Não chore pelo PSD, governador. Em 2018 talvez seja melhor estar só que mal acompanhado

O velho ditado “antes só que mal acompanhado” não é bem visto pelos políticos, com pouquíssimas exceções. O senso comum é de que sozinho um candidato ou partido não ganha eleições, e isolado ninguém consegue governar. É preciso fazer alianças, coligações e coalizões. As exceções são os partidos que, por posições ideológicas ou saber que não têm chances de vitória, preferem disputar as eleições sem se misturar aos demais.

Depois da eleição presidencial de 1989, disputada por 22 candidatos, os partidos passaram a buscar a coligação com o maior número possível de legendas, especialmente para aumentar o tempo nos programas e inserções gratuitos no rádio e na televisão. Quanto mais partidos coligados, mais tempo. Além disso, a soma de estruturas partidárias — dinheiro, material, cabos eleitorais, lideranças — possibilita mais presença e visibilidade dos candidatos na campanha.

Em 2018, porém, talvez seja diferente. O eleitorado, como mostram as pesquisas qualitativas (que a maioria dos políticos e jornalistas, pelo jeito, não leem, e se leem não entendem) está farto da política, dos políticos e dos partidos. Não acredita em mais ninguém e sequer nas instituições. Mal humorado e desesperançado, devido à crise econômica, aos péssimos serviços prestados pelo Estado e aos sucessivos casos de corrupção, o eleitor repudia as práticas que identifica com politicagem e demagogia.

Por isso é bem possível que, assim como têm rejeitado as movimentações de políticos tradicionais para formar alianças para 2018, badaladas em textos e fotos por colunas e blogs como isso os ajudasse, os eleitores prefiram votar em candidatos e partidos que não se unam por interesses apenas eleitoreiros, muitas vezes descaracterizando-se. Dá para arriscar dizer que, diferentemente do que acontecia em eleições anteriores, o maior tempo na televisão provavelmente não compensará a formação das chamadas alianças espúrias. Afinal, agora temos as redes sociais.

Pode ser que não seja assim e que em 2018 prevaleça a força das coligações. Mas, de qualquer maneira, o governador Rodrigo Rollemberg não deve lamentar o rompimento do PSD com seu governo. O partido de Rogério Rosso e Renato Santana — assim como o Solidariedade de Augusto Carvalho e Sandra Faraj — entrou na coligação em 2014 para dar mais tempo de TV a Rollemberg e Reguffe. Nada mais.

O PSD levou mais problemas e ônus ao governo do que benefícios e bônus. Nada fez de útil para a população. Eleitoralmente, pouco representa. Com o líder maior, Gilberto Kassab, acusado de corrupção, o tempo de TV que tem não vale a má companhia. Nesse caso, é melhor mesmo estar só que mal acompanhado.