Roberto Jefferson e Valdemar Costa Neto querem “espaços de poder” em Brasília

Duas lamentáveis e corruptas figuras da política brasileira estão por trás de dois dos pré-candidatos a governador de Brasília: os ex-deputados e ex-presos Roberto Jefferson e Valdemar da Costa Neto. O candidato de Jefferson, poderoso chefão do PTB, é o ex-deputado distrital Alírio Neto. Valdemar, capo do PR, apoia o ex-deputado federal Jofran Frejat. Ambos prometem que seus candidatos terão muito dinheiro para gastar em suas campanhas, graças aos recursos públicos dos fundos partidário e eleitoral.

Toda a expectativa de renovação da política brasiliense pode se frustrar diante da legislação eleitoral que foi descaradamente aprovada pelo Congresso justamente para impedir a renovação. Os maiores partidos, todos envolvidos em acusações de corrupção, terão mais dinheiro para a campanha, mais tempo nos horários gratuitos no rádio e na televisão e garantia de que seus candidatos participarão dos debates promovidos pelas emissoras.

Será uma batalha desigual. Partidos que não terão candidatos a presidente disporão de mais recursos para aplicar em campanhas estaduais, e é isso que farão o PTB e o PR. Afinal, seus dirigentes — ou melhor, donos — precisam ter onde comandar estruturas estatais que lhes garantam contratos e empregos. Por isso incentivam Alírio e Frejat a se manterem na disputa. Caso um deles não vá para o segundo turno, terá mais cacife para negociar com um dos candidatos e assegurar os falados “espaços de poder” — leia-se, dinheiro e cargos.

Terão também condições favoráveis na disputa o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) e os candidatos, se houver, do PSDB (quem se coloca é o deputado Izalci Lucas), do DEM (deputado Alberto Fraga), do PDT (deputado distrital Joe Valle) e do PT (que ainda não definiu o candidato). Também não estará mal, se continuar candidato, o ex-senador Valmir Campelo, do PPS.

Em grande desvantagem estão os dois únicos pré-candidatos já definidos que realmente representam uma renovação positiva no espectro político brasiliense: o liberal Alexandre Guerra, do Novo, e a socialista Fátima de Sousa, do PSol. Guerra é empresário, Fátima é professora universitária, e nunca disputaram um mandato eletivo. Guerra, pela direita, e Fátima, pela esquerda, poderão ganhar eleitores descontentes com a velha política e com as práticas corruptas que enredam os demais pré-candidatos (todos os já lançados são velhos políticos, nem todos corruptos, ressalve-se).

O quadro político, porém, continua indefinido e muitos movimentos ainda acontecerão até o prazo para a filiação partidária e para a realização das convenções. Muita coisa pode mudar e quem apostar desde já corre o risco de perder tudo.

PS: a preguiça leva jornalistas a chamarem partidos políticos de “siglas”, o que não faz o menor sentido, mas se generalizou — como tantas outras bobagens adotadas pelo jornalismo nacional. Há palavras que podem evitar a repetição de “partido”: legenda, agremiação, organização. Ah, não cabem no título… Então tá.

O governador vai a São Paulo, mas sua agenda esconde

A agenda pública do governador Rodrigo Rollemberg cita um único compromisso hoje: às 19h, divulgação do balanço do BRB. Mas o governador e o secretário de Comunicação foram a São Paulo para almoçar com diretores da Rede Record, a emissora da Igreja Universal do Reino de Deus. Passaram praticamente todo o dia fora de Brasília.

É óbvio que uma viagem do governador para outra cidade, ainda mais custeada com dinheiro do Estado, tem de estar na agenda pública. Mas transparência e informação não são exatamente uma preocupação dos que seguem a velha política e a velha comunicação.

 

Uma história banal: o secretário apertou o governador — “ou ela ou eu” — e a subsecretária foi demitida

Perguntam-me por que a subsecretária de Publicidade, Thiara Zavaglia, foi demitida pelo governador Rodrigo Rollemberg e o que isso significa para o governo. Acho natural que perguntem: Thiara já trabalhava com Rollemberg no Senado, foi peça importante do núcleo de comunicação na campanha eleitoral que coordenei e comandava a publicidade do governo desde o início do mandato, quando eu era o responsável pela comunicação. Sua queda, é claro, surpreendeu.

Ninguém espera que os veículos de imprensa contem a história além do mero registro, pois quase todos dependem da verba publicitária do governo e temem a caneta de quem armou a queda de Thiara — o secretário de Comunicação, Paulo Fona. Que, ignorando uma das características do líder, detesta a ideia de ter a seu lado alguém mais competente que ele. Outra característica de um líder, aliás, é não gritar histericamente com subordinados, ofendê-los e constrangê-los com frases como “não perguntei sua opinião”.

Os motivos para a demissão da subsecretária de Publicidade são claros: o secretário tem agora o campo totalmente livre para fazer o que quiser na área, pode ajudar os amigos e executar, sem críticas que ferem sua extrema vaidade e afloram sua forte insegurança, as práticas e métodos da velha e superada comunicação governamental da qual é adepto.

Thiara, por diversas vezes, impediu que o secretário fizesse o que a lei e as normas não permitem e mostrou os erros de comunicação e de técnica publicitária que seriam cometidos (e muitos foram) caso prevalecessem as ideias dele. Um dos últimos choques entre eles foi porque os executores do contrato de publicidade, corretamente, notificaram uma das agências contratadas por não estar pagando em dia seus fornecedores. Como se sabe, o secretário, antes de assumir o cargo, trabalhava nessa agência — o que deveria impedi-lo de exercer a função na secretaria contratante.

Embora tivesse de se submeter às ordens do chefe, Thiara era a derradeira resistência no governo à velha comunicação, irmã da velha política. Era a última integrante da equipe que montei, em 2015, com a disposição e talento para superar os antigos e ultrapassados manuais da comunicação governamental e executar políticas e ações sintonizadas com os novos tempos que vivemos e com a — hoje se sabe enganosa — promessa do governador de ter atitude para mudar. Essa equipe foi mantida pelos  antecessores do secretário, mesmo tendo diferenças de opiniões com o último deles, mas desmontada desde que ele assumiu o posto. Apenas Thiara havia ficado, talvez pela ligação antiga com Rollemberg, pela confiança que ele tinha nela ou porque o secretário pouco entende de publicidade. Mas desde os primeiros momentos no cargo já se armava a queda dela.

O governador Rodrigo Rollemberg durante muitos meses viu a movimentação do secretário para derrubar a subsecretária e nada fez para impedir o desgaste: nem mediava a situação nem ousava, no limite, demitir um dos dois. Parecia acreditar piamente nas mentiras, fofocas e versões que o secretário lhe levava para queimar a subsecretária, mas mesmo assim a mantinha no cargo. Foi preciso muita insistência de alguns amigos que conhecem bem o modo de agir do secretário para que Rollemberg finalmente ouvisse o que Thiara tinha a dizer. Ouviu há duas semanas e até pareceu entender a situação artificial criada pelo secretário, mas acabou cedendo ao ultimato “ela ou eu”.

 

 

 

 

 

Três anos de mesmo do mesmo no metrô velho e obsoleto

Em 2015 uma composição do metrô parou na via e centenas de passageiros saíram caminhando pela ferrovia, antes que fosse desligada a energia de 750 V C/C. Preocupados, dois especialistas em transporte que já haviam trabalhado no metrô procuraram o governador Rodrigo Rollemberg e o alertaram para o risco da situação, pois poderia ter havido muitos mortos. Rollemberg pediu que eles conversassem com o presidente da Companhia do Metropolitano, Marcelo Dourado, que os recebeu. Nessa reunião e posteriormente em uma carta, eles mostraram a Dourado, ponto a ponto e em linguagem técnica, problemas que viam no metrô. “Não pode o GDF esperar uma catástrofe de imensas proporções”, avisaram.

Na avaliação desses técnicos, o metrô passava por uma crise extrema que exigia ações rápidas e profundas. O sistema, velho e tecnologicamente obsoleto, tinha de ser imediatamente recuperado e revitalizado. Isso foi em 2015, e de lá para cá praticamente nada foi feito, a não ser algumas ações pontuais. Por várias outras vezes o governador foi alertado, mas nada acontecia. Agora, depois do descarrilamento, já se noticia que o metrô de Brasília tem a média de um problema no funcionamento a cada cinco dias.

É normal que a operação do metrô seja altamente deficitária e por isso subsidiada pelos cofres públicos, e é notório que o Estado tem baixíssima capacidade para investir no sistema. Mas é exatamente isso que deveria fazer o governo realizar um diagnóstico técnico profundo e qualificado sobre o metrô, levantando os problemas reais e a partir daí propondo soluções viáveis para assegurar não só o seu bom funcionamento, com eficiência, conforto e segurança, como também o aumento da demanda — que, certamente, não será estendendo a linha em Samambaia, como equivocadamente vai fazer a atual gestão.

O atual governo teve três anos para cuidar do metrô, mas se omitiu, aceitou “soluções” simplistas e corporativistas e deixou que a situação, que já era muito ruim, piorasse. Muitas promessas foram feitas, quase nada se realizou. Felizmente, nos dois incidentes mais graves, não houve vítimas.

 

Não há favoritos quando 65% dos eleitores não querem votar em nenhum dos postulantes

Muitos perguntam quem é o favorito, ou quem vai ganhar as eleições para governador em outubro. Quem responder proferindo o nome de um possível candidato pode ser classificado em uma dessas situações: 1) simpatiza ou trabalha para esse candidato; 2) nada entende de política e de eleições; 3) está isolado do mundo e não vê o que acontece à sua volta; 4) é astrólogo, vidente ou exerce atividades assemelhadas.

Não há favorito e muito menos algum candidato, em Brasília, no qual se possa apostar na vitória. Na verdade, não se sabe sequer quem serão mesmo os candidatos. Muitos se colocam para a disputa pelo governo, mas alguns deles acabarão nas listas para o Senado ou para as câmaras. Os únicos que podem ser considerados já definidos por seus partidos são os ainda desconhecidos Alexandre Guerra, do Novo, e Paulo Chagas, do PRP, mas até as convenções partidárias tudo pode mudar.

Dentre os postulantes ao Buriti, Jofran Frejat e Rodrigo Rollemberg se destacam à frente dos demais, mas com números nada expressivos em se tratando de um governador e um político que foi candidato ao governo em 2014. Algo como 14 entre 100 eleitores brasilienses com Frejat, nove entre 100 com Rollemberg. E, o que é significativo, 65 eleitores entre 100 sem ter candidato, pensando em se abster, anular o voto ou digitar a opção de voto em branco.

Depois do prazo de filiação partidária (7 de abril) e da realização das convenções (entre 20 de julho e 5 de agosto) é que o quadro de candidatos estará mais definido e as pesquisas quantitativas terão mais consistência. Mas mesmo assim ainda será cedo para fazer previsões, pois a curta campanha eleitoral (propaganda só a partir de 16 de agosto, com 35 dias para as inserções e programas no rádio e na TV) sem financiamento empresarial promete ser diferente das anteriores e surpresas podem ocorrer. A eleição começará a ser definida em setembro.

Voltando à pergunta: se permanecerem os candidatos até agora falados, a tendência é a disputa entre Frejat e Rollemberg, que terão mais votos por exclusão  — tipo no menos ruim, de acordo com o ponto de vista — do que por opção. E um elevado número de abstenções, votos nulos e em branco. Isso, porém, ainda não os torna favoritos.

O potencial favorito, mesmo, é um personagem que ainda não surgiu na cena eleitoral brasiliense ou ainda não se revelou: um candidato honesto, ficha limpa, que não seja político “profissional” e demonstre ter competência para governar e capacidade de articulação política e com a sociedade para fazer uma boa gestão. E que, com posições centradas, ofereça alternativas que fujam de posições extremadas. São os eleitores que estão dizendo isso.

Se esse personagem surgir no palco, o cenário muda e pode ficar mais interessante.

 

 

Rollemberg pensa que consegue enganar alguém ao propor eleições de administradores em 2022

É preciso ser ingênuo, burro ou nada conhecer sobre os políticos para acreditar no ridículo motivo dado pelo governador Rodrigo Rollemberg ao justificar a demora de três anos para apresentar o projeto instituindo eleições diretas para administrador regional. A versão apresentada por ele: antes de fazer as eleições é preciso realizar concurso para contratar servidores de carreira para as administrações regionais, hoje repletas de funcionários de livre provimento — leia-se, apadrinhados por deputados distritais, outros políticos e amigos dos governantes. E o concurso não foi ainda realizado porque a Lei de Responsabilidade Fiscal impedia.

Fico imaginando se essa desculpa esfarrapada foi bolada pelo governador ou por algum de seus assessores mais próximos, para saber quem é que faz pouco da nossa inteligência. É muito bom que sejam contratados servidores concursados para trabalhar nas administrações regionais, acabando assim com o notório cabide de emprego no governo e exemplo do toma lá dá cá que prevalece na gestão de Rollemberg. Mas a impossibilidade de realizar o concurso não impedia que o projeto fosse apresentado há muito tempo.

Tanto não impedia que com um ano e quatro meses de governo um projeto semelhante foi enviado à Câmara Legislativa. Naquela ocasião, nem se falou na importância de ter servidores de carreira nas administrações. O projeto do governo era muito ruim em todos os aspectos e previa que as eleições diretas seriam realizadas com o pleito de 2018. Foi retirado e só agora foi apresentada a nova versão, marcando as eleições para 2022 — ou seja: mesmo que fosse reeleito, Rollemberg não teria de conviver com os administradores eleitos diretamente.

Tudo isso mostra que o projeto só está sendo apresentado para que o governador possa dizer que cumpriu sua promessa de campanha e tenha uma explicação — ainda que fajuta e ridícula — por ter demorado mais de três anos para propor a medida que só será aplicada cinco anos depois. Como se alguém fosse cair na esparrela eleitoreira e oportunista.

Seria bom que a Câmara Legislativa recusasse esse projeto e deixasse essa decisão para os próximos legisladores. É preciso discutir com mais profundidade e abrangência, com a sociedade, o papel, a estrutura e o grau de autonomia das administrações regionais, a composição e funcionamento dos conselhos comunitários e se eleições diretas de administradores são mesmo o melhor método para democratizar o processo, aumentar a participação popular no governo e acabar de vez com as nefastas práticas da velha política executadas pelos governos anteriores e continuadas pelo atual.

 

 

Nem Rollemberg nem distritais têm legitimidade agora para propor eleições nas administrações

A Câmara Legislativa pode prestar dois grandes serviços aos brasilienses, ainda que essa não seja sua prática rotineira: manter o veto do governador Rodrigo Rollemberg ao projeto do deputado Chico Vigilante que estabelece eleições e mandatos de quatro anos para os administradores regionais; e rejeitar liminarmente o projeto do governador estabelecendo que os administradores serão eleitos diretamente a partir de 2022.

São dois projetos oportunistas, demagógicos e nocivos para Brasília. A discussão sobre o assunto é importante e o processo de nomeação de administradores regionais deve mudar, mas não em ano eleitoral, sem debate com a população e com governador e distritais em fim de mandato. Essa discussão tem de ser levada à sociedade e não pode se limitar ao método de escolha dos chefes das administrações regionais — é muito mais profunda.

O governador levou três anos e um mês para apresentar o projeto de eleição direta dos administradores, promessa feita pelo então candidato Rodrigo Rollemberg. Nesses três anos usou as administrações como moeda para negociatas políticas com distritais, entregando a eles a indicação dos administradores e dos ocupantes de cargos comissionados. Não teve qualquer preocupação com a eficiência das gestões e com a boa prestação de serviços à população. Agora, no fim da gestão, apresenta o projeto para não dizer que não cumpriu a promessa eleitoral. Mas para vigorar em 2022…

Em 16 de maio de 2016 escrevi em minha coluna no Jornal de Brasília:

“A participação da comunidade na escolha de administradores regionais é fundamental. O que não pode é continuar o velho sistema de sempre: as administrações entregues a deputados distritais e a outros políticos como moeda de troca. A sociedade, por isso, tem de discutir intensamente qual a melhor maneira de assegurar essa participação da comunidade. Já que o Distrito Federal não tem municípios e prefeituras, a fórmula a ser adotada terá de ser inovadora.”

” O primeiro debate tem de ser sobre o que deve ser uma administração regional, qual o seu papel, como deve se organizar, como se relaciona com as secretarias e empresas públicas e que território deve abarcar. Esse, obviamente, precede a discussão sobre a eleição do administrador.” (ambos os trechos estão em meu livro Assim é a Velha Política)

Nem os distritais no último ano da legislatura nem o governo no último ano de mandato têm legitimidade para estabelecer o que vigorará para os futuros ocupantes da Câmara Legislativa e do Buriti. Esperaram três anos, um ano a mais não fará diferença. Podem continuar com o toma lá dá cá até dezembro.

 

Louca cavalgada em busca de coligações… Para quê? Pode ser para nada

As eleições de outubro, no Brasil e em Brasília, ocorrerão em um ambiente político e social diferente do que existia em pleitos anteriores, e com novidades na legislação eleitoral que criam situações novas para candidatos e eleitores. As consequências disso são imprevisíveis, ainda mais porque as indefinições ainda são grandes. As referências mais próximas são as eleições municipais de 2016 e as eleições extemporâneas para governador, no Amazonas, em 2017.

Parece, porém, que os políticos que se colocam como possíveis candidatos a cargos majoritários em Brasília não estão entendendo esse novo cenário. Há exceções, claro, mas são muitos os políticos continuam raciocinando como se estivéssemos em 2006, 2010 ou 2014. O tempo está passando na janela e eles não estão vendo, absorvidos ainda por velhas fórmulas e velhos paradigmas eleitorais.

A busca desenfreada por coligações partidárias é uma das consequências dessa visão equivocada. Não que a soma de partidos não tenha vantagens: aumenta o tempo de programas e inserções na televisão e no rádio e, para usar a linguagem eleitoral, oferece mais “estrutura” e “capilaridade” aos candidatos. A questão é até que ponto, no atual quadro, vale a pena formar coligações que o eleitorado identifica com a velha politicagem para obter tempo de TV e rádio. Pode ser melhor estar sozinho do que mal acompanhado.

As movimentações de possíveis e candidatos e partidos em busca de alianças a todo custo só provocam a rejeição dos eleitores. “Já está se juntando para nos ferrar”, “os bandidos estão se unindo”, “o que este partido tem a ver com aquele?”, “olha os ladrões unidos” são algumas das frases, com ligeiras variações, ditas pelos eleitores quando veem as notícias e imagens das farofadas políticas e das reuniões de políticos que parecem mais os célebres jantares da cosa nostra.

Esses políticos valorizam excessivamente os horário gratuitos, como se ainda não existisse internet e não houvesse uma clara tendência à queda de audiência. Não que tempo no rádio e na TV não seja importante, mas tudo indica que isso não será decisivo na eleição em Brasília, um território pequeno com apenas dois milhões de eleitores. A rigor, quem realmente precisa de horário gratuito será, para se defender, o governador Rodrigo Rollemberg, óbvio alvo de todos os demais candidatos.

Dois casos nas eleições municipais devem ser lembrados, ambos em metrópoles: Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Alexandre Kalil foi para o segundo turno em Belo Horizonte com apenas 20 segundos na TV e no rádio, enquanto seu opositor, João Leite, tinha 2 minutos e meio – ou 150 segundos. Kalil juntou três partidos pequenos (PHS, PV e Rede), João Leite era apoiado por PSDB, DEM, PPS e PP. No segundo turno, com tempo igual para os dois, Kalil venceu.

Marcelo Freixo, do PSol, coligado com o PCB, foi para o segundo turno, no Rio, com 11 segundos de tempo. Disputou e perdeu para Marcelo Crivela, que tinha três partidos coligados  (PRB, PTN, PR) e 1 minuto e 11 segundos. Ambos foram para o segundo turno derrotando quatro candidatos com tempo maior que os deles: Pedro Paulo (PMDB e mais 15 partidos), 3´30; Jandira Feghalli (PCdoB e PT), 1´27; Indio da Costa (PSD, PMB, PSB), 1´24; Carlos Osório (PSDB, PPS), 1´16.

Pode de nada adiantar ficar juntando partidos em busca de muito tempo na TV, “estrutura” e “capilaridade”. Essa eleição, provavelmente, não será como aquelas que passaram em 2014, 2010, 2006…

 

 

Roriz e Arruda nada fizeram. O TCDF avisou. Paulo Tadeu protelou. Agnelo e Rollemberg ignoraram

Demagogia e oportunismo são características da velha política e dos velhos políticos. Esses dois ingredientes, como era inevitável, estão presentes em muitos dos discursos, comentários e entrevistas que têm sido feitos a respeito do desabamento do viaduto no Eixão Sul. Tenta-se “faturar” politicamente o desastre, especialmente para desgastar, em ano eleitoral, o governador Rodrigo Rollemberg e sua gestão. Da parte de políticos, há poucas análises e avaliações sérias e muita retórica vazia.

Tanto o governador quanto seus auxiliares responsáveis pela área têm, sim, responsabilidade pelo que ocorreu. As obras em pontes e viadutos deteriorados e que são riscos para as pessoas não foram priorizadas e não mereceram a atenção necessária. Faltou ao governador reconhecer publicamente esse grave erro, antes de anunciar as tardias medidas posteriores ao desastre. Um governante tem de ter coragem de se autocriticar. Faltou também anunciar uma rigorosa e rápida investigação interna para apurar as responsabilidades, mesmo tendo o diretor do Departamento de Estradas de Rodagem, Henrique Luduvice, sido corretamente demitido.

As pontes e viadutos, porém, não estariam na situação em que estão se os governos anteriores tivessem se preocupado em fazer a manutenção e os reparos necessários. Por isso caem na vala da demagogia e do oportunismo as críticas vindas de políticos que estão e estiveram profundamente vinculados aos ex-governadores Joaquim Roriz, José Roberto Arruda e Agnelo Queiroz. Todos eles optaram por fazer novas obras — que rendem mais popularidade e, como se tem visto, muito dinheiro — e desprezaram as reformas que prejudicariam o trânsito e poderiam causar aborrecimentos à população.

Não tem muito sentido também a exaltação ao Tribunal de Contas do Distrito Federal. A pedido do Ministério Público de Contas, em 2011, os técnicos do tribunal realmente fizeram um ótimo trabalho de levantamento dos problemas nas pontes e viadutos. O governo da época, de Agnelo Queiroz, foi alertado para os riscos, mas pouco fez, a ponto de ser repreendido pelo tribunal. O TCDF, porém, enredou-se em seu formalismo burocrático e não tomou medidas eficazes para exigir dos governos de Agnelo e de Rollemberg a realização das obras. Ficou no cômodo “eu avisei…”

E tem mais: em 19 de fevereiro de 2014 o conselheiro Paulo Tadeu pediu vistas do processo, impedindo sua tramitação. Tadeu só o devolveu no dia 10 de outubro de 2014, dizendo, em poucas linhas, concordar com o voto do relator, Renato Rainha. Passou quase oito meses com o processo na gaveta. Tadeu, antes de assumir a cadeira no TCDF, era deputado pelo PT e secretário de Governo de Agnelo. Pediu vistas no ano eleitoral, quando Agnelo disputava a reeleição, e devolveu o processo cinco dias depois da votação em primeiro turno. Mera coincidência?

 

 

 

 

Dinheiro para manutenção de pontes e viadutos tem, o que faltou e falta é priorizar

Um relatório de auditores do Tribunal de Contas do DF, de 2011, alertou o governo sobre o péssimo estado de viadutos e pontes em Brasília. Em alguns, como o que desabou parcialmente hoje, a necessidade de reparos era considerada urgente. Antes de o TCDF se manifestar vários engenheiros já haviam avisado, pela imprensa, que a população corria riscos devido à falta de manutenção de vias de grande movimento. Mas nem o governo anterior, de Agnelo Queiroz, nem o atual, de Rodrigo Rollemberg, cuidaram do viaduto no início do Eixão Sul.

Rollemberg, em pífia entrevista coletiva, informou que fez o serviço em alguns viadutos, mas não todos, pois não tinha recursos nos três primeiros anos de gestão, corroborando a desastrada fala do diretor do Departamento de Estradas de Rodagem, Henrique Luduvice, que justificou a sua omissão com falta de dinheiro. O governador disse que o governo gastou R$ 67 milhões na reforma de pontes e viadutos, como se isso fosse um grande feito.

Não há desculpa nem para Rollemberg nem para Agnelo, e os conselheiros do TCDF deveriam ser chamados a explicar porque nada fizeram diante da desatenção dos governadores às recomendações de seus auditores. Mas se os engenheiros, pelo menos desde o início deste século, e o tribunal, em 2011, constataram a falta de manutenção, a responsabilidade vem de longe: os governadores anteriores – especialmente José Roberto Arruda e Joaquim Roriz — também não cuidaram das pontes e viadutos. Se tivessem se preocupado com a manutenção, elas não chegariam à situação apontada no relatório. Espera-se que o ex-vice-governador Tadeu Filippelli, que durante 15 anos comandou direta ou indiretamente a Secretaria de Obras em três governos, não venha a fazer demagogia às custas do desabamento.

Quanto à alegada falta de dinheiro, vale uma comparação, ainda que com as devidas limitações: os donos de um imóvel são alertados por especialistas de que a casa está com problemas em algumas vigas e corre o risco de desabar. A reforma vai ser cara, mas os proprietários têm o dinheiro para realizá-la. Eles preferem, porém, gastar em outras coisas. Consertam uma das vigas e deixam as outras para depois, pois querem construir um novo salão, promover festas, comprar carro novo, pagar um professor particular para os filhos e por aí vai. Acontece que um dia uma das vigas não resiste e há o esperado desmoronamento. Felizmente ninguém estava em casa na hora, mas a família poderia ter morrido.

Pois é: não haveria riscos e desabamentos se este governo e os anteriores tivessem aplicado na manutenção de pontes e viadutos o dinheiro que gastaram em residências oficiais e outras mordomias, carros oficiais, inaugurações e eventos eleitoreiros, publicidade ufanista, carnaval de rua, eventos pretensamente “culturais” para agradar distritais, remuneração de servidores comissionados inúteis indicados por deputados, alugueis dispensáveis, viagens de secretários e outros servidores ao exterior e coisas assim. Sem falar no gasto com megalomanias lucrativas (para alguns) como o estádio para 70 mil pessoas.