A péssima novela joevalleana do PDT agora só acompanho, felizmente, como jornalista

Publiquei ontem meu primeiro artigo sobre as eleições para o Metrópoles (http://www.metropoles.com/ponto-de-vista/a-desistencia-de-frejat-ainda-e-uma-historia-malcontada ). Desde 1986 é a segunda eleição em Brasília que acompanho apenas como jornalista, sendo que, na verdade, em 1998 acompanhei apenas como cidadão, pois era editor de Mundo do Correio Braziliense, sem qualquer envolvimento com as questões locais. A eleição que acompanhei mais de perto nesse ano foi na Alemanha, onde já havia feito a cobertura das eleições de 1976 para a Rede Globo.

Para evitar conflitos de interesse e questionamentos quanto à minha isenção ao escrever para o Metrópoles, desfiliei-me do PDT.  Mas, na verdade, nada mais tinha a fazer nesse partido, ao qual havia me filiado em 7 de abril com o propósito declarado de ser candidato a governador. Dois dias antes o deputado distrital Joe Valle havia anunciado que desistia de sua candidatura ao governo de Brasília, alegando razões familiares e empresariais. Há pelo menos uma semana eu já ouvia os rumores de que isso aconteceria e comentei com diversas pessoas, entre as quais o distrital Chico Leite. Valle deixou claro, ao renunciar, que só aceitaria a candidatura ao Senado na chapa encabeçada por Jofran Frejat.

A ideia ao me filiar, defendida ou apoiada por pessoas ligadas ou não ao partido — entre os quais seu presidente, George Michel — era de que eu substituísse Valle, já que parecia óbvio, diante da história e das posições políticas do PDT, que seus dirigentes e militantes insistiriam em uma candidatura própria ao governo, especialmente tendo em vista assegurar palanque local a Ciro Gomes, e não admitiriam uma aliança com a chapa que representava os interesses do bloco de centro-direita liderado por José Roberto Arruda e Tadeu Filippelli.

Minha candidatura, como se comprovou poucos dias depois em conversas com seus dirigentes, poderia ter o apoio da Rede, do PCdoB, do PPL e do PT. A coligação com os petistas, porém, foi rejeitada liminarmente pelo presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, em conversa que tivemos na presença de George Michel. Em duas conversas com Lupi, aliás, verifiquei que ele analisava o cenário eleitoral em Brasília com base na visão distorcida, equivocada e interessada de Valle. Disse isso a ele, que retrucou: “Então só você está certo?” Respondi que certamente não só eu, mas que eu estava certo, sim. E Valle, errado.

Na verdade, a maioria dos membros da executiva regional do PDT apoiava as tentativas de Joe Valle de se abrigar na chapa de Frejat. Essa posição tinha respaldo em alguns filiados, como pude verificar em grupo de Whatsapp que reunia os pré-candidatos. Um deles, por ingenuidade ou, mais provavelmente, por ignorância, admitiu o fisiologismo ao dizer que estar com o grupo de Frejat garantiria, mesmo diante de uma derrota de Valle, o controle pelo partido de secretarias das áreas sociais e da cultura. Para eles, a eleição de Frejat estava garantida.

Valle conseguiu, com a conivência de Lupi — que provavelmente queria ganhar tempo para definir as alianças nacionais de Ciro Gomes — adiar sucessivamente os prazos que pedia para chegar a um entendimento com o grupo de Frejat. Isso levou filiados que queriam a candidatura própria e rejeitavam coligações com Frejat e Rollemberg, a formar um grupo que, no mesmo dia em que foi anunciado, passou a ser reprimido por alguns membros da executiva, que chegaram a ameaçar pré-candidatos de não serem aprovados na convenção.

Nos dois meses e meio em que estive filiado ao PDT fui convidado para uma só reunião, de pré-candidatos, na qual repetidamente a poderosa secretária-geral do partido dizia que não estávamos ali para discutir política, mas para receber instruções de advogados e contadores. Participei de outra reunião, mas essa solicitada pelo grupo defensor da candidatura própria: pudemos pelo menos defender nossa posição diante do presidente, da poderosa secretária-geral e de dois membros da executiva que acumulam essas funções com a de funcionários de Joe Valle.

Esperava encontrar no PDT um ambiente favorável ao debate político, à análise de conjuntura, à formulação de um programa de governo. Esperava poder expor minhas posições e defendê-las, em discussões francas e distantes do ambiente de agressões e intolerância que vivemos, especialmente nas redes sociais. Em um clima de democracia interna, aceitaria disciplinadamente, como é da minha formação política desde os tempos de militância na Ala Vermelha, as decisões que fossem tomadas.

O que vi, porém, foi um partido em que não há debate, em que nada se faz sem a aprovação de Carlos Lupi e dominado localmente por um grupo de seguidores do distrital Joe Valle, que colocou o partido em função de seus interesses e de seu projeto político pessoal. Eu e outros participantes do grupo de pré-candidatos fomos dele excluídos pela poderosa secretária-geral porque manifestávamos nossas posições e ela, coerente com sua natureza burocrática e autoritária, dizia que ali não era lugar para isso. Não dizia, claro, onde poderíamos debater.

Como Valle, depois de quase três meses mantendo o PDT imobilizado, não conseguiu se alojar na chapa de Frejat,  inventou-se um motivo para ele ficar menos mal: a presença do deputado Alberto Fraga na coligação. Criou-se o discurso de que o PDT não poderia estar ao lado de Fraga, por divergências ideológicas e políticas. Na verdade essa foi uma falsa justificativa para o fracasso, construída quando já se sabia que o projeto de Valle não daria certo.

Depois que a aliança com a direita gorou, e quando eu já havia anunciado que não seria candidato, Valle e sua turma passaram a defender ferrenhamente a candidatura própria, mas apenas para tentar impedir que uma possível aliança nacional do PDT com o PSB pudesse levar o partido a apoiar a reeleição do governador Rodrigo Rollemberg. Lançaram às pressas o ex-deputado Peniel Pacheco como candidato ao governo, mais uma vez sem qualquer debate interno, e Valle se dispôs a ser candidato ao Senado, voltando atrás do que havia afirmado inúmeras vezes, inclusive a mim: a única hipótese que admitia era ser candidato na chapa de Frejat.

Tenho forte desconfiança de que o lançamento da chapa Peniel-Valle não é para valer, mas posso estar errado e esse assunto agora só me interessa como colunista do Metrópoles. Vou acompanhar os desdobramentos, felizmente, apenas como jornalista.

 

 

Aliança com Frejat pode até ser boa para Joe Valle, mas é ruim para o PDT, para Ciro e para candidatos a deputado

O Metrópoles publicou hoje uma entrevista que dei ao jornalista Caio Barbieri — www.metropoles.com/distrito-federal/politica-df/alianca-entre-pdt-e-frejat-so-beneficia-joe-valle-diz-helio-doyle. Como é natural, nem tudo o que eu disse foi publicado, por isso vou detalhar mais, aqui, o que penso sobre o assunto. A entrevista está focada basicamente em dois pontos: minha crítica à postura adotada no PDT pelo deputado distrital Joe Valle, presidente da Câmara Legislativa, e minha decisão de não pleitear a candidatura a governador pelo partido. Serei direto, claro e transparente, mas não há como resumir em poucas linhas.

Antes do prazo final para filiação partidária (uma das aberrações da legislação eleitoral brasileira, mas esse é outro assunto), fui convidado para ingressar na Rede e recebi uma sondagem para me filiar ao Novo. Tive muitas conversas e reuniões com membros da Rede e dois encontros, muito bons, com o candidato do Novo ao governo, Alexandre Guerra. Militantes e dirigentes da Rede admitiam a possibilidade de eu ser candidato do partido ao governo, embora não contassem com o apoio do grupo majoritário, liderado pelo deputado distrital Chico Leite.

No dia seguinte ao anúncio de que Joe Valle tinha desistido da candidatura ao governo, já véspera do prazo final para filiação, tive um encontro com o presidente regional do PDT, George Michel, e conversei com outros integrantes do partido. Dessas conversas surgiu a ideia de me filiar ao PDT com dois objetivos — trabalhar pela eleição de Ciro Gomes e participar da elaboração de um programa de governo para Brasília — e uma possibilidade: ser candidato ao governo, já que Valle havia desistido.

Michel e eu concordamos em que nem o PDT assumia o compromisso de que eu seria candidato nem eu assumia o compromisso de ser candidato. Ele deixou claro também que poderia haver outros nomes para a disputa pelo governo. Antes de assinar a ficha de filiação, disse a Michel que precisava de duas informações: se havia alguma possibilidade de Valle voltar a ser candidato ao governo e de o PDT fazer alianças com o grupo de Frejat. A resposta foi “não” às duas questões.  Eu disse que não apoiaria as candidaturas de Joe e de Frejat ao governo, por motivos diferentes, que posso explicar em outro texto.

Na segunda-feira seguinte à filiação tive uma conversa com Valle, que repetiu para mim o que havia dito publicamente: ou seria candidato ao Senado na chapa de Frejat ou não seria candidato a nada. Eu disse a ele que teria as mesmas chances de ser eleito se fosse candidato ao Senado em uma chapa do PDT, e perguntei se não admitia ser candidato a deputado federal, pois o partido precisa fazer uma boa bancada na Câmara. Ele respondeu que não.

Na semana seguinte à minha filiação sugeri a Michel e à secretária-geral, Eroídes Lessa, que a executiva formasse um grupo para iniciar a elaboração de um programa de governo. Esse grupo, do qual eu me propus a participar, iria se reunir com as zonais do partido e com entidades da sociedade civil para recolher subsídios. Eroídes, que já havia dito que discordava de minha candidatura, desestimulou-me, falando sobre as dificuldades em debater com as zonais. A ideia, claro, não foi para a frente.

Tive, logo depois que me filiei, uma conversa com o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, na presença de Michel. Fiz uma análise sobre o quadro eleitoral em Brasília, nada diferente do que tenho escrito, e sobre as possibilidades que via para uma candidatura própria do PDT ao governo, que teria o apoio da Rede, do PCdoB e do PPL, com possibilidades de ampliação. Ele disse que concordava, mas que tinha de dar tempo a Valle, para que ele revisse sua decisão. O prazo era de uma semana, mas foi sendo sucessivamente adiado —  agora até 30 de junho.

Tive, três semanas depois, nova conversa com Lupi, também com a presença de Michel, e reiterei minhas opiniões: o PDT tinha condições de lançar candidato ao governo, formar alianças e ir para o segundo turno, com grandes possibilidades de ser vitorioso. A aliança com Frejat não traria nenhum ganho eleitoral ou político ao partido, a seu candidato Ciro Gomes e aos que disputariam as eleições para deputado federal e deputado distrital. Informei a Lupi que tinha me reunido com dirigentes da Rede, do PCdoB e do PPL, que tinham assegurado a formação de uma coligação na qual eu seria candidato ao governo e Chico Leite ao Senado. Contei também que tinha sido procurado por dirigentes do PT, que sondaram a possibilidade de uma aliança ainda no primeiro turno.

Nesses dois meses e meio em que estou no PDT participei de apenas uma reunião no partido, de pré-candidatos, em meados de maio. Não havia me declarado pré-candidato, mas fui convidado e não iria rejeitar a primeira possibilidade de participar de algo. Nessa reunião, Valle informou que a executiva havia dado a ele prazo até 15 de junho para entrar na chapa de Frejat. Contestei a decisão, na forma e no conteúdo, propondo que o assunto fosse debatido pelos filiados e não apenas pelos dirigentes — entre os quais funcionários da Câmara Legislativa, subordinados ao presidente da casa. Fui rechaçado por alguns dos presentes e recebi apoio de outros. Assim que acabou a reunião mandei mensagem a Valle sugerindo que conversássemos. Reiterei a proposta várias vezes, sem sucesso.

Depois dessa reunião é que formamos um grupo para articular a defesa da candidatura própria. Alguns integrantes foram ameaçados, outros hostilizados. Propusemos que os dirigentes nos ouvissem e que fosse aberto um debate amplo no partido, sem sucesso. Resolvemos procurar os distritais do partido. O deputado distrital Reginaldo Veras nos recebeu e se manifestou contra a aliança com Frejat, mas o deputado distrital Cláudio Abrantes apareceu meia hora depois do horário marcado para a reunião e nos deixou esperando por mais uma hora, até que desistimos e fomos embora. A executiva deu mais 15 dias para Valle fechar a aliança com Frejat, prolongando a novela que vem desde a primeira semana de abril. A proposta de uma plenária de militantes para discutir o tema foi rejeitada.

Por tudo isso é que digo que a maioria da executiva regional do PDT, sem debater com os filiados e de forma autoritária, está cometendo um grave erro ao abrir mão de uma candidatura ao governo de Brasília e de liderar uma coligação de centro-esquerda com grandes possibilidades de vitória. Erra mais ainda ao aceitar a participação na chapa liderada por Jofran Frejat, articulada por José Roberto Arruda, Tadeu Filippelli e Valdemar Costa Neto, entre outros, e que simboliza a volta ao governo dos grupos políticos que tanto mal fizeram a Brasília e foram duas vezes derrotados, em 2010 e 2014.

O lançamento de um novo candidato pelo PDT, depois da desistência de Joe Valle, deveria ter sido imediato, no máximo em maio. As protelações inviabilizam, na prática, a candidatura própria. O partido perde uma grande oportunidade por se submeter aos interesses pessoais e políticos de Valle e do grupo que ele lidera. Mas sobre isso escreverei em uma próxima postagem.

 

 

 

 

 

 

 

Prever resultado das eleições agora ainda é precipitado, imaginem em 2016

Ainda em 2016, analistas amadores e profissionais precipitados faziam especulações sobre as eleições para governador em 2018. No dia 7 de novembro de 2016 publiquei em minha coluna no Jornal de Brasília a seguinte nota, que está  no meu livro Assim é a Velha Política – http://www.heliodoyle.com.br/assimeavelhapolitica/

“Sete perguntas ainda sem respostas, entre tantas que poderiam ser feitas, mostram como é precipitado estar já agora fazendo previsões para as eleições de 2018 em Brasília:

1 – Tadeu Filippelli vai passar incólume pelas delações premiadas?

2 – Rogério Rosso será presidente da Câmara dos Deputados?

3 – Celina Leão voltará à presidência da Câmara Legislativa?

4 – Quantos e quais distritais serão denunciados pelo Ministério Público a partir da Operação Drácon?

5 – Izalci Lucas e Alberto Fraga escaparão dos inquéritos e processos contra eles?

6 – Rodrigo Rollemberg conseguirá, em um ano e meio, dar uma virada em seu governo?

7 – Os partidos à esquerda conseguirão se unir em torno de um candidato viável?”

Com exceção da pergunta 4, que é aberta, a resposta para todas as demais é “não”. Filippelli, Rosso, Celina, Izalci, Fraga e Rollemberg eram então considerados fortes candidatos ao governo. Só Izalci e Rollemberg permanecem na disputa, ambos enfraquecidos, e ainda não se sabe sequer se o deputado federal pelo PSDB será mesmo candidato ao Buriti.

Já estamos a quatro meses das eleições e o cenário ainda está confuso. Há algumas certezas, mas nem todos os candidatos foram definidos e coligações ainda estão sendo negociadas. Quem diz ou escreve que fulano está eleito, ou que sicrano é imbatível, está fazendo propaganda de candidato, não análise política. Em 2016 e agora.

 

Candidatura de Frejat se fortalece e a farofada política-ideológica pode ser ainda maior

Só os rótulos separam os dois grandes blocos de partidos que tentam impedir a reeleição do governador Rodrigo Rollemberg: embora se apresentem como dois grupos com diferenças políticas e ideológicas, os principais líderes de ambos querem mesmo é estar juntos nas eleições de outubro. O problema maior que têm é como acomodar tantos postulantes em uma só chapa.

Um bloco, chamado de direita, reúne PR (Jofran Frejat), MDB (Tadeu Filippelli), PSDB (Izalci Lucas), PTB (Alírio Neto) e DEM (Alberto Fraga). Outro, uma farofada político-ideológica, junta Cristovam Buarque (PPS), Joe Valle (PDT), Rogério Rosso (PSD) e as legendas de esquerda PCdoB e PPL. Navegando entre ambos, mas próximos de Rollemberg, estão o PRB, o PV e o Pros.

O bloco de “direita” parece se encaminhar para uma chapa com Frejat para governador, um vice do MDB, indicado por Filippelli, e Fraga para o Senado, ficando outra candidatura a senador a ser definida. O candidato a governador do outro bloco seria Joe Valle, com Cristovam tentando a reeleição para o Senado. Valle e Cristovam, porém, têm o desejo de estar na chapa de Frejat, como candidatos a vice-governador e senador, respectivamente. Rosso também gostaria de estar, como candidato a deputado federal ou vice-governador, na chapa liderada por Frejat.

A Frejat agrada a ideia de ampliar seu espectro, mas ele não tem como deixar de fora os aliados históricos do tronco Roriz-Arruda. Como a prioridade do MDB é eleger Tadeu Filippelli para a Câmara dos Deputados, para esse partido não seria tão complicado, mas a Fraga e a Alírio não agrada essa composição heterodoxa. Não seria muito estranho, porém, que nas atuais circunstâncias as cadeiras no Senado fossem disputadas, na mesma chapa, por Cristovam e Fraga.

Todo o castelo que está sendo armado pelos caciques partidários de Brasília pode ruir quando os partidos definirem seus candidatos a presidente da República. Afinal, embora irrelevante eleitoralmente em termos nacionais, Brasília não estará à margem da disputa presidencial.

Joe Valle, Cristovam, Rosso e o pântano político que montaram em busca de Frejat

Não dá para levar a sério a farofada partidária montada pelo senador Cristovam Buarque (PPS), pelo deputado federal Rogério Rosso (PSD) e pelo deputado distrital Joe Valle (PDT) com o objetivo de impedir a reeleição do governador Rodrigo Rollemberg (PSB). Até porque crescem as desconfianças de que o pântano político liderado pelos três tem como objetivo tirar Jofran Frejat da órbita da “direita” e tê-lo como candidato ao governo.

O relato do jornalista Caio Barbieri, do Metrópoles, sobre a reunião que o grupo fez na terça-feira mostra bem esse pântano em que estão se metendo PPS, PSD, PDT, PCdoB, PPL e Pros, e que em sua última reunião teve a presença do PR e do PSDB — que estavam também na reunião que o deputado federal Alberto Fraga (DEM) promoveu no dia seguinte em sua casa, como resposta, e da qual participaram ainda o PMDB e o PTB.

Barbieri mostra que o jogo de cena montado na reunião de terça para dar ideia de unidade foi desmascarado pelos próprios participantes, que não conseguiram esconder suas divergências. O presidente do PR, Salvador Bispo, por exemplo, questionou a ausência de “lideranças importantes”, provavelmente se referindo a Alberto Fraga, ao ex-vice-governador Tadeu Filippelli (PMDB) e ao ex-deputado Alírio Neto (PTB). Rosso tentou justificar: “Neste primeiro momento, separamos um grupo de temperamento mais ameno”. E completou: “Todos serão convidados, sem vetos”. O deputado Raimundo Ribeiro (PPS) disse que ali não cabiam “preconceitos”.

Para mostrar que não quer se juntar a esse grupo, Fraga, que não tem temperamento ameno, marcou uma reunião para o dia seguinte, e lá estavam Jofran Frejat (PR), Alírio Neto (PTB), Filippelli e o deputado federal Izalci Lucas (PSDB). Esse grupo, com raízes rorizistas e arrudistas e que Fraga chama de “direita”, mantém alguma coerência política e ideológica e se divide porque Frejat, Fraga, Alírio, Izalci e Ibaneis Rocha, do PMDB, se dizem pré-candidatos a governador.

Já a farofada juntou partidos de esquerda e centro-esquerda (PCdoB, PPL e PDT) com legendas de centro-direita e direita (PSDB, PPS, PSD, PR e Pros). Izalci, presidente do PSDB, esteve nas duas reuniões, enquanto a outra ala de seu partido, liderada por Maria de Lourdes Abadia, participa do governo de Rollemberg. O PR mandou seu presidente para a reunião da farofada, mas seu candidato, Frejat, só foi à casa de Fraga. O Pros, do deputado federal Ronaldo Fonseca, estava lá mas não esconde sua proximidade com o governador. O deputado Raimundo Ribeiro é notoriamente simpático ao grupo rorizista-arrudista.

A direita e a farofada têm grandes divergências entre elas e internas. Só o que as une é derrotar Rollemberg. A direita tem vários pretendentes ao governo, entre os quais Frejat. Que,  pelo jeito, está na mira da farofada.

 

 

Contra Rollemberg: primeiro a gente se junta, depois a gente resolve o que vai fazer de diferente

Partidos políticos são instituições em decadência, por vários motivos: perderam a representatividade, são poucos os que ainda têm identidade e princípios ideológicos, a maioria existe para fazer negócios que beneficiam seus “donos”, muitos de seus membros importantes são acusados de corrupção e daí por adiante. A legislação cartorial brasileira exige que para ser candidato um cidadão esteja filiado a um partido — uma clara violação do direito que todos têm de eleger e serem eleitos, pois o postulante tem de ultrapassar muitas barreiras para ser lançado candidato pelo partido.

Os partidos políticos podem se reerguer e conquistar um papel importante na vida política do país, e é desejável que isso aconteça. Mas seus líderes deveriam então se preocupar em adotar novas práticas e métodos políticos, mais adequados ao tempo em que vivemos, e não em persistir em velhas e antiquadas fórmulas. Como, por exemplo, a de formar alianças sem discussão programática e unindo forças que nada ou pouco têm uma com a outra, apenas por oportunismo político ou para beneficiar uma ou outra candidatura.

Uma aliança de partidos disparatados pode ocorrer em situações de guerra, calamidade ou algo que leve à necessidade do que comumente se chama de “governo de salvação nacional”. Justifica-se quando a situação é caótica e só a união das forças políticas, por um prazo determinado, pode mudar o quadro. Alianças, em situações normais, não precisam ser entre os iguais, e comportam forças diferentes ideologicamente. Mas há um limite para as diferenças e as alianças têm de se basear em uma plataforma comum para cumprir objetivos claramente determinados.

A tentativa do senador Cristovam Buarque (PPS) e do distrital Joe Valle (PDT) de formar um bloco unindo PCdoB, PDT, Rede, PV, PPS, PDS e PRB para disputar as eleições de outubro não explica a que vem. O que pode unir esses partidos, pelo que se sabe, é apenas impedir a reeleição do governador Rodrigo Rollemberg e do candidato do bloco de partidos e políticos de centro-direita e de direita. Assim como essa turma, oriunda da raiz rorizista-arrudista e que reúne Jofran Frejat, Tadeu Filippelli, Ibaneis Rocha, Alberto Fraga, Alírio Neto, Izalci Lucas e outros, fala apenas em tirar Rollemberg do Buriti, sem apresentar um só item programático.

Para justificar a união em blocos heterogêneos, coloca-se como objetivo fundamental impedir a reeleição. Não se diz à população o que será feito diferente — e não valem generalidades como melhorar a gestão e torná-la mais eficiente. Na verdade, essas coligações sem princípios são montadas apenas para melhorar as chances de candidatos, majoritários ou proporcionais, e passam à população a ideia de conchavos politiqueiros à margem dos eleitores.

Basta dar uma passada rápida pelos partidos que Cristovam e Joe querem juntar para verificar as discrepâncias. Com margem de erro, da esquerda para a direita:

  • PCdoB: aliado tradicional do PT, comunista sem sectarismos, lançou Manoela D´Ávila como candidata a presidente da República. Não participou do governo de Rollemberg e faz oposição a Michel Temer.
  • PDT: integrou a coligação que elegeu Rollemberg e seu governo, tendo rompido no ano passado. Tem Ciro Gomes como candidato a presidente e também faz oposição a Temer. O deputado Joe Valle coloca-se como candidato a governador.
  • Rede: também integrou a coligação e participou do governo até final de 2017. É contra Temer. Marina Silva é a candidata a presidente e o distrital Chico Leite apresenta-se como candidato ao governo ou ao Senado.
  • PV: o deputado distrital Israel Batista comanda uma secretaria do governo de Rollemberg e tem vários cargos na administração, assim como o presidente Eduardo Brandão, que já se ofereceu para ser o candidato a vice do governador.
  • PPS: o partido alinha-se ao governo de Michel Temer e nunca participou da gestão de Rollemberg. O senador Cristovam Buarque quer ser candidato a presidente da República, mas não tem apoio interno (a tendência é coligar-se ao PSDB) e pode tentar uma terceira eleição para o Senado. Entre os quadros do PPS estão os distritais Celina Leão e Raimundo Ribeiro, acusados de corrupção e fortes opositores do governador,e o ex-senador Valmir Campelo.
  • PSD: aliado de Temer, foi da coligação que elegeu Rollemberg, indicando o vice-governador, e participou do governo até 2017. O deputado federal Rogério Rosso foi um dos mais próximos aliados de Eduardo Cunha e teve apoio do hoje presidiário para disputar a presidência da Câmara.
  • PRP: o partido da Igreja Universal do Reino de Deus apoia Temer, participa do governo de Rollemberg e o distrital Julio César é da base aliada ao governo. Seu dirigente Wanderley Tavares, porém, se coloca como candidato ao governo.

Os articuladores do bloco que vai do PCdoB ao PRB deveriam se lembrar do que houve na eleição de 1990: juntaram-se PDT, PSDB, PSB, PCB, PCdoB e PEB para apoiar a candidatura ao governo do então senador Maurício Corrêa, o mais votado em 1986. Essa grande coligação lançou o senador Pompeu de Sousa para a reeleição. O PT, sozinho, lançou o desconhecido médico Carlos Saraiva e Saraiva para o governo e o professor Lauro Campos para o Senado.

Nessa eleição, Joaquim Roriz elegeu-se no primeiro turno (55,49%), Saraiva ficou em segundo (20,27%) e Corrêa apenas em terceiro (14,28%). Valmir Campelo, da chapa de Roriz, elegeu-se senador (47,27%), o petista Lauro Campos ficou em segundo (34,13%) e Pompeu de Sousa (7,38%) ainda ficou em quarto, atrás de Lindbergh Cury, do PMDB (9,60%).

 

Rollemberg e Frejat estão na frente, mas nada está definido e tudo pode mudar

A pesquisa reservada realizada em Brasília nos primeiros dias deste mês tem margem de erro elevada (3,5%), mas reforça algumas constatações e tendências, obtidas em outras pesquisas quantitativas e em qualitativas, a respeito da eleição para governador em 2018:

  • Apesar da alta reprovação de seu governo e de seu desempenho pessoal, e da elevada rejeição dos eleitores, o governador Rodrigo Rollemberg é forte candidato à reeleição se os candidatos, mesmo com alteração de nomes do PSol e do PT, forem os listados pelos pesquisadores. O que mais o ameaça é Jofran Frejat, mas o grande risco que Rollemberg e Frejat correm é o de surgir um candidato com o perfil desejado pelos eleitores: limpo, honesto, centrado, com experiência de gestão, capacidade de articulação e atitude e coragem para enfrentar os graves problemas de Brasília. Rollemberg, na visão dos eleitores, atende apenas aos dois primeiros requisitos: é limpo e honesto. Frejat, embora tenha vários processos por improbidade administrativa, é considerado honesto e tem imagem de bom gestor, mas pesam contra ele a percepção de ser vinculado a Arruda e Roriz — aos quais deveria obediência — e a idade.
  • A diferença entre os que aprovam o governador e seu governo (12,8%) e os que manifestam intenção de votar em Rollemberg (15,3%) é pequena, mas pode aumentar devido à sua imagem de honestidade, especialmente se Frejat não for candidato a governador. Grande parcela da população critica a gestão de Rollemberg, mas prefere o “não rouba e faz pouco” ao “rouba muito, mas faz”. Sem alternativas que considera limpas, votará pela continuidade.
  • Os demais candidatos não são necessariamente desonestos, mas precisam também parecer honestos. Por mais limpo que seja o ainda desconhecido candidato do PT, pesarão contra ele as acusações de corrupção a integrantes do partido e em especial ao ex-presidente Lula. Ibaneis Rocha, ex-presidente da OAB-DF, queimou sua imagem de outsider ao se filiar ao PMDB, liderado pelo ex-vice-governador Tadeu Filippelli, acusado de diversas irregularidades e preso recentemente em operação da Polícia Federal. Joe Valle é o presidente da desgastada e desacreditada Câmara Legislativa, e tido por muitos como protetor de distritais corruptos que mantêm seus mandatos.
  • Reguffe, em todas as pesquisas, é o mais votado para governador. Não está entre os listados porque reiteradamente declara que não será candidato — e não será mesmo –, e isso fez com que tivesse poucas intenções espontâneas, pois grande parte do eleitorado já sabe que não disputará as eleições. É, porém, o mais importante cabo eleitoral de Brasília. Quem tiver o seu apoio, sai com vantagem. Mas Reguffe não demonstra simpatia por nenhum dos nomes já lançados.
  • Os considerados maus governos de Agnelo Queiroz e Rodrigo Rollemberg — e, para muitos, também o de Cristovam Buarque — praticamente inviabilizam em Brasília a eleição de um candidato identificado com a esquerda, ou com perfil parecido ao de Agnelo e Rollemberg. Há a percepção, em boa parcela do eleitorado, de que a esquerda não sabe governar. Esse é mais um fator desfavorável a Joe Valle, que foi do PSB e é do PDT, tendo participado dos governos de Agnelo e de Rollemberg.
  • O PSol herda boa parte dos votos que iam para o PT, mas seu discurso extremamente esquerdista o coloca como partido de oposição, não como partido capaz de exercer o governo.
  • Alberto Fraga, com seu discurso conservador e de direita, tem muitos eleitores, suficientes para se eleger senador, mas é muito difícil que consiga maioria absoluta para ganhar a eleição para governador em segundo turno. O apoio de Jair Bolsonaro só reforçará isso. O eleitorado de Brasília tende a rejeitar os extremos, em favor de alguém centrado.

Em suma: o quadro para governador continua indefinido e o cenário de hoje pode mudar em função de fatos novos que surjam — e têm surgido a cada dia — e de quem serão realmente os candidatos, pois alguns dos hoje cotados poderão se lançar a outros cargos e não se deve descartar o lançamento de nomes novos e inesperados. Ou até que Rollemberg e Frejat não sejam candidatos. O quadro para a eleição presidencial também está indefinido e certamente terá influência em Brasília. Só depois de abril, quando já terá terminado o prazo para filiação partidária, é que as coisas ficarão mais nítidas.

Os erros que unem Ibaneis e Rollemberg

O advogado Ibaneis Rocha, que aparecia nas especulações como possível candidato outsider ao governo de Brasília, por não ser político profissional, filiou-se ao PMDB de Tadeu Filippelli e Michel Temer, e pretende aglutinar os partidos da chamada “direita”, todos envolvidos em falcatruas.

O governador Rodrigo Rollemberg, que é muito mal avaliado como gestor e tem forte rejeição do eleitorado, anunciou aliança com o PSDB e inventou uma secretaria inútil e cheia de cargos comissionados para a tucana Maria de Lourdes Abadia fazer política com dinheiro público.

Ibaneis perdeu a chance de ser o fator novo nas eleições de 2018. Rollemberg reforçou sua imagem de político tradicional.  Ambos, certamente, têm tido acesso a pesquisas qualitativas e quantitativas que mostram o humor dos eleitores, são bem informados e conversam com gente de todos os segmentos sociais.

Não dá, assim, para entender como podem cometer erros políticos tão óbvios e grosseiros.

A direita de Brasília quer voltar ao poder, mas tem a cara da velha política

A polarização entre os azuis rorizistas e os vermelhos petistas marcou a política brasiliense desde a primeira eleição para governador, em 1990, mas em todas as elas houve uma terceira via, que só foi vitoriosa em 2014, com Rodrigo Rollemberg. Derrotados, os antigos azuis procuram agora se reorganizar e articular uma candidatura ao governo que lhes devolva o poder exercido de 1990 a 1994 (com Joaquim Roriz), de 1998 a 2010 (com Roriz, José Roberto Arruda e Rogério Rosso) e, parcialmente, de 2011 a 2014, com a dobradinha Agnelo Queiroz – Tadeu Fillippelli. O então vice-governador comandava as rentáveis áreas de obras, energia, águas e, nos últimos dois anos, publicidade do governo de Agnelo.

O ex-governador Joaquim Roriz é o tronco que gerou os ex-azuis, aqueles a quem se convencionou chamar de direita no espectro político brasiliense. Desse tronco vieram os ex-governadores Arruda e Rosso, o polivalente Tadeu Filippelli (que esteve nos governos de Roriz, de Arruda e de Agnelo, sendo o responsável pela eleição indireta de Rosso) e os que se colocam como possíveis candidatos ao governo em 2018: Jofran Frejat, Izalci Lucas, Alírio Neto e Alberto Fraga. Veio também Valmir Campelo, ex-senador e ex-ministro do TCU, agora filiado ao PPS.

O ideal do grupo é montar uma chapa única para enfrentar Rollemberg e quem mais vier. Não será nada fácil, pois a origem comum não significa unidade de pensamento, de interesses e de prioridades. O tucano Izalci, por exemplo, nega-se a admitir unidade se não for em torno dele. Filippelli era o mais cotado no grupo para se candidatar ao governo, mas as várias denúncias de irregularidades — as já apresentadas e as que ainda serão — o tiraram do jogo. Rosso tentou se colocar para o governo ao disputar duas vezes a presidência da Câmara dos Deputados, mas se esvaziou ao errar na estratégia. Além disso, só não foi preso com Arruda, Agnelo e Filippelli, no caso do estádio superfaturado, por ter foro privilegiado.

Frejat, Izalci e Fraga tem seus inquéritos e processos. Mas esse não é o maior problema deles: é a profunda identificação que têm com a velha política e com os partidos tradicionais, todos sofrendo pesadas acusações de corrupção contra vários de seus integrantes. Não há processo contra Alírio Neto, do PTB, mas o partido é comandado por Roberto Jefferson, um dos expoentes da corrupção no Brasil. De um jeito ou de outro, até pelo passado deles, a velha política está impregnada em todos.

O candidato aparentemente mais bem situado para representar esse grupo é Frejat. Apesar de responder a muitos processos por improbidade administrativa, não carrega a imagem de corrupto. A seu favor, tem a experiência política como deputado de vários mandatos e o trabalho realizado como secretário de Saúde em anos passados, quando a população era menor, havia mais dinheiro para gastar e a fiscalização e ingerência do Ministério Público e do Tribunal de Contas eram praticamente nenhuma.

Contra Frejat  há principalmente dois fatores: a idade avançada, “problema” mais facilmente superável na campanha, e sua vinculação a Roriz e Arruda. Foi candidato a vice-governador de ambos e, em 2014, substituiu Arruda como candidato ao governo, devido ao impedimento do titular. Para grande parte do eleitorado, Frejat tem a imagem de “pau mandado” de Arruda — o que é bom para um tipo de eleitor, hoje minoritário, mas muito ruim para outro.

O advogado Ibaneis Rocha, que se lançou candidato embora ainda não tenha partido, ora se identifica com esse grupo da chamada direita, ora aparece como alternativa para o PDT. Pode ser uma saída para os ex-azuis, como outros ditos outsiders, ou seja, pessoas sem passado e vinculação político-partidária explícita. Parte dos azuis já pensou em outros nomes, como o de José Humberto Araújo, ex-secretário de governo de Arruda, que não teria aceitado o desafio.

Essa direita tem seu eleitorado, dispõe de recursos financeiros para a campanha e pode se aproveitar da onda de conservadorismo pela qual passa o país. Vai fazer o discurso de que a esquerda não sabe governar e realizar, e citará os exemplos de Cristovam Buarque, Agnelo Queiroz e Rodrigo Rollemberg. Não se sabe ainda se estará unida ou dividida em dois ou três candidatos. Mas nenhum dos nomes que tem apresentado preenche o perfil que os eleitores traçam para o futuro governador de Brasília.

 

 

 

 

 

Ibaneis até tem o perfil desejado, mas já se enreda na velha política

O perfil de governador que os eleitores de Brasília desenham não é muito diferente do definido em todo o país: honesto, ficha limpa, bom gestor, com experiência, e com capacidade de diálogo e articulação política. Os eleitores rejeitam os políticos tradicionais e seus velhos métodos e práticas, assim como os partidos políticos artificiais e envolvidos com a corrupção. Na verdade, nada há de novo nisso e é por causa desse quadro que tanto se fala em outsiders para disputar a presidência da República e os governos estaduais e do Distrito Federal.

Em Brasília, o advogado Ibaneis Rocha tem o perfil do outsider: não é um político tradicional, não há denúncias contra ele, é um advogado bem-sucedido, comandando um grande escritório, e foi vice-presidente e presidente da seccional da Ordem dos Advogados. Consta até que faz um curso de gestão pública para melhor se habilitar à disputa pelo governo.

Mas Ibaneis está errando feio ao se colocar como um “não político” que parece ansioso por entrar no antiquado e surrado jogo da politicagem como se isso fosse a verdadeira e necessária política. A pretexto de formar uma aliança que torne Brasília governável e para viabilizar sua candidatura, Ibaneis tem conversado com políticos de todos os matizes e correntes, mostrando falta de identidade e passando a imagem de oportunismo. Transmite a ideia de um “não político tradicional” sem partido que precisa dos velhos políticos e dos velhos partidos para chegar ao poder.

Matéria de Helena Mader no Correio Braziliense conta que além de negociar com o PPS e com o PDT, Ibaneis “mantém tratativas” com Tadeu Filippelli, que admira “pela capacidade de gestão”. Ibaneis chega a defender uma “união partidária mais ampla”, com PDT, PPS e PMDB, formando uma “coalizão para dar governabilidade”. Não importa se nessa coalizão estejam Filippelli e o corrupto PMDB e o PPS seja hoje um partido que abriga os denunciados Celina Leão e Raimundo Ribeiro.

Não se fala disso na matéria, mas Ibaneis também tem conversado com políticos do PTB, PP e PR, entre outros. Nada disso cai bem para quem diz pretender mudar de verdade os métodos de governar. Não é esse tipo de articulação política que os eleitores desejam. O que se quer é um governador que saiba dialogar e articular com a sociedade e com os distritais em torno de projetos e ações de governo e não se renda às práticas da velha política.

Ou seja, que faça política, mas não a velha política.