Velhos políticos devem, em outubro, ser mandados para a casa ou para a prisão

Não sei se o ministro Joaquim Barbosa seria um bom candidato, se seria eleito e se seria um bom presidente da República. Como ele desistiu da candidatura que nunca houve, não vamos saber o resto, pelo menos até 2022 e 2023. Mas, independentemente disso, não há como não concordar com o que Barbosa disse em entrevista à jornalista Maria Cristina Fernandes, do Valor Econômico, que tem um título que sintetiza o momento pré-eleitoral em que vivemos: esta eleição não vai mudar o Brasil. Como mostra Barbosa em sua entrevista, os políticos com mandato prepararam tudo para que nada mude.

Disse Joaquim Barbosa:

  • “Os políticos criaram um sistema político de maneira a beneficiar eles mesmos. O sistema não tem válvula de escape. O cidadão brasileiro vai ser constantemente refém desse sistema. Você não tem como mudá-lo. Esse sistema contém mecanismos de bloqueio que servem para cercear as escolhas do cidadão.”
  • “O sistema foi feito para cercear escolhas. Por que um cidadão tem que se filiar seis meses antes? É um absurdo que o país não permita candidaturas avulsas. Deixa de fora uma grande quantidade de pessoas.”

Minha única discordância é quanto à impossibilidade de mudar esse sistema pernicioso e corrupto que comanda a política no Brasil. É claro que isso não dará de uma tacada, nem nas próximas eleições, que não vão mesmo mudar o Brasil na dimensão necessária. Mas é possível dar alguns passos no sentido da mudança e certamente haverá, a partir de 2019, uma pressão maior para que se realize uma verdadeira reforma de nossos sistemas político e eleitoral.

Para isso, é preciso eleger em outubro candidatos que representem a mudança e a renovação, apesar de todas as dificuldades impostas por leis e normas injustas e que favorecem os que têm mandato, dão aos partidos um absurdo controle sobre os direitos dos cidadãos e privilegiam os candidatos que têm dinheiro — próprio, ilegal ou proveniente dos fundos controlados pelos caciques partidários.

O cidadão brasileiro pode deixar de ser refém do sistema se, em outubro, mandar para casa ou para a prisão a maioria dos atuais detentores de mandatos executivos e legislativos e eleger os que efetivamente querem substituir os velhos métodos e as velhas práticas que só beneficiam os políticos demagogos, picaretas e corruptos por novas formas de pensar e fazer política. Há alguns possíveis candidatos com esse perfil, da centro-direita democrática à extrema-esquerda, é só escolher de acordo com o perfil de cada um.

Joaquim Barbosa está certo na análise, mas é possível mudar, sim.