joaquim Roriz e José Roberto Arruda, identificado como a “direita” em Brasília, e que agora ganhou a adesão do ex-petista e ex-pedetista Cristovam Buarque. Espera-se que eles, depois de acertarem seus projetos pessoais, digam aos brasilienses, na campanha, o que pretendem fazer no governo e no Senado.

Em tempo: o governador Rodrigo Rollemberg diz que não quis passar a impressão de que em sua visita ao senador Reguffe recebeu o apoio dele, nem “plantou” nota sobre isso em coluna. Acredito e retifico o que publiquei.

 

E lá vai Cristovam atrás de nova coligação, tudo por sua reeleição

Os políticos tradicionais de Brasília, apegados a seus interesses particulares e exercendo plenamente o que aprenderam nas escolas da velha politicagem, correm de um lado para outro procurando formar coligações para disputar as eleições de outubro. Devem estar engordando, tantos são os cafés da manhã e da tarde, almoços e jantares que fazem para dividir os cargos em disputa. Precisam simular seriedade e posar bem para as fotos que enviam para colunas e blogs amigos, tentando passar a impressão de que estão debatendo temas importantíssimos para a cidade.

Pois não estão. As discussões que fazem são em torno de pessoas, nomes. Quem vai ser candidato ao governo, quem vai para o Senado, como serão as chapas para deputado federal e deputado distrital. Nada falam de programa ou plataforma de governo, de metas, de ações. Em alguns casos, já estão loteando o “futuro” governo, definindo a quem caberão indicações, especialmente para secretarias e empresas rentáveis — acho que dá para entender para quê.

O senador Cristovam Buarque, do PPS, está fazendo um papel ridículo, correndo como barata tonta em torno de possíveis candidatos ao governo para viabilizar sua reeleição. Sem nenhuma experiência como articulador político, pois sempre teve quem articulasse para ele, tentou a farofada que juntava do PCdoB ao PRB, buscou o grupo que presumivelmente juntaria Alírio Neto (PTB) com Izalci Lucas (PSDB), agora tenta se unir a Jofran Frejat (PR). Tem de garantir sua reeleição a qualquer custo, até mesmo de sua coerência. Afinal, posa de padrão de honestidade.

Em torno de que se aliam esses políticos? De seus projetos pessoais, principalmente. Só sabem fazer o discurso fácil de que é preciso derrotar o governador Rodrigo Rollemberg e “salvar” Brasília. Rollemberg, por sua vez, dedica-se a aproveitar a estrutura de governo para fazer campanha antecipada, com muita demagogia, e também sem dizer o que fará para não repetir o mau governo por mais quatro anos. Já sabe que estão sobrando poucos partidos para apoiá-lo.

A verdade é que os velhos políticos continuam com suas práticas nefastas e não se atualizaram. Cada um cuida de seu projeto pessoal e os partidos não têm nenhum significado para eles, a não ser a sustentação financeira de suas campanhas. Não estão entendendo o que acontece no país e em Brasília e acham que o desalento da população levará o eleitor à inércia e assim se elegerão. O pior é que isso pode dar certo para eles, e errado para os brasilienses.

Em tempo: Rollemberg, em sua pré-campanha pela reeleição, visitou o senador José Reguffe em casa e divulgou texto simpático a ele. Quis passar a impressão de que Reguffe o apoia. Valeu até publicar foto de quatro anos atrás. Demagogia e enganação também são típicos da velha política.

 

 

Possibilidade de reeleição deveria acabar, para o bem do povo e dos maus governantes

A possibilidade de reeleição para presidente, governador e prefeito surgiu no Brasil, em 1997, como um casuísmo para beneficiar o então presidente Fernando Henrique Cardoso. Foi aprovada no Congresso graças à pressão dos aliados do governo e à compra de votos de parlamentares. Até então, os mandatos nos executivos eram de cinco anos, sem reeleição. Agora são de quatro anos, renováveis por mais quatro.

Há diversas propostas para acabar com a reeleição e esse poderá ser um dos temas para debate depois das eleições de outubro. Embora possa ser defendida em tese, pois a recondução do governante depende do voto popular, a reeleição tem inúmeros aspectos negativos. A começar pelo fato de que, no primeiro mandato, os presidentes, governadores e prefeitos se dedicam mais a preparar suas reeleições do que a governar efetivamente. Já tomam posse de olho nas urnas.

Ao se candidatar à reeleição, um governante já sai com grande vantagem sobre seus oponentes, mesmo que sua gestão esteja sendo um desastre. Pode nomear e exonerar, liberar (ou não) verbas, assinar (ou não) contratos, cumprir agendas eleitoreiras, fazer demagogia com dinheiro público, montar equipe disfarçada de campanha com servidores pagos pelo Estado, e aí por adiante. Tem a “máquina” e a “caneta”, como se diz na linguagem dos políticos.

Seria muito bom que acabasse a possibilidade de reeleição e os mandatos voltassem a ser de cinco anos. Bom para a democracia, para a igualdade de oportunidades entre os candidatos, para a gestão pública e para a população. E bom também para os governantes que não conseguem se reeleger, pois a derrota é um atestado público de mau governo. O então governador Agnelo Queiroz sequer passou para o segundo turno. O presidente Michel Temer dificilmente se arriscará a disputar a reeleição. O governador Rodrigo Rollemberg deveria pensar bem nisso, ainda há tempo.

Em tempo: em 1997 eu era filiado ao PT e me opus à reeleição de Cristovam Buarque — por ser contra o instituto e por considerá-lo um mau governador. Defendia, então, a candidatura da vice-governadora Arlete Sampaio. Deixei o PT em 1998, quando a candidatura de Cristovam foi definida pelos iludidos petistas que contavam com mais quatro anos de governo. A derrota foi o castigo ao oportunismo.

Ao frustrar desejo de renovação, grandes partidos se afastam ainda mais dos eleitores

A manchete de O Globo de hoje mostra uma realidade do momento político em que vivemos: “Partidos frustram demanda por renovação”. Segundo a chamada, “forças tradicionais da política e clãs regionais dominam o pleito, apesar da busca do eleitorado por caras novas”. Entre os tradicionais que disputam as eleições para governador estão 15 que disputam a reeleição e 23 senadores. Em resumo: os partidos, em sua maioria esmagadora, estão aumentando ainda mais a distância deles em relação aos eleitores. Podem ter vitórias de Pirro em outubro.

Na matéria de Silvia Amorim e Sérgio Roxo o primeiro parágrafo diz tudo:

“As forças partidárias tradicionais ignoraram a demanda popular por renovação na política e vão oferecer aos eleitores este ano os candidatos de sempre a governador. A exemplo da disputa presidencial, os outsiders — nomes de fora do mundo político profissional e tradicional — serão minoria nas disputas estaduais e vocacionados  a figurantes pelo baixo potencial competitivo”.

Isso porque os candidatos que realmente podem representar a renovação de práticas e métodos, à esquerda, no centro e à direita, estão em partidos menores ou recém-criados, como o PSol, a Rede e o Novo, que têm pouco dinheiro e estrutura, escasso tempo na TV e, alguns, sequer participarão dos debates.

A matéria cita o cientista político Carlos Melo, do Insper: “Há demanda por renovação, mas a questão é que as regras do nosso sistema político não foram renovadas.” Outro cientista político, Sérgio Praça, da FGV, coloca como fator limitativo o custo das campanhas, que pode ser arcado apenas por partidos grandes, justamente os que preferem manter os velhos políticos como candidatos. Melo diz que “nas oligarquias partidárias, política tem fila”. A divisão dos recursos dos fundos partidário e eleitoral, pelos partidos, tende a beneficiar quem já tem mandato.

Brasília é uma demonstração de que a velha política está predominando nas eleições para governador. Dos possíveis candidatos colocados até agora, a maioria representa as oligarquias e os métodos tradicionais e antiquados de governar e fazer política: Jofran Frejat (PR), Alirio Neto (PTB), Izalci Lucas (PSDB), Wanderley Tavares (PRB) e Rodrigo Rollemberg (PSB). De novidade, até agora, há apenas Fátima de Souza (PSol), Alexandre Guerra (Novo) e o general Paulo Chagas (PRP), cada um em seu campo ideológico.

Além de não saberem interpretar as pesquisas e entender a realidade, os grandes partidos estão ignorando que Brasília é uma cidade com dois milhões de eleitores que têm alto grau de educação e informação e estão distribuídos em um território pequeno. Não é difícil que deem, em outubro, um basta à velha politicagem.

 

Preparem-se para o aumento do índice de demagogia dos velhos políticos

Há uma característica da velha política da qual pouco se fala: a demagogia. Velhos políticos são demagogos e sentenciam que não tem futuro quem não é. Afirmação que até tem razão de ser, já que a maioria dos políticos usa e abusa desse recurso para ganhar apoios e eleitores. E, se são eleitos e reeleitos, é porque a demagogia está dando certo. Por isso, o índice de demagogia aumenta assustadoramente em períodos eleitorais.

Sem aprofundar conceitos políticos e filosóficos e o significado que a palavra demagogia teve no passado distante e tem agora, demagogo é o político que mente, distorce, engana e faz promessas que não cumprirá. O demagogo diz as palavras que as pessoas querem ouvir, mesmo que não concorde com elas, ou usa seus atributos oratórios para seduzir os ouvintes com jogos de palavras e afirmações vazias. E também assume posturas e comportamentos que não são seus, mas que lhe parecem ser convenientes.

O objetivo do político demagogo é agradar e manipular, e assim reforçar sua posição mediante a enganação — por palavras ou pela ação. O vice-governador Renato Santana, por exemplo, deu hoje uma aula de demagogia, ao dizer em uma solenidade que o governador Rodrigo Rollemberg o rejeita porque é negro e mora na Ceilândia. Por mais críticas que tenhamos ao governador, inclusive por atos de demagogia explícita, os preconceitos em função da cor da pele e do local de moradia não estão entre seus defeitos. A demagogia, seguramente, é uma característica marcante de Renato Santana e de seu mentor intelectual, o deputado Rogério Rosso.

Mas os exemplos de demagogia são inumeráveis: discursar contra a corrupção estando envolvido na Drácon ou outras operações, defender aumentos salariais para servidores públicos mesmo sabendo que não há dinheiro para isso, inaugurar obras inacabadas e campinho de futebol com claque paga com dinheiro público. É demagogia também ser batizado em igreja evangélica quando se é católico, e se fingir de católico quando se é ateu. Ou mostrar números falsos ou fora do contexto para dizer que algo positivo aumentou ou algo negativo diminuiu — como rede de atenção básica à saúde e número de crimes, ou coisas assim. Aprovar projeto de lei sabendo que é inconstitucional é demagogia típica de distritais. E é demagogia, claro, prometer tarifas de ônibus a um real em campanha eleitoral.

Os eleitores brasilienses estão mais informados, mais atentos e mais indignados. A maioria não se deixa mais ser facilmente enganada pelos políticos demagogos e inescrupulosos e por promessas que não se cumprirão. A demagogia faz muito mal à população quando os demagogos são eleitos.

 

 

O que eu digo sobre minha filiação ao PDT

Reproduzo entrevista que dei ao jornalista João Negrão, do blog Repórter Brasil Central –http://www.reporterbrasilcentral.com.br/2018/04/08/nao-excluo-a-possibilidade-de-ser-candidato-afirma-helio-doyle/

O jornalista Hélio Doyle acaba de se filiar ao PDT. Foi no último sábado (7), prazo final para as filiações partidárias para quem desejar concorrer às eleições deste ano. Apesar disso, Doyle não confirma que será candidato. “Não penso em ser candidato, mas também não excluo a possibilidade, caso seja um projeto do PDT”, disse. Ele afirma que foi para o PDT para colaborar com o partido, como elaborar o projeto da legenda para Brasília e na campanha do ex-ministro Ciro Gomes ao Palácio do Planalto. Eu conversei com ele no início da noite deste domingo. Confira a breve entrevista:

Por que você decidiu se filiar ao PDT? Vai ser candidato?

Eu tomei a decisão de não trabalhar profissionalmente nesta campanha para governador porque fui coordenador da campanha do Rodrigo [Rollemberg] e não me sentiria bem trabalhando agora contra ele. Tenho de fazer uma espécie de quarentena, como fiz em 1998, não trabalhando contra Cristovam Buarque. Mas eu disse ao Rodrigo e a todos os possíveis candidatos que me procuraram que poderia “trabalhar” como militante, por um candidato com o qual tivesse afinidade. O George Michel, presidente do PDT, me convidou para participar da elaboração do projeto do partido para Brasília, independentemente de quem seja o candidato a governador. Pediu-me também que colaborasse na campanha do Ciro Gomes.

Mas há a possibilidade de você ser candidato?

O George Michel sugeriu que eu me filiasse no prazo para a eventualidade de ser candidato. Não penso em ser candidato, mas também não excluo a possibilidade, caso seja um projeto do PDT.

Qual cargo? Especula-se que você possa concorrer para governador.

Há muitos anos não milito em partido, mas quando milito me integro a um projeto. Se o partido achar importante, posso ser candidato a qualquer função, ou a nenhuma. Não é uma decisão individual. Acho fundamental que o PDT tenha um candidato a governador, para a campanha de Ciro. Sempre disse que todos os partidos que têm candidato a presidente devem lançar candidatos ao governo.

Como você analisa o atual quadro político do paísHá quem acredite que possa até não haver eleições?

Não haver eleições será um golpe maior e mais grave do que o golpe parlamentar que derrubou Dilma. Não acredito que cheguemos a esse ponto. O quadro é grave, mas as eleições podem ser uma tentativa de buscarmos um governo legítimo e que nos traga estabilidade.

Como você avalia o governo de Rollemberg?

Se 80% da população desaprova o governo de Rollemberg, não pode ser um bom governo. É um governo que tinha tudo para ser o melhor que já tivemos, mas é muito ruim. Rollemberg errou ao não saber dialogar com a população, ao manter relações espúrias com a Câmara, ao não ter capacidade de gestão para assegurar o desenvolvimento e os serviços básicos apesar da carência financeira, ao manter práticas antiquadas de governo e de fazer política.